30 de junho de 2008

Filmes

Ainda noutro dia dizia que depois da tempestade vem a bonança. A verdade é que depois da bonança vem outra vez tempestade (e das grandes!). Cabe-nos aproveitar ao máximo os momentos de acalmia e de alguma felicidade, para que a tempestade não nos leve de vez, deixando-nos para sempre náufragos da vida, condenados a falar com uma bola de basket pela eternidade...


Pois na sexta-feira foi girls night out. Só eu e a minha maninha. Jantarinho seguido de cinema. Um filme animado, "de gaja", propositadamente escolhido para animar as hostes. Depois fomos animar o baile dos Bombeiros e ainda beber um copito ao Smiles. Muito bom!

"Made of honour" foi o filme. O actor Patrick Dempsey, o mesmo da "Anatomia de Grey", que além de lindo é fabuloso. O filme é levezinho, tem piada principalmente nos pequenos pormenores. Não vejam nenhum trayler antes de verem, porque a surpresa é sempre maior e melhor. Mas reparem bem no gajo dos calções curtinhos nas cenas do basquet. :) Um dos últimos, senão o último, filmes de Sidney Pollack, que faz uma perninha como pai do Tom. Vale a pena se se quiser passar um bom bocado sem pensar na porcaria da vida. ("Oh! Bill!", "Oh! Monica!").

Ontem à tarde, vi um filme de um actor de quem venho a gostar cada vez mais: John Cusack. Já tinha visto o War Inc. aqui há uns tempos e tinha adorado o humor inteligente e corrosivo do filme. Mas ontem vi o "Grace is gone". Vi em casa, sem saber nada de nada sobre o filme, só que era com o John Cusack. E adorei. É muito bonito, intenso, profundo. Talvez não tenha sido o melhor filme para ver no dia de ontem, mas foi catártico.


Este é um dos melhores filmes que vi este ano (e já foram muitos!) e esta é uma das melhores performances de sempre do John Cusack. Ele que começa agora a figurar na lista dos meus actores preferidos. Como o Brad Pitt que só tem filmes fabulosos ou o Edward Norton, o mais novito dos três, mas não menos talentoso. Estou ansiosa para o ver como Hulk, espero que não me desiluda.

Para todos os que nunca repararam bem no John Cusack, aconselho estes dois filmes (War Inc. e Grace is gone). Para quem se queira divertir e ir ao cinema rir um bocado, com um filme inteligentemente com piada, adulto, parvo, mas giro, é ir ver o "Made of Honor", fabulosamente traduzido para um "Padrinho... mas pouco" em português... ;)

Como os maiores filmes se passam na minha cabeça, é sempre bom desanuviar, vendo um filme a sério. Pelo menos aqui eu sei que é ficção. Já na minha cabeça... E cuidado aí com as tempestades, porque ouvi dizer que os ventos vão estar fortes e vai haver aguaceiros com tendência a trovoadas pela tarde e gozem as pouquitas bonanças que nos caem no colo!

27 de junho de 2008

Bonanza

Eu sou assim. Lembro-me de coisas por alguma coisa que leio, ou por algum comentário que me é feito. Comentava com a Verónica que hoje estava feliz. Não sabia bem porquÊ,se pelo fim-de-semana que se aproxima, se pela saída just girls de hoje à noite, se por saber que o meu nódulo tá mais pequeno, que a minha avó saiu do Hospital, ou se por tudo junto! E ela diz-me, que depois da tempestade vem sempre a bonanza. Já estão a ver onde isto vai dar? Pois é. Recuei mais de 20 anos e eis-me a ouvir a musiquinha do genérico dessa grande série: Bonanza!

Desde o final da década de 50 até ao início da década de 70, o convívio semanal com os quatro habitantes do rancho "Ponderosa" fez parte dos hábitos de milhões de telespectadores, um pouco por todo o mundo. Muito mais do que apenas um western, "Bonanza" transformou-se numa autêntica série de culto da televisão americana (produção da NBC), a qual retratava a saga da família Cartwright, constituída por quatro heróis americanos, o pai e os seus três filhos, respectivamente Ben (interpretado pelo actor Lorne Greene) o patriarca da família, Adam (interpretado pelo actor Pernell Roberts), Hoss (interpretado pelo actor Dan Blocker) e Little Joe (interpretado pelo actor Michael Landon, o mesmo de outro grande clássico, "Um anjo na terra")


De facto, esta fantástica saga da família Cartwright ofereceu e proporcionou, a todos os telespectadores portugueses da época, um verdadeiro espectáculo de acção, aventura, romance, comédia, drama e, por vezes, também morte e tragédia. A acção de "Bonanza" decorre no rancho "Ponderosa", um império de gado, madeiras e minas, situado perto do "Lago Tahoe", nas montanhas do "Nevada".

O dono do rancho e chefe da família, Ben Cartwright, tem três filhos, todos de mulheres diferentes, de quem foi enviuvando. São eles: Adam, o mais velho e o intelectual do grupo; Hoss, um bom gigante, bonacheirão, de coração aberto e bondoso; Little Joe, o mais novo, um jovem idealista e romântico. Porém, apesar das diferenças que existem entre eles, todos possuem, em comum, três características que os une fortemente: o sentido da honra e da justiça e a coragem. Neste ambiente patriarcal e machista, profundamente e inteiramente dominado por homens, facilmente se percebe a razão pela qual as mulheres não conseguem adaptar-se ou integrar-se e, muito menos, entrar para o seio da família Cartwright.

Era lindo e eu adorava ver. Nos tempos em que só havia dois canais. Nos tempos em que havia um sinal no canto superior esquerdo da tv a avisar que ia começar um programa no outro canal. Nos tempos em que a família se reunia em torno de um programa de televisão. Nos tempos em que eu era pequenina... Ui! Ao tempo que isto foi! Ainda digo eu que não viajo muito. Que grande viagem fiz eu agora! :)

http://deltafilmes.no.sapo.pt/Bonanza.html (para activarem a memória!!)

26 de junho de 2008

Se eu fosse....

Descobri isto dos testes estúpidos ao ler o blog do Pedro Ribeiro. Claro que fui ao site da Rádio Comercial e fi-los todos! Obtive resultados surpreendentes. Se eu fosse uma música dos anos 80 seria o Take on me, que é uma das minhas músicas preferidas:



Além disso, se eu fosse uma música romântica seria esta do Phil Collins, o que eu até acho muito bem. Gosto muito. Tenho-a no mp3 e ouço-a muitas vezes. Não sei quais eram as outras, mas parece que me encaixa bem esta.("você tem uma grande dificuldade em deixar o passado ficar no passado. As relações deixam-lhe marcas para a vida e um coração partido é mal que lhe demora a sarar"):)



Se eu fosse uma cena de um filme seria esta, de um filme que eu nunca vi, mas que decidi agora que vou ver. Porque, por mais estúpidos que estes testes todos sejam, a verdade é que a descrição se encaixa.("Para si, a verdadeira declaração de amor deve ser sempre espontânea e não treinada horas a fio ao espelho. O amor deve sempre ter como base uma forte amizade, até para o ensinar a gostar dos defeitos da outra pessoa."- isto é o que diz ao pé do resultado do teste).





