30 de junho de 2009

Dido e Eneias

Dido e Eneias são par estereótipo (aprendi esta palavra no outro dia e agora não a largo). Um exemplo de como o amor-paixão pode destruir vidas. Um exemplo de como o dever e o Bem de todos tem de estar acima do egoísmo e do bem pessoal. Os romanos, como os gregos antes deles, gostavam de exemplos assim. Porque as pessoas não viviam para si, viviam para a cidade.

Eneias amava Dido. Amava Dido e teve de a deixar ferida de morte, ferida de amor. Deixou-a para fundar a cidade que viria a ser a sede de um Império. Ela ficou... abandonada... ferida... magoada... e arruinou-se e aos seus, matando-se.

A culpa é do Eneias? Talvez. Eu vejo Eneias como o homem sem vontade. O homem que faz o que lhe dizem... não pode morrer a lutar por Tróia. Perde a pátria, perde o pai e perde Dido. É um homem com um destino maior que ele. Olhando para o mapa percebo que se fosse nos tempos de hoje eles poderiam ter mantido uma relação à distância. Naquele tempo, a partida de Eneias era um adeus para sempre... um adeus cobarde ou corajoso? Não será corajoso quem deixa um amor em prol do bem maior? Ou é corajoso quem enfrenta e vive o amor? Não sei.

Sei que esta história de amor, tipicamente clássica por ser tão trágica, influenciou artistas e escritores ao longo dos tempos.

Esta composição, do século XVII, aparece no início de uma obra-prima do cinema, o "Fala com ela" do Pedro Almodôvar. Coreografada e dançada por Pina Bausch. Este excerto é de uma beleza extrema... todo este filme... ter este Dido e Eneias como peça de abertura já nos deveria alertar para o que se ia passar... mas por mais preparados que estejamos, Almodôvar surpreende sempre. Um filme de mulheres, como são todos. Um filme de sofrimentos, um filme de sentimentos. Fica a música, fica Pina Bausch.


Das ilegalidades do patronato

Juro que não entendo isto que se anda a passar aqui na empresa. A verdade é que, antes de trabalhar aqui, trabalhava para o Estado e este tipo de coisas me passava ao lado. Depois de quase ano e meio aqui estas questões começam a irritar-me.

No mês passado, os patrões contrataram um gajo daqueles que parecem que nasceram já com uma gravata de cornucópias. Daqueles que têm a mania que têm de ser tratados por doutores e que acham que ficam sem um bocado se nos disserem bom dia de manhã e até amanhã quando se vão embora (sim, porque esta avis rara chega sempre depois de mim e vai embora sempre antes). Além disso, tem um ar de atrasado mental e mete impressão à vista.

A gota de água aconteceu hoje. Não é que o patrão se lembrou de despedir o Alberto? Ele que me fazia sempre sorrir mesmo sem querer. Ele que me fazia o coração bater mais forte. Ele que é TDB.

Não entendo como é que os patrões podem ter o direito de contratar e despedir quem querem, sem antes os senhores passarem pelo controlo de qualidade. Isto deveria ser ilegal!! Não sei mesmo se não vou fazer uns cartazes... Epah, mantenham o outro anormal, mas pelo menos não mandem embora o Alberto!!

Estou chateada e hoje não há "Aninhas" que me faça amolecer o coração. Ainda para mais o patrão hoje disse-me "Bom dia, Aninhas Francisca" e eu não sou Francisca! Cromo. Despedir o Alberto... onde já se viu... e agora? Por quem vou esperar para tomar café ao almoço? Para quem vou olhar quando acidentalmente passar em frente à sala dele?

Isto deveria ser ilegal!

Amor Amor


Este prémio veio por duas frentes... do calorzinho infernal e dos pormenores que são tudo menos pequenos. Amigas IM, LP e Lita, Obrigada!


Com o prémio... a tarefa de indicar 5 pessoas que amamos...

Andei a matutar nisto. Acho a palavra amar muito forte... daquelas que não uso. Há quem a diga a meia dúzia de mulheres/homens diferentes no mesmo ano. Já eu nunca a disse. De tanto a guardar, de tanto a sacralizar, não sei se algum dia a conseguirei dizer. Ainda assim, sei que amo algumas pessoas... serão mais que 5, mas não muito mais. Amo três homens, o meu pai, o meu irmão e o meu cunhado que é outro irmão para mim. Amo quatro mulheres, a minha mãe, a minha avó, a minha irmã e a minha sobrinha. Tenho também um grande amor por mim. Amo mais algumas poucas pessoas... Verónica, Manuela, Vera. Pessoas que me fazem um bem tremendo, que me aceitam muito além da minha compreensão.

São já 11 pessoas e não 5. É verdade que tenho muito para dar e partilhar a quem se me atravessa no caminho, mas amar é um verbo daqueles lixados... que não uso... que pus em tal pedestal que acho que nunca de lá sairá. Ainda assim... são 11 pessoas... As minhas 11 pessoas. E estas 11 pessoas eu Amo. Sem medo de usar a palavra. Amo do verbo Amar. Daqueles amores verdadeiros até ao fim da vida... tal Pedro e Inês.

