31 de maio de 2009

Balanço em dia de aniversário

Os dias de aniversário costumam ser, para mim, dias de reflexão. Passou já aquela alegria desmedida de nos sentirmos o centro do Mundo. Até porque desde o dia que entrei na escola, com 5 anos, nunca mais o meu dia de anos foi só meu.

Hoje não sou eu quem faz anos. É este blogue. Faz hoje um ano criei um blogue. Neste ano muitas coisas se passaram. Os motivos que me levaram a criá-lo continuam cá, alguns. Outros foram deixados de parte, mas não esquecidos.

Entrei neste mundo sem as precauções que deveria. Sem regras. Sem máscaras. Assumindo o meu nome, a minha cara, os meus pensamentos, as minhas opiniões. Sempre com educação. Sempre com frontalidade. Sempre com parvoíce. Com algum sentido de humor. Com seriedade.

Tive muitos dissabores. Muitas discussões das más. Percebi que o meu blogue não é só meu. Como nada é. Olho para os meus diários de papel e sei que se amanhã eu não estiver cá, alguém os vai abrir e os vai ler. Não são meus também. Meus são os meus pensamentos e, ao longo deste ano, aprendi a guardar alguns comigo e só comigo. Aprendi que há quem não se importe que sejamos insultados, mas que se ofenda com uma frase simples e inócua. Aprendi que há quem só queira ouvir que concordamos e que achamos tudo bonito. Aprendi que há quem não goste de sinceridade.

Aprendi a calar-me. Aprendi que as pessoas que eu visito todos os dias e que me visitam, estas personae que habitam estes blogues de todos os dias, não existem. São máscaras de outras pessoas. São outras pessoas. Como serei eu também outra pessoa, diferente desta ianita que por aqui anda. Não sei.

Aprendi também que entre a muita podridão, entre a muita hipocrisia, entre as muitas más energias, há quem espalhe luz e força por aí. Há quem me encoraje a ser mais e melhor. Há quem me faça sorrir. Há quem me olhe e me veja… como se não existisse ecrã entre nós… como se as minhas palavras fossem transparentes. E isso emociona-me. Muito.

Foi através deste blogue que aprendi que a vida pode fazer as pessoas mudar. Porque há coisas que ficam marcadas na nossa memória. Eu não me esqueço das coisas. Não passo a vida a mandá-las à cara das pessoas, mas não esqueço. Defeito de fabrico. Gostei dos (re)encontros que o meu blogue me proporcionou. Porque sei que hoje não seríamos amigas se não fosse pelos nossos blogues. E fico contente por ver que sei avançar e deixar de ter os dois pés atrás como tinha antes. Porque eu posso não esquecer, mas, com o tempo, posso relativizar.

Foi através deste blogue que conheci duas ou três pessoas que me mudaram a vida. Podem nem sabê-lo, mas mudaram. Pelo exemplo de vida. Pela luz. Pelo sorriso. Pela alegria. Pela confiança. Pelas palavras. Por tudo o que importa. Obrigada.

Foi neste blogue que chorei pela primeira vez em público. Chorei a dor da doença da minha avó. Chorei as minhas dúvidas. Expus as minhas encruzilhadas. Abri o meu coração e deixei que algumas pessoas o magoassem, mas também deixei que outras pessoas o enchessem de coisas boas. Assim continua… aberto.

Quando olho para as etiquetas que mais vezes usei, reparo que abusei do “eu” e do “tretas”. Acho que acaba por ser um bom retrato do que foi este ano e do que é este blogue. Sou eu. São os meus pensamentos. São as minhas formas de estar na vida. Sempre susceptíveis a serem postas em causa. Aceito quem me ponha em causa e me ponha a pensar. Só assim posso ser mais.