A minha probabilidade de ficar milionária é quase nenhuma o que, não sei bem porquê, não me surpreende:



Além disso, e a confirmar que não vou nunca ficar milionária, eis o que o Pai Natal, o malandro, me vai trazer este Natal. Ao menos que fosse verdade...



Se eu fosse... mas a verdade é que não sou. Sou só a Ana. E gosto de mim assim. E de todos os que gostam de mim assim. :)

Beijos


Há de todos os tipos e feitios e ao gosto de cada um. Penso que aqui não há contestação. Onde ela existe, e bastante, é em quem se deve ou não dar o beijo.



Muitas pessoas já aceitam relações homossexuais, outras aceitam mas desde que não sejam confrontadas com elas. Outras, gostava de pensar que não passam de uma minoria, continuam numa de acharem anti-natura e afins. Voltamos à história das opiniões e à liberdade de pensamento. Um gay tem o direito de escolher com quem quer estar, tal como qualquer outra pessoa, assim como as pessoas também têm o direito de não serem confrontadas com o que as deixa desconfortáveis. Entendo.



Isto vem a propósito de uma notícia que saiu hoje.



"Um anúncio publicitário que terminava com um beijo entre dois homens foi retirado do ar pela própria marca, depois da entidade reguladora da publicidade ter recebido mais de 200 reclamações de espectadores, refere o The Guardian. Para além da campanha ter saído do ar, a Heinz ainda pediu desculpas pelos conteúdos «inapropriados». "


Não me choca nadinha o beijo que os senhores dão no anúncio. (Choca-me muito mais os beijos que muitos casais hetero dão, nomeadamente nas novelas, com apalpanços e afins tipo às 6 da tarde). Como não me choca nadinha o casal gay com a criancinha em casa. Já muitas crianças têm dois papás ou duas mamãs (filhos de pais divorciados, por exemplo) e isso não me choca nada. Desde que sejam criados com amor e carinho e respeito, tá-se.
Mas a partir do momento em que proibimos um beijo gay na TV, porque não proibir qualquer tipo de beijo na boca? Se em prol das criancinhas, que podem ficar chocadas por verem um beijo, então há que proibi-los todos até determinada hora da noite. Acho que ninguém tem de ser favorecido, só acho que não deve haver dualidade de critérios. O que é para uns é para outros e aceitamos isso e pronto. Era uma forma de resolver o problema. Mas este país que retirou este anúncio do ar é o mesmo que retirou o Holocausto dos programas escolares.
Fica a hiperligação para irem ver o anúncio se quiserem. Digam-me depois se acham chocante e propício a traumatizar criancinhas para sempre... Se o pessoal se beijasse mais, não andava sempre assim na retranca! Essa é que é essa!

25 de junho de 2008

História ou mito?

É uma questão de História lembrar que, quando o Supremo Comandante das Forças aliadas (Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, etc.), General Dwight D. Eisenhower encontrou as vítimas dos campos de concentração, ordenou que fosse feito o maior número possível de fotos, e fez com que os alemães das cidades vizinhas fossem guiados até aqueles campos e até mesmo enterrassem os mortos

E o motivo, ele assim explanou: 'Que se tenha o máximo de documentação - façam filmes - gravem testemunhos - porque, em algum momento ao longo da história, algum idiota se vai erguer e dirá que isto nunca aconteceu'.

Eis que esta semana, o Reino Unido removeu o Holocausto dos seus currículos escolares porque 'ofendia' a população muçulmana, que afirma que o Holocausto nunca aconteceu... Este é um presságio assustador sobre o medo que está a atingir o mundo, e o quão facilmente cada país se está a deixar levar. Passaram pouco mais de 60 anos do fim da 2ª Guerra Mundial e os movimentos de extrema direita estão novamente a proliferar Europa fora. O ódio ao diferente voltou, o xenofobismo ataca em força em mentes menos esclarecidas, fechadas e intolerantes e parece que há cada vez mais disso...

Os 6 milhões de judeus, 20 milhões de russos, 10 milhões de cristãos, e 1900 padres católicos que foram assassinados, massacrados, violentados, queimados, mortos à fome e humilhados, pelos vistos, ou nunca existiram ou morreram de causas naturais ou ainda estão vivos, os malandros, a ludibriarem-nos...

Agora, mais do que nunca, com o Irão, entre outros, a dizer que o 'Holocausto é um mito', torna-se imperativo fazer com que o mundo jamais esqueça. E mitos, são aqueles antigos dos Gregos e dos Romanos. São histórias que em algum tempo da História alguém julgou verdadeiras, embora envoltas em pormenores sobrenaturais e afins. Não há fotografias do Ulisses com a Circe, mas há fotos do Holocausto. Perdoem-me os mais sensíveis, mas se as imagens valem mais que mil palavras, eis aqui alguns dos milhões de palavras que eu poderia usar:
Há palavras?

Professores

Pois... a culpa é toda deles e tal! (repararam como já só uso o pronome de 3ª pessoa?).




É mais fácil pôr a culpa nos outros do que em nós próprios. Há muitos maus professores, como há muitos maus advogados, médicos ou cantoneiros! Há muitos maus pais, que descartam para a escola uma responsabilidade que também é deles. Há muitos maus alunos. Não falo dos que não conseguem passar de ano, mas dos que manipulam pais e professores a seu bel-prazer e que são mal-educados e que levam piolhos para a escola de propósito para contaminar a professora!



Isto surge a propósito de uma conversa que tive com uma amiga. Ela que é professora e explicadora e que me dizia que sentia mal em cobrar as explicações quando os explicandos tinham negativas. Isto prova que há professores que se interessam, que não são mercenários da educação, mas sobretudo que há quem exagere. Como ela.



Porque, e ela concordou, um professor, quando tem a consciência limpa, quando sabe que deu o seu melhor para que aquele aluno aprendesse, não tem de se sentir culpado porque o aluno não consegue. E não consegue porque não estuda, porque ficou nervoso no dia do exame, porque não consegue. Quantas vezes perguntei ao meu explicando pelos exercícios de Gramática que lhe tinha mandado fazer? Nunca os fez. Não lhe posso agarrar na mão e obrigá-lo... No exame errou uma pergunta de 20 pontos a que, tivesse resolvido os exercícios, responderia de caras. Não me vou sentir culpada por isto...


Mas, no fim de contas, a culpa é sempre dos professores, né? Pois...

23 de junho de 2008

Das palavras e outros demónios

É estranho… É estranho perceber, quase aos 30 anos, que as pessoas não se entendem. As palavras são ambíguas. Não conseguimos dizer o que queremos e geram-se mal-entendidos. Outras vezes, conseguimos dizer exactamente o que queremos, mas somos mal-entendidos da mesma forma.