O prémio distribuo a quem o quiser... a quem for bom de amores e de amares. :)

29 de junho de 2009

Res adversae

(...) ingenium res adversae nudare solent, celare secundae.
(...) as situações adversas costumam desvendar o talento, as propícias costumam escondê-lo.



Horácio, Sátiras, II


Em bom português há quem diga que é nos maus momentos que se conhecem os amigos. Eu costumo dizer que é nos maus momentos que se conhecem as pessoas... é quando tudo corre mal que se vê de que são feitas as pessoas.

Regra geral toda a gente sabe ser feliz... toda a gente sabe rir... toda a gente sabe divertir-se... Regra geral nem toda a gente consegue tomar decisões em momentos de crise. Regra geral é em momentos de crise que as pessoas mostram como realmente são, com menos máscaras, com menos subterfúgios.

Normalmente, os senhores patrões gostam de pessoas organizadas e responsáveis e afins, mas preferem pessoas com iniciativa, com capacidade de estabelecer prioridades, com capacidade de tomada de decisões, com algum instinto.

Ouvi uma vez numa formação dizerem que mais vale uma má decisão que decisão nenhuma. Em certas situações não nos podemos dar ao luxo de pensar e repensar e ponderar e medir prós e contras... temos simplesmente de confiar no nosso instinto e dar o salto de fé.

Quando temos que tomar uma decisão rapidamente não temos tempo de escolher a nossa melhor máscara... não temos tempo de medir cada gesto e cada palavra. É nestes momentos que nos mostramos mais. É nestes momentos que deixamos que nos vejam mais. Sem roupa... despidos na alma.

Os testes da vida são bem mais lixados que os testes da escola... daqueles que tinham regras específicas e claras e tempo para pensar... os testes da vida não nos dão tempo... para os testes da vida não podemos levar cábulas, nem copiar pelo vizinho de carteira, nem sequer estudar. Somos só nós e o Universo.

28 de junho de 2009

Da Invicta Cidade




Adorei.

Estou tão cansada que nem aguento os olhos abertos, mas sei que se deixar isto para amanhã que as ideias me fogem... e não podem fugir.

O Parque da Cidade do Porto é muito bonito. Os portuenses são malucos o suficiente para serem adeptos do FCP e para irem correr às 14h debaixo de um sol de 30º.

Estava apreensiva confesso. Tinha conhecido apenas uma das pessoas. Não conhecia mais ninguém. E foi muito bom descobrir as particularidades de cada uma delas. Nunca as tinha lido sequer. Mas a partir de hoje tenho umas quantas pessoas que considero especiais a acrescentar na minha barra de blogs. Pessoas simpáticas e bem-dispostas que me receberam sempre com um sorriso e com boa conversa e com uma dose grande de fantástica loucura.

O Lontrinho foi uma delícia. Deu-me muitos beijinhos e ofereceu-me uma flor. Disse à Vera que estava linda e tirou muitas fotos. A certa altura disse-me "tirei fotografia ao rabo daquela rapariga". E tirou, de facto. Espalhou charme e posou para as nossas fotos e fez golpes de kung-fu e ameaçou dois polícias e respondeu à pergunta como te chamas? com um "Lucas, claro!".




O jantar no Degusto não desiludiu. Pelo contrário. Senti-me num filme americano. Aqui a provinciana nunca tinha estado num lugar assim e adorou. Adorei a comida e adorei a bebida. O Safari que o Paulo escolheu para mim era excelente! :)

Um bar de que já nem me lembro do nome, mas com muito boa onda... uma noite de dormir difícil... uma manhã de acordar ainda mais difícil... uma visita guiada que me encheu as medidas (e são grandes)... a paciência do Paulo foi inexcedível... só tenho pena que não houvesse algum tipo de transmissor para que no nosso carro pudéssemos ouvir as explicações dele.

Gaia... Rua de Santa Catarina... Aliados... Brasileira... Majestic fechado... S. Bento... Matosinhos... Leça...

Não tenho palavras que cheguem para agradecer. Não tenho palavras que cheguem para dizer o quanto gostei. Não tenho palavras para explicar a minha reacção a um "Sou uma badalhoca" dito a alto e bom som. Não tenho palavras que cheguem para dizer o quanto estou feliz e cansada. Obrigada a todos.






27 de junho de 2009

Delas também reza a História

Anna Pimentel


Anna Pimentel, mulher de aspecto frágil mas de grande autonomia para sua época, era prima e dama de honra da Rainha Dona Catarina, irmã de Carlos V, Rei da Espanha. Nascida em Salamanca, casou-se cedo, em 1524 com um jovem fidalgo português. Sabia ler, escrever e contar o que já era suficiente para a tornar uma mulher especial, já que, no século XVI, às mulheres cabia a actividade do lar, organizar a cozinha, cuidar das crianças e do pomar, fiar, tecer e rendar. Um mês após o casamento, Martim Afonso de Sousa, seu marido, foi à guerra com o rei Carlos V. No ano seguinte, transferiu-se com o marido para Portugal, levando a prima, D. Catarina, noiva de D. João III.

