31 de outubro de 2008

Ó tia dá boliiinhooooo?

Qual noite das bruxas qual quê. O dia do Bolinho é que é. Como eu adorava este dia. Um dia inteiro para andar na rua, de porta em porta, a pedir doces. Não percebia bem porquê, mas era assim desde sempre e eu gostava tanto! Lembro-me de pensar que tinhamos um Governo fantástico que consagrava um dia feriado apenas e só para nós, miúdos, irmos pra rua pedir doces! (A inocência das crianças). Saberia depois que é Dia de Finados e que por isso é que é Feriado.


Ia com o meu irmão e com alguns vizinhos que tinham mais ou menos a minha idade. Tínhamos a lição estudada e tínhamos que andar bem para não perdermos casa nenhuma (porque depois do almoço já não rendia).

Levávamos três sacas de pano: uma para as merendeiras (a que algumas pessoas chamam broínhas), outra para os chocolates e rebuçados e assim, e outra para frutos secos e romãs (que eu não gostava nada de receber, mas que nunca recusava, porque cada um dava o que podia). Ao chegar a cada casa só tínhamos que repetir a altos pulmões: Ó tia dá boliiiinhoooo? E davam sempre. :)


Quando as sacas ficavam pesadas demais para os meus braços e pescoço (sim, pendurava uma das sacas ao pescoço) e com pouco espaço para mais doces e porcarias, era tempo de voltar ao quartel-general, lá em casa. Punhamos tudo em pratos, as minhas coisas separadas das do meu irmão, se bem que valia de pouco porque ele arranjava maneira de me sacar os doces. Cruzávamo-nos com outros miúdos que pediam o bolinho em minha casa. Os meus pais enchiam as mãos de doces que punham dentro das sacas de cada um (às vezes os doces não chegavam e lá ia a minha mãe à loja comprar mais). E lá íamos nós para mais uma ronda. Só havia uma regra: não repetir casas! :)

Claro que neste dia não havia chuva nem vento que nos derrubasse. O que nos derrubava era a nossa gulodice. Lá íamos andando e tentando despejar as sacas comendo alguns poucos rebuçados e chocolates... a verdade é que, quando dávamos a colheita por terminada, normalmente por volta das 15h, lá estava a canjinha à nossa espera em casa. A minha mãe já sabia que vínhamos mal-dispostos e que uma canjinha caseira quentinha... hummm... vinha mesmo mesmo a calhar.

Agora... agora a festa é dos mais novos. Menos que antigamente, parece-me. As tradições (mesmo as bonitas e deliciosas como esta) vão-se perdendo no tempo. Agora divirto-me com o meu pai que, antes de dar os doces aos miúdos que vão lá pedir, invariavelmente pergunta: "És filho de quem?". :) E assim vai ficando a conhecer a nova geração lá da terriola.
Para quem quiser contribuir para que eu tenha um Dia do Bolinho feliz, é favor enviar umas merendeiras de batata doce. Ah! Detesto passas, por isso aquelas outras merendeiras cheias de passas não são benvindas. Mas há umas de azeite que levam frutos secos, mas não levam passas, ue também são muito muito boas. Hummmm...


E como antigamente, lá estaremos eu e o meu irmão a lutar pelos despojos, os restos dos pacotes dos doces que não foram distribuídos... :) Amanhã.

30 de outubro de 2008

Caixa de Natal

Pessoal. Li isto no blog da Lita.






Não custa nada de nada. Só nos ocupa um bocadinho de tempo e imaginação.







Nada mais simples. Uma caixa de sapatos decorada com papel colorido, ou pintada. Lá dentro, pequenos tesouros, prendinhas para menino ou para menina. Nós é que escolhemos. Esta é uma campanha da Imaginarium. Podem consultar o site e saber mais sobre esta campanha. Depois da caixa pronta, é só prendê-la com um elástico (e não colar, isto é importante) e entregá-la no ponto de recolha que penso serem todas as lojas Imaginarium. Há uma em Leiria e eu vou fazer duas caixas, uma para menina e outra para menino.





A campanha decorre de 3 a 15 de Novembro e não custa mesmo nada. Quem tenha jeito para as artes até consegue encher uma caixa de imensas coisas sem gastar dinheiro. Quem não tenha... há tantas prendinhas bonitas que se compram com pouco dinheiro. E a intenção não é encher as caixas de prendas caras, mas sim enchê-las de solidariedade, de amor, de espírito natalício. Sorrisos. Vamos distribuir sorrisos! Vá lá. É quase Natal. Colaborem!

Dia Nacional da Prevenção do Cancro da Mama



Número de casos novos por ano: 150 000







Número de mortes por ano: 44 000














E não. Não é um post só para mulheres. Em termos estatísticos, há muitas mais mulheres com cancro de mama, mas também há homens com esta doença. Podem não ser desenvolvidas, mas os homens também têm mamas!! :)












Importante, muito importante mesmo, para além de uma alimentação saudável, não fumar e ter um peso normal, é o auto-exame. Algo simples e que não custa nada. E sabemos, pelas actrizes e cantoras (Kylie Minogue, Anastacia, Patrícia Pillar, Shirley Crow, Fernanda Serrano...) que tiveram este problema, que, se detectado precocemente, este cancro pode ser curado. Esta é a mensagem mais importante. Há cura, basta que pelo menos uma vez por mês façamos a apalpação mamária. Além disso, e não custa nada porque até há consultas de planeamento gratuitas nos Centros de Saúde, uma vez por ano ir fazer um exame ginecológico.














Nas consultas de planeamento, nos Centros de Saúde, para além de não pagarmos, fazemos citologia (para despistar o cancro do colo do útero) e normalmente o médico prescreve análises de rotina ao sangue, que também não se pagam. Tudo vantagens! E não custa nada!
















E embora as mulheres com maior risco sejam as com mais de 65 anos, ninguém está imune. A sobrinha de uma professora minha de Faculdade, tinha 29 anos, teve de tirar os dois peitos e o útero.


Para quem tenha dúvidas, consultem o site http://www.cancrodamama.com/. A prevenção é o nosso maior aliado.



Eu hoje vesti cor-de-rosa.

29 de outubro de 2008

O melhor desenho animado

Tom Sawyer é um menino traquina que mora numa pequena aldeia chamada S. Petersburg. Ainda bébé os pais morreram, tendo ficado a morar com a tia Polly, mais o seu irmão Sid e a prima Maria. Ser pirata e descobrir tesouros é o seu sonho. Para Tom a vida seria sempre uma aventura. A coisa que mais detesta é a de ter que ir à escola, de andar de sapatos e ao Domingo ter de ir à missa... Quem não vai nesta cantiga é o professor, que está constantemente a repreender Tom com severos castigos, mesmo sem ele ter culpa.Tom faz tudo para conquistar o coração da sua amada, a Becky Tatcher, que também sente um fraquinho por ele. :)





Podemos ler, online, o livro de Mark Twain que deu origem aos desenhos animados.