Muitas pessoas não sabem usar as palavras. Não sabem construir frases e argumentos e então recorrem ao grito e/ou ao insulto. O meu pai parece achar que, ao gritar, dá mais força ao argumento que está a defender. As discussões dele não passam do repetir do mesmo argumento, mas sempre e cada vez mais alto.

Eu sempre gostei de discutir. Gosto da luta de palavras. Cada uma das partes a tentar elaborar o melhor argumento de forma a deixar a outra parte rendida, sem palavras. Admito. Dá-me gozo, dá-me pica. Nunca me chateei com ninguém depois de uma discussão (talvez com o meu pai…). Nunca levei a mal que os outros pensassem de forma diferente. Nunca me feriu saber que alguém não concorda comigo. Aliás, admiro as pessoas com personalidade, com opiniões. Com a Manuela, costumamos concordar que discordamos. :)



Não consigo conviver durante muito tempo com aquelas pessoas que mudam de opinião como quem muda de roupa-interior, ao sabor do vento e dos namorados/as.



Nos exames nacionais de 12º ano, pede-se aos alunos que redijam textos argumentativos. Porquê? Porque é uma óptima forma de mostrar que sabem escrever um texto bem estruturado e consistente. E provam (ou não) que têm conhecimentos sobre a matéria em discussão. Não se espera que, no texto de exame, o aluno desate à pancada à outra parte, porque discordam. Pode usar insultos, mas o texto é desconsiderado. Deveria ser assim na vida cá fora. Haver um árbitro que medeia os conflitos, que desconsidera a parte que use da força física ou do insulto. Porque as palavras ferem mais que punhais. Só luto com quem sabe usar as regras de respeito pelo adversário. Pessoal que dá um tiro pelas costas, que usa de má-fé e que não olha a meios para atingir os seus fins, não obrigada!

Umas pessoas, por timidez ou inépcia, não sabem o que dizer em determinadas situações. Entendo. Normalmente até as tenho rotuladas. A sério. Eu acho que sei o que esperar de cada pessoa que me rodeia. Acho que, pelo somar de atitudes e palavras, ao longo do tempo, consigo perceber como a pessoa é por dentro. Não sei, como é óbvio! E, naqueles momentos difíceis, há sempre quem me surpreenda. Pela negativa. Pessoas de quem eu esperava um telefonema ou uma mensagem. Uma palavra. Um “estou contigo!”. E nada. O telefone não toca.
Outras pessoas, daquelas normalmente de poucas palavras, daquelas que até achávamos que não queriam saber de nós para nada… essas telefonam. Essas mandam mensagens. Essas voltam a telefonar no dia seguinte e no outro. Pessoas que me entendem mais do que eu esperava. Que percebem quando algo está mal aqui no Reino de Ianita…

Espero que ao longo do tempo possa ser sempre assim. Por cada desilusão, uma boa surpresa. Ninguém substitui ninguém, mas pelo menos não fico totalmente desesperançada da espécie humana. Dá-me força… O abraço que queria consegui dá-lo ontem, mais ou menos. Agora é esperar… Já eu, só vou ao médico amanhã. Por isso, quero todas as vossas boas energias viradas para mim. OK? A todos os que ouviram as minhas lágrimas, os que aturaram a minha neura, um muito obrigada. Foi importante. Não. Perdoem-me. Foi fundamental! As vossas palavras não foram equívocas. O vosso olhar, a vossa preocupação foram sentidos, mesmo a km de distância. Não o vou esquecer.

Cartas de Amor

Cartas de amor, quem as não tem... Assim reza a música. Antiga. O Álvaro de Campos dizia que todas as cartas de amor eram ridículas... Não seriam de amor de não fossem ridículas e, ao fim e ao cabo, só quem nunca escreveu cartas de amor é que é ridículo.
Eu escrevi mais do que recebi. Mas parece-me que não é surpresa para ninguém. Sou uma pessoa muito dada a palavras. Mais as escritas do que as ditas, embora haja quem me reconheça qualidades de boa oradora. Eu nem tanto. Meto os pés pelas mãos e normalmente dou passos maiores que as pernas. Nas cartas, as palavras são mais pensadas, cada uma pesada cuidadosamente... Ou não. Porque as minhas cartas têm a tendência a serem longas. Tenho um enorme talento para escrever páginas e mais páginas sem dizer nada de jeito... Mas acho mesmo as cartas de amor ridículas e acho que se lhes pusesse as mãos em cima, rasgaria todas as que já escrevi. Levaria umas horas, mas rasgaria! Não que me tenha apaixonado muitas vezes, mas porque sempre gostei de escrever muitas cartas... Mas as minhas cartas, acho eu, não são tão ridículas como esta do Nandinho (leia-se Fernando Pessoa). Aliás, todas as cartas dele são fabulosamente ridículas, mas esta...
"Bebezinho do Nininho-ninho:

Oh!Venho só quevê pâ dizê ó Bebezinho que gotei muito da catinha dela. Oh!E também tive munta pena de não tá ó pé do Bebé pâ le dá jinhos.

Oh! O Nininho é pequenininho!Hoje o Nininho não vai a Belém porque, como não sabia se havia carros, combinei tá aqui às seis ho'as.

Amanhã, a não sê qu'o Nininho não possa é que sai daqui pelas cinco e meia. (desenho de uma meia) (isto é a meia das cinco e meia).

Amanhã o Bebé espera pelo Nininho, sim? Em Belém, sim? Sim?Jinhos, jinhos e mais jinhos.

Fernando"
Uma carta fabulosamente ridícula...

20 de junho de 2008

...

Precisava agora mesmo de um abraço daqueles tão apertados que nos tiram a respiração. A pessoa que eu queria abraçar não está aqui, nem sei se vai voltar a estar...
Espero só que não demore a chegar e, acima de tudo, que chegue. Pelo menos uma última vez... Era só isso. Suspendo, cancelo, elimino para sempre todos os meus outros pedidos.

Uma fénix a arder...

Se a chama chega,
E ninguém chega à chama
Do que vale arder?
Se o barco parte sem velas
De que serve a maré?

Não se mostra o trajecto
A quem parte para se perder
Não se dá boleia
A quem precisa de ir a pé.
E é como quando pensas que estás a chegar
E não deste um passo.
Onde eu estou, nada mais pode crescer
Eu sou assim, uma fénix a arder
São só os meus erros, e toda a minha culpa
E é todo o meu cansaço

Hoje até o ar anda cansado
Preciso de um enigma
P'ra pôr fim ao propor
Não sei o que me deu, não costumo estar assim
Desço a rua que passa, rente à boca do mundo

Sinto a vida que passa
E os rumores que circulam na boca do mundo

Onde eu estou, nada mais pode crescer
Eu sou assim, uma fénix a arder
São só os meus erros, é toda a minha culpa
É tudo o que faço
E é todo o meu cansaço
E é tudo o que faço
E é todo o meu cansaço
Por fim, por fim...
Sinto a vida que passa
Na boca do mundo, não se sabe quem é quem."


