29 de agosto de 2009

Da magia

Não acedito na magia dos mágicos... é ilusão de óptica... na magia do Mundo, na magia das pessoas, continuo a querer acreditar. Acredito que somos capazes de magia. Que é muito mais que ilusão de óptica ou ilusão de alma. É magia.

Tenho conhecido algumas pessoas mágicas along the way. Pessoas fortes, que me inspiram a ser mais. Pessoas que me fazem sempre sorrir. Pessoas que transpiram boa energia.

Este selo vem de uma pessoa que não conheço suficientemente bem para saber se me inspira. Mas vem de uma pessoa que conheço suficientemente bem para saber que é forte, decidida e cheia de boas energias. À Sayuri, obrigada. :)

Com isto tenho de responder a estas perguntas... e como não sei bem o que é Magia, demorei... Decidi assim... coisas que me fazem arrepio na espinha... que mexem comigo. Coisas de que gosto, além de qualquer explicação racional.

Música mágica?: a 9ª de Beethoven
Filme Mágico?: Love actually (não é o meu filme preferido, mas é o mais parecido com mágico)
Viagem mágica?: qualquer uma em boa companhia... uma volta ao Mundo?
Maquilhagem mágica?: Tenho a boca grande e lábios grossos, por isso, maquilho só os olhos :)

Acrescento uma pergunta:

Momento mágico?: festa de aldeia... 4h da tarde... alguém aponta outro alguém que conhece... eu olho... e foi amor :) tinha 15 anos, mas este momento foi verdadeiramente mágico.

Gostava de vos ouvir responder a isto... o que é Magia para vocês? Qual foi o instante mais mágico que viveram? Respondam aqui ou nos vossos cantos... :)

28 de agosto de 2009

Novela mexicana

Hoje, pela primeira vez em anos... hoje, pela primeira vez chorei em frente de pessoas. Chorei no trabalho. Coisa que nunca tinha acontecido antes, ou porque me controlo, ou porque até sou pessoa de reagir bem a situações de stress, ou porque choro em casa sozinha.

Há umas semanas que a situação se vinha a deteriorar. O sr. advogado (um gajo da minha idade com tiques de ditador e com a mania que é doutor) andava a pressionar com os contratos da Polónia. Não um pressionar saudável, mas um pressionar parvo de perguntar de hora em hora quantos contratos já tinha visto, mesmo eu tendo-lhe dito que no escritório não consigo ter tempo de ver qualquer contrato e que só os vejo em casa (uma vez que é importante).

Na 3ªfeira disse-me que até hoje tinham de estar todos vistos. Eu disse que não conseguia. Não foi mau feitio. Sou uma pessoa responsável. Gosto de fazer as coisas bem feitas. Disse que não conseguia porque de facto não conseguia e para, se fosse mesmo urgente, ele poder pedir a outras pessoas que ajudassem. Ele disse que se não estivessem todos vistos que teria de ir dizer ao LM, o patrão.

Ameaçou-me com o patrão. O cromo FDP deve achar que tenho medo do patrão! Devia achar que com aquilo eu ia conseguir fazer o que humanamente não é possível fazer.

Bem.... hoje foi a gota de água. Ontem saí do escritório eram 21h e ele viu que tinha estado a ajudar a minha colega com aditamentos de contratos. E hoje, às 9h da manhã, lembrou-se de me perguntar quantos contratos eu tinha visto ontem!! Disse-lhe que nenhum...

A coisa descambou, para resumir... voltei a dizer-lhe que se calhar era melhor pedir a outra pessoa para me ajudar. Ele disse que até à próxima 6º tinha de ter todos os contratos vistos. Eu que me organizasse e ficasse no escritório até à meia-noite todos os dias se fosse preciso e que parasse tudo o resto que estava a fazer, porque ele estava a mandar!

Ora... ele não manda (só se for em casa dele). E estava a berrar-me a dizer que não queria saber o que eu fazia ou deixava de fazer. Que me estava a mandar fazer aquilo e eu tinha de obedecer. Virei costas e deixei-o a falar sozinho.

Eram 19h30 quando consegui falar com o LM, a pessoa que tem a autoridade de mandar. A minha colega já lhe tinha dito que eu queria falar com ele. Ele inteirou-se do que se passava e quando fui falar com ele, ele já tinha falado com o advogado.

Não fui fazer queixinhas. Detesto queixinhas. Mas eu trabalho num grupo de empresas. No meu piso funcionam os serviços administrativos de 3 e eu faço coisas para as 3. O departamento jurídico está em 5º na minha ordem de prioridades. E se de facto é importante ver os contratos da Polónia tem de ser o patrão a mandar-me deixar de fazer tudo o que faço.

Não fui fazer queixinhas. Não falei dos berros nem das faltas de respeito. Disse apenas que estava com problemas em gerir prioridades e que o advogado me tinha mandado parar tudo, mas que eu não me sentia à vontade de cumprir a ordem sem falar com ele. Ele disse-me "Ele não tem noção! Já falei com ele e disse-lhe que tem de ser mais flexível".

E com isto o patrão ficou do meu lado. Não me disse para fazer um esforço. Não me disse que deixasse de fazer fosse o que fosse por causa daquilo.

O advogado achava que eu tinha medo do LM. Mas eu tenho a consciência tranquila. Faço o que posso. Dou tudo. Estou no escritório 12h por dia e ainda trago trabalho para casa. E porque tenho a consciência tranquila não tenho qualquer medo de falar com o patrão. É ele quem me paga. É ele que manda.

O advogadozeco de merda, que não tem outro nome, que passa a vida a culpar-nos pelas merdas que faz (ainda 4ªfeira aconteceu enganar-se numa procuração e culpar a minha colega), borra-se todo com o patrão. O patrão põe-o no lugar e ele pia fininho e depois vem vingar-se em nós. Pelo menos agora percebeu que não tenho medo dele. Que não tenho medo do patrão. Que não me pode tratar mal porque não me fico.

