30 de novembro de 2009

Rua da Saudade

A rua onde mais tempo viveu José Carlos Ary dos Santos. Poeta que morreu há 25 anos.

Gosto muito dele. Pela frontalidade. E pela forma como usava as palavras para dizer o que queria, mesmo sem o dizer. Desde a "Desfolhada" à "Tourada". Poemas épicos. Poemas marcantes. Numa época em que nada se podia dizer nem quase sentir.

Um poeta da revolta. Um poeta do amor.

"Rua da saudade" é o nome de um cd com 11 músicas do grande Ary, cantadas por Mafalda Arnauth, Susana Félix, Viviane e Luanda Cozetti. Aqui fica a "Cavalo à solta" (originalmente cantado por Fernando Tordo) por Viviane. E assim, Ary vive... respira ainda... a cada palavra cantada...



Minha laranja amarga e doce
Meu poema feito de gomos de saudade
Minha pena pesada e leve
Secreta e pura
Minha passagem para o breve
Breve instante da loucura
Minha ousadia, meu galope, minha rédia,
Meu potro doido, minha chama,
Minha réstia de luz intensa, de voz aberta
Minha denúncia do que pensa
Do que sente a gente certa
Em ti respiro, em ti eu provo
Por ti consigo esta força que de novo
Em ti persigo, em ti percorro
Cavalo à solta pela margem do teu corpo
Minha alegria, minha amargura,
Minha coragem de correr contra a ternura
Minha laranja amarga e doce
Minha espada, meu poema feito de dois gumes
Tudo ou nada
Por ti renego, por ti aceito
Este corcel que não sossego
À desfilada no meu peito
Por isso digo canção castigo
Amêndoa, travo, corpo, alma
Amante, amigo
Por isso canto, por isso digo
Alpendre, casa, cama, arca do meu trigo
Minha alegria, minha amargura
Minha coragem de correr contra a ternura
Minha ousadia, minha aventura
Minha coragem de correr contra a ternura

Estou cansada.

Não fisicamente cansada, embora tenha trabalhado ontem e não tenha dormido mesmo nada bem. Psicologicamente cansada.

Triste comigo mesma. Por não estar a cumprir com as minhas metas. Metas estabelecidas no meu último aniversário. Em Março.

Desde esse dia muitas coisas mudaram. Muitas coisas aconteceram. Foram acontecendo sem grande planeamento... sem eu perder mais que dois segundos a pensar. Deixei fluir. Deixei-me viver e aproveitar a vida que me veio parar ao colo. E vivi. E vivo.

Mas custa saber que não vou cumprir o que me tinha prometido cumprir. E custa principalmente porque sei quais são as implicações disso. Viver no momento é muito bom... mas o futuro longínquo chega um dia. E depois?

Não é nenhum fim do Mundo... não me arrependo da maioria das coisas. Aliás... não me arrependo de nada. Mesmo das asneiras. Pelo menos aprendo a não as fazer outra vez. Ou queria aprender. Às vezes custa... isto de aprender. Às vezes parece que temos de dar com a cabeça na parede uma data de vezes. Mas um dia... Um dia...

Não é nenhum fim do Mundo. Fico só triste comigo. Por não conseguir cumprir uma promessa que me fiz. Por isso implicar não conseguir já algo que queria mesmo muito. Satisfazer prazeres imediatos dá nisto... dá no adiar de prazeres a médio prazo...

Tenho pena de não me poder dar a prenda que eu queria aos 30 anos. E hoje sei que, por mais que agora corra, já não chego lá. E pronto... fico irritada comigo. Because I'm the one to blame... seria mais fácil se pudesse incutir a culpa a outra pessoa... mas não posso.

Mas vá. Amanhã comemoramos a restauração da independência... amanhã comemoramos o dia em que demos o último chuto no rabo dos espanhóis. E é feriado. E é dia de ficar em casa. Enrolada num qualquer edredon. Muito chá. Muita tv. Muita net. E menos auto-comiseração.

29 de novembro de 2009

Natal

Adoro o Natal. Eu sei que ainda falta muito tempo, mas eu já me sinto em época de Natal. Já ando a cantarolar as musiquinhas e, não fosse ter estado a trabalhar este fim-de-semana, já teria comprado presentes. Não os comprei, mas já decidi o que comprar a todas as pessoas. Mesmo as mais difíceis... e às menos difíceis, mas a quem quero mesmo agradar. As minhas pessoas. A minha família. Os meus amigos chegados. Aquela meia dúzia.

Não sou religiosa. Nunca fui, embora tenha andado na Catequese até ao Crisma. O Natal não tem que ver com nada de cristão. Mas com família. Tradição. Aconchego. Amor. Partilha.

Adoro oferecer presentes. Adoro toda a preparação. Os pormenores. O procurar a prenda ideal. A prenda que vai arrancar aquele sorriso de surpresa. Aquele sorriso. Pode ser uma viagem, como pode ser um calhau que apanhei na rua. O valor pouco importa. Importa a surpresa. Importa o carinho e o amor. Importa agradar a quem se ama.

Claro que houve momentos em que aguardava expectante a manhã de Natal... aguardava pelas prendas da família e pela prenda que o Menino Jesus deixava no sapatinho. Hoje em dia, aguardo reacções. Não é que não goste de receber presentes, mas gosto muito mais de os oferecer...

Não era para me ter estendido tanto neste assunto... até porque sou uma lamechas e não vão faltar oportunidades para eu choramingar por causa de uma qualquer música de Natal... Mas eu sou daquelas pessoas que é difícil calar-se. Sofro de verborreia aguda.

Era só para explicar que vi o template novo das meninas do Paraíso e decidi que era tempo de também eu mudar. E assim mudei... para o forte e vibrante vermelho. Cor de Fogo, como eu sou. Cor vibrante. Cor sangue. Cor quente. Cor apaixonante. Cor aconchegante. Cor Natal.

27 de novembro de 2009

I just haven't met you yet... :)

Ouvi isto pela primeira vez hoje, no carro... cheguei a casa e procurei. Caramba que é isto mesmo. Sem tirar nem pôr.