Na Década de 80 a RTP apresentou nas rubricas infantis a série que melhor descreveu as histórias de Mark Twain em As Aventuras de Tom Sawyer. Com uma dobragem excepcional em Português, esta série ficou no imaginário da nossa infância. Foram 49 episódios que actualmente estão editados em DVD, mas com nova dobragem, o conteúdo e o genérico são originais.


Este foi, na vossa opinião (44%), o melhor desenho animado de todos os tempos. Uma palavra de apreço a todos os que participaram nesta votação parva e saudosista. E isto de se ter de escolher só uns é muito difícil... era uma manhã inteira...




Fica, mais uma vez, o genérico que tantas saudades deixa... "Tu andas sempre descalço, Tom Sawyer.... junto ao rio a passear, Tom Sawyer
mil amigos deixarás, aqui e além
descobrir o mundo, viver aventuras..."




Dr. Fernando Nobre

Não sou pessoa de ter ídolos. Nunca fui. Posso gostar muito de uma pessoa numa determinada área, mas nunca usei a palavra ídolo, como nunca disse "admiro esta pessoa". Não sei bem porquê... Talvez porque uma pessoa não tem só um lado, nem sequer dois como as moedas. Uma pessoa não é feita a preto e branco. Temos uma paleta muito mais alargada de cores, muitos cinzas, uns laivos de cor-de-rosa... :)







Esta é uma pessoa que está perto do que eu considero que seja "admirar" alguém. Vejo com muita admiração o trabalho deste homem. Médico, é facto. Com dinheiro, facto também. Mas podia viver confortavelmente na sua casa, com a sua família, o cão e o gato e o piriquito e não se chatear. Viver confortável. Fazer uma ou outra doação a uma instituição de solidariedade para aliviar consciências e pronto.







O Dr. Fernando Nobre, presidente da AMI Portugal, foi a conflitos de guerra, viu balas passarem-lhe ao lado, viu crianças a morrer de fome, crianças sem pais, sem brinquedos, sem pernas, mas ainda com alegria no olhar...






Lançou ontem um livro de fotografias...






"Cada fotografia encerra uma história. Parafraseando Vitor Hugo, eu quis dar rosto aos sem rosto, foi uma maneira de lhes dar rosto, ficaram muitos milhares e milhões a faltar, mas aqueles pelo menos ficaram retratados. Muitas pessoas morrem sem deixar rasto, nem têm bilhete de identidade, nascem e morrem sem ninguém saber que existiram. Foi uma maneira de lhes dar um rosto e de saberem que não morreram assim, anonimamente".






Ontem, em entrevista ao Jornal 2, disse ainda que os africanos de algumas tribos podem morrer aos milhares, como baratas, que ninguém se importa. Enquanto que no Afeganistão, por exemplo, os ocidentais mortos são contados à unidade. Há dois pesos e duas medidas.






E, depois de tudo o que já viu, ouviu, presenciou, todas as injustiças, in loco e não pela tv, ainda consegue dizer: "Porque acredito que a Sabedoria se sustenta na força das acções e convicções e na beleza das ideias e das utopias generosas; e porque sou um optimista informado e inveterado, quero crer que, como terá dito seguramente um sábio, «o optimismo da vontade se sobreporá ao pessimismo da razão»."
Admiro uma pessoa que arrisca a vida pelos outros e que, depois de ter visto tudo de mau de que o ser humano é capaz, consegue manter o optimismo e continuar. Um exemplo de vida.

28 de outubro de 2008

Cutchi Cutchi (?)

Hoje deu-me para isto. Perdoem-me (ou talvez não...). Desculpa-me o facto de este senhor fazer anos hoje e de ser muito bom músico. :) Além disso, é um bálsamo... Para a alma! Porque canta bem, muito bem... Muito bem mesmo!



Cutchi Cutchi

Este blog estava a precisar de um momento cutchi cutchi. Estava a tentar despachar os mais de 200 mails que tenho atrasados na caixa de correio e vi um que tinha as fotos mais lindas (mail que me mandaram há mais de um ano...)... Este blog andava a ficar muito sério. Aqui fica, o momento "cutchi cutchi". :)

Avaliação



Não é piada. Uma falta, mesmo que justificada, conta negativamente na avaliação dos professores. A avaliação dos professores é precisa. Muito. Mas, nestes moldes, toca o ridículo. O professor é avaliado em tudo, excepto na sua pedagogia. Um professor deve ser bom colega, bom a organizar actividades extra-curriculares, bom a fazer horários, bom na relação com os pais, mas essencialmente e principalmente, um professor TEM de ser bom professor. Dar aulas, ensinar, motivar, cativar, ajudar a pensar. Essas coisas que agora não contam para nada.
Ah, mas os avaliadores vêem as planificações. E?! Uma planificação pode ser copiada (e já me copiaram muitas e já me ia lixando à conta disso). Ou pode um professor fazer uma planificação perfeita. Linda, linda, linda. Daquelas planificações que são uma maravilha para os olhos e para a mente. E?! De que vale uma planificação toda xpto se o professor não souber ensinar?
A avaliação de professores é premente. Como a avaliação de médicos, de funcionários de repartições, etc. O que há agora não é avaliação, mas uma anedota.

27 de outubro de 2008

Leis

"Mas Rómulo tinha ideias muito firmes acerca do casamento e da vida familiar. E, como era rei, transformou essas ideias em leis. Os casamentos não podiam ser jamais dissolvidos, embora o marido tivesse o direito de matar a mulher se ela cometesse adultério ou bebesse vinho (porque Rómulo estava convencido de que o vinho levava as mulheres a cometerem adultério). O pai tinha controlo absoluto sobre os seus filhos e os filhos dos seus filhos, durante toda a sua vida; podia alugá-los a outros como operários, mandá-los prender, açoitá-los, e mesmo mandá-los matar. Um filho nunca deixava de estar sujeito à autoridade legal de seu pai. Era a lei do paterfamilias - o chefe supremo de sua casa -, que seria absoluta e permaneceria inquestionável em Roma durante muitos séculos."