Uma fénix a arder. A imagem é bonita. Será possível auto-renovarmo-nos constantemente? A cada dia? A cada desilusão? As máscaras que pomos todos os dias, as nossa personae, serão renováveis? Teremos esta capacidade de renascermos das nossa próprias cinzas como a fénix? Poderemos suportar todo o peso do mundo nas nossas costas? Todas as bocas do mundo?


Não tenho respostas. Carregamos connosco o nosso passado, a nossa estória, que pesa mais que qualquer peso físico, mais que o elefante que a fénix conseguia carregar. Contrariamente ao que pensamos sempre, conseguimos sempre, todos os dias, superar o insuperável. A cada desgosto, a cada coração partido, a cada desilusão, a cada partida da Natureza humana... E, a cada passo que damos, é maior o nosso fardo. Conseguimos, então, ressurgir das nossas próprias chamas? Ou seremos sempre os mesmos... mais velhos, mais maduros, mais "pesados"? Mas se somos mais, então já não somos os mesmos... nunca mais seremos os mesmos.


Uma fénix a arder...

19 de junho de 2008

Pontaria

Houve um amigo meu que me disse que ficou surpreendido por ver que no meu blog se falava de futebol. Estão a pensar bem. Se não sabe que eu adoro futebol é porque não é assim tão amigo. Mas ele tem uma desculpa até aceitável, embora não a vá partilhar convosco! :)

Como há muito tempo que aqui não falava de futebol, e em dia de quartos-de-final, há que prestar mais uma homenagem (porque nunca são demais!) ao nosso grande seleccionador, Luís Filipe Scolari.


Já nem falo da vergonha que foi o castigo que lhe deram. (e o outro que tirou o cartão da mão do árbitro e apanhou 1 ano de castigo!).

"Eu não acertei no minino!". E é verdade, ele não acertou no fulano, mas porque ele se desviou, porque aquilo ia dar um selo daqueles! :) Ah porque não acertei, ah porque estava a defender um jogador, ah porque sou burro... Desculpas! Eu, pessoalmente, não vou ter saudades. Eheheh! Achei o cartoon lindo e parece-me que o jogador com o telemóvel é o Deco...

18 de junho de 2008

Para a Verónica...

Aqui está uma resposta com nível! :)

Aniversário

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,

Eu era feliz e ninguém estava morto.

Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,

E a alegria de todos, e a minha, estava certa como uma religião qualquer.


(...)


O que eu sou hoje é como a humidade no corredor do fim da casa,

Pondo grelado nas paredes...

O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas)

O que eu sou hoje é terem vendido a casa,

É terem morrido todos,

É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...


No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!

Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,

Por uma viagem metafísica e carnal,

Com uma dualidade de eu para mim...

Comer o passado com pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!


(...)


Pára, meu coração!

Não penses! Deixa o pensar na cabeça!

Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!

Hoje já não faço anos.

Duro.

Somam-se-me dias.

Serei velho quando o for.

Mais nada.

Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...


O tempo em que festejavam o dia dos meus anos..."



Álvaro de Campos


Este poema, um dos meus preferidos de sempre, dedico-o à minha irmã que já não queria fazer anos. Mas fazer anos é tão bom! É ter toda a família reunida só por nossa causa, é ter os nossos amigos ao nosso lado, é festejar a nossa vida e isso é importante! Aliás, a família Francisco a cantar o "Parabéns a Você" é digno de se ouvir. Fantástico! Merecia um Emmy! :)
Sejamos felizes com o que temos, para que não nos lamentemos mais tarde. Já dizia o outro, que a felicidade está não em se ter o que se quer, mas em querer o que se tem...

Eça de Queirós

A Verónica gosta muito dele e há mais quem goste dele a bem dizer. Eu sempre achei Eça um bocado aborrecido, nunca comparável ao mordaz Camilo. Mas as opiniões são assim, não é? E cada um tem a sua e quem quiser dá-la... :) Não sou fundamentalista, vejo no sr algum talento e algumas boas tiradas, esta é a minha predilecta:
«Os políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente e pela mesma razão.»


17 de junho de 2008

Timings

O Alvim é o meu novo ídolo. A prova que o humor serve, na maioria da vezes, para esconder a grande fragilidade que vai cá dentro.
Sempre me atrairam os homens com sentido de humor. Sempre os achei mais bonitos, mesmo quando mais ninguém os achava bonitos. Porque para se ter sentido de humor é preciso ter inteligência, e porque muitas vezes não passa de uma defesa. O Alvim é um daqueles palhacitos a quem ninguém dá muita importância. Mas, desde que descobri o blog dele, comecei a ter uma opinião diferente. Já uma vez aqui reflecti a propósito de palavras dele. Hoje transcrevo-as, porque eu não diria melhor...

"E assim, há muitas pessoas que continuam a não respeitar esta elementar regra, a da colheita no tempo certo, convencidos que estão, de ainda poderem apanhar maçãs em Fevereiro. Não podem. Existe um tempo para tudo e se não apanharmos o que ele nos dá na altura certa, nada retiraremos dele. Falharemos o timing ou pura e simplesmente o deixaremos passar como se estivéssemos de boca aberta, na janela do carro, a ver um palácio muito bonito. E depois disto, quando passamos, quando percebemos o que ficou para atrás, é que entendemos que o timing era aquilo. E era tão simples de entender. Pelos sinais que nos faziam, pela forma como nos olhavam, por aquilo que nos diziam. Tão simples de entender caramba e nós ali, numa espécie de gaguez mental que nos retrai em vez de nos fazer ir em frente.



E o mais curioso é quando entendemos tudo desde o início mas achamos que ainda não é o timing certo, que ainda precisamos de mais uma prova ou outra que isto não é assim, mais um jantar, mais um cinema, mais umas férias que eu depois quando vier decido, mais uma carta, um telefonema, uma mensagem cautelosa que eu não tenho a certeza, mais um dia a seguir a outro, mais uma semana em que não nos vemos, mais uma semana que nos vemos sem nos ver, até ao dia em que percebemos, que perdemos todo o “Timing” que até aí nos unia. "
Vai ao encontro daquele problema do primeiro passo... Estarei a adiar a vida? Será que já só me restam os caroços na árvore? A Natureza renova-se, pró ano volta a haver timing certo para a colheita, mas as pessoas não são árvores... Entendo. Mas...