Fiquei enervada com o confronto. Fiquei mais enervada porque quis ir logo falar com o patrão e ele estava para Lisboa, tive de ficar o dia todo à espera... Fiquei enervada porque costumo andar sempre com calmantes na mala e hoje que precisei, não tinha. E fiquei enervada por me ter deixado enervar por aquele FDP anormal!

Uma autêntica novela mexicana... mas este primeiro round venci-o eu. Não tenho de ver os 65 contratos até 6ªfeira e o gajo não me pode chatear por isso. Palavra de patron é lei!
(Entretanto vou passar o fim-de-semana sem dormir... porque há festa na aldeia... mesmo em frente a minha casa e literalmente "até a barraca abana". As paredes vibram e há uns anos para cá há rave até de manhã! Oba oba! Durmo na próxima semana...)


Ianita 1 - Advogado de merda 0

:)

26 de agosto de 2009

De Portugal

Gosto.

Gosto do Minho verde... gosto da humidade... gosto da natureza... gosto das pessoas...

Gosto do Alentejo quente... gosto dos prados verdejantes... dos prados amarelos... dos prados floridos... das planícies... da calma... gosto do calor... gosto da natureza... gosto da comida...

Gosto do Algarve tradicional... gosto da arquitectura... gosto das cores das casas... gosto das janelas verdes... gosto do céu tão estrelado numa noite quente de Verão... gosto da praia... gosto da areia nos pés... gosto do mar... gosto dos braços sempre abertos que me recebem...

Gosto do Centro... gosto da minha Beira Litoral... gosto das praias selvagens... gosto do mar revolto... gosto dos cheiros e dos sabores... gosto das mudanças de temperatura... gosto dos monumentos... gosto da História que se respira a cada esquina... gosto de respirar aqui.

Gosto do interior... gosto do frio e do calor... gosto da neve... gosto das pessoas... gosto da comida... gosto do caminho... gosto dos contrastes... gosto das aldeias de pedra... gosto das barragens... gosto das praias fluviais.

Gosto das cidades... gosto de Lisboa e dos Monumentos dos Descobrimentos e do ouro do Brasil... Lisboa do Chiado e de Pessoa e do Tejo, velho Tagus, de Belém e do Parque das Nações, dos museus e dos eléctricos... gosto do Porto e do Douro e das pessoas do Norte... do Porto dos Aliados, do Douro, das caves, da Ribeira e dos Clérigos... gosto da azáfama da vida citadina... como gosto da calma do campo...

Gosto de S. Miguel... gosto das baleias e dos golfinhos... gosto das lapas e do tubarão e do cozido das Furnas... gosto das igrejas metidas dentro das praias... gosto até da instabilidade do tempo. Gosto do verde... gosto da terra que ferve... gosto de lagos de água quente... gosto das vacas.
País de terra e de mar. País de sardinha na broa, de santos populares, de manjericos, de migas, de tripas, de doces conventuais, moelas e pica-paus, feijoada à transmontana e cozido, sopa de legumes e arroz de marisco e de tamboril e caldeirada, pão algarvio, atum, bacalhau... tantos cheiros e sabores. País de Pessoa e Camões, de Descobrimentos e Achamentos... País de campo e de cidade. País de bom e de mau. País de sorriso nos lábios. País de memórias a quase cada esquina. País de amigos.

Gosto do meu país e de todos os seus contrastes. Tão pequenino e tão diferente, tão diverso, tão rico, tão cheio de cultura e de História e de estórias e lendas e mitos... O meu.

Gosto do meu país e gosto das minhas pessoas :)




25 de agosto de 2009

Não há palavras

"simao batalha guia turistico centro de interpretaçao batalha de aljubarrota"

O que é isto? Ivo Canelas... Nélson Évora... pronto... são figuras públicas... até entendo... mas o Simão???? Ele que mora no lugar onde trabalho? Não é justo! Pelo menos este deveria ser exclusivo! (e as muitas e fotos e vídeos são meus e só meus!!!!)

Insígnias

No outro dia, li nos post-it's soltos algo com que me identifiquei bastante. Há de tudo na blogosfera... há blogs simpáticos... há blogs pseudo-frontais em que as pessoas dizem duas asneiras a cada três palavras e acham que isto só por si já é sinónimo de frontalidade... há quem esteja de costas voltadas ao Mundo... há chorrilhos de queixas... há chorrilhos de mimalhice... há quem conte tudo tudo tudo... há basicamente de tudo. E, como diz e bem a XR, os meus preferidos, aqueles que sigo mais de perto, aqueles que me aproximam das pessoas que os escrevem, são blogs que nos mostram um pouco da alma de quem os escreve... sem excesso de pormenores, com simpatia, com humor, com sabedoria.

Estes prémios vêm de dois dos meus blogs. Blogs que sigo de perto há tanto tempo quanto tem o meu blog. Estes dois vêm direitinhos do Paraíso...


(esta imagem lembra-me que há 2 semanas que não bebo 1 caipirinha... já faz falta!!)


(já foi mais... agora tem menos lentes cor-de-rosa e tem mais pés no chão... se bem que às vezes, só às vezes, eu o deixo voar um pouco)

Este último vem de algures por aí... do outro lado do tempo :)


(o engraçado é que os olhos virtuais passam a olhos reais muitas vezes... quando a proximidade é tanta, que faz sentido que os olhos deixem de ser apenas virtuais... já me aconteceu algumas vezes... e acho que vai acontecer mais vezes...)