Não é que eu não queira. Eu quero. Mas sei que não preciso disto para ser feliz. Não faço a minha felicidade depender disto. A minha felicidade é feita de muitas coisas. De muitas outras coisas. Quando aparecer, agarro, sinto, vivo. Enquanto não aparecer, sorrio, sinto, vivo. :)

I just haven't met you yet...




I'm Not Surprised
Not Everything Lasts
I've Broken My Heart So Many Times,
I Stop Keeping Track.
Talk Myself In
I Talk Myself Out
I Get All Worked Up
And Then I Let Myself Down.

I Tried So Very Hard Not To Loose It
I Came Up With A Million Excuses
I Thought I Thought Of Every Possibility

And I Know Someday That It'll All Turn Out
You'll Make Me Work So We Can Work To Work It Out
And I Promise You Kid That I'll Give So Much More Than I Get
I Just Haven't Met You Yet

Mmmmm ....

I Might Have To Wait
I'll Never Give Up
I Guess It's Half Timing
And The Other Half's Luck
Wherever You Are
Whenever It's Right
You Come Out Of Nowhere And Into My Life

And I Know That We Can Be So Amazing
And Baby Your Love Is Gonna Change Me
And Now I Can See Every Possibility

Mmmmm ......

And Somehow I Know That It Will All Turn Out
And You'll Make Me Work So We Can Work To Work It Out
And I Promise You Kid I'll Give So Much More Than I Get
I Just Haven't Met You Yet

They Say All's Fair
And In Love And War
But I Won't Need To Fight It
We'll Get It Right
And We'll Be United

And I Know That We Can Be So Amazing
And Being In Your Life Is Gonna Change Me
And Now I Can See Every Single Possibility

Mmmm .....

And Someday I Know It'll All Turn Out
And I'll Work To Work It Out
Promise You Kid I'll Give More Than I Get
Than I Get Than I Get Than I Get

Oh You Know It'll All Turn Out
And You'll Make Me Work So We Can Work To Work It Out
And I Promise You Kid To Give So Much More Than I Get
Yeah I Just Haven't Met You Yet

I Just Haven't Met You Yet
Oh Promise You Kid
To Give So Much More Than I Get

I Said Love Love Love Love Love Love Love .....
I Just Haven't Met You Yet
Love Love Love .....
I Just Haven't Met You Yet

Album II

À conta de prendas de Natais passados, passei muitas fotos antigas para formato digital. Ainda bem... agora estão sempre à distância de um clique. Se bem que, de vez em quando, gosto de ir às gavetas da minha mãe e passar horas a ver fotos antigas... porque não se vê só com os olhos. Também se vê com os dedos... e com a memória.


Ianita em todo o seu esplendor... um sorriso aberto para desviar as atenções das montanhas de banha! Aprendi cedo :) É tudo uma questão de atitude...


Uns 3 anos talvez... no jardim da minha mãe. Quando ainda havia olival no terreno ao lado... ainda não tinha aprendido a técnica "barriga para dentro, mamas para fora"...


Armada em campeã... com este tamanho e ainda com as rodinhas na bicla... Gosto do pormenor da blusa metida para dentro da saia... e do totiço a tirar os cabelos da cara... estava mesmo loura!!


Na pré... muito compenetrada... olhos muito abertos... e hoje não há sorriso para ninguém!

A fase grunge... cabelo escorrido... olhar parvo... mas há qualquer coisa nesta foto de que eu gosto. (além dos 30kg a menos).
Casamento da prima Guida... e a ianita armada em gaja boa aos 14 ou 15 anos. (e reparem como ainda era mais alta que o meu irmão que hoje tem mais 25cm que eu...)

Turma 8º ano [E aqui? Onde está a Ianita? :) ]

Album



Está a chegar o Natal... comecei a vasculhar no baú... e no baú há tesourinhos. Como este. :) Pré-Primária...

26 de novembro de 2009

OMG

O meu horóscopo para a próxima semana, segundo Miguel de Sousa:

"Amores intensos e paixões exarcebadas podem surgir sem aviso prévio (é costume avisarem? Toca uma campaínha ou assim?). Cuidado com as relações duplas (mas não é normal numa relação haver duas pessoas?). Seja persistente na obtenção de resultados positivos nos seus empreendimentos (pois... não me apetecia agora ser persistente em obter coisas negativas... ainda bem que é nas positivas que tenho de ser persistente). Faça uma consulta oftalmológica de rotina (ao lado... ou abaixo... a consulta de rotina está marcada... é no dentista... se bem que a minha nova dentista é a modos que preguiçosa e decidiu que não ia trabalhar no dia em que eu tinha marcado... e agora vou ter de ir 2 dias antes do Natal! Espero que não me faça nada de drástico...)."
Mas o saldo é positivo... acertou em quase tudo... :)

Fados

O "Fado curvo" da Mariza foi, para o Times, o 6º melhor album World Music da década. Da década.

Sou mais menina do Fado triste de Coimbra, que do Fado canção de Lisboa... ainda assim, gosto de alguns Fados... gosto de algumas vozes. Carlos do Carmo e o Camané estão no topo para mim. Prefiro vozes masculinas em todos os estilos. Ainda assim, gosto da Cátia Guerreiro que pôs os senhores e as senhoras na Arábia Saudita a chorar... E a Mariza, que já correu Mundo, que tem uma voz belíssima e que com o seu look moderno e uma máquina de Marketing por trás conseguiu levar o seu/nosso Fado mais longe. Parabéns à Mariza! É meu e vosso este Fado...

25 de novembro de 2009

Desafios

Do Paraíso do Inferno, veio o desafio... às minhas queridas o meu muito obrigada :) aqui estão as respostas possíveis...





Seguir as regras
Levar o selo acima que identifica quem está, esteve ou estará no desafio
Completar as seguintes frases:

Eu já...//Eu nunca...//Eu sei...//Eu quero...//Eu sonho...//

Indicar 5 Blogs para dar sequência ao desafio


Eu já... quebrei todas as regras. (inclusivamente estas... não vou indicar 5 blogs...)

Eu nunca... desisti sem tentar.

Eu sei... que nada sei. (um cliché, eu "sei"... mas a verdade)

Eu quero... muita felicidade para os meus.

Eu sonho... ser independente. (para fugir aos clichés...)