16 de junho de 2008

Esquecimento

"esta é sobre ti


tem amor e ódio


é para ires ouvindo nestas horas d'ócio


ínfima parte de um sonho perdido


libertei-o, ja o tinha esquecido


é um sinal...


espero o momento na sombra da rua


ouço uma voz que me lembra a tua


passei pelo risco de sofrer


por não ler os teus sinais


é um sinal... para recomeçar...



quero ver gente, quero ver a terra


chegar a casa e ter alguém à espera


quero um presente, quero ser bera


quero ser submissa, quero ser a fera



leva-me as areias quentes


que me instigam os sentimentos


que me deixam nua perante os elementos


ensina-me a escavar objectos sem estragar


para que sorrir seja sempre vulgar


dá-me de beber, finas gotas desse mel


para que o meu saber não esteja só no papel


incita-me a lembrar


o teu gosto pelo mar


para que um dia fique pronta a zarpar


esperar que amanha tudo seja diferente...


e tu possas estar presente..."


Mesa

;) Quando se encontra um poema destes... A dualidade que vive em nós, que vive em mim. Ir-ficar, avançar-recuar, amor-ódio, submissa-fera. A vida não são meios-termos. A vida é isto. Eu sou isto...

15 de junho de 2008

Parabéns mana!

Só acho que as velas não chegam! :) Beijo gigante e que a vida te comece a retribuir de tudo o que já deste a todos nós que temos a sorte de te ter na nossa vida! Te adoro miúda!

14 de junho de 2008

Bom dia!

Nada como uma boa careta para se começar muito bem o dia! :) Isso e as cuecas com foguetões!

12 de junho de 2008

Um colosso!

Ainda num dia destes, em conversa via skype, a Verónica me dizia que eu era um colosso. Embora me tivesse, não sem bem porquê, soado a falso e irónico, até gostei do nome que me foi chamado.

Porque a verdade é que sou colossal em tudo: nas qualidades e nos defeitos também. Comigo nada fica pela metade. Ninguém espera meias opiniões, nem meias frases e muito menos meias palavras. Talvez os patrões, mas isso já tem que ver com uma aprendizagem daquelas bem difíceis.

Sou um ser colossialmente (neologismo!) cheio de manias, de opiniões, de doenças (!), de exigências, de generosidade, de teimosia, de chatice, de lamechices, de sono :), de vontade de ser mais, muito mais do que sou. Para o bem e para o mal, sou um colosso! Só sou pequena de tamanho, mas até isso se remedeia com os meus saltos dourados de 9cm :) ! É tudo isto que se pode esperar de mim e colossialmente muito mais!

Só espero que não venha a ser destruída, como o velhinho Colosso de Rhodes, uma das 7 maravilhas da antiguidade. E também não ansejo a ser maravilha, só Ana.

Ingratidão

Ontem ouvi um comentário que não entendi.
Hoje pedi esclarecimentos (eu sou assim um bocadinho loura e por isso é que as coisas demoram...).
Fiquei mesmo muito feliz com a vitória portuguesa, que ainda beneficiou da derrota suíça e assim garantiu, não só a passagem aos quartos de final, como o primeiro lugar no grupo.
Mas fiquei também muito feliz com a notícia da saída do Scolari. E não, não considero que seja ingratidão.
Em primeiro lugar: ninguém pode negar que ele tem uma grande equipa.
Em segundo lugar: o que impediu, por exemplo, Humberto Coelho de levar a Selecção a uma final de um europeu, foi um acidente, um erro, que deu em penalty no prolongamento. Ou seja, não fomos cilindrados pela França e um penalty daqueles pode acontecer a qualquer equipa em qualquer momento. Basta para isso estar lá!
Em terceiro lugar: um bom treinador vê-se pela táctica que utiliza e pelo modo como a adapta aos jogadores que tem disponíveis, ao adversário e a muitas outras coisas que agora me escapam.
Em quarto lugar: foi muito bom termos chegado à final do Euro 2004, mas, ao contrário daquele jogo com a França em 2000, este jogo com a Grécia foi muito mal jogado. E não foi por azar que perdemos. Peço desculpas, mas é assim.
Em quinto lugar: Podem até argumentar que a Grécia, para chegar à final, teve de derrotar boas selecções. Verdade. Mas nenhuma delas jogou 3vezes contra a Grécia no prazo de um mês. Repito, num mês perdemos TRÊS vezes contra a Grécia.
Em sexto lugar: Fizemos, de facto um bom Mundial, mas fizemos um apuramento da treta para este Europeu e vamos lá ver se não trememos frente à Polónia, se forem eles a ficarem em segundo lugar no Grupo B.
Em sétimo lugar: Não lhe devemos nada, porque ele ganha dezenas de milhares de euros para fazer meia dúzia de jogos por ano e ir de 15 em 15 dias à Federação.
Em oitavo lugar: Agora, que ainda por cima vai para o Campeonato inglês, vai ter de fazer dois jogos por semana, é que eu quero ver como é que ele se desenrasca.
Em nono lugar: Nós temos uma grande selecção e ele só tem de os pôr a jogar. Porque não me venham dizer que ele treinou muito os jogadores porque todos sabemos que é mentira, já que esta fase de preparação foi mais marketing que outra coisa. Pareciam focas amestradas! Só faltava mandarem-lhes amendoins!
Em décimo lugar: Não tenho mais nada a dizer, mas já agora, ficam dez motivos por que o Scolari não presta. :)
Só espero que não se lembrem de ir buscar um Peseiro ou um Manuel José (como ainda ontem ouvi, benza-me Deus!), porque é maior a emenda que o soneto. E se estou a ferir susceptibilidades, desculpem-me, mas quem não está a treinar é porque não é bom. Ponto. E há outros que estão a treinar e que também não são bons, mas isto já sou eu que sou implicativa, né?

11 de junho de 2008

Portugal!

É pena estar a trabalhar, mas, embora não possa, sinto-me de cara pintada e de bandeira na mão. Resta-me o relato na Antena 1... Éh, Portugal olé! Portugal olé, Portugal olé, Portugal olé!

Coimbra...

Não posso dizer que tenha mais encanto na hora da despedida. Chorei muito naquela última noite da minha última queima. Tenho lá estado em todas as queimas depois dessa, mas essa, a de 2003, é que foi a última. Ainda me lembro de ver os fogos sobre o rio e de me virem à cabeça imagens, flashes de outras queimas, da primeira ainda no Parque, e de me virem aos olhos as lágrimas.




Mas não foi só nesta hora, a da despedida, que reconheci a Coimbra o seu encanto. Vinha a casa o mínimo de vezes, só mesmo para os meus pais não me deserdarem e me continuarem a dar a mesada! Os únicos arrependimentos, não são de não ter ido a mais aulas, nem de não ter uma média melhor (porque ao fim e ao cabo, não valeria de nada na mesma), mas de ter tido juízo demais nos últimos anos de Coimbra. Os primeiros anos, os do degredo, os do Buraco Negro, sózinha até de manhã, de adormecer nas Monumentais a olhar as estrelas, os da praxe, os dos cinco anões, os do Clube dos Gambuzinos, ui!, e de tantas outras coisas que dói só de lembrar, esses é que foram os anos!