O meu blog é uma espécie de diário. Sim. Aqui desabafo as minhas dores. Aqui desabafo as minhas alegrias e conquistas. Aqui sorrio e choro. Aqui registo coisas que gosto, que não gosto, que me indignam, que me surpreendem, que me fazem sorrir... coisas que leio e coisas que vejo. Sítios onde vou. Pessoas que vejo, que conheço, que reconheço, que visito e me visitam.

A espuma dos meus dias. Apenas e só. Um reflexo de Ianita. Para quem o quiser ver ou sentir. Mas principalmente para mim mesma.

A todos os que têm tido paciência, um Obrigada. Em especial, hoje, ao Bono, à LP e à IM. :)


(as regras não vão ser cumpridas... porque não! Quem quiser os prémios que os agarre! São vossos!)

24 de agosto de 2009

23 de agosto de 2009

Dos dias...

Há dias assim... abro a janela... sinto a brisa quente que me afaga o rosto... vejo o céu tão azul... sorrio. Dias em que me sinto apenas feliz. Feliz e capaz de acreditar.

Acreditar nos outros. Acreditar no Mundo. Acreditar nos sonhos. Acreditar em mim.

Outros dias haverá em que o cinzento do céu reflicta a alma cinzenta. Dias haverá em que até os meus exércitos sonhados sofram derrota. Dias haverá em que sinta que não saio do sítio, independentemente do que faça. Dias haverá em que não consiga acreditar na mais sincera das palavras. Haverá dias de ironia e sarcasmo.

Hoje não. Hoje é dia de sol. Dia de céu azul. Dia de sorrisos. Dia de sins. Dia de sonhos. Dia de acreditar...




Da da da'd da da
Da da da'd da da
Da da da'd da da da da

Grew up in a small town
And when the rain would fall down
I'd just stare out my window
Dreamin' of what could be
And if I'd end up happy
I would pray

Trying hard to reach out
But when I tried to speak out
Felt like no one could hear me
Wanted to belong here
But something felt so wrong here
So I prayed I could breakaway

I'll spread my wings and I'll learn how to fly
I'll do what it takes till I touch the sky
And I'll make a wish, take a chance, make a change
And breakaway
Out of the darkness and into the sun
But I won't forget all the ones that I love
I'll take a risk, take a chance, make a change
And breakaway

Da da da'd da da
Da da da'd da da
Da da da'd da da da da

Wanna feel the warm breeze
Sleep under a palm tree
Feel the rush of the ocean
Get on board a fast train
Travel on a jetplane, far away
And breakaway

I'll spread my wings and I'll learn how to fly
I'll do what it takes till I touch the sky
And I'll make a wish, take a chance, make a change
And breakaway
Out of the darkness and into the sun
I won't forget all the ones that I love
I gotta take a risk, take a chance, make a change
And breakaway

Buildings with a hundred floors
Swinging round revolving doors
Maybe I don't know where they'll take me
But, gotta keep moving on, moving on
Fly away, breakaway

I'll spread my wings and I'll learn how to fly
Though it's not easy to tell you goodbye, gotta
Take a risk, take a chance, make a change
And breakaway
Out of the darkness and into the sun
But I won't forget the place I come from
I gotta take a risk, take a chance, make a change
And breakaway

Breakaway
Breakaway...

22 de agosto de 2009

A trilogia de Nova Iorque


"Publicada originalmente em três partes, esta obra representaria o reconhecimento de Auster como um dos melhores narradores norte-americanos de todos os tempos. Em Cidade de Vidro, uma chamada telefónica enreda um escritor numa complexa trama de loucura e redenção. Fantasmas conta as andanças de um detective envolvido no caso mais estranho da sua carreira. E O Quarto Fechado narra o encontro de um romancista com os seus próprios demónios, originado pelo desaparecimento de um amigo de infância. O acaso, a natureza da vontade e o suspense encontram-se nestes três desconcertantes relatos, que exploram a mistura de ensaio e ficção, a reflexão sobre o processo criador e o enigmático jogo de espelhos com a realidade." (na contra-capa de A trilogia de Nova Iorque, de Paul Auster)


Desconcertante é a palavra correcta. As duas primeiras histórias são muito semelhantes. Focam-se ambas no eu, no que nos motiva a fazer determinada coisa, no que nos testa os limites, fala dos próprios limites. A terceira história é diferente. É ainda mais pessoal. Ainda mais desconcertante.

Nas três sentimos sempre que o autor/narrador/personagem está a brincar com os limites da realidade, com os limites da loucura. Dei por mim muitas vezes a ter de parar, reler, pensar mais e melhor no que estava a ler. Pensar em mim e nos meus limites.

Não foi à toa que falei em autor/narrador/personagem. Há uma linha demasiado ténue a separar cada um deles. Aliás, Auster aparece como personagem na primeira história, assim como a mulher Siri e o filho. Paul Auster é claramente um escritor pós-modernista, a brincar não só com os limites da realidade, mas também com os limites da própria escrita. Testando o leitor. Interpelando o leitor.

Gostei muito, embora o pós-modernismo não seja, de todo, o meu movimento preferido. Gosto de acreditar no que leio, de entrar na leitura, e estes senhores gostam de quebrar a ilusão de realidade, de verdade que rodeia o livro, e dirigem-se directamente ao leitor, falando do processo de escrita do livro. Ainda assim, este livro fez-me pensar, fez-me questionar muito do que tenho como adquirido... faz-me perceber que é ténue a fronteira entre racionalidade e loucura, entre realidade e sonho.

Uma escrita intensa, penetrante, desconcertante. Um livro sobre Nova Iorque na sua essência. Um livro sobre as pessoas de Nova Iorque. Um livro sobre cada um de nós. Um livro que recomendo.

21 de agosto de 2009

Notícias de Ianita


Um post sobre trabalho. (remember?)