(Steven Saylor, Roma)

E vocês estão a perguntar-se por que é que interessa uma lei que foi criada no ano 713 a. C. Tão antiga, tão longínqua, não é? Ainda ontem, ao jantar, o meu pai lembrava (em tom de queixume) que antigamente era o chefe de família quem tinha o melhor lugar à mesa (enquanto que o meu pai ainda ontem foi relegado para um lugar de costas para o futebol que passava na Tv), quem comia o melhor bocado de comida, quem mandava e desmandava. Não foi há muito tempo que as coisas se passavam assim em Portugal.
A minha avó foi mandada trabalhar aos 5 anos. Nesse tempo, mais de dois mil anos depois da lei, era o pai quem ditava as leis da casa.
Ainda hoje, se um homem matar a mulher numa cama onde a encontrou com um amante, tem atenuante. Se um pai matar um filho porque ele lhe entrou em casa para roubar e para bater na própria mãe, se esse pai pegar na caçadeira e o matar, tem atenuante. Se um filho matar o pai que o violava, tem atenuante. Muitos assassinos não chegam a ir presos, mesmo tendo-se provado os factos.
A nossa sociedade e, por reflexo, a nossa lei tem ainda muito do Direito Romano. Muito mesmo. Foi só depois do 25 de Abril que o divórcio passou a ser uma opção em Portugal. É incrível, mas verdade.
Ainda hoje se pensa, em alguns meios (demais, em minha opinião), que não é próprio de uma rapariga embebedar-se. Que fica mal. Que as mulheres bêbedas são fáceis... O Rómulo pensava assim, no ano 713 a. C. Quando Roma ainda não era Roma. Quando os romanos eram uns guerreiros bárbaros sem lei e sem ordem. Há tempo demais. Se uma mulher bêbeda e pouco vestida for violada... o violador tem atenuante. Hoje.
Muitas coisas estão diferentes, mas não seria de esperar, passados mais de dois mil anos, que mais coisas estivessem diferentes?

25 de outubro de 2008

Wege Wege

Buraka Som Sistema foi a banda escolhida para ganhar o "Portuguese Act 2008" nos MTV Europe Music Awards.A banda nacional que editou há poucas semanas o disco de estreia "Black Diamond" é a sexta banda nacional a receber este galardão. Este ano, para além deste prémio, as bandas escolhidas localmente concorrem para o prémio "European Favorite" e as cinco mais votadas viajam até Liverpool, onde acontece a cerimónia, com a possibilidade de actuarem ao vivo. A votação para este prémio decorre online entre o dia 14 de Outubro e 6 de Novembro. Esta é a data em que cidade britânica recebe a grande festa da música europeia na Echo Arena com transmissão em directo para todo o Mundo.





Já confirmadas estão as actuações de The Killers, Pink, Duffy, Beyonce e Kid Rock. A apresentadora da cerimónia será Katty Perry e na plataforma digital estará Perez Hilton.





Eu gosto de algumas músicas que tenho ouvido na rádio, se bem que confesso que conheço pouco. Mas, são portugueses, são diferentes, alternativos, e goste-se ou não, era porreiro vê-los actuar ao vivo nos MTV European Music Awards. Além disso, na Buraca come-se muito, mas mesmo muito bem :)





Por isso, votem aqui! Esqueçam o Baraka e o MaCain, votem nos Buraka (jingle da Antena 3).

24 de outubro de 2008

For sale?









Este filme é como um murro no estômago, uma wake-up call. Tenho uma amiga que não gosta de filmes assim. Só gosta de filmes bonitos que acabam bem. A bem dizer, eu não gosto da história deste filme, acho que ninguém poderá gostar. Mas eu gosto de filmes reais. Não quer dizer que esta história tal como se conta se tenha passado, mas eu sei que é uma história igual a milhares de outras que se passam todos os dias. E passamos os nossos dias ignorantes, de olhos fechados às barbaridades que se passam ao nosso lado, à nossa frente, todos os dias. Gosto de filmes que me deixam desconfortável, que me dão o dito murro no estômago, que me fazem acordar para a vida real.





Um grande filme. Real. Duro. Um daqueles que não deixam ninguém indiferente. Trade - Welcome to America.

23 de outubro de 2008

Hoje

Estou cansada, mal-disposta, com dor de cabeça, irritada, com vontade de simplesmente parar. Nunca vos apeteceu apenas e só parar? A mim apetece-me parar. Deixar tudo em stand-by como se se tratasse de um filme mau que se vê no dvd... Carregar pause e voltar lá depois. Ou então não voltar porque o filme é muito mau e não vale a pena. Então tira-se o filme e arruma-se na caixa e pronto, não se pensa mais no assunto. A vida podia funcionar como um leitor de dvd... se o filme não presta não temos de o aguentar até ao fim. Temos o comando na mão, podemos parar quando quisermos e mudar de filme ou então não ver filme nenhum porque não nos apetece, porque queremos ler ou porque queremos ver programas da treta na tv ou porque pura simplesmente queremos que tudo pare, que o Mundo pare de girar, que o som e a luz parem, e apenas ficar. Isso. Só isso. Fechar para férias e voltar depois se me apetecer voltar, se for viável, se entretanto não declarar falência física e emocional. Vou parar.
"Eram três da tarde e, em vez de voltar para o escritório como tinha de ser, resolveu ir ao barbeiro. Não precisava de cortar o cabelo. Do que precisava era de parar para pensar. Há dias em que uma pessoa se sente tão confusa que não consegue continuar."
"Mas às vezes é mesmo preciso parar, para depois poder continuar. Corre-se um perigo, é certo e ele sabia-o, que é o de esquecer como se tinha ido até ali, chegado até ali. O melhor mesmo é nem parar nunca e só continuar.

Mas naquele princípio de tarde ele teve mesmo de parar, nem que fosse só para saber onde estava e para onde devia seguir e sentou-se na cadeira enquanto o barbeiro o envolvia na toalha branca com todo o cuidado, sobretudo à volta do pescoço, desaparecendo todo o seu corpo e ficando só a cabeça de fora, o que poderia ser cómico noutra qualquer situação, mas naquela não."
Pedro Paixão, Viver todos os dias cansa. (aqui)

Não...





NÃO!

22 de outubro de 2008

Tributo

No ano que marca os 20 anos sobre a sua morte, Carlos Paião vê nascer o seu merecido tributo. Entre as bandas convidadas encontram-se nomes como Tiago Bettencourt, Donna Maria, M.A.U., Balla, Loto, Mesa, The Vicious Five e Sam the Kid, entre outros.Bem, mas melhor mesmo é espreitar o alinhamento:

  • 01 Rui Veloso - «Cinderela»
  • 02 Tiago Bettencourt - «Pó de Arroz»
  • 03 Donna Maria - «Vinho do Porto»
  • 04 Filipa Cardoso & Fábia Rebordão - «Cegonha»
  • 05 Polo Norte - «Eu Não Sou Poeta»
  • 06 Perfume - Versos de Amor»
  • 07 M.A.U. - «Ga-Gago»
  • 08 Mesa - «O Senhor Extra-Terrestre»
  • 09 Loto - «Telefonia nas Ondas do Ar»
  • 10 Balla - «Não Há Duas sem Três»
  • 11 Sam The Kid «Playback (Instrumental)»
  • 12 4Taste - «Playback»
  • 13 OIOAI - «Discoteca»
  • 14 Vicious Five - «Zero a Zero»

Deste títulos, ainda só ouvi a "Cinderela" e o "Pó de arroz". Principalmente esta segunda está linda linda linda de morrer. Adoro a voz do Tiago Bettencourt e aqui encaixou que nem uma luva. Está fantástica esta versão. Sussurrada... arrepiante! Passa algumas vezes por dia na Antena 3, normalmente sempre quando eu estou mesmo mesmo a precisar de ouvir uma música bonita para me acalmar. Estava a pensar pedir este cd no Natal, mas acho que vou ter de comprar antes disso...