Responda quem quiser... :)

24 de novembro de 2009

Do problema...

Eu tenho um problema. Um problema que considero grave.

E considero o problema grave basicamente porque, apesar de todas as tentativas, não consigo ver-me livre dele.

Não sei se nasci assim... não tenho memória assim tão distante. Mas sei quando percebi que tinha um problema. Que não era como as outras pessoas. Foi há quase 13 anos.

Nessa altura, porque houve um acontecimento traumático comum a mim e às minhas amigas, lembro-me de falar com algumas pessoas sobre o que se passava comigo... e lembro-me de ter percebido aí, nessa altura, que não era como as outras pessoas.

Não peçam para explicar. Não o sei explicar. Não o sei entender. Não sei nem conheço a origem disto. Sei-me assim. Aprendi a conviver com isto. É difícil... uns dias piores que os outros... uns dias melhores que os outros. Mas é muito difícil. Uma pessoa cria mecanismos... ou eu criei mecanismos porque não me queria render àquilo. Porque aquilo não faz parte da Ana que eu quero ser. Aquilo não faz parte da vida que eu quero ter. Então... ajo apesar de. Então... faço como se o problema não existisse. Porque não sei fazê-lo desaparecer. Sei viver com ele... sei viver apesar dele.... sei sorrir e ser feliz. Mas... queria não ser assombrada por isto.

Queria poder ser outra Ana. De mim para mim. Porque para os outros sou a melhor Ana que posso e consigo ser. E são muito raras as pessoas que sabem exactamente que problema é este... ou de que forma ele me afecta. Há quem ache que exagero. Eu não só não exagero, como nem sequer conto como as coisas são exactamente... porque se soubessem entendiam que não se pode viver assim. Entendiam...

Não sei se entendiam. É preciso viver para saber. Eu sei e não preciso que mais ninguém saiba. Preciso que me indiquem um médico que me trate. Que me identifique a origem do mal... que me diga o que eu posso fazer para que isto não me atormente tanto. Gostava de poder viver, nem que fosse um dia, sem isto... gostava. Porque não sei o que é... porque não me lembro de um único dia da minha vida sem isto. E gostava.

De me ver livre da sombra... da névoa... e poder simplesmente ser eu. Mais eu. Será possível? Conseguirei alguma vez? Ou passarei a vida a ser a Ana, apesar de...?

23 de novembro de 2009

Ao Pai Natal, amigos, família e conhecidos em geral

Eu não sou de pedir muito.


Quer dizer... sou. Peço muito das coisas que não se vêem.


Das coisas que se vêem, das palpáveis, dessas peço pouco. Sempre fui assim. Qualquer coisa me basta... mas fiquei feliz quando soube da prenda da minha querida amiga Rony :) era suposto ser surpresa, mas ela já revelou que me vai mandar de prenda de Natal, isto:


E mesmo não dando importância a bens materiais... que bem me soube... esta é uma prenda que não deve ficar barata, mas que eu prometo amar e estimar e tomar conta durante os próximos 50 a 60 anos :) Esta é a melhor prenda da história das prendas!! (espero que venha a funcionar bem!! e que não o estragues antes de mo enviares!!)

Estou aborrecida.

Muito.

Mas mesmo mesmo muito aborrecida...

Ainda só vou no 2º dia... 2º dia que ainda está longe de terminar... faltam 4 horas... ou seja... só passou dia e meio!!!

Passei bem o fim-de-semana...

(e escrevi um post imenso que desapareceu... ficou o que está em cima e duas palavras da última frase... e não me apetece escrever tudo outra vez.... estou mm mt aborrecida... era só isso)



(Não sei o que se terá passado, mas a verdade é que não tenho mais o que fazer e não posso sair daqui, por isso posso reescrever o monte de baboseiras que tinha escrito antes... ao meu lado está um stand de uma pastelaria... que não tem bolos sem ser dos de noiva... que são bonitos, mas que não dão vontade de comer, até porque não gosto de bolo de noiva... do outro lado tenho uma empresa de electrodomésticos que tem dois LCD viradinhos para mim, sempre a passarem as mesmas imagens o dia inteiro... lareiras... e ainda vejo para o pavilhão 2 e para um stand de mobílias... e há mobílias muito giras na expodecor... e eu tinha de ficar de frente para uma cama branca daquelas com cabeceira enorme... horrível!!

Estou cansada... cheia de dores de cabeça desde manhã... de manhã fui trabalhar, mesmo não tendo que ir. Mas meti na cabeça que ia e fui. Mesmo tendo trabalhado ontem, Domingo, e mesmo hoje e todos os dias ter de ficar aqui até às 23h... sem ganhar nem mais um tostão. Mas fui trabalhar de manhã... e apetecia-me ter continuado lá... não me apetecia ter vindo para aqui... porque ter de estar num sítio sem nada para fazer é pior do que quando se tem muito que fazer... porque assim o tempo parece que passa mais devagar... mesmo cultivando as duas quintas do Facebook... mesmo falando no msn... mesmo falando ao telemóvel... o tempo teima em não passar... e este é só o 2º dia... que ainda não passou... que está ainda longe de passar...

E amanhã outra vez. Trabalho de manhã e seca o resto do dia... mas é melhor calar-me, porque isto sem net e sem computador seria muito pior. Há sempre formas de se estar pior, não há?

É melhor calar-me portanto. Estou aqui porque disse que sim que estaria. Ninguém me obriga. Vou trabalhar porque estou em campanha eleitoral. Posso não ser eleita nem ganhar nada com isto, mas não sei se não tentar...

É só uma semana. É só uma semana....

Estou aborrecida. É só isso. Muito aborrecida...

E no post que tinha escrito antes tinha dito estas coisas e acho que tinha dito outras coisas... mas pronto... o essencial era isto... estou aborrecida.)

22 de novembro de 2009

Amanhecer

É mais ou menos isto... Sarar as feridas e amanhecer. Siga!