Bem... têm acontecido algumas coisas. Coisas que quero que fiquem registadas.

Recebi hoje uma boa notícia: estou efectiva. Não, não se esqueceram de rescindir. Passarem-me a efectiva foi mesmo uma decisão pensada e ponderada. Fico feliz. Porque neste ano e meio têm sido despedidas algumas pessoas. Porque trabalhar directamente com o patrão não é fácil. Porque parece que o meu trabalho nunca está feito. Porque na maioria das vezes não dá para perceber se eles estão satisfeitos ou não. Mas, sabendo que amanhã teriam 50 pessoas para o meu lugar a ganhar menos, caso quisessem, e manterem-me, é sinal que gostam da ianita :)

No próximo ano, espero um aumento igual ao de este ano. A ver vamos... mas entretanto já disse ao LM que podia fazer mais coisas... claro que este fim-de-semana vim carregada de contratos da Polónia para verificar, mas estou feliz.

Tenho enumerado algumas situações caricatas... (aqui). Situações tristes, como o despedimento do Alberto...

Hoje... ia descer as escadas, vinha o big boss a subir e eu cedi-lhe passagem. Ele dá-me duas ou três estaladas na face e diz "cara linda!". É bom de ouvir, mesmo no dia em que me nasceu uma borbulha no queixo (eu que nunca tive borbulhas na vida, dou por mim, quase nos 30, e a ter uma borbulha de vez em quando... puberdade aos 30?! No thanks!)

Portanto... vou começar a procurar casa. Poupar trocos para mobília e a viagem a Cuba. E só com esta frase sei que sou feliz... e é com um sorriso nos lábios que vou verificar contratos. :)

19 de agosto de 2009

Pic-nic (más)caras em Leiria


O repto foi lançado dia 1 de Julho. (aqui). Temos dito poucas coisas a respeito... mas isso não quer dizer que o assunto esteja esquecido. Digamos que temos estado a trabalhar para o pic-nic, mas no silêncio dos deuses (ou das deusas).

A data está escolhida. De hoje a 1 mês. Dia 19 de Setembro. O local do pic-nic será revelado mais em cima do acontecimento, de forma a manter o suspense! :)

Para quem queira prolongar o pic-nic e fazer deste encontro um fim-de-semana de convívio, passeio e amena cavaqueira, temos a dizer que já escolhemos restaurantes e roteiro turístico :)

Hotel... a oferta não é muita e sendo Setembro ainda época alta, os preços são pouco convidativos. Há hoteis já lotados... Assim sendo, tendo estudado todas as hipóteses e ponderado todas as variantes, sugerimos este (booking). O preço de balcão é o mesmo do preço booking e a relação qualidade/preço é bastante boa.

Claro que podem tentar descobrir outras opções. Ou podem ficar na Pousada da Juventude de Leiria, caso tenham Cartão de Alberguista.

Basicamente, vão ser dias descontraídos. Cheios de conversas, olhares, partilhas e boa-disposição.

Relanço o convite. Retirem as vossas máscaras. Usemos antes a máscara dos olhos nos olhos e das palavras ditas e ouvidas, em vez de escritas e lidas.

Não há palavras (e infelizmente, não há imagens)

Mais uma vez... Depois disto, isto:

"nelson evora a nu"

Eu adorava que fosse aqui... Infelizmente, bateram à porta errada. Infelizmente. Infelizmente mesmo!!!

(este pessoal que faz buscas destas tem-me em muita conta... Ivo Canelas e Nélson Évora? I wish!!)

18 de agosto de 2009

Only time will tell



Gosto muito. Já gostava das músicas do anterior trabalho. E adoro este primeiro avanço do novo album, "Only time will tell". E gosto muito do título do album...de facto... only time will tell.

Descobri-os na Antena 3. Como Legendary Tigerman. Oioai. Oquestrada. Tiguana Bibles (adoro esta música, Lost Words). Todos portuguesinhos. Todos fantásticos. Sean Riley & the Slowriders são como o David... de Leiria :)

A música portuguesa está boa e recomenda-se...

17 de agosto de 2009

Ti Catrina

Eu vivo na aldeia. Na aldeia temos vizinhos. Longe, depois de terrenos e estradas, mas vizinhos se calhar mais próximos que aqueles da cidade que vivem do outro lado da parede. Aqui não há vizinhos do outro lado da parede. Há vizinhos do lado de lá de terrenos, quintais, etc.

Conheço todos os meus vizinhos. Brinquei na rua com os filhos deles. Ia a casa deles quase todos os dias e eles vinham a minha casa. Partilhávamos brincadeiras, brinquedos, tropelias, a rua. Os vizinhos mais próximos ficavam do lado de lá de um olival. Um olival que era gigante e que agora já não é olival e também não é gigante. As traseiras das casas deles dão para o lado da minha casa. Porque as frentes das nossas casas dão para ruas diferentes, perpendiculares.

Hoje pouco falo com os meus vizinhos. Pouco os vejo. Vejo as minhas vizinhas de vez em quando, normalmente de manhã, antes de sair para o trabalho. Estou eu a abrir a garagem e já andam elas de volta das plantações que agora povoam o antigo olival. Falamo-nos sempre, cumprimentamo-nos. Ouço normalmente "Ai Ana, estás mais gorda" o que sabe sempre bem.

Morreu a Ti Catrina. Tinha 92 anos. Uma senhora que povoa a minha infância. Mãe de dois dos meus vizinhos, avó dos meus colegas de brincadeiras. Rija. Diziam que em nova gostava de emborcar copos. Ainda há pouco tempo a vi a cavar batatas. Rija.