Para ouvir, no original, aqui .

Ainda os sonhos

We convince ourselves the reality is better.

Some of us, the strongest, the most determined, hold on to dreams.

Or sometimes we face a new dream that we don’t expect at all.

We realize, in face of everything, in face of life, that the true dream is being able to dream, at all.
(Grey's Anatomy)
Porque ainda há quem não se possa dar ao luxo de sonhar.

21 de outubro de 2008

De Kafka a Steven Saylor

Nunca tinha lido nada do Kafka. Comprei, no início do ano, a "Metamorfose". Porque gosto da palavra, porque o livro era bastante barato. :)

Inquietou-me muito. Passei quase todo o livro a perguntar "Porquê?". O que as personagens nunca perguntam, mas que não me saía da cabeça... Porquê? Depois comecei a admirar aquela pessoa que não perguntava Porquê, mas que se concentrava em mudar a sua situação. E pensava, "de facto, para que serve o Porquê? O importante é seguir em frente." O Porquê é passado e o que interessa é o futuro. Será? Não será importante saber o Porquê das coisas para melhor as resolver? Eu acho que sim e por isso é que me fazia confusão que toda a gente aceitasse aquela situação e ninguém tentasse saber por que é que o Gregor estava assim... diferente, metamorfoseado... Serei eu uma pessoa de Porquês?



Este livro é uma gigante metáfora à vida humana. À nossa maneira de ver e de estar na vida. Mudamos ao longo da nossa vida. Não somos sempre os mesmos. Não mudamos de forma, mas muda a forma da nossa alma. E esperamos, sempre, que os nossos (a nossa família e os nossos amigos) estejam sempre lá por nós. A família do Gregor, perante aquela metamorfose, não esteve lá por ele. Talvez no início, um pouco, quando esperavam que tudo aquilo fosse passageiro. Mas não era... E também não era uma metamorfose que a sociedade aceitasse como "normal", "comum"... ao contrário da metamorfose que a filha estava a começar a sofrer... Será que há um limite para o amor incondicional?




"O reconhecimento desta transformação tranquilizou-os e, quase inconscientemente, trocaram olhares de aprovação total, concluindo que se aproximava a altura de lhe arranjar um bom marido. E quando, terminado o passeio, a filha se pôs de pé antes deles, distendendo o corpo jovem, sentiram, com isso, que aqueles novos sonhos e suas esperançosas intenções haviam de ser realizados."


É um livro que se lê em dois dias, mas que precisa de outros tantos para amadurecer dentro de nós... Gostei.


A minha próxima aventura é um livro daqueles caros. Gastei nele o meu cheque prenda de 20€ da Bertrand e ainda tive de dar dinheiro. Mas, Steven Saylor, para mim, vale a pena. Tenho toda a colecção Roma sub-rosa e este grande romance irá valer a pena. Adoro um livro que tem mapas no início, e árvores genealógicas e tem mais de 500 páginas :)



Fiquei traumatizada quando uma rapariga minha conhecida, e que foi a Roma este mês, me disse, ao mostrar as fotos: "era só calhaus! calhaus e mais calhaus! ah! Calhaus e estátuas sem cabeça!". E eu perguntei: "E o Coliseu? Foste lá? Como é?". Responde ela: "Não fomos lá dentro, era só calhaus!". Eu tremi e vim-me embora a pensar para mim-mesma "dá Deus nozes..." Como não posso ir a Roma fisicamente, viajo com o Steven Saylor e sei que vai valer a pena, mais ou menos calhau! :)

19 de outubro de 2008

Chuva de estrelas

Olho-me no espelho e não me reconheço naquela cara que me olha.
Quem me conhecerá realmente se eu mesma não me conheço? Ninguém. Ou todos? Mas conhecemos realmente alguém? Anos e anos de convivência diária e será que conhecemos essa pessoa com quem partilhamos tanto de nós? Achamos que sim, mas então, anos depois, descobrimos que era mentira tudo o que julgávamos verdade e começamos a pôr em causa todos os juízos de valor que alguma vez fizemos. Ou então vemo-nos a parar o carro na berma de uma estrada deserta e a sair do carro e simplesmente admirar uma noite de Verão sob um céu estrelado. Nunca fizemos isto e isto não sou eu. Ou serei? Está uma noite lindíssima e há que aproveitar o momento. O agora. Não pensar nas consequências nem no amanhã. E debaixo de uma chuva de estrelas amámo-nos ali num descampado, com algumas pedras a ferir os joelhos, as costas, os braços, a cabeça, a alma... mas o momento é perfeito assim na soma das suas imperfeições. Estrelas cadentes a coroar aquele momento que foge à banalidade que era a sua vida.
Quem era esta pessoa que parou o carro naquela berma de estrada, naquela quente noite de Verão? Indiferente ao local, aos carros que poderiam passar, aos incautos animais humanos que por ali poderiam andar? Não era eu. Não me reconheço nesse eu. Mas porém era o meu nome que ele chamava, era a mim que ele sorria, era a mim que chamava louca, era a mim que amava. Era eu que ali estava e não me sentia eu. E era mais eu do que nunca.
Quem sou eu que não me reconheço, nestes 40 anos de vida? Se sou a soma das minhas partes, o acumular de todos os meus actos, o que faz de mim essa noite de Verão de há anos atrás? Terei sido eu quem mais me mentiu? Eu? Enganei-me a mim própria? Serei aquela que na imaginação da noite parou aquele carro de desejo na berma da estrada?
Hoje, ao olhar o espelho, é esse momento difuso do meu passado que vejo repetido vezes sem conta à minha frente. E aquele homem que ainda dorme na minha cama já não é o mesmo daquela noite. Olho-o, mas não o reconheço. Assim como me olho e não me reconheço. E mais uma vez regresso àquela noite em que parei o carro... naquela noite em que fui mais eu do que nunca!
(mais uma vez, aqui)

17 de outubro de 2008

A noite?