A vida tem destas voltas estranhas
que te confudem nas tuas manhas
faz-te tantas vezes perder o norte e a razão
e crava as garras no teu coração

Não pede desculpas
Não pára para ver
Confude os teus sonhos até te perder
faz-te tantas vezes sentir o dono do mundo
e derrepente deixa-te só

A vida tem destas voltas estranhas
onde te prendes e te emaranhas
faz-te tantas vezes rodar como um pião
e crava as garras no teu coração

mas depois para te consular
dá-te o céu e as estrelas
o calor e o mar
faz-te sonhar
e faz-te morrer
mas deixa-te sempre mais uma vez
sarar as feridas
e amanhecer


A vida tem destas voltas estranhas
que te confudem nas tuas manhas
faz-te tantas vezes perder o norte e a razão
e crava as garras no teu coração

Não pede desculpas
Não pára para ver
Confude os teus sonhos até te perder
faz-te tantas vezes sentir o dono do mundo
e derrepente deixa-te só

mas depois para te consular
dá-te o céu e as estrelas
o calor e o mar
faz-te sonhar
e faz-te morrer
mas deixa-te sempre mais uma vez
sarar as feridas
e amanhecer

lamber as lágrimas
sarar as feridas
e amanhecer

20 de novembro de 2009

Alceste

O Amor.

O amor é um sentimento complexo. Não o sei pôr em palavras. Sei senti-lo. Sei como fico quando vejo o meu homem. Sei como o meu coração bate como se quisesse sair do peito. Sei como o meu sangue ferve nas minhas veias. Sei esses clichés todos de romance de cordel. Clichés muito verdadeiros. Clichés que soam a cliché… clichés que sabem a cliché… mas que são sentidos… reais… quase palpáveis.

O dormir acordado e o viver a dormir. A respiração que pára a cada toque. Os sentidos apurados ao máximo. O toque. O cheiro. O gosto. A voz. O olhar. Toda eu sou ele. Toda eu respiro ele. Toda eu vibro com ele. Eu sou ele e ele é eu. Arrepio na espinha quando o sinto olhar-me. Rubor quando o sinto tocar-me levemente no fundo das costas.

A mão na mão. O olhar no olhar. Os lábios nos lábios. A voz na voz. Eu e ele. Um só.

O amor feito de desejo, de respeito, de companheirismo, de entrega, de vontade, de construção, de loucura e de pés no chão… de voos rasantes e de passeios calmos… de conversas profundas e de risos… de serões no sofá… de tantas pequenas coisas… de tantas grandes coisas…

Duas pessoas. Um amor. Um mais um é um. Ou talvez fôssemos metades antes de nos encontrarmos. Talvez fôssemos metades e nos tivéssemos completado no amor. O amor fez-me mais completa. Não voltaria a ser completa sem ele. Não voltaria a ser eu sem ele. Agora que sei o que é estar com ele. Agora que sei o que é tê-lo. Agora que sei o que é sentir e viver o amor em plenitude. Eu sou eu com ele. Sem ele não seria mais que uma sombra de mim.

Quando se vive um amor assim pensa-se que se é eterno. Pensa-se que o amor é eterno e que nós seremos eternos com ele. Ficaremos para sempre. Em amor.

Os anos passam, o amor fortalece-se. Vêm os filhos. O amor gera uma família. Uma família construída e vivida em amor. O amor multiplica-se. Cresce. Evolui. E quando antes pensávamos que não podíamos amar mais, eis que sim… podemos amar mais. E amamos mais e mais e mais e mais e mais…

Mas a vida não é perfeita. Não podemos ter o que tanta gente quer e não tem sem contrapartidas. Ninguém vive em cor-de-rosa. Ninguém vive em perfeição, em idílio… uma vida inteira.

E quanto é uma vida inteira? Quanto tempo dura uma vida inteira? 20 anos? 40 anos? 100 anos? O que vale mais? Uma vida plena de 30 anos ou uma vida sobrevivida durante 100 anos?

Eu sinto que vivi mais que muitas pessoas com o triplo da minha idade. Tive o privilégio de amar e ser amada. Tive o privilégio de poder viver o meu amor. Tive o privilégio de ser feliz. Talvez demasiado feliz… os deuses não gostam quando os humanos vivem um Paraíso na Terra. Não gostam e trocam-nos as voltas.

Ele ia morrer. A sentença estava dada. A esperança não era nenhuma. Ele ia morrer. A não ser que alguém desse a vida por ele. A não ser que alguém tomasse o lugar dele na embarcação. A não ser que outra pessoa levasse o óbolo ao barqueiro e embarcasse em nome dele. A não ser que outra pessoa povoasse os Elísios. A não ser que outra pessoa o amasse mais que à própria vida e morresse por ele.

Eu vou morrer por ele. Eu amo-o mais que à minha própria vida. Eu amo-o mais que tudo. Por tudo o que vivemos, por tudo o que somos e fomos juntos… pelo amor que nos une ainda… eu vou morrer por ele.

A decisão não foi difícil de tomar. Foi simples. Rápida. Indiscutível. Porque a morte dele seria sempre a minha morte. Assim morro só eu.

Estava cheia de certezas. Sabia que era a coisa certa a ser feita. Mas hoje, quando a hora se aproxima, não deixo de sentir revolta. Sim… revolta… raiva… medo.

Não compreendo como é que nenhum dos meus sogros deu o pescoço ao machado pelo filho. Não compreendo como é que uma mãe não dá a vida pelo filho. Não compreendo como é que ela, tendo essa possibilidade, não o salva. Por que não o salva e não nos salva… porque se fosse ela a morrer, nós poderíamos continuar a viver o nosso amor. Por que não pode ela morrer e salvar-nos? Que egoísmo é esse que a impede de morrer pelo seu filho?

Não a entendo. Não entendo. Não entendo por que é que não podemos simplesmente viver. Sermos felizes. Sermos amor.

E ele… ele que aceitou o meu sacrifício. Ele que aceitou a minha vida pela dele. Ele que não se importa de carregar o peso da minha morte nos seus ombros. Ele que prefere viver, a morrer comigo.