Em 1530, Martim Afonso recebe a missão de colonizar o litoral brasileiro e combater os franceses. Após três anos no Brasil, quando fundou a vila de São Vicente e restabeleceu o porto de Cubatão, como passagem entre Santos e São Paulo, em 1533, foi nomeado Capitão-mor do mar da Índia, volta a Portugal em 1534.

Com inúmeros afazeres que o distanciavam das propriedades, nomeou, Martim Afonso, Anna Pimentel como sua procuradora, por conhecer as suas vontades e ambições.

A sua importância histórica no desenvolvimento da Capitania, que administrou por 10 anos (1534/1544), é algo ímpar que essa nobre espanhola realizou com inteligência, austeridade e modernidade.

Entre uma e outra missão do marido, Anna Pimentel gerou e criou oito filhos. Nunca pisou em terras brasileiras e administrou o quinhão afonsino de além mar, aos mesmo tempo que criava os filhos e cuidava do lar. Abandonou o luxo a que se encontrava acostumada para se dedicar à administração político/administrativa da Capitania de São Vicente, depois de, em 14 de março de 1533, Martim Afonso ter partido de Lisboa para a Índia. Em 19 de Março, fez plantar laranjeiras, incentivou o cultivo do arroz e do trigo e a criação de gado, introduzindo a carne na alimentação das crianças e mandando para lá o primeiro gado vindo da Ilha de Cabo Verde.

Demonstrando forte verve e personalidade própria. Uma mulher à frente do seu tempo que teve a sorte de ter tido um marido que, em vez de a silenciar, lhe deu voz e poder. E ela esteve à altura.

26 de junho de 2009

Thriller

Eu até nem queria falar disto. Só acho que isto está muito bem feito... um sketch hilariante que tem como base o Thriller. Enjoy!

Porto

Amanhã vou para o Porto.

Com tanta coisa que se anda a passar, tenho-me desleixado dos preparativos do fim-de-semana... Só ontem preparei a mala. Só ontem fui resgatar a manta aos confins de um armário, de onde não saía há anos, e a pus a lavar. Só ontem procurei pela mala térmica e a lavei. Só ontem consegui sentar-me e preparar a lista infindável de coisas que tenho de fazer hoje... as pataniscas de bacalhau, o bolo brigadeiro, descascar e cortar a fruta, ir buscar o frango, comprar pão... e mais umas ilegalidades que não posso, ainda, divulgar :)

No Sábado há um pic-nic no Parque da Cidade do Porto. Pic-nic organizado pelo colega blogueiro e amigo Lontro . Lá pelas 11h o pessoal começa a chegar. Cada um leva o seu lanche e depois lá é convívio e partilha. Muito riso, muita conversa... muita brincadeira... muita partilha. Quem quiser aparecer, não tem de avisar... tem de arranjar um lanchinho e aparecer.

Eu só fui ao Porto uma vez. Fui com a V. e adorei! Por isso, desde que soube do pic-nic que tenho andado em negociações para conseguir que alguém fosse comigo e alinhasse em prolongar o pic-nic em fim-de-semana. Consegui! Vou muito bem acompanhada, por duas pessoas muito bem-dispostas e que estão tão entusiasmadas como eu e ansiosas por conhecer mais a Invicta Cidade.

O hotel é o Star Inn.Grande sugestão do Lontro. E das milhares de coisas que queremos fazer... além do pic-nic... passear pela Avenida dos Aliados... passar a Ponte D. Luís de Comboio... passear pela zona ribeirinha de Gaia (desculpem-me, mas é mais bonita e mais bem arranjada que a do Porto)... beber Porto sem ser nas Caves... Um chá no Majestic... umas compras na Rua de Sta. Catarina... Além disto... há duas coisas que gostava de fazer... uma visita à Relação, onde esteve preso o Camilo. E o novo a estrear Sea Life.

O jantar... o jantar vai ser aqui, no fantástico Degusto. E nem comento muito mais porque já babei tanto só de ler a ementa que..... GOD!

Sim... eu sei que é um projecto demasiado ambicioso... mas não faz mal se houver coisas que fiquem por fazer. É sempre bom quando saímos de um lugar com sentimento de insatisfação... assim teremos motivo para lá voltar. E o que eu sei de um saber de experiência feito, é que temos sempre vontade de voltar onde somos bem recebidos... :)

Fica um foto do ano passado... este ano vão ser muitas mais. Uma fantástica road trip... Care to join us?

25 de junho de 2009

Da escuridão

It's time to move out of the darkness. Não posso evitar a escuridão que me rodeia... nem quero andar com o sol só em cima de mim, como se a escuridão à minha volta fosse nada. Há que encontrar um ponto de equilíbrio. Claro que os problemas me afectam. Claro que não está tudo bem. Claro que há situações que queria poder mudar. Mas... tenho de reconhecer que não vou poder mudar o Mundo... tenho de aceitar que há quem goste de viver no escuro... Por mais próximas que as pessoas nos sejam, por mais que gostemos delas, por mais que já tenham idade para ter juízo e não tenham, por mais que nos doa, temos que deixar que cometam os seus próprios erros. Tive a conversa que tinha de ter... pus as cartas na mesa. A partir daqui não há mais nada que possa fazer...