Oral obrigatória de Literatura Grega II. Valia a nota de final de ano. Eu não sei nada de Grego e por isso sempre me safei melhor nos exames, em que tenho tempo para pensar e para consultar os dicionários, do que nas orais em que temos de ter tudo na ponta da língua. Entrávamos dois de cada vez na sala de oral. Enquanto um respondia às perguntas, o outro ia vendo o texto que lhe calhava em sorte. O meu era este (mais acento menos acento e com espíritos):
A noite


Εΰδουσι δ’ ορέwν κορυφαι τε καί φάραγγες

Πρωονές τε καί χαράδραι

ΰλα τ’ έρπέτ’ όσα τρεφει μελαινα γαια

θηρές τ’ ορεσκωιοι καί γενος μελισσαν

καί κνώδαλ’ εν βενθεσσι πορφυρέας αλος·

έυδουσι δ’ οίωνων φυλα τανυπτερυΥων.

Li o texto e não percebi nada. Não tinha dicionário. Estive a ouvir as perguntas que eram feitas à minha colega e estava mesmo a adivinhar um chumbo. Chega a minha vez...


JRF - Boa tarde (eram 19h).

Eu- Boa tarde. Eu sei que não abona muito em meu favor, mas eu não tive muito tempo para estudar e não preparei estes textos...

JRF - Não diga isso. Vai ver que consegue. Diga-me lá, de que é que fala o texto?

Eu - Da noite? (li, claro está, o título do poema que estava em Português)

JRF - Está a ver que sabe! E mais?

Eu - (a tentar com todas as minhas forças descortinar qualquer coisa que fizesse sentido) Fala em abelhas e na terra... (as duas únicas palavras que conhecia no meio daquilo tudo, para além das preposições e conjunções...)


Conclusão? 16 valores. :) Um momento de pura sorte. O meu bem-haja para o JRF que é um querido que, ainda hoje, me cumprimenta quando me vê. Bem, estou é a ver que ainda vem alguém retirar-me o diploma... Mas... Como ainda não o tenho, não mo podem tirar! Ihihihih! :)
(Dormem os cumes das montanhas e as ravinas,

os promontórios e as torrentes,

a floresta e quantos animais cria a terra negra,

as feras das montanhas e a raça das abelhas,

e os monstros nos abismos do purpúreo mar;

dormem também as tribos das aves,

com as suas grandes asas.)
Álcman (Séc. VII a. C), in Hélade, Edições Asa, pág. 128. (Tradução de Maria Helena da Rocha Pereira)

16 de outubro de 2008

Na terra dos sonhos


Andava eu sem ter onde cair vivo

Fui procurar abrigo nas faces estudadas do senhor Doutor

Ai de mim não era nada daquilo que eu queria

Ninguém se compreendia e eu vi que a coisa ia de mal a pior


Na terra dos sonhos, podes ser quem tu és, ninguém te leva a mal

Na terra dos sonhos toda a gente trata a gente toda por igual

Na terra dos sonhos não há pó nas entre linhas, ninguém se pode enganar

E abre bem os olhos, escuta bem o coração se é que queres ir para lá morar


Andava eu sozinho a tremer de frio

Fui procurar calor e ternura nos braços de uma mulher

Ai! Mas esqueci-me de dar-lhe também um pouco de atenção

E a minha solidão voltou, não me largou a mão um minuto sequer


Na terra dos sonhos, podes ser quem tu és, ninguém te leva a mal

Na terra dos sonhos toda a gente trata a gente toda por igual

Na terra dos sonhos não há pó nas entre linhas, ninguém se pode enganar

E abre bem os olhos, escuta bem o coração se é que queres ir para lá morar


Se queres ver o mundo inteiro à tua altura

Tens de olhar p´ra fora sem esquecer que dentro é que é o teu lugar

E se às duas por três vires que perdeste o balanço

Não penses em descanso, está ao teu alcance tens de o encontrar


(Jorge Palma)

Dizia eu uma vez à minha sobrinha que quando escrevia podia ser quem quisesse. As nuvens podiam ser verdes e o sol lilás. Ela olhava-me com um ar estranho, como se eu estivesse a dizer coisas sem sentido... A verdade é que nem nos sonhos podemos fugir de nós mesmos. A nossa escrita reflecte irremediavelmente quem somos e os nossos sonhos também. Na terra dos sonhos posso ser quem quiser, e ninguém me poderá levar a mal, é facto. Prefiro a pior das realidades ao melhor dos sonhos. Mas... a vida sem sonhos não faz sentido. Os sonhos fazem o Mundo avançar. Eu quero que os meus sonhos façam o meu mundo avançar, mas não quero que me afastem daquilo que é a realidade e do que é de facto importante para mim. Às vezes um sonho é isso mesmo, apenas um sonho. E está bem onde está, na Terra dos Sonhos.


15 de outubro de 2008

1998-2008

Era cedo. Acordava depois de uma noite mal dormida, feita de voltas e voltas e voltas e voltas e voltas. Medo não tinha. Tinha certezas, muitas. Certeza na colocação, certeza na mudança, certeza no que aí vinha. Tinha ansiedade pelo futuro que espreitava. Um futuro que estava certo, mas que queria que começasse o quanto antes.
Teve muitos "primeiros dias do resto da sua vida". Este foi um deles. O dia em que ia deixar para trás a casa dos pais e embarcar na primeira aventura sozinha. Coimbra era uma certeza teórica. Era preciso ir a Leiria e ver com os seus próprios olhos o nome na lista e, à frente, a esperada palavra "Colocado". E o breve sonho que povoava todas as suas noites desde há meses, concretizou-se nesse dia. Nesse primeiro dia. Aquele. Longínquo. Tão presente e tão passado.

Estávamos em 1998. Um ano em cheio que viria a terminar em euforia. Fantástico. Há dez anos atrás... sonhos que lhe povoavam o olhar. O futuro estava à sua frente, em potência. Tudo era possível, tudo estava ao seu alcance. É verdade que enquanto temos Tempo tudo nos é possível. (Confirmem o fantástico poema que o João postou). Mas, à medida que o nosso Tempo vai passando, vamos ficando com uma margem de manobra mais apertada. É isso que sente. Não sem sonhos. Isso nunca. Mas com menos espaço para errar.
Esta foto? Foi tirada no Cortejo da Latada de 1998. Há exactamente 10 anos. Não vale a pena estarem a pensar que conhecem esta pessoa e que afinal sabem quem sou eu. É uma foto aleatória. Esta que aqui está na foto não sou eu. Quem é? Esta fui eu.