Quando estamos bem e felizes… quando o amor é perfeito e idílico e tudo corre bem…não pomos nada em causa. Nem a nossa vida, nem o nosso amor. Se o amor é perfeito, por que se poderá pôr em causa? Não pode. É vivido com a máxima intensidade. Com todo o ardor. E não paramos para pensar. A razão não manda nada quando se trata de amor. Nada. Nada de nada. O amor é impulso. O amor é salto em precipício. O amor é queda livre. O amor é entrega. O amor não tem reservas… nem “mas”… nem condições…

E por isso, naquele dia, naquele momento, foi o meu amor que falou e não a minha razão. A minha razão não existia. Existia o meu amor. Só o meu amor. E o meu amor não podia suportar a perda. O meu amor não poderia nunca suportar… e não pensou se ele faria o mesmo por mim. Não pensou se ele estaria disposto a morrer por mim. Não perguntou se a intensidade do amor dele correspondia à do meu.

E se antes era altruísta e amava por amar e porque queria amar e gostava de amar e não esperava nada em troca… hoje sinto desconforto. Porque antes não havia a certeza do mesmo amor do outro lado, mas havia a dúvida. E dúvida, nestes casos, conforta-nos. Dá-nos alento. Dá-nos o podermos sonhar que do outro lado é igual. Porque há margem para erro, mas também há margem para certeza. Não perguntamos, porque não queremos saber. Não queremos saber quantas vezes já disseram “amo-te” a outras pessoas… não queremos saber da vida antes, porque a vida antes não existe e não pode existir. E assim, na nossa cabeça, o nosso amor é perfeito.

Estranho como, quando a razão não tem nada que ver com o amor, estranho como é só na nossa cabeça que as coisas são perfeitas. Na realidade não são. E nós abrimos os olhos da alma e fechamos os olhos da razão. E seguimos no comboio e seguimos na montanha russa. E não questionamos. E achamos que nos basta assim. Sentir amor. Sem saber de pesos… sem saber de medidas… vamos sabendo o peso e a medida do nosso amor… mas do amor dele nada sabemos… só sentimos.

Mas nos momentos de crise… nos momentos negros… nos momentos de decisão… nesses momentos sabe-se, além de se sentir. Sabe-se.

Soube agora que houve um engano… um terrível engano. Ninguém tem de morrer. Fomos salvos. Os deuses foram benevolentes. Ou não terão sido? É verdade que não vou ter de morrer… nem ele vai ter de morrer… vamos poder continuar juntos e viver o nosso amor… mas… esta situação… esta situação limite… este teste ao nosso amor imposto pela vida… matou um pouco de mim. Matou a minha incerteza. E no amor é bom haver incerteza… as certezas absolutas são aborrecidas. Amor que é amor traz risco… incerteza… incerteza…

Depois de tudo isto é claro que estou feliz. Eu não queria morrer. Eu sei que escolha foi minha… foi uma escolha do meu amor e não da minha razão. O meu amor morreria sempre… e morreu um pouco de qualquer forma. Porque hoje sei que mesmo depois da maior prova de amor incondicional, ele não me ama na mesma intensidade. Ele ama-me, mas não da mesma forma.

Poderei voltar a amá-lo como amava? Incondicionalmente? Sabendo hoje que ele tem condições no amor dele?

Não sei. Sei que algo morreu em mim. A inocência. O cor-de-rosa. A vida não é só montanha russa. A vida não é só amor. A vida tem outras coisas… importantes também. O meu amor hoje é diferente. É desconfiado. É prudente. É menos perfeito na minha cabeça. É talvez mais real. Mais verdadeiro? Mais verdadeiro…

Os antigos diziam que os grandes amores da alma davam grandes tragédias… fosse o amor entre homens e mulheres… fosse o amor à Pátria… fosse o amor aos pais… todas as paixões da alma nublam a razão. E sem razão não há consciência… nem distinção entre bem e mal… nem limites.

Continuo a amá-lo, mas amo-o de um amor diferente. Menos possessivo. Menos obcecado. Mais lúcido. Mais racional. Mas não menos intenso.

Os antigos tinham razão. O amor é para ser vivido em serenidade. O amor é para ser vivido em comunhão de almas. Em dias de céu pouco nublado. E em dias de tempestade agarramo-nos agarradinhos e esperamos conseguir superá-los… mais uma vez.

19 de novembro de 2009

Borderless :)



Não ligo a estas tecnologias... basicamente porque não entendo... estou sempre muito por fora dos grandes avanços da tecnologia... gosto de coisas básicas :) mas adoro este anúncio. Como adorava o das libelinhas da Vodafone (enjoy life)... este é numa de quebrar barreiras. Não temos de dar saltos de fé todos os dias... nem sequer andar de montanhas russas... mas se forçarmos os nossos limites um bocadinho todos os dias... chegamos lá! :)

O lavar da roupa suja...

... a mim não me custa. Nadinha. Adoro lavar roupa. Separar a branca da de cor... separar a preta... escolher o produto adequado para cada tipo de roupa. Estender na rua ao sol ou pôr na máquina de secar. Passar ferro e arrumar. Gosto. Gosto muito.

O lavar da louça suja já é outra questão. Não gosto. Abomino. Detesto. E normalmente safo-me. Porque a máquina lava alguma, a mamã lava a outra. Porque quando tenho amigos em casa são eles quem lava a louça. Porque quando vou de férias para casa dos meus amigos são eles quem lava a louça. Não sei explicar o porquê...

Gosto de lavar casas-de-banho. Adoro. Com lixívia. Adoro cozinhar. Adoro passar a ferro. Detesto arrumar o quarto e lavar a louça... esta semana estou sozinha em casa sem máquina de lavar louça... o drama!!

5ª feira e a casa-de-banho impecavelmente limpa...a roupa toda lavada e passada a ferro.... três montes de roupa "arrumada" no chão do roupeiro, outro monte na cadeira do quarto (para dar estilo e tal)... sapatos pelo chão (e eu que tenho uma sapateira tão linda)... e a cozinha... digamos que consegui sujar 5 tachos, 17 canecas, imensos talheres... 2 pratos... escorredores... passadores de leite...

Decidi que tinha de pôr mãos à obra. Cozinha. Lavei a louça toda. Lavei o fogão. Lavei tudo tudo tudo. Detestei cada segundo, mas lavei. Até aquele tacho do molho queimado, cheio de bacon e milho agarrado ao fundo... (que nojo!!). Lavei tudo.

O quarto continua desarrumado, mas a cozinha está um brinco. Consequência lógica e imediata... não posso comer nem beber mais nada até Sábado! Porque não me apetece ouvir a mamã ralhar pela louça por lavar... e porque não me apetece passar por outra meia hora de tortura.