Partiu uma perna. No Hospital apanhou pneumonia... o resto já sabem. Não me digam que já era velha, porque não era nada velha. Tinha imensa alegria de viver. E não há idade para deixarmos de gostar das pessoas. Não doi menos por terem determinada idade... Apesar de saber que as pessoas não ficam para semente, esta era uma das pessoas que parecia imortal. Era rija.

Um bem haja Ti Catrina.

14 de agosto de 2009

Vaca



A verdade é que me apetecia chocolate de outra marca. Mas a verdade é que este me soube pela vida... principalmente porque houve quem saísse de casa para ir comprar a tablete e ma trazer a casa. Há dias em que nos sentimos felizes por termos pessoas boas na nossa vida. Há dias em que uma tablete e um acto de pura amizade fazem toda a diferença. Obrigada!

Pedro

Olho-o como nunca o tinha olhado. Vejo-o ali deitado no chão e choro. Não tenho coragem de o acordar. Dorme tão descansado, tão tranquilo. Em casa não consigo que durma e ali ele dorme tão profundamente que assusta.

E assusta muito. Não sei o que fazer. Vou deitar-me com ele um pouco. Não está aqui ninguém. Posso. Enroscar o meu corpo no dele para que se sinta protegido. Pelo menos hoje. Um pouco. Só hoje...

Lembro outros dias. Dias de meninice. Dias de divertimento. Dias de lhe preparar os pratos preferidos. Dias de ele devorar tudo. Dias de ele sair para a rua tão feliz. Dias de andar aos pássaros de fisga em riste. Dias de correrias pela rua. Dias de chegar a casa todo cheio de nódoas, todo sujo, desgrenhado, como se não passasse de um miúdo de rua e não tivesse família. Dias de trepar às árvores e cair delas. Dias de levar uns tabefes por ser respondão. Dias de felicidade vividos em família.

E hoje está aqui. No chão do cemitério, a dormir perto do pai. Não sei como veio aqui parar. Deixei-o a dormir na cama. Tranquei as portas. Mas o meu Pedro sempre foi esperto e arranjou forma de se escapulir.

A morte do meu António foi difícil para todos, mas mais para o Pedro. O menino do papá. Passaram já alguns meses, mas ainda hoje, quando não sei dele, sei que está aqui. A dormir perto do pai. A falar com o pai.

É só com ele que ele fala. Não fala a mais ninguém. O médico diz que isto passa com o tempo, mas eu tenho medo. Vejo aqui o meu filho e ao mesmo tempo não é o meu filho. Já não corre, já não ri, já não vai aos pássaros, já não brinca, já não se suja como dantes. Suja-se só deste chão de cemitério. Já não se suja de felicidade...

O Pedro fala com o pai. Muito. E fala consigo mesmo. Não fala comigo, nem com os amigos, nem com ninguém. As pessoas primeiro tinham pena dele. Agora olham-no como se fosse deficiente. O Pedro não é deficiente! O Pedro... O Pedro está só perdido.

As pessoas vêem-no a falar sozinho na rua e riem. E ele já não ri. Ele só fala... "Pedro não vás por aí. Pedro isso não se faz. Pedro sai daí. Pedro que sujo estás." Fala como se repetisse vozes que ouve dentro dele. E o médico diz que isto lhe passa.

Tenho medo. Já não é o meu Pedro que aqui está. Para onde será que ele foi? Será mais ele quando está aqui, tão sereno, a dormir no chão do cemitério?

Isto não é justo. Um momento. Uma fracção de segundo. Um acidente. Uma morte. E as nossas vidas mudaram para sempre. Sim. Porque eu sei que isto não vai passar... o meu filho foi com o pai. Quem aqui está já não é o Pedro... será um outro Pedro no corpo do meu Pedro...

Vou aconchegar-me a ele... só hoje. Só um bocadinho. Para ele sentir, seja ele quem for, que o vou amar sempre.

O que é que o seu marido pensa sobre isto?



Eu também me passava... Este Mundo é tão pequeno e ao mesmo tempo estamos todos tão longe...

13 de agosto de 2009

The fixer

Quero que o cd saia depressa. Quero que venham a Portugal. Quero estar para os ver quando vierem. Adoro... desde a adolescência. Better man, Nothing man, Black, Alive, Wishlist... este The fixer é mais uma obra de arte. Gostava tanto. Gosto tanto. Acho que todos gostaríamos de ter este poder... de fazer tudo ficar bem. The fixer...





Yeah, hey, hey
When somethings dark, let me shed a little light on it
When somethings cold, let me put a little fire on it
If somethings old, I wanna put a bit of shine on it
When somethings gone, I wanna fight to get it back again

yeah, yeah, yeah, yeah, fight to get it back again
yeah, yeah, yeah, yeah, yeah

When somethings broke, I wanna put a bit of fixin on it
When somethings bored, I wanna put a little exciting on it
If somethings low, I wanna put a little high on it
When somethings lost, I wanna fight to get it back again

yeah, yeah, yeah, yeah, fight to get it back again
yeah, yeah, yeah, yeah, yeah

When signals cross, I wanna put a little straight on it
If theres no love, I wanna try to love again

I’ll say your prayers, I’ll take your side
I'll find us a way to make light
I'll dig your grave, we'll dance and sing
What's saved could be one last lifetime

hey, hey, hey
yeah, yeah, yeah, yeah, fight to get it back again
yeah, yeah, yeah, yeah
fight to get it back again, yeah, yeah, yeah
fight to get it back again, yeah, yeah, yeah
yeah, yeah, yeah, yeah, yeah

12 de agosto de 2009

Do outro lado



Às vezes gostava... de ser mais loura, mais parva, mais burrinha, mais crédula, mais tótó, mais... viver no mundo da fantasia e ser imensamente feliz. Viver no mundo do faz-de-conta.