14 de outubro de 2008

Sputnik, Meu Amor

Haruki Murakami. Há pelo menos dois anos que olho para os livros deste escritor japonês nas livrarias. Olho com curiosidade. Os títulos dos livros metem-me confusão e despertam-me curiosidade. Pensei que se tratasse de literatura da treta (não é que também não leia literatura da treta, mas não pago 20€ para a ler) ou livros de auto-ajuda ou do tipo Nicholas Sparks em que tudo é bonito e maravilhoso. Nunca comprei.
Com a Sábado têm saído livros a 1€. Tenho comprado alguns e comprei este do Haruki. Achava o nome parvo e temia pelo conteúdo, mas foi uma agradável surpresa. Li-o em 5 dias de tanto que me entusiasmou (mais um capítulo. Já uma da manhã? Pronto. Só mais um capítulo. Amanhã tenho de acordar cedo, mas... um capítulo a mais não faz diferença. É o último. Depois fecho o livro. Bem... Mais um, só mais um...). Gostei muito. Muito pós-modernista, muito estranho. E o título... Bem já o acho lindo. :)
"Banhado pela pálida luz da Lua, o meu corpo perdera todo o sopro de vida, como uma figurinha de barro. Como se alguém me tivesse lançado um feitiço, como fazem os feiticeiros das Índias Ocidentais, e insuflado de vida - a minha efémera existência - aquele pedaço de barro. A centelha vital extinguira-se. A minha verdadeira vida estava algures, adormecida, e uma pessoa sem rosto enfiara-a numa mala e preparava-se para fugir com ela.
Senti um calafrio tão violento que me deixou quase sem respiração. Algures, num local desconhecido, alguém trocara a ordem das minhas células, soltando os fios que mantinham a minha mente a funcionar. Não conseguia raciocionar. A única coisa a fazer era regressar o mais depressa possível ao meu refúgio habitual. Enchi os pulmões de ar e mergulhei no mar da minha consciência."
(...)
"Salto da cama. Corro as velhas cortinas desbotadas e abro a janela. Ponho a cabeça de fora e ergo os olhos para o céu. Lá está ela, uma meia lua em tons bolarentos, pendurada no céu. Que bom. Estamos ambos a olhar para a mesma Lua do mesmo mundo. Estamos ligados à realidade através do mesmo fio. Só preciso de o ir puxando devagarinho para mim."
Contracapa: "Um estranho triângulo que oferece uma profunda reflexão sobre a solidão, os sonhos e aspirações do indivíduo e a necessidade de os adaptar à realidade." :)
É preciso dizer mais?

13 de outubro de 2008

So thank you, for the roses... for the roses...

Os dEUS vêm a Portugal. Não, infelizmente não vou ver. Mas este grupo faz-me andar no tempo. Para os tempos do Buraco Negro. A quantidade de boa música que ouvi pela primeira vez naquele bar... Placebo, Smiths, dEUS...
Um local mítico em Coimbra, onde eu passava as minha noites. Podia até ficar sozinha, porque ali eu sabia que o pessoal estava mais preocupado em beber copos e em dançar do que em chatear raparigas (como nos outros "talhos" da cidade). Muitas noites fantásticas e memoráveis passei nesta meia dúzia de metros quadrados que já não existem como os conheci...



O Buraco Negro é um marco incontornável na minha experiência académica, na minha vivência de Coimbra. Desde o Clube dos Gambuzinos à sua extinção, aquando da saída do Bréd Puto de Coimbra, todo o degredo, toda a alegria, todas as pessoas, todas as sandes de bacon, todos os jogos de Trivial, todas as histórias, todos os packs de Safari :)


A relembrar os velhos tempos, fica For the roses, dos dEUS. Espero que gostem.











Rose said quote it's time to make a mess



Time won't be soon mine in time I guess



She's painting on my back a beautiful flowerpot



And she treats me she treats me she treats me like her local god




Rose said quote it's time to make a mess



This one's yours and yours is self obsessed



She's painting on my back a green tom, the Beefheart one



And she cuddles and she coos and she cuts the bullshit I confessed





She said: "Don't look my way



What can I possibly say



I've never seen you before today



I'm just the one that makes you think of the one



that makes you feel like you're the one.
"But thank you for the roses for the roses



So thank you for the roses for the roses



Thank you for the roses for the roses (2 times)





(...)

12 de outubro de 2008

Era uma vez...

... uma criança parva e feliz como as outras.



Tem 5 anos. Dá o primeiro passo rumo ao desconhecido, fora do Mundo real, o único que conhece, o Mundo doméstico de apanhar pássaros com bisgo, de tirar grilos da toca e fazer fisgas. A ansiedade confunde-se com o medo no momento em que transpõe aqueles portões. Medo de largar a mão da mãe? Não. Medo de estar num lugar estranho e desconhecido? Também não. Medo só de não conseguir cativar a amizade dos outros meninos. Que ninguém lhe fale, que ninguém venha partilhar as brincadeiras, os lanches, as histórias.
Era uma vez uma criança medrosa e corajosa como as outras.
Tem 10 anos. Sai outra vez da sua zona de conforto. Mais um exílio. Mais uma viagem, uma escola maior, com pessoas maiores, com livros maiores, com mais coisas para aprender. Refugia-se nas palavras, escritas e ditas. Lê histórias que queria que fossem suas e mergulha irreversivelmente no Mundo dos sonhos. Avança de peito aberto, como viria a ser sempre, em todos os exílios, em todas as viagens, físicas ou mentais.
Era uma vez uma criança sonhadora e abstraída como as outras.
Tem 15 anos. Deixa os livros nas prateleiras a ganhar pó e tenta viver. Persiste o medo de que os outros não queiram a sua companhia, porque não veste a roupa certa, porque não ouve a música certa, porque não pensa da maneira certa.
Era uma vez uma criança má e meiga como as outras.
Tem 20 anos. Continua a sonhar de olhos abertos, embora tenha o coração coberto de cicatrizes. Sabe exactamente o que quer e sonha com o momento em que o vai conseguir. Mas a certeza do futuro esconde o mesmo medo de sempre.
Era uma vez uma criança determinada e birrenta como as outras.
Tem 30 anos. O Mundo não é cor-de-rosa como pensava e o futuro não é o que esperava. Já não tem espaço para mais cicatrizes, mas elas acumulam-se. Continua no seu caminho rumo ao sonho, sem esmorecer.
Era uma vez uma criança normal na sua anormalidade, como as outras.
Tem 40 anos. Aprendeu que nem todas as pessoas têm boas intenções. Permanece na certeza de que o Mundo pode ser cor-de-rosa, se o quisermos dessa cor.
Era uma vez uma criança... como as outras.
Tem 50 anos como terá 100. Olha para trás e vê o pretérito imperfeito que o seu "era uma vez" encerra: alguns poucos laivos de cor-de-rosa. Os suficientes para continuar a encarar o futuro como sempre, de peito aberto. Com o mesmo medo de que os outros meninos não queiram vir brincar no intervalo. Na incerteza, estende a mão e hoje não tem medo de perguntar: "Queres vir brincar comigo?".
Era uma vez...
(Em resposta ao desafio lançado, aqui).

11 de outubro de 2008

Meryl Streep

Mary Louise Streep nasceu em 1949. Nasceu nesse dia uma grande actriz, uma vedeta, uma diva, uma mulher lindíssima.