Eu adoro cozinhar... e há imensas coisas que me apetece comer... mas cozinhar implica sujar louça, logo... pão com queijo e leite com nesquick para o jantar. E mesmo assim sujo uma faca, duas canecas (porque aqui a menina tem uma cena estranha com as natas... se as sente vomita... então aqui a menina aquece o leite numa caneca e depois passa-o no passador para outra caneca), um passador de leite e uma colher.

Amanhã deve vir o mano. O que é bom. Porque ele não se importa de lavar a louça, desde que eu cozinhe para ele :) Perfeito!

18 de novembro de 2009

ExpoIanita

Vai decorrer de 21 a 29 de Novembro, na Exposalão (Batalha), a ExpoDecor. Se clicarem no link vêem toda a informação. :) Mas basicamente é exposição de decoração, mobiliário, cerâmica, iluminação, flores e tapeçaria. Além disso, tem também a parte UtilCasa e Festas e Casamentos.

É na parte Festas e Casamentos que o GM vai ter um stand. Porque os senhores patrões têm uma quinta daquelas a sério com cavalinhos Lusitanos a sério e que arrendam para eventos. A Quinta da Ferraria. E aqui a je vai assegurar o stand... todos os dias... até às 23h... excepto Sábados porque as minhas colegas de trabalho resolveram ser amigas e dar-me um dia de folga... :) O patrão disse que o meu horário era feito lá, mas mesmo assim vou à empresa... para o trabalho não acumular mais... por isso... das 9h às 14h na empresa... das 15h às 23h na Exposalão. Lado positivo? Vou levar laptop com net :) e os aumentos são já em Janeiro :)

Quem quiser vir à ExpoSalão visitar-me e aproveitar para ver as coisas todas que estão em exposição, diga-me qualquer coisa porque eu arranjo convites :)

16 de novembro de 2009

Deste caminho...



Life, it's ever so strange
It's so full of change
Think that you've worked it out
Then BANG
Right out of the blue
Something happens to you
To throw you off course
And then you

Breakdown
Yeah you breakdown
Well don't you breakdown
Listen to me
Because

It's just a ride, it's just a ride
No need to run, no need to hide
It'll take you round and round
Sometimes you're up
Sometimes you're down

It's just a ride, it's just a ride
Don't be scared
Don't hide your eyes
It may feel so real inside
But don't forget it's just a ride

Truth, we don't wanna hear
It's too much to take
Don't like to feel out of control
So we make our plans
Ten times a day
And when they don't go
Our way we

Breakdown
Yeah we breakdown
Well don't you breakdown
Listen to me
Because

It's just a ride, it's just a ride
No need to run, no need to hide
It'll take you round and round
Sometimes you're up
Sometimes you're down
It's just a ride, it's just a ride
Don't be scared
Don't hide your eyes
It may feel so real inside
But don't forget it's just a ride

Slowly, oh so very slowly
Accept that
There's no getting off
So live it, just gotta go with it
Coz this ride's, never gonna stop

O Tempo não pára. Não há paragens. Não podemos carregar no botão vermelho e não se acende o sinal de próxima paragem. Estamos num autocarro panorâmico sem paragens. Sem acelerador. Sem travões. Em velocidade cruzeiro. Às vezes parece que vamos tão depressa que quase derrapamos na curva. Mas a verdade é que a velocidade é constante. Depende de nós fazer com que a viagem valha a pena... podemos emburrar o caminho todo... fazer birra... passar os dias a dizer que a nossa vida é horrível, que não presta... que temos o pior trabalho do Mundo pelo pior ordenado do Mundo... com os piores colegas... e que não podemos comprar aquela coisa que queremos muito.... e que não podemos ir naquela viagem... e que não podemos ir àquele restaurante... e passar a viagem nisto... emburrados... casmurros... a prender o burro... a recusarmo-nos a sorrir... só porque o sorriso vai de encontro ao nosso estado de emburramento. É mais confortável assim, não é? Assumir que está tudo mal e que a nossa vida é horrível?

Será assim tão horrível? Diziam os Monty Pyton... Always look on the bright side of life. Não vou em Segredos da treta. Não vou em cantigas nem nas novas religiões do milénio. Não vou nisso. Mas isto é verdade. Temos o poder de mudar muito. Não podemos mudar o Tempo... não podemos acelerar nem travar... mas podemos mudar o percurso. Podemos mudar a companhia de viagem. Podemos mudar a panorâmica. E basicamente, podemos mudar-nos a nós.

É muito fácil culpar o trabalho da treta. Redutor. Muito fora do que sempre quis para mim. Muito fora mesmo. É muito fácil culpar o patrão pelas 12h de trabalho diário para pouco mais do ordenado mínimo. É muito fácil culpar o ainda viver com os meus pais. É muito fácil culpar o não ter namorado nem estar apaixonada. É muito fácil culpar os meus amigos que vivem demasiado longe. É muito fácil culpar a chuva e frio... mas, vai daí, também é fácil culpar o calor.

É sempre mais fácil pôr a culpa em factores exteriores a nós.

Podemos ver nas dificuldades oportunidades. Podemos sorrir em vez de chorar. Podemos não estar sempre emburrados. Não temos de provar a ninguém o difícil que a nossa vida é, quando, na verdade, não é mesmo nada difícil, tendo em conta a miséria que por aí vai.

Sem Segredos nem teorias da treta. O meu trabalho é demasiado redutor para aquelas que são as minhas capacidades. Certo. Mas permite-me ter qualidade de vida. E foi uma escolha minha. Que assumo. Para o bem e para o mal. Não quer dizer que não tenha dias de querer mandar tudo para o alto e seguir outro caminho. Mas no fundo sei que é este o meu caminho.

Não tenho casa? Hei-de ter. Um dia.

Não estou apaixonada? Hei-de estar. Um dia.

Estou triste? Hei-de sorrir. Amanhã. Hoje. Daqui a pouco.