Agora... neste momento... It's time to move out of the darkness... porque tempestades não são a minha onda. E hão-de ser sempre passageiras. Porquê? Because I say so! :) Ou um muito português, Porque sim!




It's time to move out of the darkness
Use what you feel inside
Your faith alone will guide you
Feel the turning tide

[Pre-chorus:]
It's n your heart, it's in your soul
Don't be scared, keep believing
I know you know, deep inside
That your time has come

[Chorus:]
Once in every lifetime
If you do believe
Man can move a mountain
Change the course of history
How far we've come
So far from home

Trust in your path, you've been chosen
Become your destiny
Lead and they will follow you
Your truth will set you free

24 de junho de 2009

Do Livro do Desassossego

Grande notícia esta. Vi aqui. Transcrevo.

"A Casa Fernando Pessoa comunica a assinatura do Protocolo entre a Câmara Municipal de Lisboa, na pessoa do seu Presidente, Dr. António Costa, e o realizador João Botelho, com vista à adaptação ao cinema do Livro do Desassossego, de Bernardo Soares (Fernando Pessoa). Após a assinatura do Protocolo, que terá lugar segunda-feira dia 6 de Julho pelas 18h30, na Casa Fernando Pessoa, assistir-se-á à actuação do cantor italiano Mariano Deidda, que interpreta temas dos discos em que musicou poemas de Pessoa. A entrada é livre."

Gostava de poder ir à assinatura do protocolo... mas o saber que isto vai acontecer já é mesmo muito bom.

Ressurreição

"Não sei se acreditas. Se acreditas Nele. Se te dá conforto, quando alguns muros se desmoronam. Não sei se sabes. Que Ele pode até nem existir. Que pode tudo ser uma longa história que nos contaram desde cedo, só para termos uma força superior a apoiar-nos. Das que mais recordo, nos tempos em que ouvir falar Dele era uma obrigação. Aquela em que alguém se sentia abandonado, porque na praia via apenas as próprias pegadas. E Ele respondia qualquer coisa do género. Se não me sentiste ao teu lado, foi porque nessa altura te peguei ao colo.

(...)

Por isso. Seja Ele, seja quem for. Hoje, ou noutros momentos. Sempre que precisares. Há-de haver quem te leve ao colo. Quem te ajude a levantar. Quem te diga uma palavra. Ou, simplesmente, quem fique em silêncio a ouvir-te. Hoje, sempre. Para o que precisares. Eu posso..."


Escreveram-me isto (Obrigada Vera pelas palavras sempre certas)... e a verdade é que nem eu sei se acredito. Quer dizer... não é que acredite, porque não acredito. Mas também não quer dizer que não acredite, porque acredito. Estou no limbo... Gostava de ter a paz que reconheço nos que acreditam e nos que não acreditam. Eu acredito, mas não acredito. Eu não acredito, mas acredito.

Entretanto ontem, andava a meias entre a novela dos indianos e o Bairro Alto, onde estava a ser entrevistada a escritora Siri Hustvedt que falava do seu último livro, "The Sorrows of an American". E houve algo que ela disse que me fez pleno sentido... o Fialho Gouveia Filho perguntava-lhe por uma personagem. Uma menina que está em coma e que acorda. Dizia ele que ela como escritora tinha o poder de vida e de morte das suas personagens e perguntou o porquê de aquela personagem em particular ter sobrevivido (pergunta deveras interessante, devo dizer). E ela falou em ressurreição... Não a Ressurreição cristã, daquela dos catecismos, aquela de morrer e voltar a viver, mas uma Ressurreição em Vida. Voltar à vida enquanto se vive. Reencarnar em vida...

E nisto eu acredito. Acredito na força sobre-humana que nos move. Acredito na luz que carregamos e que nos carrega, que nos leva ao colo. Acredito na Força. A menina em coma simboliza-nos a todos... todos nós... quando estamos mal, quando nos deixamos ir abaixo pelas circunstâncias da vida, quando estamos deprimidos, cansados, subjugados... quando baixamos os braços e paramos de lutar... lutar pela vida, lutar por nós, pelos outros, pelo que nos rodeia. E todos nós temos a capacidade de acordar desse torpor... todos podemos, todos conseguimos... voltar à vida!

Nesta força eu acredito. Acredito no ser-humano e na sua capacidade de fazer mais, ser mais, viver mais. Ressurreição em vida. Gostei.


Deixo-vos a epígrafe do livro, uma frase de Rumi, poeta persa do século XI: “Don’t turn away. Keep looking at the bandaged place. That’s where the light enters you.”

E, como não poderia deixar de ser, a música da Jem que a Vera escolheu para mim :) I will keep on walking...


22 de junho de 2009

Das circunstâncias

Os homens têm de aguentar as desventuras
impostas pelos deuses. Mas as desventuras
que um homem impõe a si próprio,
dessas ninguém deve sentir compaixão.



Filoctetes, Sófocles

Dizia o Luís, personagem do JRS, que somos joguetes nas mãos do Destino... que somos vítimas das circunstâncias. Mas há as outras circunstâncias... as que criamos para nós. O dito "fizeste a cama, agora deita-te nela". E quando não é só quem faz o mal que se deita na cama? E os danos colaterais?