Em dia de balanço também têm lugar as desculpas. Desculpem-me se falei demais. Desculpem-me se magoei alguém. Desculpem-me se feri alguém. Desculpem-me se não soube ser mais que isto. Isto que também me insatisfaz. Isto que…


Um obrigada a todos... os que "só" lêem... aos que comentam... aos que mandam sms... aos que mandam mails... aos que gostam e aos que não gostam... a todos. Obrigada. Continuamos aí para as curvas :)

No dia de hoje olho para o que foi e sorrio. Sorrio porque apesar de tudo valeu muito a pena. Encontrei pessoas daquelas para a vida e isso faz-me muito feliz. Olho para o futuro e vejo as páginas em branco. Vejo as curvas e contracurvas. Vejo as encruzilhadas feitas de um distanciamento sobranceiro. E sorrio. Não me assustam. Não me metem medo. Assumo hoje o que me repito quase todos os dias. A vida é para se viver e não para se sobreviver. Não me importo de chorar se isso significar que pude gargalhar e não apenas sorrir. Não me importo de cair se isso significar que pude voar até às nuvens. Os voos altaneiros fazem as quedas valerem a pena. Vê-se tão bem lá do alto. Qualquer dia volto a voar… quando me voltarem a nascer as asas. Um dia. Hoje? Hoje caminho. Olhos postos no futuro.

The heart of life is good.

30 de maio de 2009

Love

Adorei...

- A cena quando a Miranda liga à Carrie na noite de ano novo...

- O pormenor que fez a Miranda saber que queria e podia perdoar o Steve.

- Brooklyn Bridge

- I curse the day you were born!

- I love you, but I love me more...

- A carta de amor do Beethoven

- .......

Foi muito mais do que alguma vez pensei que seria...

29 de maio de 2009

Ai que calor, ai que calor...

Havia uma música assim que se cantava em Coimbra em tempos de caloira...

Mas caramba! Detesto este calor... soube-me pela vida ter ontem estado na praia até às 22h, sempre de manga curta, mas hoje... hoje estou em casa, cansada, cheia de sono e não consigo dormir!!

Estão 25º na parte mais fresca da casa... já tomei banho duas vezes... não abro as janelas porque tenho medo dos senhores ladrões e por causa dos mosquitos vampirescos. Ventoínhas não porque da última vez apanhei uma amigdalite... podia ligar o ar condicionado, não fosse ficar mal-disposta...

Eu bem digo que é mais fácil suportar o frio... o pessoal veste mais roupa, aconchega-se a alguém e pronto... agora com este calor infernal... não sei o que fazer mais...

Vou tomar banho outra vez.

Piquenique :)







Obrigada!

Silver lining

You know it's nothing new
Bad news never had good timing
But then the circle of your firends
Will defend the silver lining


Verdade.

O Mundo pode desabar à nossa volta... os muros que nos suportam podem cair... os nossos alicerces podem vacilar... mas, se olharmos, além dos muros... se virmos bem... há sempre novos muros a surgir... novos alicerces... uns que sempre lá estiveram... outros que surgem, novos, tenrinhos ainda, mas fortes.

Eu costumo dizer que é nos maus momentos que se conhecem as pessoas. Que quando tudo está bem é tudo fácil. É muito fácil ser-se amigo quando é para ir beber copos e quando as pessoas estão felizes e contentes. Difícil é ouvirmos as lágrimas... os desgostos... sabermos dos alicerces destruídos de outra pessoa. Mais difícil ainda é estarmos nós a passar momentos difíceis, momentos extremos, e esquecermos tudo porque alguém precisa de nós.

Eu costumo dizer que não esqueço. É verdade. Não é de propósito. Só não esqueço. Olho para a pessoa e lembro-me. Mas se me lembro do mau, também me lembro do bom. E hoje estou extremamente feliz por ter conseguido ver além do mau. Muito feliz por ter permitido que me mostrassem que eram mais que aquela lembrança de adolescência, feita de maldades e de estalos e puxões de cabelos.

Ontem fui à Nazaré. Ia para ver o mar e mudar de ares. Estava a precisar. A Vera recebeu-me. Já me tinha dito que não a substimasse, mas acho que a substimei mesmo. Esperava-me um delicioso polvo à lagareiro, seguido de uma fantástica mousse de chocolate. A beleza da coisa é que fomos jantar para a praia. Levámos um edredon (pois...), esticámo-lo na areia... pusemos a comidinha por cima...pratos de louça e talher a sério... garrafa de safari... gelo em forma de coração dentro de um tupperware. Um fim de dia fantástico. Excelente companhia. Comida deliciosa. O safari era de uma colheira espantosa. Ficámos ali a rir, a choramingar, a falar, a gargalhar até às 22h, hora em que acabou o gelo. A Vera estava com medo que o gelo arrefecesse, mas afinal, derreteu :)

O piquenique mais estranho da história dos piqueniques. Uma pessoa que fez das tripas coração para que eu hoje pudesse estar melhor. E conseguiu. Desabafei o que me estava entalado na garganta... gargalhei muito... bebi demais... foi fantástico! Mesmo com uma horrível dor de cabeça que me atormenta, estou melhor hoje do que estava antes. É bom saber que tenho pessoas assim na minha vida.