Não sou optimista. Mas também não vejo tudo negro à minha volta. Vejo esperança. Vejo caminho. Vejo céu azul. Vejo luz. Muita luz. Vejo alegria. Vejo partilha. Vejo as minhas curvas e contra-curvas. Os meus acidentes de percurso. E só posso sorrir. Porque tenho a melhor das companhias neste autocarro panorâmico... que poderia querer mais?

Enganei-me. Estou sim apaixonada. Não é cliché. Mas amo viver. E claro que gostava que as coisas fossem sempre boas... mas a paleta tem mais cores... e não pode ser sempre cor-de-rosa.

Clitemnestra

Parece que estive casada uma vida inteira. Parece que já nasci casada. Porque até quando ainda não era casada, preparava-me tanto para o casamento que era como se já fosse casada.

Nunca pensei muito se queria ou não casar. É a ordem natural das coisas. A minha família tinha dinheiro e estatuto e era mais que natural que eu estivesse destinada a algo mais que a minha singela vida. Nasci a ser mais que uma criança. Nasci a ser possibilidade de algo mais. Nasci a ser destinada a algo mais. E, como se passa com todas as mulheres nascidas em famílias de nome, esse “algo mais” passava obrigatoriamente pelo casamento. Um bom casamento. Um casamento dentro da classe. Um casamento acima da classe então era um sonho.

Não bastava ter dinheiro e estatuto. Tantas têm dinheiro e estatuto e não conseguem bons casamentos. Temos que nos comportar de acordo com o estatuto, com a classe a que pertencemos. Temos de saber dominar, parecendo subservientes. Temos de saber fazer tudo, para podermos mandar fazer tudo. Temos de ser duras com os funcionários e dóceis com os maridos. Temos de ter boa aparência. Porque embora os maridos procurem sempre amantes, não lhes podemos causar repulsa, ou não teremos filhos. Por isso, mesmo depois do casamento, temos de continuar a tratar da aparência. Pelo menos enquanto não tivermos filhos.

Sempre fui bonita. A minha família educou-me bem e eu sempre soube que conseguiria um bom marido. Ter conseguido um marido de sangue azul foi uma alegria para a família. Um salto em frente.

O casamento sempre correu bem. Éramos bons companheiros. Podíamos contar um com o outro e a casa estava sempre em ordem. Ele tinha amantes, mas ainda assim nunca deixou de me procurar durante a noite e tivemos alguns filhos.

A vida era serena. Boa. Feliz. De acordo com tudo o que eu sempre quisera e esperara. Não poderia ter sido melhor se o sonhasse. A minha vida era perfeita. O marido perfeito. A casa perfeita. Os filhos perfeitos. A família perfeita.

Até que chegou a guerra.

A guerra é normal. Comum. É normal que as pessoas defendam os seus direitos pelas armas. É normal que reclamem o que é seu e lhes foi roubado. Porque se hoje fecham os olhos a uma maçã roubada do pomar, amanhã não têm pomar.

A honra é a coisa mais importante que poderemos ter e devemos lutar para a conservar. Sempre. Custe o que custar. Doa a quem doer. E por isso não me espantou que o meu marido juntasse o seu exército pessoal para apoiar o irmão. A honra do irmão era a sua honra. E um homem sem honra é um homem morto.

Custou-me que ele estivesse disposto a sacrificar a nossa filha. Sangue do seu sangue. Carne da sua carne. Alma da sua alma. A mais pura. Pela guerra. Mas a honra de um homem é a sua vida. E a luta pela honra vale qualquer sacrifício. Sei disso.

Passaram 10 anos. 10 anos a pouco saber. 10 anos em que muitos dos nossos pereceram naquela guerra. 10 anos em que eu esperei o regresso do meu marido. O meu marido. Aquele que era meu marido desde que nasci. Aquele que era meu marido mesmo antes de ser meu marido. Antes de eu nascer. Antes de os meus pais nascerem. Antes dos pais dos meus pais nascerem. O meu marido desde que o Mundo é Mundo. Antes de eu ser eu e de ele ser ele.

Sempre fui uma esposa dedicada, afectuosa, cumpridora dos seus deveres… perfeita. Sempre fiz tudo o que tinha de fazer. Sempre pus o meu marido acima de tudo e de todos. Acima de mim. Acima dos meus filhos. Acima de tudo.

E depois de tudo o que passámos juntos… depois de ele quase matar a nossa filha… depois de dez anos de ausência numa guerra… depois de tudo… eu esperei por ele… de braços abertos… de alma aberta… pronta a retomar o casamento exactamente onde tinha ficado.

Perdoei tudo. Tudo. Todo o mau humor. Todas as ofensas. Todas as infidelidades. Todas as ausências. Todos os absurdos. Todas as ideias loucas. Tudo. Mas, depois de tudo, trocar-me? Colocar uma rameira estrangeira na minha cama? Como se aquela estrangeira soubesse alguma coisa de como se comportar em sociedade… de como mandar nos escravos… de como organizar um banquete… seria ela a receber as esposas dos amigos do meu marido para o chá? Mas como se ela mal fala a nossa língua?

Que ele a tivesse como escrava e amante na guerra… que a quisesse possuir como se possui um objecto… que lutasse por esse objecto… que entrasse em confronto com Aquiles pela posse dela, como se de um escudo ou de uma espada se tratasse… é normal. Aceitável. Comum. Trazê-la para casa como despojo de guerra… com os outros despojos tirados dos corpos mortos dos adversários… com o resultado da pilhagem às casas dos derrotados… que a trouxesse na condição de coisa, de objecto, de escrava… mas assim? Como mulher… como se fosse igual a mim. Pior. Como se fosse igual a ele. A louca. Cassandra. Cassandra. Cassandra. Cassandra.

Vai uma Cassandra dormir na minha cama? Vai uma Cassandra roubar-me o marido? Ele é meu. Sempre foi meu. Desde que o Mundo é Mundo. Desde o Caos inicial. Desde antes a existência dos deuses. Sem o meu marido, quem sou eu? Uma mulher nasce para ser filha, esposa, mãe e viúva. Nada mais que isto. Se não posso ser esposa… pois que seja viúva.

Em repeat

O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.O trabalho paga-me as férias.

[a ver se consigo sorrir hoje...]