Devemos chamar uma pessoa à responsabilidade, mesmo sabendo das repercussões que pode ter? Ou devemos fechar os olhos e deixar as coisas seguirem o seu rumo natural? Onde está o limite? Quando é que é razoável intervir?

Por que é que as pessoas se julgam intocáveis, invencíveis? Por que é que pensam que conseguem fazer a porcaria que quiserem e que nunca vão ser apanhados? Por que é que... Já nem falo em amor... falo em Respeito... por que é que as pessoas não se podem simplesmente respeitar umas às outras?

Porquê?

Quem semeia ventos colhe tempestades... Não sei se estou pronta para a tempestade que se avizinha. Mas sei que vou ter de agir.

21 de junho de 2009

A vida num sopro

"Precisava agora de considerar as consequências de tudo o que fora dito nessa conversa. A tentação de aceitar o sacrifício que Amélia se propunha fazer era enorme. Enorme. De uma assentada, e graças a um maravilhoso passe de mágica, ver-se-ia livre do pesadelo horrendo em que a sua vida subitamente se transformara. Como não desejar isso? Mas a verdade é que a magia não passava de puro ilusionismo e Luís não podia aceitar que tanta gente pagasse o preço que seria inevitavelmente cobrado pela sua ilibação. Amélia pagaria com dureza, o marido também, Joana igualmente, para não falar naquele filho que acabara de descobrir.

Pegou na fotografia que Amélia lhe tinha oferecido e contemplou o sorriso infantil que o espreitava do outro lado.

"O meu menino", murmurou.

Uma e outra vez a mente voltou às consequências de aceitar o sacrifício que Amélia se propunha fazer, e sempre, sem falhar, chegou à mesma conclusão. Se Amélia contasse toda a verdade, desgraçar-se-ia a ela e a todos. Incluindo ao seu filho, dali em diante um bastardo que acabaria por ser educado longe da mãe e usado como arma para a punir por uma paixão que jamais deveria ser crime. O pequerrucho tornar-se-ia o bode expiatório do adultério da mãe e não havia nada que ele, Luís, e Amélia pudessem fazer para o proteger. E como seria a vida dela nessas condições? Expulsa pelo marido, longe dos filhos, rejeitada pela irmã, apontada por todos como mulher adúltera, Amélia embarcaria numa viagem de perdição. Se a vida, tal como ela se apresentava nesse instante, já era dolorosa, então tornar-se-ia insuportável.

Isto ele não podia aceitar.

Não tinha dúvidas, porém, que Amélia avançaria mesmo com o seu supremo sacrifício.
(...)
Se Amélia estava disposta a avançar para o supremo sacrifício, então ele não tinha o direito de mostrar menos coragem. O sacrifício teria de ser seu, só seu; essa era a única saída realista para toda aquela confusão."


A vida num sopro, José Rodrigues dos Santos


Acabado de ler hoje... Acho que marquei mais de metade do livro. Um romance sobre Portugal, a vida, a morte, o amor, a paixão, o sofrimento e sobre a o Amor de letra maiúscula. Aquele Amor tão grande que abdica da sua felicidade pela felicidade do outro. A incapacidade do Homem perante as circunstâncias em que vive. "Não passamos de marionetas das circunstâncias". Um romance vivido há 80 anos, num Portugal de há 80 anos. O rigor histórico, a riqueza das personagens. Sublime.

20 de junho de 2009

Pia do Urso*

Foi ontem o dia do passeio organizado pela empresa. Pia da Ursa fica na Serra de Aire e Candeeiros, na localidade de S. Mamede. As casas antigas foram todas recuperadas. Há restaurante e de tudo um pouco para se passar ali um dia porreiro. As casas que vão sendo construídas respeitam a arquitectura da zona e aquilo está mesmo muito giro.

Fomos fazer o percurso dos moinhos. 7km. 40º. Sempre a trepar. Eu tenho tensão baixa e lido muito mal com o calor. Acho que não é preciso dizer mais nada. Houve algumas pessoas que se sentiram mal, eu fui uma delas. Fiz o percurso todo, a passo quase de corrida porque o senhor guia estava com pressa. O grande problema não eram propriamente as subidas... mas as subidas aliadas à falta de vegetação e, consequentemente, à falta de sombras. Vento... zero! Na última subida comecei a sentir arrepios de frio, aliados ao facto de já não ver bem há pelo menos uma hora. Aí parei, tentei controlar a respiração e tive de seguir.

Transpirei litros de água... o meu coração bateu que chegasse para um ano. Não me doem os pés nem as pernas, mas dói-me a cabeça. Eu alinho sempre em tudo, mas não me meto noutra destas.... pelo menos não com este tempo.

À noite... jantar em casa da sister... amanhã, talvez, as fotos do jantar. :) Arroz de pato que houve quem repetisse 5 vezes. E muito gelado. E um semi-frio de groselha que levava bolo de coco que a Cátia (amiga da sister) fez e estava sublime!

Agora... continua a dor de cabeça... e também um pouco de dor de alma. Ficam as fotos.