A ela o meu obrigada. Puro e profundo. Momentos assim valem uma vida e eu não esqueço. Obrigada também a duas ou três pessoas que me fizeram sorrir com palavras certas na altura certa, mesmo à distância. Obrigada. Espero ser merecedora e espero que consiga estar à altura.

As coisas podem estar más, mas nem tudo é mau. Há coisas fantásticas, se as quisermos abraçar e aceitar. Se abrirmos o coração a elas. E é bom que haja quem nos abra os olhos para isto...

Obrigada.

26 de maio de 2009


Ai Nelson Nelson Nelson Nelson...

Tanta coisa por causa do Ivo e agora o Nélson está chateado comigo :)

Para além de lindo e campeão olímpico, ganhou um globo de ouro e ganhou também o Meeting do Brasil com a marca de 17.66metros e é agora o líder mundial do triplo salto. Além disso, é lindo. E já disse que é lindo?

Um grande atleta que é também um grande homem. Ele que renunciou a muito dinheiro para poder treinar com quem conhece e com quem o conhece. Ele que respondeu "eu sou só o Nelson Évora" quando o adversário dizia que era o super-homem. Ele que foi campeão olímpico e não tem uma pista coberta onde treinar. É o país que temos... quando temos atletas assim... breathtaking.

E não é que não fique contente com a UD Leiria a subir de divisão... mas... a minha freguesia não tem saneamento básico apenas e só porque o dinheiro da CML para os próximos 50 anos foi gasto no Estádio Magalhães Pessoa que, além do mais, está inacabado. A minha sobrinha não tem uma piscina de 50metros para treinar e o Nelson Évora não tem uma pista coberta e a Vanessa Fernandes treina no estrangeiro.

Ah! Quem quiser ajudar criancinhas, pode ir a este site e licitar as sapatilhas que o Nelson Évora usou nos Jogos Olímpicos. Porque são mais que uns sapatos.




25 de maio de 2009

I'm in heaven!

Hoje descobri um blog. Nada de extraordinário, dir-me-ão. Mas este é um blog diferente. Um blog onde estive horas seguidas sem parar. Sempre a rir. Sempre cheia de vontade de descobrir mais coisas. Falava com a Verónica no msn e ela dizia "you are in heaven". E onde é este céu? É, pois está claro, no mundo dos desenhos animados! (aqui)

Encontramos neste mundo encantado quase tudo o que passou na televisão portuguesa dos anos 70 aos 90. Cada post fala de uma série, com a história, os enredos, os genéricos originais e em português.

Aqui encontramos também os maravilhosos reclames do nosso tempo e algumas publicações.


Faltam algumas séries, mas o rol vai ficando cada vez mais completo. E se cada um de nós der lá uma saltada e contribuir com um nome que falte, já deve ajudar.

Eu deliciei-me com a Ana dos Cabelos Ruivos, A floresta encantada, o Bocas, o Tom Sawyer... o Puchi! E o Dartacão... o seu lema é um por todos e todos por um... O amor da Julieta é o Dartacão e ela é a predilecta do seu coração... Lindo lindo lindo!




Adenda... não consigo parar!!! Pronto... deixo aqui dois genéricos de dois desenhos animados que não estão ainda naquele blog... a minha querida Bia, a pequena feiticeira e o Panda Tao Tao (que a Verónica disse que se tinha portado mal e que por isso é que não estava lá, mas eu protesto!!). :)



Arena



Palma de Ouro em Cannes. Ok que foi "só" para uma curta-metragem, mas, ainda assim, a primeira para um projecto português. Em entrevista à RTP, João Salaviza diz:

"Os sítios de onde vimos condicionam os sítios para onde vamos ou, neste caso, para onde não vamos."