A minha actriz preferida e que admiro muitíssimo desde o Kramer contra Kramer, o primeiro filme que vi com ela (penso que vi um excerto na aula de inglês e depois resolvi alugar o filme). Pelo menos a primeira vez que me lembro de olhar para o ecran e dizer: "Uau!".

Uma actriz fantástica, com um curriculum invejável. Admiro-a pelos filmes, mas também por ter sabido envelhecer. Não sei se fez plásticas ou não. Talvez até tenha feito. Mas, se fez, não se notam. Vêem-se as rugas de expressão, as marcas de uma vida cheia e a beleza continua lá. Ao contrário de outras que estão tão esticadas que deixaram de ter expressões e, para mim, deixaram de ser bonitas. A Meryl não. Linda, linda, linda. Mesmo com rugas. Diria, principalmente por ter rugas.
E sim, adorei o Mamma Mia!. Em alguns momentos estive quase quase a saltar da cadeira para dançar. Adorei a Meryl e o meu lindo e adorado Colin Firth que tem o golpe de anca mais hilariante da história! E fiquei com as músicas na cabeça desde ontem... quando dou por mim, lá estou eu a cantarolar. :)

10 de outubro de 2008

Monte dos Vendavais

"Nelly, agora estou a ver que me achas uma bruxa egoísta; mas nunca percebeste que se Heathcliff e eu nos casássemos seríamos um casal de mendigos? Por outro lado, se casar com Linton, posso ajudar Heathcliff a subir na vida e a ficar fora do alcance do meu irmão.
(...)
As minhas grandes desgraças neste Mundo têm sido as desgraças de Heathcliff, e eu vi e senti cada uma delas desde o princípio; a minha grande preocupação na vida é ele. Se tudo o mais perecesse e ele ficasse, eu continuaria a existir; e se tudo o mais ficasse e ele fosse destruído, o meu universo tornar-se-ia um desconhecido onde eu me sentiria como se não fizesse parte dele. O meu amor por Linton é como a folhagem dos bosques; o tempo mudá-lo-á, percebo-o bem, como o Inverno muda as árvores. O meu amor por Heathcliff parece-se com as rochas eternas que ficam debaixo; uma fonte de delícias pouco visíveis, mas indespensáveis. Nelly, eu sou Heathcliff; ele está sempre, sempre na minha cabeça, não como prazer, tanto como eu sou sempre um prazer para mim própria, mas como eu mesma; portanto não fales outra vez na nossa separação, pois é impossível e...."
Ontem acabei de (re)ler o Monte dos Vendavais. Estive indecisa em que excerto publicar aqui. Escolhi este porque aqui Cathy sela o seu futuro. Neste dia, com esta escolha, a sua vida e a sua história estão destinadas à tragédia. Aqui, quando ela escolhe Linton a Heathcliff...
Tinha dito uma altura que acredito em amores avassaladores, que gostava de um dia ter um Heathcliff na minha vida. Ideias de alguém que não lia este livro desde os 15 anos. Voltei a adorar o livro se bem que não pelos mesmos motivos. E hoje sei que não quero um Heathcliff.

8 de outubro de 2008

Eu sei...

"It hurts not getting what we want but, in the end, people who don't know what they want, suffer the most..." (Grey's Anatomy)


Nem de propósito.... Ontem vi uma estrela cadente :)

7 de outubro de 2008

Velhice :)

O que é que nos faz velhos? O que é que nos faz adormecer adolescentes num dia e acordar adultos no outro?




Cabelos brancos? Sim, suponho que sim, mas eu como sou loura...





Uma sobrinha quase com 16 anos e mais alta que nós? Sem dúvida...






O trabalho e as responsabilidades? Siimmm...






Mas, mesmo com todas estas coisas, continuamos a olhar para o espelho e a ver uma miúda. Uma rapariga e não uma mulher... até que... até que recebemos isto no correio:

6 de outubro de 2008

Música

A Amorita desafiou-me a escolher as 7 melhores músicas de sempre. Eu não sou especialista em música, longe disso, e a minha escolha prende-se tão somente com a minha vivência e gostos pessoais. Tive alguma dificuldade em escolher... Muita até.
Decidi responder no meu Blog com as 7 melhores músicas de sempre... portuguesas. Escritas e cantadas em português. Também não é fácil, mas afigurou-se-me mais fácil.
Paulo de Carvalho, "E depois do Adeus". Um grande poema, numa bonita melodia, uma voz potente. Além disso... a 2ª senha para o 25 de Abril.



Simone de Oliveira, "Desfolhada". Tem qualquer coisa de mágico ouvir uma mulher, em 1969, em ditadura, a cantar a voz aberta "quem faz um filho fá-lo por gosto". O início da emancipação feminina em Portugal.




Manuel Freire, "Pedra Filosofal". "o sonho comanda a vida / porque sempre que o homem sonha o Mundo pula e avança / como bola colorida / entre as mãos de uma criança". Tão verdade...





José Carlos Ary dos Santos é um dos maiores poetas portugueses de sempre. Adoro a poesia de antes do 25 de Abril por tão prodigiosa que é em mensagens encobertas... Foram muitos os poemas fantásticos que escreveu. Este, um dos mais reaccionários, ganhou um Festival da Eurovisão. Só a Censura é que não percebeu :) Fernando Tordo canta, "Tourada".




Deixamos a onda reaccionária e entramos um bocadinho nas minhas memórias. Com a consciência que faltam muitos grandes nomes, como o Zeca Afonso, vamos para o Countdown...

Ora... Sérgio Godinho, "Brilhozinho nos Olhos". Por tudo e por nada. Mais um grande poema. Mais uma grande música. Um intérprete incontornável.




Jorge Palma. É dos cantores portugueses que mais ouço. Complicado é escolher uma música. Decidi no "Dá-me lume". (Não encontrei um video em que ele não estivesse bêbedo).



Pedro Abrunhosa. "Será". Uma das menos conhecidas do 2º cd do cantor. Eu sou uma pessoa de palavras. Por isso...



Carlos Paião. Cinderela. Não arranjei video. Fica a música que marcou a minha infância. Gosto também muito do Pó de arroz, mas esta...



E sim, eu sei que em vez de 7 estão 8 músicas... Ainda sei fazer contas. Mas o Carlos Paião, para mim, está acima de qualquer contagem. Digam-me vocês qual o vosso top 7 de músicas portuguesas ou digam-me qual destas tiravam, para ficarmos só com 7. E já agora, porquê?
  1. Cinderela, Carlos Paião
  2. Será, Pedro Abrunhosa
  3. Dá-me lume, Jorge Palma
  4. Brilhozinho nos olhos, Sérgio Godinho
  5. Tourada, Fernando Tordo
  6. Pedra Filosofal, Manuel Freire
  7. Desfolhada, Simone de Oliveira
  8. E depois do adeus, Paulo Carvalho

3 de outubro de 2008

Kurt Cobain



"A artista australiana Natascha Stellmach anunciou que vai fumar num charro as cinzas do falecido vocalista dos Nirvana, Kurt Cobain, noticia a revista NME.