Mas... será que as dificuldades não servem precisamente para percebermos o que é realmente bom para nós? Nem tudo o que é bom será necessariamente difícil... mas as pessoas são assim. O mais caro é melhor. O mais difícil também.

Já eu cada vez mais acho que a vida não tem de ser assim tão difícil. Podemos ir viajando para a terra do faz-de-conta. Fechar os olhos, encerrar alma e ouvidos e sorrir um pouco.

Só isso. Fechar o mundo real para balanço e mudarmo-nos de armas e bagagens para o lado de lá. A Terra do Nunca. Atrás do coelhinho. Para um Mundo encantado... o mundo dos sonhos.

Conseguiríamos voltar?

Sempre fui sonhadora. Fui adolescente parva, daquelas que suspiram pelos cantos e se apaixonam à primeira vista. Daquelas de ler livros românticos às escondidas... de ouvir a mesma música vezes sem conta.

Depois acordei. Vi que a vida é um sonho fantástico, se arriscarmos vivê-la. Se arriscarmos sair do Mundo dos Sonhos... porque isto dos sonhos é bonito, mas corremos o risco de dream our lifes away. E se percebermos que nos esquecemos de viver, o que podemos fazer?

11 de agosto de 2009

Não há palavras...

A lista de search keywords é fantástica. Gosto muito de ver o que traz as pessoas ao meu espaço. Há quem me procure. Há muito quem procure por S. Pedro de Moel, ou por "palavras bonitas para mulheres", ou pelo Nuno Lopes e respectiva namorada, por jardinagem, por pic-nics... de tudo um pouco. No outro dia dei com isto:

"Ivo Canelas nu".

Desculpa. Não sei quem és, mas entendo o teu drama... infelizmente, não é aqui... (é muito bom sentir que há, algures por aí, quem me entenda...)... ai Ivo Ivo Ivo...

Que rico vinho!





Boa!! PEIDA! :)

De comer e babar por mais






10 de agosto de 2009

Dos dias de ciceronismo...


Foram dias intensos estes.

Dias de deitar tarde e levantar cedo.

Dias de visitas, de revisitas, de passeios, de partilhas.

Dias de receber muitas prendinhas :)

Na sexta-feira fomos jantar a um restaurante de petiscos com Fados ao vivo.

O Sábado amanheceu cedo e fez-se de visita a Peniche. Um Forte que está muito mal-tratado, mas que me inspira. Emociona-me. Arrepia-me. Gosto de ler as histórias daquele lugar. As vidas que foram tocadas, mudadas para sempre. Os presos políticos, os pais, as mães, os irmãos, os filhos... tantas vidas.


Almoço num restaurante com vista para a marina. Peixinho muito bom.

Próxima paragem, Óbidos. Já todas tínhamos estado lá, mas é um lugar mágico que convida a re-visitas. Muitos estrangeiros, avecs, muitas pessoas que, como nós, andavam a estimular a Economia. :)

Foz do Arelho
e Lagoa de Óbidos.

S. Martinho do Porto e alguns esconderijos... do miradouro ao túnel.

Fim do dia em Leiria. Com jogo do Benfica e um jantar que poderia ter sido melhor. Um copo no Marroquino. E muito riso.

Domingo... Batalha. O Mosteiro é mesmo muito bonito. Não me canso de o ver, de o olhar, de o sentir... as Capelas Imperfeitas continuam mágicas.

Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota... como dizer. É novo. É fantástico, fenomenal, bem feito, bem conseguido, arrepiante, maravilhoso. Ao Domingo paga-se entrada, mas às 11h há visita guiada gratuita. Nos outros dias, a visita guiada tem de ser reservada e paga além do bilhete. Não sabíamos disto, mas chegámos mesmo a tempo da visita guiada. E que visita! Um guia competente, simpático e solícito. Respondia a todas as questões e notava-se que sabia mesmo muito daquilo. Inspirador. Arrepiante o filme feito de propósito para o CIBA. Não tenho palavras. A certeza que podemos fazer coisas bem feitas quando queremos. E ali quisemos. E eu vou querer voltar mais vezes... talvez já este Sábado, quando vai haver uma representação de "A tempestade", de Shakespeare, ao ar livre e com direito a jantar. Mas, para aguçar os apetites, fica um pequeno vídeo do nosso maravilhoso guia, Simão...




Almoço em Porto de Mós, onde tudo está fechado ao Domingo. Visita ao castelo dos telhados verdes.

Grutas de Mira de Aire onde eu não ia há uns 20 anos. Odiei! Mas tivemos um guia daqueles que não percebe nada do que está a fazer, que se mete com as raparigas e que diz que as luzes são lazer ou raio-x! :)

Alcobaça. O Mosteiro não é tão imponente como o da Batalha, mas a história que o rodeia envolve-o numa névoa de magia. E os claustros são fantásticos!

Jantar em Leiria, no Malagueta Afrodisíaca. Comemos muito e bem.

2ª feira, hoje... Nazaré. Passeio de ascensor. Praia das Paredes (mais conhecida como Walls). Polvoeira. S. Pedro de Moel. Marinha-Grande. Maceira, com visita à Igreja Matriz e ao Bairro da Cimpor.

Dias de ter ainda faltado muito para ver... das falhas mais graves, o Castelo de Leiria e Caldas da Rainha... ficam para a próxima ;)

E a despedida... um abraço que condensa dias muito cheios de alegrias, de partilhas, de risos, de brincadeiras, de algumas cumplicidades que se começam a construir.

Gostei muito da visita. Gostei muito de poder ter podido incentivar a Economia. Gostei muito e mais não poderei dizer.










Não te perdoo.

Já pensei que sim. Que um dia te perdoaria. Mas sei e tenho de o admitir. Não vou perdoar-te. Não necessariamente o que me fizeste, mas as consequências do que me fizeste.