Dá que pensar.

Para sempre

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
— mistério profundo —
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Carlos Drummond de Andrade, in 'Lição de Coisas'


Ser mãe é conquistar para si a eternidade. É dar tudo sem esperar nada. E o nada que se recebe é o tudo que é a vida. É o sorriso. É o dançar na rua. É o bater de pestanas. É um beijo. É a felicidade do ser que saiu de si. Um amor maior que a vida.

Parabéns Nana. É o teu dia. Mas parabéns à mamã, que está prestes a duplicar a eternidade. Porque Mãe é eternidade. Beijinhos!

Chuva de Maio



So never mind the darkness
We still can find a way
'Cause nothin' lasts forever
Even cold November rain

24 de maio de 2009

Roma - 2009 d.C.



Acabei de ver isto na RTP... caramba que estes fulanos são bons! Esta promo é fabulosa! E 4ªfeira, a ver se saio do trabalho a tempo de ver este combate de gladiadores :)

Comme s' il en pleuvait

Descobri-a pela Antena 3. Mayra Andrade. Esta é, até agora, a minha música preferida... música que surgiu numa conversa com uma senhora que vive na rua, na cidade de Praia... ela pegou nas mãos de Mayra e disse "já fui uma princesa como tu". E surge uma música sobre os reveses da Fortuna, mas sobretudo sobre a alegria de viver. Porque as memórias de tempos bons têm este poder de nos transportarem pelo ar.





Mots doux et billets
De rigueur
Intrigues enflammées
Comme s’il en pleuvait
Devant ma porte
Pretendants et jeunes premiers
Comme S’il en pleuvait
Nuées de diamants,
Poemes posés sur mon chevet
Comme S’il en pleuvait

Des soupirants et des atours
Comme S’il en pleuvait
De l’amour
Comme s’il en pleuvait

A toi qui me voies ,mignonne ,
Mains tendues, genoux fangeux
Ne prends pas garde à ma mise
Et sur l’heure jouons franc-jeu
Jadis ici j’etais reine
Et les yeux de ces messieurs
Sur mon aimable personne
Se perdaient cela t’étonne ?
Roses tremieres et
jolis coeurs
Les soirs de premiere
Comme s’il en pleuvait

Nuées de diamants,
Poemes posés sur mon chevet
Comme S’il en pleuvait
Des presents chaque jour
Comme s’il en pleuvait
De l’amour
Comme s’il en pleuvait

Le desir, l’ivresse, la lune
Mignonne tout m’etait du
Par un revers de fortune
Voilà que j’ai tout perdu

Et de memoire d’Homme ou d’Apotre
Qui saurait dire à present
Que naguere comme nulle autre,
Je fascinais le tout venant?

Mots doux et billets
De rigueur
Intrigues enflammées
Comme s’il en pleuvait
Devant ma porte
Pretendants et jeunes premiers
Comme S’il en pleuvait
Des soupirants et des atours
A en deceder si tu savais
Comme s’il en pleuvait

Des presents chaque jour
Plus que dix doigts n’en peuvent compter
La providence et la jeunesse
Ne durent jamais
Ca je l’ai appris à mes depends
Donne a present de quoi manger mignonne,
Gagne ton ciel et me sois bonne
Ma Jouvencelle, ma mignonne…

Mots doux et billets
De rigueur
Intrigues enflammées
Comme s’il en pleuvait
Devant ma porte
Pretendants et jeunes premiers
Comme S’il en pleuvait
Roses tremieres et
jolis coeurs
Les soirs de premiere
Comme s’il en pleuvait
Nuées de diamants,
Poemes posés sur mon chevet
Des soupirants et des atours
A en deceder si tu savais
Comme s’il en pleuvait
Des presents chaque jour
Plus que dix doigts n’en peuvent compter

23 de maio de 2009

As Amoras

O meu país sabe as amoras bravas
no verão.
Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo para cantar nas silvas.
Raramente falei do meu país, talvez
nem goste dele, mas quando um amigo
me traz amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país o céu é azul.