O acontecimento dará por encerrada uma exposição intitulada «Set Me Free», numa galeria de arte em Berlim, Alemanha, e que termina no próximo dia 11 de Outubro.




Stellmach afirma que pretende «libertar» Kurt Cobain de todo o circo mediático que gira em sua volta, principalmente após a sua morte em 1994."




Mais circo mediático que isto? Tadinho do Kurt... Fica o que interessa. A música.

I'm not like them

But I can pretend

The sun is gone

But I have a light

The day is done

But I'm having fun

I think I'm dumb

or maybe just happy

Think I'm just happy

My heart is broke

But I have some glue

help me inhale

And mend it with you

We'll float around

And hang out on clouds

Then we'll come down

And have a hangover...
(Será que a senhora vai ter ressaca por fumar as cinzas do Kurt?)

2 de outubro de 2008

Notícia?

"Uma professora da Escola do 1º Ciclo do Cerco do Porto foi ameaçada e agredida à estalada pelos pais de um aluno, no dia 21 de Setembro, revelou o presidente da Associação de Pais do estabelecimento, informa a Lusa. Uma semana antes, uma professora e um segurança tinham sido agredidos por alunos da Escola Secundária do Cerco.

«A professora mandou o aluno fazer qualquer coisa, ele negou-se a cumprir a determinação, pelo que ficou de castigo na cantina, enquanto os colegas foram para o recreio», contou José Santos.
Alguém telefonou aos pais contando o sucedido, que de imediato se deslocaram à escola, «ameaçando e insultando professores e funcionários que os tentavam acalmar e esclarecer».
«Não dando ouvidos a ninguém, fizeram cumprir a sua vontade agredindo uma professora», referiu um encarregado de educação, que não pode ser identificado.


«Desde que passaram à agressão, os pais do menor perderam toda a razão», comentou José Santos, explicando que a professora, «que nunca tinha tido problemas na escola», está agora de baixa."
Não tenho palavras para isto. A sério que não tenho. Já fui professora. Deixei de o ser há pouco tempo. Pus muitos meninos de castigo. Muitos mesmo. Mas tenho a minha consciência tranquila. Fiz pelos meus alunos tudo o que pude em termos didácticos e humanos e se deixei de dar aulas, não foi por causa deles.
Não vou defender a professora só porque já fui professora. E até porque há muitos maus professores. Sem paciência e principalmente sem padagogia. Além disso, aqui não se conta a versão dos pais.
Mas, independentemente de razões, independentemente de lados da história, independentemente de tudo, custa-me muito que as pessoas resolvam os seus problemas à estalada. Que discutam. Que se insurjam contra o que pensam estar errado. Que façam queixa. Que reclamem. Mas pancada? E isto é já tão comum que deixa de ser notícia...
A violência, de palavras e actos, é o argumento de quem não tem argumentos.

Brasileiros

O post da Dawa de hoje pedia um poema do Carlos Drummond de Andrade.
Lembrei-me então do Vinicius de Moraes, o meu poeta brasileiro preferido... Há alguns poemas de que gosto mais do que estes que aqui publico, mas os outros são um bocadinho mais deprimentes e hoje não me apetece... :)


Soneto do amigo

Enfim, depois de tanto erro passado

Tantas retaliações, tanto perigo

Eis que ressurge noutro o velho amigo

Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado

Com olhos que contêm o olhar antigo

Sempre comigo um pouco atribulado

E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano

Sabendo se mover e comover

E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica

Que só se vai ao ver outro nascer

E o espelho de minha alma multiplica...




Como dizia o poeta

Quem já passou por essa vida e não viveu


Pode ser mais, mas sabe menos do que eu


Porque a vida só se dá pra quem se deu


Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu


Ah, quem nunca curtiu uma paixão nunca vai ter nada, não


Não há mal pior do que a descrença


Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão


Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair


Pra que somar se a gente pode dividir


Eu francamente já não quero nem saber


De quem não vai porque tem medo de sofrer


Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão


Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada, não

E, quem pensa em Vinicius, não pode deixar de pensar em Tom Jobim, ele que deu música e voz a muitos poemas do Vinicius. Da Garota de Ipanema à A luz dos olhos teus ou a Eu sei que vou te amar.

Eu tinha dito que hoje não queria coisas deprimentes, por isso, em vez do vídeo do "Eu sei que vou te amar", vou deixar "Águas de Março" e a minha homenagem a uma outra grande voz, Elis Regina.

1 de outubro de 2008

De Espanha, nem bom vento nem...

Vários militares espanhóis de uma frota de navios de guerra daquele país que se encontra na Madeira foram este sábado identificados pelas autoridades após vandalismo na nau «Santa Maria», da qual arrancaram a bandeira portuguesa, disse este domingo fonte oficial, noticia a Lusa.



De acordo com Coelho Cândido, comandante do Comando Naval da Madeira, os marinheiros, que saiam de uma discoteca, invadiram a embarcação, uma réplica da Nau «Santa Maria» que se destina a passeios turísticos, provocando pequenos danos e arrancando a bandeira portuguesa.
«Foram identificados pelos agentes da PSP que se encontravam muito perto do local e posteriormente os factos foram transmitidos à Polícia Marítima», disse.



Os marinheiros foram conduzidos às suas embarcações, onde foi comunicado o incidente.



O proprietário da embarcação poderá apresentar queixa contra os marinheiros espanhóis identificados por invasão de propriedade.



Aqui está uma notícia que desperta em mim um sem-número de reacções e emoções, muitas delas, admito, contraditórias.



Não gosto de espanhóis e nunca gostei. E os espanhóis não gostam de nós. Andamos há algum tempo naquela que somos os melhores amigos. O nosso 1º a lamber as botas do Zapatero, a dizer que é o seu melhor amigo na Europa (viram a reacção dele? Ridículo). Depois são os Festivais Eurovisão da Canção e da Dança onde trocamos pontos, assim, na boa, como se nos dessemos muito bem. Não damos e nunca vamos dar.



Estávamos numa espécie de paz armada. E agora... Bem, agora parece que ninguém se importa que uns espanhóis tenham vandalizado a Bandeira Portuguesa em solo nacional. Deram-lhes uma palmadita na mão e mandaram-nos embora como se nada fosse. E se fossem portugas a fazer isto em Espanha, com a bandeira espanhola? Há dúvidas?



Por outro lado... Como é que posso ser benfiquista e não gostar de espanhóis? Este adivinha-se um ano difícil para mim...
Sometimes, the best history is the one you're making everyday.
(Grey's Anatomy)