Porque passados quase 4 anos, ainda estás no fundo do mais sincero dos olhares. Ainda estás por trás da mais verdadeira das palavras. Como que a lembrar-me que não posso confiar nos meus instintos. Como que a lembrar-me que vi sinceridade e verdade nos teus olhos e nas tuas palavras.

É isto que não te perdoo. Que me tenhas tirado a capacidade de acreditar.

7 de agosto de 2009

Cicerone

"Cicerone é um termo antigo para definir um guia de turismo, alguém que dirige turistas e visitantes por museus, galerias e similares, explicando-lhes factos de interesse arqueológico, histórico ou artístico.

Acredita-se que a palavra provém da eloquência e tipo de ensino praticados por Marco Túlio Cícero.

Parece que a palavra foi utilizada primeiramente para descrever idosos com conhecimentos que mostravam e explicavam aos estrangeiros as antiguidades e curiosidades do país."

Adaptado da Wikipédia

É o que vou ser este fim-de-semana... Cicerone cultural, natural e gastronómica. Três dias para fazer com que as minhas visitas se rendam ao distrito de Leiria. O roteiro está feito. As visitas já chegaram. Falta "só" passar a tarde de trabalho....

Dream

“O sonho é ver as formas invisíveis
Da distância imprecisa, e, com sensíveis
Movimentos da esperança e da vontade,
Buscar na linha fria do horizonte
A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte -
Os beijos merecidos da Verdade.”

Fernando Pessoa


Só porque sim.

5 de agosto de 2009

Barcelona

É oficial! :) Dia 28 de Setembro... está quase!!

4 de agosto de 2009

Não costumo falar muito disto...

Sou do Benfica, mas até gosto que as equipas portuguesas ganhem nas competições europeias. Mas hoje, isto já foi um exagero... o Sporting jogou mesmo mal. Os outros senhores dominaram sempre, marcaram. Nos últimos segundos, um canto, um auto-golo... e o Sporting passa a eliminatória com um empate a 1 golo fora de casa...

Há alturas em que mais vale cair em graça que ser engraçado... nem imagino o que deve sentir o jogador que marcou o auto-golo... mas é assim o futebol... e é assim também a vida... pensamos que temos tudo controlado, até que um guarda-redes vem à área e atrapalha a situação... podemos ter tudo controlado, mas a Fortuna é caprichosa e gosta de pregar partidas aos humanos...

Elegia para um americano

Um romance sobre pais e filhos, sobre a capacidade de ouvir e a opção de ignorar; a dor inerente ao acto de falar mas também ao silêncio; as ambiguidades da memória, a solidão, a doença e a redescoberta. No seu estilo delicado e comovente, Siri Hustvedt revela as mágoas secretas de uma família através de um extraordinário mosaico de segredos e história que reflectem a fragmentada natureza da identidade.

Assim diz a autora no fim dos agradecimentos:

"A minha maior dívida, no entanto, vai para o meu pai, Lloyd Hustvedt, que morreu a 2 de Fevereiro de 2003. Perto do fim da vida, perguntei-lhe se podia usar, no romance que estava a começar a escrever então, partes das memórias que ele tinha escrito para a família e para os amigos. Ele deu-me a sua autorização. As passagens atribuídas neste livro a Lars Davidsen são partes do texto do meu pai, com apenas umas pequenas alterações de pormenor e de nomes. Neste sentido, depois da sua morte, o meu pai tornou-se meu colaborador. A história do meu tio-avô David também é verdadeira e o artigo de jornal sobre «Dave, o Homem dos Lápis» está citado textualmente. À parte destes empréstimos directos, misturei, no resto do romance e com toda a liberdade, histórias verdadeiras e imaginárias."


Vi a entrevista que Siri Hustvedt deu no Bairro Alto e fiquei com muita vontade de ler o seu "Elegia para um americano".

Encomendei o livro pela Internet e fui buscá-lo à Bertrand em Leiria. Já tinha lido umas páginas, mas não lhe tinha pegado a sério antes das férias. O facto de não ter televisão ajudou. Li o livro todo em 4 dias.

Não sou muito de autores. Claro que gosto do Pessoa e do Gabo. Mas, tirando estas duas excepções, gosto de livros e não de autores. E, pela minha experiência de leituras e de leitora, dou por mim a gostar mais de autores sul-americanos. Os autores de língua inglesa aborrecem-me. Isto para dizer que, embora me apetecesse muito ler o livro, por outro lado sentia receio de não gostar.

Foi o contrário. Adorei. Um livro que não está dividido em capítulos. Histórias que não têm nada que ver com nada que se vão misturando até que unem na mesma coisa. Histórias envolventes. Histórias de pessoas. Histórias da mente. Histórias do coração. Histórias de amizade. Histórias de família. Histórias do eu que se vai encontrando através dos outros.

As pessoas vivem enquanto são lembradas. E este é um livro para ser lembrado. Terminei de o ler na 5ªfeira, mas só hoje me sinto capaz de escrever acerca dele.

Um livro de emoções. Intenso. Bem escrito. Marcante.


"Está a sorrir para mim e usa novamente a palavra reencarnação. «Não depois da morte, mas aqui, enquanto ainda estamos vivos.» Estende-me a mão e eu seguro nela. Diz: «Vou ter saudades suas.»
- Eu também vou ter saudades suas."

3 de agosto de 2009

O regresso

12 horas.

Estive na empresa 12h.

Teria de ficar muitas mais horas para pôr tudo em ordem. Mas já nem conseguia manter os olhos abertos.

Só estive fora uma semana.