(Eugénio de Andrade)

Marinho vs Moura Guedes

Bem... vi em directo e ri-me muito. Comentei a respeito com a Vera no concerto solidário. Cheguei a casa e revi no blog da Neni. Não gosto do senhor. Acho que ele não sabe ser diplomático e é tudo na ordem do vai ou racha. Tenho amigos advogados que não o vêem com bons olhos. Não teria tido a coragem que ele teve... quer dizer... não foi coragem, mas displante. Eu sou uma pessoa educada (cof cof!). Mas a verdade é que esta senhora não faz jornalismo. Ela não é jornalista e a verdade é que ao intitular-se jornalista está a envergonhar os verdadeiros jornalistas. Pessoas como a Judite de Sousa não deviam ser postas no mesmo saco... mas vá, há maus profissionais em todos os meios. E embora não goste do senhor e não concorde com a forma da coisa, a verdade é que a sra. Manuela Moura Guedes estava a precisar de ouvir umas verdades. Porque ela faz juízos de valor. Porque ela não faz perguntas. Porque ela toma posição. Porque ela faz insinuações. Porque ela é bruta. Deu para rir e muito!!

Solidariedade pura e dura :)

É que nem fomos lavar as vistas nem nada. Fomos apenas e só para ajudar as criancinhas... Adorei! João Portugal e Pedro Miguéis a bombar!! Marinha-Grande rules!








22 de maio de 2009

Haverá algo mais verdadeiro que a vida?

A Delta é uma grande empresa. É portuguesa e em tempos de crise não só não despede pessoas, como contrata. Aposta na inovação, aposta nas pessoas e os resultados vêem-se. O sr. Nabeiro deixa todos os dias a sua marca no país, mas principalmente em Campomaior onde é visível a admiração que as pessoas têm por ele. Em termos de Marketing estão quase sempre um passo à frente. As campanhas são normalmente de extremo bom-gosto. Como esta, tão simples, nos pacotes de açúcar, sobre o lema da empresa "a verdade do café".


"Haverá algo mais verdadeiro do que vencer a força com a razão?"



"Haverá algo mais verdadeiro do que cantar sem música?"


"Haverá algo mais verdadeiro do que reinventar a qualidade?"


"Haverá algo mais verdadeiro do que ser pessoa entre a multidão?"

Google-it!

É engraçado... tenho lido muitos posts acerca dos caminhos estranhos que trazem as pessoas aos nossos blogues... eu, por enquanto, não tenho disso. Há quem procure pela Jane Eyre... há quem queira saber mais sobre a "Marinha solidária"... há quem me procure directamente... há quem procure pelo dr. Fernando Nobre... há quem procure a "puta da loucura"... há quem procure caixas solidárias... mas, recorrentemente, há quem procure "palavras bonitas para mulher"... e, de facto, escrevi uma vez num post que Safo escreveu os mais bonitos poemas de amor de sempre... ela escreveu as mais bonitas palavras alguma vez dedicadas a uma mulher. Acho engraçado que haja quem venha à net e procure palavras para repetir ao ouvido da mulher amada... não sei se ficam com olhar estranho a olhar para aquelas palavras de mulher para mulher... mas são, de facto, palavras bonitas.

Há quem não nasça inspirado. Há quem não tenha jeito com as palavras. Mas mais que o talento vale a persistência. Sorrio sempre que vejo que alguém veio ao meu blog em busca de palavras bonitas para dizer a alguém. E são muitos. São estranhamente muitos. E ainda bem!
Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.

Pensar numa flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei da verdade e sou feliz.
(Alberto Caeiro)

Não se pode viver sem sentir... não se pode sentir sem viver... não se pode viver sem viver. (eu sei que já escrevi isto... mas continua a ser verdade para mim)

21 de maio de 2009

ai Ivo Ivo Ivo Ivo Ivo...


(apanhado de alguns dos trabalhos mais emblemáticos no cinema... "Mistério da Estrada de Sintra", "Call girl" e "Tiro no escuro")


(genérico do último filme que vi dele, "Arte de roubar". Hilariante! Estupidamente hilariante!)


[aqui se fala da mítica série "Fura vidas" em que ele contracenava com o grande Miguel Guilherme e com o Canto e Castro. Grande série... grande Ivo :) ]

Porquê isto? Porquê hoje? Porque sim... haverá motivo melhor? :)

Devagarinho...