15 de novembro de 2009

Os meus Mirós

Este não havia em grande... veio o postal...
Não encontrei este na net... esta é a foto possível do meu Miró. Painting aka Peinture, 1934. Um dia, vai estar numa parede de uma casa minha. Um dia.

14 de novembro de 2009

O regresso

Ouvi agora nas notícias o Zapatero dizer que vamos sair da crise mais cedo ou mais tarde. Digamos que, depois desta semana, será mais cedo para os catalães e mais tarde para mim :)

Uma viagem que fica cara. Se não ficarmos num hostel com quartos partilhados com mais uma dúzia de pessoas e banhos controlados e se não viajarmos em low cost que nos deixa a 100 km da Barcelona. Ficámos num bom hotel, embora apenas 3 estrelas. Viajámos em promoção, mas TAP. Comemos fast food, mas também comemos muito bem. Fomos a todos os museus que tivémos tempo de visitar.

Comprámos o Barcelona Card, que nos dava acesso a todos os transportes e ainda descontos em museus. Comprámos o Articket que dá acesso a 7 museus e que compensa o valor com a visita a apenas dois.

Ou seja, mesmo com algum controlo de custos, não é uma viagem barata. Mas é daquelas viagens que vale cada cêntimo. Cada euro a estimular a Economia espanhola.

Estive este ano nos Açores. Em S. Miguel. Adorei. Fiz coisas que provavelmente não farei em mais local nenhum. Comi coisas estranhas e boas. Vi baleias. Mas vim de lá com a sensação de que não voltaria. Gostei, gostei muito. Mas, com tanto Mundo para ver...

Desta viagem vim com uma sensação diferente. Vim com a certeza que vou voltar. Para ver o que me falta ver e para ver o que já vi. Com olhos menos sôfregos. Com mais calma.

Um dia volto. Um dia não muito distante, espero.
Falta uma palavra de agradecimento à companheira de viagem e de loucura. Desculpas por alguma coisa... pelo mau humor quando estou drogada. Um obrigada por tudo.

Este ano não temos mais planos de viagens... chega de aviões para o mesmo ano, para mim. Para o ano haverá mais. Agora é manter-me em casa em contenção de despesas até ser Dezembro... e depois planear a Passagem de ano. Que será na Covilhã ou no Algarve (mas para a qual estás hoje oficialmente convidada Vera, certo Rony?).

Depois de uma viagem de avião pela qual quase nem dei conta... chego a Lisboa para ainda apanhar os papás ao telefone antes de eles embarcarem para S. Miguel. E ligo à mana que me diz que a Sara ficou a 1 mero segundo do record nacional dos 200m mariposa absolutos! E o mano vem amanhã da Roménia...

O efeito dos comprimidos começa a passar... estou feliz. Muito feliz mesmo.


Ficam as últimas fotos... Tibidabo e Plaza del Rei, no Bairro Gótico. Que vontade de ir outra vez....















Market Hotel e Restaurante

Foi aqui que ficámos. No Market. A duas estações de metro das Ramblas. Muito bonito. Tanto o hotel como o restaurante, a que ficámos rendidas. Bom, bonito e barato. Já aqui postei fotos do bar Rosso e do primeiro jantar. Fica mais uma pequena amostra. De negativo, só o aquecimento do quarto... sempre ligado... parecia uma sauna!!





O já falado bife carpaccio com rúcula, queijo parmesão e pinhões. E, a bela da caipirinha :)

Crema catalana com fresas :)




Qualquer coisa como, rolos de bife recheados com espinafres, queijo gorgonzola e pinhões em cama de cebolas doces com molho de soja :)



English apple pie with cream and nuts :)



À excepção da Paella saborosa, mas gordurosa, comi mesmo muito bem nestes dias de Barcelona. Almoços de fast food e jantares maravilhosos!

Espectáculos
























13 de novembro de 2009

De Barcino a Barcelona

Tínhamos propositadamente deixado o dia de hoje sem planos... porque tínhamos planos ambiciosos para os outros dias...

Tibidabo de manha. Uma vista fabulosa.

Almoço às 15h, como vem sendo habitual... depois, o MuhBa (Museu da História de Barcelona - Conjunto Monumental da Plaza del Rei). Aquela zona é toda muito bonita, mas adorei a viagem de mais de dois mil anos. Descemos num elevador de Barcelona em 2009, para Barcino em 12 a. C. É uma cidade debaixo de outra cidade. As ruas, as muralhas, as fábricas de garum, as fábricas de vinho, as lavandarias, as casas, as saunas... muitas pedras, muitos calhaus, muitos cacos e muitas estátuas sem cabeça!! Heaven for me!!! :)

Depois, mais um passeio pelas Ramblas... mais um passeio em busca do MACBA (Museu de Arte Contemporânea de Barcelona). Digamos que o edifício é bonito, mas a arte é demasiado alternativa para mim :)

Muita música nas estaçoes de Metro. Muito dar à perna debaixo de terra. Praça de Espanha. Fonte de Montjuic, aos pés do MNAC. Espectáculo de luz e cor. Lindo! Emocionante! Cheio de gente de todos os cantos do Mundo.

Um dia em cheio. Espera-nos ainda o jantar de despedida. Amanha cedinho partimos rumo a casa.

Amanha partilho os vídeos e as fotos do dia de hoje :)

Barcelona a bombar!!

Pelas ruas desta cidade...

Montjuic. Estádio Olímpico. Miró (amei! amei! amei! o melhor museu até agora). Museu do Desporto. Teleférico até ao Castelo. Muita fome. Vista fantástica. Descida de funicular até à Avenida Parallel. Um passeio a ver o mar. A rotunda do Colombo português. Subida pelas Ramblas. Tanta arte. Tanta gente a pedir os nossos euritos. Almoço. Mais passeio. Chocolates do Mercado. Hotel. Praça de Espanha. MNAC. Ver o anoitecer. Hotel. Jantar bife carpaccio com rúcula, queijo parmesao e pinhoes, acompanhado de caipirinha. Passeio nas Ramblas. Mais desvios de olhar. Mais espectáculos de rua a pedirem euritos.

Mais um dia cheio. Mais um dia de andar quilómetros. Hoje há mais. Mais coisas para encher o dia. Mais quilómetros de metro e de comboio e de pernas. Mais sorrisos... Mais. :)