* Obrigada Lilipat :)

Delas também reza a História




Brites de Almeida (Padeira de Aljubarrota)


Brites de Almeida, a Padeira de Aljubarrota, foi uma figura lendária de heroína portuguesa, cujo nome anda associado à vitória dos portugueses, contra as forças castelhanas, na batalha de Aljubarrota (1385). Com a sua pá de padeira, teria morto sete castelhanos que encontrara escondidos num forno.Diz-se também que, depois do sucedido, Brites teria reunido um grupo de mulheres e constituido uma espécie de milícia que perseguia os inimigos, matando-os sem dó nem piedade.

Uma mulher que simboliza a força de um povo. Povo onde mulheres trabalham lado a lado com os seus homens. Povo onde as mulheres lutam lado a lado com os seus homens. Se é mito? Poderá ser, isso pouco importa. Porque a verdade é que a História deste país está cheia de mulheres como ela. Mulheres de trabalho, mulheres de força, mulheres determinadas. Só porque não aparecem nos livros de História, isso não faz com que sejam menos reais. Brites de Almeida representa-as a todas.

19 de junho de 2009

O poço

A minha infância foi, sei-o hoje, uma infância feliz. Olho-a com uns olhos como os do Pessoa... era bom que tivesse tido a consciência da sorte que tinha e poderia ter aproveitado mais... ser inconsciente e ter a consciência disso.

Não tinha. Aproveitei o que consegui. Lembro-me que passava a vida à guerra com o meu irmão. E lembro-me muitas vezes de ser apanhada a fazer asneira e de dizer "mas o Vasco também fez!" ou então denunciava uma qualquer outra coisa que ele tivesse feito numa tentativa de amenizar o meu castigo. O que a minha mãe me respondia era sempre o mesmo. E acreditem que ouvi isto centenas de vezes "Se o teu irmão for para dentro de um poço vais atrás dele?". E o castigo vinha como tinha de vir... sem desculpas.

Acho que os ditados populares têm muita sabedoria... lembro-me de uma vez ter tido de fazer um levantamento de 100 ditados populares para a escola. Escola Primária e não, não havia computador e muito menos Internet. Mas... posso saber muitos, mas os que me ficaram retidos na memória foram os que ouvi os meus pais dizerem over and over and over again.

E por mais fãs que os meus pais fossem, e sejam, dos ditados populares, nunca, mas nunca me disseram um "olho por olho, dente por dente". Nunca foi esse o ensinamento lá em casa. Nunca ouvi nenhum dos meus pais dizerem isto. Penso que não acreditam nisto. Uma versão portuguesa do "all is fair in love and war". E não é de facto.... não vale tudo. Os fins não justificam os meios...

Os meus pais têm o que têm à sua própria custa. Sem nunca terem pisado ninguém para estarem onde estão e para terem a qualidade de vida que têm. Sempre me disseram o famoso "não faças aos outros o que não queres que te façam a ti". Sempre me perguntaram "se ele for para dentro do poço, tu vais atrás?".

Na vida não vale tudo. Somos seres humanos... claro que somos animais... mas pensamos. Temos discernimento. E devemos respeito a quem connosco coabita. Outros humanos, animais, ambiente, Universo... tudo o que nos rodeia merece o nosso respeito. E por mais que eu queira amar alguém, não tenho o direito de passar por cima dos sentimentos de outras pessoas para o conseguir. Por mais que eu queira ter um trabalho melhor, não tenho o direito de passar por cima de colegas de trabalho e afins. Claro que não podemos passar pela vida sem magoar pessoas... é praticamente impossível. Mas podemos tentar agir com respeito e verdade e a dor que causamos será muito menor e temporária.

E a verdade é que se o meu irmão fosse para dentro de um poço eu não ia atrás dele. A verdade é que os meus pais me ensinaram, muito à maneira deles, mas ensinaram, que não é por uma pessoa agir mal que eu posso agir mal também. Se alguém age mal, é problema dessa pessoa e da sua consciência. Sou eu quem tem de viver comigo. Eu tenho de viver com a minha consciência... não é por outras pessoas matarem, que eu posso matar... não é por outras pessoas roubarem, que eu posso roubar... não é por outras pessoas serem más, que eu posso ser má. Nada o justifica porque eu tenho o discernimento, eu tenho a capacidade de escolha. E tenho a responsabilidade dessa escolha... que não posso incutir a outra pessoa.

E não posso dizer como dizia tantas vezes "foi ele que começou!". Ao que a minha mãe respondia "ele começou e tu acabaste" e lá vinha o castigo.

Para mim nunca vai ser "olho por olho, dente por dente"... Em todas as situações em que me apetece responder na mesma moeda penso nas palavras da minha mãe "se ele for para dentro de um poço, tu também vais?"... sorrio e sigo o meu caminho. Custa, mas sigo o meu caminho.

E vocês? Iam para dentro do poço?

18 de junho de 2009

18 de Julho!

Já tenho o passe mágico... o pedaço de papel que me vai levar directamente ao Restelo dia 18 de Julho... As questões logísticas ainda não estão tratadas... em princípio vou sozinha... a minha primeira vez. Não tenho medo. Quero muito ir e vou. E já me imagino no meio da multidão (sim, porque eu vou lá para o meio!) a cantar, a berrar... Já comprei todos os cds que tenho ouvido incessantemente.... Já sei a letra das minhas músicas preferidas. Estou preparada! Venham :)

(Já só falta um mês.... vá... em altos berros... I got soul but I'm not a soldier!!)