E de os ter vivido intensamente é que ainda hoje sinto saudades! Admito que haja quem não tem saudades, mas eu tenho e muitas! Tinha uma independência que não consigo ter hoje, a minha casa, as minhas coisas, fora de casa até de manhã sem ninguém me chatear. Podia faltar às aulas e agora não posso faltar ao trabalho... Ele há coisas...!



Há um fado de Coimbra de que eu gosto muito, que me faz choramingar, que me faz recuar 10 anos (sim! 10 anos!)... Deixo-vos o poema, mas isto com a guitarrada de Coimbra fica muito melhor...
Sentes que o tempo acabou


Primavera de flor adormecida


Qualquer coisa que não volta, que voou


Que foi um rio, um ar na tua vida





E levas em ti guardado


O choro de uma balada

Recordações de um passado


O bater da velha cabra...





Capa negra de saudade


No momento da partida


Segredos desta cidade


Levo comigo prá vida!




Sabes que o desenho do adeus


É fogo que nos queima devagar


E no lento cerrar dos olhos teus


Fica a esperança de um dia aqui voltar.


(...)



São muitos os segredos que eu tenho guardados e estimo-os e revivo-os sempre! Voltei já muitas vezes e volto sempre que posso, mas nunca mais foi o mesmo e temo que nunca mais será... Ficam as tertúlias com os amigos, os mesmos daqueles tempos, e quase todas as conversas começam com um "lembram-se quando...". E lembramos sempre. Fica isto mesmo: os amigos e as recordações de um passado que é muito mais que isso! ;)

10 de junho de 2008

Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades

Porque há quem não saiba por que é que hoje é feriado...


Quando nos estamos a preparar para assassinar a língua portuguesa, quando pessoas que nunca vieram a Portugal estão a berrar pela nossa Selecção até perderem a voz, é tempo de pensar o que significa isto de se ser português.Eu sei que o dia é de Camões, mas eu sempre preferi o Fernando Pessoa e a verdade é que é dele a frase que, para mim, melhor define isto de se ser português: "A minha pátria é a língua portuguesa!" Por isso é que não me importa nada que finalmente se admita que aquilo que os brasileiros falam não é português. Porque a pátria deles não é a nossa, nem tem nada que ser!



Ser português é Camões e Pessoa e Sophia e Saramago e Aleixo a transpirar nas nossas palavras; é sardinhas assadas em cima da brôa; é melão; é o futebol ao Domingo; é santos populares; é a bela da bifana; é o cozido e a feijoada e a alheira e a chouriça e as migas; o tinto; a mini; os tremoços e as pevides e os caracóis; é o deixar tudo sempre para a última; é o chegar sempre atrasado; o pastel de nata; é a padeira de Aljubarrota que deu uma coça nos espanhóis; ser português é algo que me escapa completamente, mas que me define totalmente! É toda uma cultura e a língua, como veículo de cultura, vale mais que as fronteiras mais antigas da Europa e é o que nos une. Pronto, a língua e o Cristiano Ronaldo! Mas é que o futebol é a única forma de voltarmos a dar uma sova nos espanhóis como já demos há centenas de anos! Por isso, ser-se português é também esquecer as dívidas e gritar pela Selecção até se perder a voz e chorar com o Hino...


Ser-se português é fantástico, mesmo com crise e com antigos sofistas a darem-nos cabo do juízo e do bolso, mesmo depois de tudo de deprimente que vemos nos telejornais, vou terminar com uma frase que é tipicamente portuguesa: "podia ser pior!"

9 de junho de 2008

O primeiro passo...

Fui dar a minha voltinha pelos meus blogs de sempre, os mencionados aí ao lado, e li algumas coisas que me deixaram a pensar.

O Alvim escreveu um texto fantástico sobre o primeiro passo. Basicamente, para quem não quiser ir ler, embora devesse, ele diz que Portugal se deixa estar confortavelmente sentado à espera que sejam os outros a dar o dito primeiro passo. Porque somos pequeninos, porque temos medo do escuro, porque temos medo de nos expor ao ridículo. Não somos os primeiros na pista de dança, como não somos os primeiros a fazer nada e, por isso, somos sempre os últimos em quase tudo.

Tudo verdade. Temos de nos insurgir! Dar o grito do Ipiranga! Assumir o controlo do nosso País e do nosso destino... porque, já dizia o manelito, o D. Sebastião não vem! :)

Mas isto fez-me pensar noutros primeiros passos. O mesmo tipo de passos que nos podem expor ao ridículo, que nos podem fazer querer pôr a cabeça na areia para o resto da vida, mas que também podem correr muito bem... Mas há o risco, mais ou menos calculado, de nos espalharmos ao comprido. E por mais que eu dê razão ao Alvim e ache mesmo que temos de fazer algo, porque, de facto, está nas nossas mãos mudar o rumo das coisas, eu acho que ele não se referia ao engate.

Sou uma mulher independente e sem complexos, mas sou incapaz de dar o primeiro passo quando vejo alguém que me interessa! Incapaz! Dói-me proferir estas palavras, admitir que sou incapaz de alguma coisa, mas é a verdade... Posso dar a entender, enviar sinais, dar dicas, mas chegar e dizer: "Gosto de ti!", ou roubar um beijo... Impossível! Nem na pior das bebedeiras!

E por mais que eu saiba que assim posso nunca sair do sítio, posso ficar na retaguarda da vida ad aeternum, não consigo ser diferente disto! Exagero? Imaginem que dou em me interessar por um tímido? Isto é coisa para demorar anos a desenvolver-se! :) Ou não, porque eu não tenho muita paciência para esperar pelo primeiro passo. Devia ser mais tolerante com os homens, visto caber-lhes a eles o primeiro passo que eu não consigo dar, mas não consigo ser! Têm a vida facilitada de tantas maneiras que isto, este risco horrendo, esta adrenalina de não se saber se se recebe um beijo ou uma estalada na cara, cabe-lhes a eles!

Peço desculpa, mas este primeiro passo eu não o dou...

À terceira não foi de vez...

Ainda não foi ontem que o melhor tenista de todos os tempos (faltam só duas vitórias) conseguiu bater o Nadal na terra-batida de Roland Garros... Eu estava mesmo confiante que a terceira seria de vez, mas não foi o que aconteceu.

Ele é o melhor do Mundo, mas na terra-batida não chega aos calcanhares do Nadal, a verdade é esta...E não é que o Federer seja muito mau na terra-batida. Não esquecer que ganhou o Estoril-Open e que nos últimos 3 anos tem chegado sempre à final do Roland Garros. Só que, para seu infortúnio, é sempre contra o Nadal. E ontem... ontem foi humilhado, eliminado com uns parciais 6-1, 6-3 e 6-0. É o torneio do Grand Slam que lhe falta...