Nesta semana ninguém despachou facturas, ninguém tirou cópia nem arquivou as facturas confirmadas, ninguém pediu guias de remessa em falta, ninguém terminou as bases de dados, ninguém mandou mails para as empresas da base de dados, ninguém viu os diários da república, ninguém pediu a documentação dos subempreiteiros, ninguém confirmou a documentação dos subempreiteiros... ninguém nada!

Além disso, lembraram-se que querem todos os contratos da Polónia verificados até 6ªfeira. Faltam 163. Se pensarmos que se demora pelo menos meia hora com cada contrato, percebemos que é impossível.

Dói-me a cabeça... dói-me a alma. Não fosse saber que o trabalho me paga quase todas as coisas de que gosto...

Hoje dediquei esta música a uma amiga que está a precisar. Don't give up... mesmo as coisas mais difíceis não são assim tão más, se pensarmos nas coisas fantásticas que temos. E sim, temos.

2 de agosto de 2009

Boa viagem... diverte-te muito e volta


Das diferenças

No fim de algumas horas em casa...

Mal saí do carro senti frio... aqui as noites não estão quentes como lá em baixo.

A ursa azul tinha saudades.

Depois de uma semana sem televisão, já me viciei outra vez.

Lá estava de férias e aqui não estou.

Lá não havia Jeovás a tocarem à campaínha às 10h da manhã de um Domingo, e muito menos havia o meu pai a dar-lhes conversa!!!

Não entendo isto... será que ganham créditos por impingirem a cena deles aos outros? Ao fim de uma dezena de créditos ganharão uma torradeira?? Claro que para os enxotar teve de ir a minha mãe tratar do assunto. Não entendo mesmo isto... as outras religiões estão lá quietinhas e esperam que o people lá vá... estes têm de andar a impingir promessas de salvação eterna a quem está no conforto do seu lar a dormir... ou a tentar dormir! Cromos!

Breve apontamento

Uma sexta à noite passada num bar a ver um show de transformismo.

Uma senhora com um corte de cabelo do século passado e com um ar mais másculo que a maioria dos homens que tentou engatar duas amigas que estavam comigo.

O Hallelujah que nunca mais ver ser o mesmo desde que o vi interpretado por um brasileiro de 1,90m, com pelos no peito e um mini-vestido preto.

A Praia Verde é um oásis. Amei. Se ganhar no euromilhões compro lá casa.

Fizemos 9 euros e tal no euromilhões.

Trouxe um saco com uns 15 livros Júlia, Bianca e Sabrina... apenas porque impedi a Verónica de os destruir e ela mos impingiu... li um num dia e posso dizer que gostei... faz lembrar os tempos em que lia os livros da minha irmã à socapa, com o livro de matemática aberto por fora, para o caso de ela entrar de repente no quarto :)

Gosto de ler esses livros... diverte-me. Acho estranho que a história seja sempre contada no ponto de vista da gaja, mas pronto. Mas vou sentir falta de estar deitada na cama a ler, com a Verónica ao lado. Cada uma com o seu livrinho. A ler passagens bem mal-escritas e bem foleiras. Falta de rir com.

Converti algumas pessoas à vodka preta.

Tornei-me expert em caipirinhas pretas... sem almofariz e sem picador de gelo. :)

A ratazana mutante.

Os postais que não apareceram.

A prenda que trouxe dos Açores que me esqueci de levar para baixo.

Uma viagem de 5horas. Um popó que se portou bem, à excepção de ter precisado de gasolina a 25km de chegar a casa. 44litros de gasolina fizeram 890km. É uma boa média para um carro a gasolina.

Detesto conduzir de noite, mas detesto mais conduzir no lusco-fusco.

Adorei adorei adorei adorei adorei.

Estou em casa... cansada... estourada... mas feliz.

Obrigada.

1 de agosto de 2009

Delas também reza a História

Natália Correia



Nasceu em 1923 em Fajã de Baixo, lugar pequeno, mas muito propício a andarmos perdidos por lá. Mudou-se para Lisboa com apenas 11 anos e foi lá que viveu até morrer em 1993.

Escritora, ensaísta, jornalista, poetisa... mulher. Na televisão tornou-se conhecida com um programa feminino Mátria, onde advoga o matricismo, identificador da mulher como arquétipo da liberdade erótica e passional e fonte matricial da humanidade.

Foi sempre uma mulher de pensamento e de acção. Esteve envolvida em vários movimentos contra o Estado Novo. Em 1980 viria a ser eleita deputada. Os seus discursos ficaram famosos, principalmente quando se deu o debate do aborto, cuja despenalização ela defendia fervorosamente. Coitado do Morgado que era capado :)

Foi sempre uma mulher de M maiúsculo. Casou 4 vezes. Teve muitos amigos. Escreveu. Agiu. Pensou. Escreveu palavras de ternura e de ataque. Escreveu. Poetisa. Mulher.

Legou a maioria dos seus bens à Região Autónoma dos Açores, que lhe dedicou uma exposição permanente na nova Biblioteca Pública de Ponta Delgada, instituição que tem à sua guarda parte do seu espólio literário (que partilha com a Biblioteca Nacional de Lisboa), onde constam muitos volumes éditos, inéditos, documentos biográficos, iconografia e correspondência, incluindo múltiplas obras de arte e a biblioteca privada.

Para terminar, Natália Correia descrita pela mesma, neste belíssimo auto-retrato.





Auto-retrato

Espáduas brancas palpitantes:
asas no exílio dum corpo.
Os braços calhas cintilantes
para o comboio da alma.
E os olhos emigrantes
no navio da pálpebra
encalhado em renúncia ou cobardia.
Por vezes fêmea. Por vezes monja.
Conforme a noite. Conforme o dia.
Molusco. Esponja
embebida num filtro de magia.
Aranha de ouro
presa na teia dos seus ardis.
E aos pés um coração de louça
quebrado em jogos infantis.