(...)

I got soul, but I'm not a soldier
I got soul, but I'm not a soldier


Yeah, you know you got to help me out
Yeah, oh don't you put me on the back burner
You know you got to help me out
You're gonna bring yourself down
You're gonna bring yourself down
Yeah, oh don't you put me on the back burner
You're gonna bring yourself down
Yeah, you're gonna bring yourself down

Over and in, last call for sin
While everyone's lost, the battle is won
With all these things that I've done
All these things that I've done
If you can hold on
If you can hold on

17 de junho de 2009

It's amazing.... no Rádio Clube :)

Ora... O Rádio Clube Português mandou-me o seguinte mail:

"BOA TARDE,
O SEU ULTIMO POST VAI SER INTEGRADO NUMA RÚBRICA DO RÁDIO CLUBE PORTUGUÊS QUE SE CHAMA "O MEU DIÁRIO É UM BLOG" - VAI PASSAR DE QUARTA PARA QUINTA NO PROGRAMA "POSTO DE ESCUTA" - ÀS 3H30 DA MANHÃ.
TODOS OS DIREITOS DE AUTOR SERÃO RESPEITADOS E SERÁ CITADO O BLOG E O AUTOR.
OBRIGADO PELA COMPREENSÃO E BOA ESCRITA."

Disse-lhes que não poderia ouvir e eles mandaram-me o excerto do programa por mail. Carreguem aí em baixo no play... e ouçam! É ouvir para crer! Eles gostaram... Espero que gostem vocês também... Já eu... lágrimazita no canto do olho por ouvir o meu nome e as minhas palavras ditas alto... :) Obrigada ao RCP!



18_JUNHO.wav -

Adenda: acho que só mesmo eu é que consigo ver... aceito sugestões para pôr isto aqui de outra forma... ou, se quiserem, mandem-me um mail e eu encaminho-vos o mail do RCP com o ficheiro... peço desculpa, mas eu consigo ouvir... não sei o que se passa... Help!

16 de junho de 2009

It's amazing



Do it now
You know who you are
You feel it in your heart
And you're burning and wishin

At 1st wait, won't get it on a plate
You're gonna have to work for it harder and harder
And I know cause I've been there before
Knockin on doors with rejection (rejection)
And you'll see cause if it's ment to be
Nothing can compare to deserving your dream

[Chorus]
It's amazing it's amazing all that you can do
It's amazing it makes my heart sing
Now it's up to you

Pactents now frustration in the air
And people who don't care
Well it's gonna get you down
And you'll fall (fall)
Yes you will hit a wall
Get back up on your feet
And you'll be stronger and smarter

And I know cause I've been there before
Knockin on door won't take no for an answer
And you'll see cause if it's ment to be
Nothing can compare to deserving your dream

[Chorus]
It's amazing it's amazing all that you can do
It's amazing it makes my heart sing
Now it's up to you

Ooo-ooo-ooo
[electric voice]

It's amazing it's amazing all that you can do
It's amazing it makes my heart sing
Now it's up to you

It's amazing it's amazing all that you can do
It's amazing it makes my heart sing
Now it's up to you

Ahh-ahh-ahh




It's amazing... a força que temos e que nem sabemos que temos. Cá dentro temos tudo o que precisamos para superar os empecilhos da vida... aqueles empecilhos que nos fazem mais fortes... E é bom lembrar que it's amazing all that you can do... it's amazing all that we can do. Basta querer e persistir.

Da memória de elefante de alguns...

Tenho uma amiga que entrou comigo em Clássicas, mas que, no fim do 1º ano, mudou para Arqueologia.

No outro dia, em Coimbra, num jantar de homenagem a um professor que se reformava (professor do Instituto de Arqueologia), uma das nossas professoras aproximou-se dela:

NCS - Eu conheço-a... você é a ST. Que estava em Clássicas e mudou para Arqueologia.
ST - Sim...

Entretanto ela pergunta por mim e pelo meu mestrado... a S. diz que eu tinha desistido e que não tinha concluído a tese. E ela diz qualquer coisa como:

NCS - Que pena! É tão boa menina a AF. E tão inteligente... que pena! E escrevia tão bem... mas desistiu mesmo? Não posso crer! Tão inteligente... que pena!

Entretanto, não satisfeita, teve de perguntar:

NCS -
Em que escola é que ela está a dar aulas?

Ao que a S. teve de responder:

ST - Ela já não está a dar aulas... sabe, as coisas estão difíceis.

Ou seja... algumas conclusões a tirar disto...

1. Eu sou uma menina boa e inteligente (havia dúvidas?)
2. A NCS tem memória de elefante! É verdade que me deu aulas em várias cadeiras do curso e num dos seminários do Mestrado em 2004/2005 (e a verdade é que ela queria que eu fizesse tese com ela, sobre a Inês de Castro, mas...), mas a S. foi aluna dela em 1998/1999, numa única disciplina! Strange! E lembrar-se de nome e sobrenome!! É a PDL!
3. Os professores universitários, os catedráticos, não têm a mínima noção do estado das coisas no Mundo real.
4. Enganei-os bem!! :)

15 de junho de 2009

Parabéns

Para que a vida seja suficiente, o que conta não são os anos nem os dias, mas a qualidade da alma.