O selo e o desafio vêm da Noiva . Obrigada! :)

As regras são:

1. Publicar a imagem do selo e linkar o blogue que passou (done!)

2. Escolher 5 situações na tua vida que mereciam ser repetidas em câmara-lenta (já a seguir...)

3. Passar o desafio e o selo a 12 blogues e avisá-los (todos!!)


O tempo é sempre o mesmo... a nossa percepção dele é que não. Houve momentos da minha vida que foram vividos em câmara-lenta... pela ansiedade... as provas da Sara... aqueles menos de 30 segundos duram uma eternidade... como se víssemos cada músculo a contrair e a mexer... outros momentos há em que tudo passa a correr... olhando para trás, e como pede o belo do desafio, destaco 5 momentos que não foram vividos em câmara-lenta e que mereciam ter sido vividos assim.... devagar... a saborear cada sensação...

a) O meu primeiro dia de escola.... lembro-me muito bem dele.... aconteceu de tudo... inclusivamente fiquei de castigo :) mas foi um grande dia!

b)Uma tarde de Agosto de 1995... uma tarde quente... uma festa de aldeia... a única vez que me apaixonei à primeira vista. E foi tão bom!

c) O meu ano de caloira... chorei rios de lágrimas porque tive o coração partido... mas também parti um coração (o do rapaz das flores todos os dias)... e foi o ano mais divertido de sempre. Gostava de ter aproveitado ainda mais... eu sei que não ia às aulas. Eu sei que só não saía na véspera dos exames... eu sei que conheci muitas pessoas... mas podia ter conhecido mais... e podia ter olhado melhor para as pessoas que passaram pela minha vida nesse ano... gostava de poder revê-las a todas... mas mais devagar... sem tanta sofreguidão.... com mais calma.

d) Algumas aulas à minha turma de Português do 10º-1C em Cantanhede... houve aulas memoráveis. Gostava de poder revê-los... naqueles dias... rever o seu sentido de humor... as piadas parvas... a inteligência.

e) Um abraço apertado.... um abraço apertado de quem se ama nunca demora tempo suficiente. Recordo os da minha avó. Os da Sara. Há abraços que gostava que se tivessem prolongado no tempo... ad aeternum.

19 de maio de 2009

Liberdade

É hoje. Acordei com esta determinação. Os meus filhos têm-me dado força. Criei dois rapagões. São muito bonitos os meus filhos. Estudados. O mais velho trabalha num escritório de contabilidades. O meu mais novo ainda anda na escola, no 11º ano. Tem uma namorada. Não mo disse, mas eu sei. São dois rapagões os meus meninos.


Foi o meu mais novo que me disse há uns anos que não gostava do pai. Disse-mo assim... do nada. Chegou à minha beira e disse "mamã... o papá é mau. Não gosto dele." Doeu-me a alma. Não se diz isto de um pai. Eu sei que ele às vezes se enerva e grita comigo e me bate. Mas é só porque é nervoso e porque perde as estribeiras. Mas eu também às vezes me distraio com o jantar e deixo-o queimar... ou fico a ver os Morangos com Açúcar e esqueço-me das horas. Custava-me quando os meninos eram pequenos e o pai lhes batia. Eles sempre foram bons meninos, mas às vezes discutiam, coisas de miúdos, e o meu Manel enervava-se e batia-lhes. Agora que eles estão mais velhos já não acontece e fico contente.


O meu Manel até é bom homem. Quando éramos solteiros ele trazia-me flores. E ia esperar-me à porta da Igreja ao Domingo... e acompanhava-me a casa. Às vezes íamos dar uma volta, sempre com a Belinha, a minha irmã, connosco, mas íamos. Era muito bom para mim o meu Manel. Depois... depois... não sei.


O meu mais velho diz que tenho de parar de o desculpar. Diz que ainda sou nova. Nova! Tenho 60 anos, já não sou nova. Mas ele diz que sim. Que podia ir passear mais. O meu Manel nunca quer gastar dinheiro em passeios e eu gostava de conhecer mais coisas.