Gosto do Federer, não só pelo jogo (e que jogo!),mas porque é um grande homem e um exemplo. Não se vê nele uma atitude menos digna (não é dos que insultam os árbitros, ou contestam as jogadas, ou dos que partem raquetes), nem uma palavra menos digna. Se calhar, por ser contido demais, é que ontem não se enervou e ganhou um jogo que até esteve ao seu alcance, algures durante o 2º set. Tive pena...

8 de junho de 2008

Selecção, caracóis e Safari!

No salão de festas da Pocariça, o ambiente era de festa, de alguma tensão... Ouve-se o hino. O árbitro apita. Começa um jogo de nervos. De nervos, porque os postes teimavam em fazer parte do jogo, porque o árbitro auxiliar estava numa de marcar foras de jogo sempre que lhe apetecia, e porque a bola teimava em não entrar...

Gostei do que vi. Gostei do jogo. Não apanhei seca, como no Suíça-República Checa. É claro que o Deco é uma sombra do jogador que sabemos que pode ser. Devia ter sido substituído muito mais cedo, mas o Scolari é assim teimoso.

Destaco, pela positiva, um Pepe muito seguro que, quando subiu, desequilibrou. Um Ronaldo que esteve nos dois golos, mas que não teve a sorte de marcar. O Simão esteve muito bem, até sofrer aquela falta horrível, depois eclipsou-se. Mas o melhor foi mesmo o Moutinho. O meio-campo foi dele. Dominou. Sem dar nas vistas como o Ronaldo, mas sem falhar, super seguro, passes milimétricos, lindo! Adorei!
A lamentar a atitude das autoridades suíças. Parece-me que não estão muito habituados a vitórias e a explosões de alegria! Cromos!

Esta vitória, que me soube tão bem, é bem merecida, não pelo Scolari (que eu continuo a detestar!), mas pelos adeptos. Os que pagaram 10€ para verem um treino, os que andaram centenas de kms para apoiar a Selecção. É, de facto, uma verdadeira força de campeões!

A acompanhar este jogo, para além dos nervos, estiveram uns bons petisquinhos, daqueles tão próprios do Verão, de que eu já tinha tantas saudades!

Depois do jogo, numa de festejar a vitória, lá fui até ao Smile, novo bar aqui da Freguesia, malhar uns safaris. E que saudades eu já tinha de malhar uns safaris. Eu e o Safari não fomos feitos para estarmos durante muito tempo longe um do outro!
Digamos que vim para casa alegrinha! Pela grande vitória de Portugal, pelo reencontro com o meu grande amigo Safari, e por otras cositas más, que não posso agora revelar... ;)

6 de junho de 2008

Os pequenos nadas...

«Gozo os campos sem reparar para eles.

Perguntas-me por que os gozo.

Porque os gozo, respondo.

Gozar uma flor é estar ao pé dela inconscientemente

E ter uma noção do seu perfume nas nossas ideias mais apagadas.

Quando reparo, não gozo, vejo.

Fecho os olhos, e o meu corpo, que está entre a erva,

Pertence inteiramente ao exterior de quem fecha os olhos

À dureza fresca da terra cheirosa e irregular,

E alguma cousa dos ruídos indistintos das cousas a existir,

E só uma sombra encarnada de luz me carrega levemente nas órbitas,

E só um resto de vida ouve.»


Alberto Caeiro


Não concordo muito com o modo de vida que ele anseja, mas há algo de maravilhoso em, simplesmente, "sit back and enjoy". Deixar que os nossos sentidos apreendam a verdade que nos rodeia e não permitir que a razão nos nuble a vista...

Cinderela

Não é que algum dia tenha sido uma Gata Borralheira, mas hoje em dia sinto-me uma verdadeira Cinderela!


Como quando a Cinderela está no Baile com o príncipe, também eu, por volta das 23:30 (pronto! eu é um bocadinho mais cedo que a Cinderela!) começo a ouvir badaladas!


E antes que a minha carruagem se transforme em abóbora e eu fique apeada, lá vou eu para a caminha com a minha indespensável ursa azul (e sim, ela ainda está viva e de saúde e continua a animar as minhas noites).



Por isso... a todos os que querem que eu vá tomar café durante a semana ou que querem telefonar-me ou mandar mensagens, a partir das 23:30 eu encerro a loja.



Eu sei que isto não é muito normal, mas sem as minhas 8h eu não funciono. Aliás! Com 8h de sono funciono mal. Isto a bem ser, devia conseguir dormir umas 10h, mas eu até gosto de ver alguma TV, por isso... tenho de me contentar com as 8h de sono semanais e as 12h ao fim-de-semana! :)

Por isso, tenham paciência! Vivamos para os fins-de-semana e feriados e não me gozem muito! :)

5 de junho de 2008

Era um destes sff!


Melgas!

O Dalai Lama que me perdoe, mas detesto melgas e não perco a oportunidade de as matar sempre que consigo!


Em minha casa há sempre muitas, porque a minha vizinhança tem o mau hábito de, de vez em quando, mandar umas descargas de, chamêmos-lhes águas, águas para a rua. Habitat mais que propício ao desenvolvimento
saudável desta espécie maléfica


Ao que consta, o meu sangue é daqueles saborosos e elas não perdem uma oportunidade de o chupar!


À medida que os anos foram passando, fui-me tornando pró na caça à melga. Consigo matá-las em pleno vôo! Mas há sempre meia dúzia que escapa e que me faz a vida num Inferno!


Ontem, consegui um feito incrível. Matei uma melga directamente na minha testa! Ah pois é! Estava ela já em pleno "chupamento" do meu sangue e eu, Trás! Matei-a! Isto é o meu instinto que está apurado até ao último nível! Senti que o meu sangue estava a ser chupado e Pumba! Dei cabo do gatuno! Eheheheh!!!

4 de junho de 2008

No comments...


Recebi agora o recibo de vencimento. Não vou dizer mais nada. Já marquei a viagem de Cruzeiro para as ilhas gregas e entretanto inscrevi-me para ir ao espaço!

Cafuné

Este post é especialmente dedicado a um amigo meu que, mesmo estando a precisar de um "cafunézinho", não sabe o que isso é... Ora para quem não sabe:

    1. Produzir estalidos na cabeça de alguém, imitando a morte de piolhos entre o pressionar das unhas.

    2. Acto de acariciar a cabeça de alguém para o adormecer, contemplar ou relaxar.

Para inspirar o pessoal a aderir à moda do cafuné (e entenda-se que não me refiro a catar piolhos, porque já me vi livre disso no momento em que deixei de dar aulas!), aqui vai uma musiquinha certaneja:


Mamãe Me Faz Um Cafuné



Eu hoje tive um dia cheio



Cê sabe bem como é que é



Corri, pulei o dia inteiro


Mamãe me faz um cafuné



A escola me deixou cansada


Um bom recreio quem não quer


E pra deitar bem sossegada


Mamãe me faz um cafuné


Eu hoje já fui todos os heróis


Gritei no pique-esconde


Quase que perdi a voz


O meu melhor momento


É sentir a tua mão


Bem pertinho do meu coração


Mamãe


Preciso tanto de um carinho teu


Mamãe


Cê sabe bem como é que é


Mamãe


Preciso tanto de um carinho teu


Mamãe


Vê se me faz um cafuné


:) O meu amigo cromo precisa de um cafuné da Mamãe, mas caros colegas cibernautas, um cafuné sabe melhor se não for da Mamãe!!!

3 de junho de 2008

Previsões

Dizem os meteorologistas que vamos ter vagas de calor este Verão.
Dizer que vamor ter vagas de calor este Verão, é o mesmo que dizer que vai haver incêndios, que vai chover no Inverno e que o Benfica na próxima época vai ser campeão!

Chateia-me um bocadinho esta gente que faz manchete de notícias óbvias como se fosse o maior achado de todo o sempre... Tipo, amanhã vai ser 4ªfeira! Daahh!
Já que é tão fácil fazer-se futurologia, também me vou lançar nesta nova ciência. E as previsões da Madame Ianita são:
  • Benfica campeão (fácil!)
  • O Scolari vai de vela (estou a fazer figas!)
  • A gasolina vai chegar aos 2€ litro (damn!)
  • Eu vou ficar super magra por fazer 26 km/dia a pé
  • Vou receber o suficiente para poder, vá lá, alugar um apartamento (pronto, não é bem uma previsão, mas mais um desejar mesmo muito forte...!)

Para mais previsões, é favor ligar para o meu nº de valor acrescentado e eu terei todo o prazer em vos responder! :)

(Agora ficava aqui bem uma foto minha vestida de cigana, taróloga, futurologista, madame... mas este blog é pequenino e não há condições técnicas...)

2 de junho de 2008

PARABÉNS SARA!!

Pois é... para melhorar o humor de uma tia babada como eu, depois de uma tarde agonizante, eis que a minha sobrinha conseguiu os mínimos para os europeus! Depois de em Março se ter sagrado campeã nacional, nos nacionais de Inverno, depois de recorrentes chamadas à Selecção Nacional, eis que agora são os europeus!

Eis como uma miúda de 15 anos descreve a sua vida e a sua paixão pela Natação:
"Natação… Uma Vida! É para isto que vivo, é para isto que trabalho, me dedico, me esforço ao máximo, é disto que gosto! É a minha vida, é isto que me faz viver, é isto que me dá prazer em fazer todos os dias! É com isto que choro e riu, porque nada é um mar de rosas! É isto que me faz subir ao topo, faz-me vibrar! Amo nadar! Amo levantar-me as 6h da manhã para ir treinar, amo ficar até as 9h da noite na piscina! Sou completamente dependente da água com cloro (= Preciso da Natação para viver (=
"Swimming is not a passion, it's an OBSESSION!"

Sou Feliz no que faço! "

E sim, só tem 15 anos! E treina duas vezes por dia, todos os dias e aos sábados é só de manhã, isto quando não tem provas todo o fim-de-semana, e tem de faltar a dias de aulas. Falta a imensas aulas, não tem literalmente tempo para estudar e está a terminar o 9º ano, sem ter chumbado, e vai para o 10º com uma negativa a Francês... Seria uma aluna de 5 caso tivesse tempo para estudar ou talvez não. Porque a Natação dá-lhe motivação extra! Ao contrário da maioria dos miúdos da idade dela, ela sabe o que quer, os seus objectivos estão bem definidos e trabalha para eles todos os dias. Não é só quando faz sol, ou calor... Todos os dias! É por isso que ela é a minha heroína! Gostava de ter metade da determinação dela, quando tenho quase o dobro da idade dela! Tenho orgulho dela todos os dias, e não só hoje quando conquistou mais este grande objectivo! Porque tem a cabeça no lugar e consegue ter poucas manias parvas próprias da idade (bem... a pior é ter o telemóvel fundido à mão!).

Vou parar porque já tou quase a chorar! Fica a minha homenagem à minha menina (sim! porque ainda é uma menina e ontem foi o dia dela!) e prometo que arranjo maneira de a ir ver aos Olímpicos daqui a 4 anos! Nem que tenha de vender um rim! :)


1 de junho de 2008

Tinha de ser!

Eu bem queria fazer deste blog um espaço de encontros, de amor e carinho, mas estou profundamente irritada e, no fim de contas, este blog deve reflectir-me.
Ora, contava eu passar um Domingo descansadinha no sofá da sala, a ver filmes e séries e tudo o que a TV nacional tivesse para me oferecer no dia de hoje. Mas... parece que a febre pela selecção é tão grande que já me contagiou e pela negativa.


Não me entendam mal. Eu adoro futebol, adoro a selecção e até choramingo a ouvir o Hino Nacional. Mas isto que se está a passar na TV portuguesa não tem nada que ver com a selecção e muito menos com futebol! Três canais com uma programação da treta e a acompanharem o percurso do autocarro e todos os movimentos da selecção.



Estou farta! E eu que adoro desporto e ainda pensei que podia mudar para a dois e ver qualquer coisa de jeito, mas hoje estão numa de hipismo e eu não vou nessa! Basta-me ir misturando uns poucos comentários interessantes do Tadeia na Rtp1, com a apresentação histérica da super meiguinha e adorável ex-Floribella e as intervenções musicais de grandes ídolos da música portuguesa.



(Um aparte: sabiam que o avião que vai transportar a Selecção para a Suíça se chama Josefa de Óbidos? E que o Moutinho entrou no avião antes do Miguel Veloso? E que os jogadores se vão sentar na parte de trás do avião? Informações vitais para o normal funcionamento da minha tarde. Aliás, ao enumerar, um a um, os jogadores à medida que entravam no avião, será que estavam à espera que algum deles não entrasse? Qual o interesse? Ah! O Ricardo Carvalho entretanto tirou o casaco e o Nuno Gomes ainda está de pé!)



Então surge um Leandro, com a música "Virgem Maria", a quem ele pede, roga, implora à Virgem que lhe devolva a mulher da vida dele! E a Ronalda, que não podia faltar, com uma música especialmente dedicada ao Euro...


Já há muito que estava farta deste mau jornalismo que rodeia a Selecção. Mas hoje cheguei ao meu limite de paciência! Não me interessa saber o que eles almoçaram, não me interessa saber se arrotaram ou não, não me interessa saber o nome do avião que os vai levar, não me interessa saber quem ainda está de pé ou quem é que já se sentou!! Salva-se mais ou menos a RTP1 que lá va falando da transferência do Postiga, da proibição de as pessoas festejarem as vitórias (!) portuguesas na Suíça (isto é ridículo!), do grupo, ... Influência de um sóbrio Paulo Catarro, um excelente comentador que é o Tadeia e agora juntou-se o Marcelo, que pelos vistos é especialista a falar de tudo, mas a não fazer nada!

Entretanto começou Hóquei na dois, um Porto-Benfica que nós já estamos a perder. Acho que me vou render ao DVD.