Eu já quis divorciar-me antes. Quando o meu mais velho tinha 2 anos... fiz as malas para me ir embora com ele. Mas o Manel ameaçou que me batia que me metia no Hospital. Disse que espalhava por aí que era puta e que não me dava dinheiro para o menino. Fiquei. E ainda bem porque depois tive o meu mais novo que é tão bom menino, tão meu amigo. Na semana passada, quando o meu Manel se enervou comigo outra vez, ele fez-lhe frente. Conseguiu pará-lo ali, mas não evitou o que aconteceu à noite, na cama.


Ganhei coragem. Vou sair de casa. Os meninos estão grandes. O mais novo ainda está na escola, mas tem um trabalho à noite e ao fim-de-semana. E eu quero ir passear. Quero ir a Jerusalém. Há por aí umas excursões que não são muito caras. Com o que poupo da reforma consigo ir. Hoje falo com o Manel. Os meninos dizem que ele não pode fazer nada. Que chamar-me puta já não importa a ninguém (puta? o Manel foi o únco homem que tive na vida) e que eles já não precisam do dinheiro dele e nem eu. E fazer-me mal ele também não pode porque eles chamam a polícia. Daqui a 15 dias vou à Terra Santa.


Já telefonei a saber da excursão. Vão algumas pessoas aqui da terra. Já marquei o meu lugar no autocarro. Já falei com a Belinha e ela diz que eu posso ficar em casa dela nos primeiros tempos. A viagem é já daqui a duas semanas. Vai ser tão bom! O Manel não vai ter quem lhe faça o jantar, nem quem lhe lave as camisas, mas os meninos dizem que eu mereço ter a minha vida e eu acho que eles têm razão. 42 anos de casamento, de inferno... já chega. Hoje saio de casa.


Maria Judite Nunes Ferreira. Pegou na mala, mas não saíu de casa. Nunca mais sairia daquela casa. José Manuel Lopes Ferreira deu uma tareia na mulher. Partiu-lhe uma perna, um braço e três costelas. Maria Judite ficou sem ver de um olho, a perna nunca ficou boa e a cabeça também não. Os filhos chamaram a polícia. José Manuel esteve preso 6 meses... não tinha antecedentes. Maria Judite ficou acamada. Nunca mais disse uma palavra. Nunca mais abraçou os filhos. E foi com olhar distante que viu os netos. Deixou-se morrer naquela mesma cama. Nunca foi a Jerusalém.
Qual o preço da liberdade?

Marinha Solidária



Quem estiver por perto... é 6ªfeira e são só 3€. Bora lá ser solidário! :)

18 de maio de 2009

Telenovelas



(obrigada Verónica... chorei a rir!)

18 a 24 de Maio

Sou Carneiro e isto é o que a senhora taróloga Vera Xavier diz da semana dos Carneiros. Se ponho isto aqui não é porque acredite nisto, pelo menos não nestes módulos, com previsões diárias e semanais e afins. Acho que esta senhora escreve bem e põe os pontos nos i. E independentemente de signos, todos precisamos de ouvir estas palavras de vez em quando.

"9 de Paus
O ser humano é egoísta por natureza, mesmo quando faz o bem, fá-lo para se sentir bem, para ser reconhecido e admirado. Raramente encontramos gente que faça o bem pelo bem. Esta é uma verdade difícil de admitir porque vai de encontro àquilo que a nossa mente viciada e dissonante nos diz e quer que acreditemos. A verdade é que também, e muitas vezes, o orgulho nos incapacita de tirar os olhos do nosso umbiguinho, o que faz com que sejamos muito injustos com quem nos cerca. Concentramo-nos no nosso sofrimento e amarguras, e não vemos que magoamos e afastamos pessoas importantes, pessoas que mais tarde, só mais tarde, vamos compreender que eram mesmo fundamentais no nosso percurso evolutivo. Lá diz o mestre: “Queres ter razão ou ser feliz?”

Ou seja, talvez esteja excessivamente desconfiado e defensivo diz o 9 de Paus. Veja e reveja as razões que o/a fazem zangar; são de facto válidas? Não estará a confundir situações passadas e presentes?

No trabalho evite também estas defesas excessivas porque passamos muitas horas com as pessoas com que trabalhamos, então, que sejam horas de qualidade, verdade? O que não quer dizer que sejam os nossos melhores amigos, mas podemos e devemos conviver com as diferenças com cordialidade."

Venha o Diabo...

... e escolha.




17 de maio de 2009