Séneca (carta 61)


À minha irmã preferida... gostava de me lembrar de mais coisas. Sei que também gostavas que me lembrasse de mais coisas. Sinto-o quando me vês lembrar de tantas coisas insignificante e não me lembrar de ti...

Também tenho pena... porque só me lembro das discussões... só me lembro de ler os teus livros da "Bianca" às escondidas... só me lembro de não estares cá. Gostava de me lembrar mais dos dias e noites de cumplicidade, naquele quarto partilhado. Tenho uma memória, que quase nem se qualifica de memória de tão pequena que é... tu dormias na cama do lado esquerdo e eu na do lado direito com a ursa azul, mas, acho eu, mudámos de cama uma vez. E lembro-me de, uma noite, tu levantares as cobertas e dizeres-me "queres vir praqui?" e de eu ir. Só isto.

O que queria dizer-te hoje, até porque nós (eu, tu, os nossos pais...) falamos muito e dizemos muito pouco, é que posso lembrar-me de poucas coisas, mas sinto. A memória prega-nos partidas, mas o coração nunca mente. E não importa quantos anos tens, importa a qualidade da alma... alma que tenho a honra de ter como irmã mais velha. Parabéns!

14 de junho de 2009

13 de junho de 2009

do 13 de Junho

Hoje é dia de muitas coisas... dia de Santo António... o de Lisboa ou de Pádua, isso pouco importa. Se é casamenteiro ou não, também pouco importa. Importa a paz e a serenidade que traz a quem o tem como padroeiro e protector.

Faz anos o nosso Fernando Pessoa. Génio. Poeta. Aquele que tão pouco viveu. Viveu na escrita.

Lembro ainda aquele que faz hoje anos que morreu... António Variações. O que viveu. A intensidade. As ganas. A fúria. A força.

Tenho muita pena que os génios sejam tão infelizes... podiam ser menos génios... podiam ser "só" extraordinários e viver um pouco mais. Como o Variações. Foi "apenas" extraordinário. E enquanto que no Pessoa lemos a infelicidade que foi a maior parte da sua vida, ou lemos reflexos dos sonhos que ele jamais concretizaria, em Variações lemos vida.




vou viver
até quando eu não sei
que me importa o que serei
quero é viver,
amanhã, espero sempre um amanhã
e acredito que será mais um prazer


e a vida é sempre uma curiosidade
que me desperta com a idade
interessa-me o que está para vir
a vida em mim é sempre uma certeza
que nasce da minha riqueza
do meu prazer em descobrir

encontrar, renovar, vou fugir ou repetir

vou viver,
até quando, eu não sei
que me importa o que serei
quero é viver
amanhã, espero sempre um amanhã
eacredito que será mais um prazer

Delas também reza a História



Amélia Earhart
"The most effective way to do it, is to do it."


Nasceu em 1897 numa terriola algures no Kansas. Apenas mais uma menina... que cresceria para ser mulher, esposa, mãe... para lavar e passar e cozinhar e parir.

Mas Amélia era diferente. Tinha o gosto pela aventura. Subia a árvores... fazia fisgas... andava sempre a explorar o desconhecido.

Era, acima de tudo, determinada. Quis andar de avião e andou. Quis aprender a pilotar um avião e conseguiu.

Em 1932 tornou-se a primeira mulher a fazer a travessia do Atlântico de avião, sozinha (já tinha feito a travessia em 1928, a treino). Era a Rainha dos ares. Recebeu a "Distinguished Flying Cross" do Congresso dos Estados Unidos, a "Cruz de Cavaleiro" da Legião de Honra do governo francês e a "Medalha de Ouro" da National Geographic Society.

A vontade de querer e fazer sempre mais levaram-na à tentativa de volta ao Mundo... em 1937. Ao certo ninguém sabe o que aconteceu... terá ficado sem combustível e caído? Terá sobrevivido e sido capturada pelos japoneses que ela andava a espiar? Terá sobrevivido e mudado de nome e ido viver outra vidinha para outro lado? Muitas teorias... nenhuma provada. Simplesmente não se sabe o que aconteceu.

Sabe-se que morreu enquanto tentava mudar a História. And that's good enough...


"The most difficult thing is the decision to act, the rest is merely tenacity. The fears are paper tigers. You can do anything you decide to do. You can act to change and control your life; and the procedure, the process is its own reward."

11 de junho de 2009

Happy birthday... mr. Camões :)

Mais um jantar... um destes... Mais um safari de excelente colheita, daqueles raros. Uma festa de aniversário deixa-nos sempre de bom humor. Esta foi peculiar... tive de enxotar o meu irmão para fora de casa...

Eu
: não jantas em casa hoje, pois não?
Ele: por acaso, se calhar janto.
Eu: é que vou fazer uma festa de anos....
Ele: ah é? Quem é que faz anos?
Eu: O Camões....
Ele: quem é o Camões?
Eu: aquele... o zarolho... o dos Lusíadas....
Ele: tu deste em drogar-te agora depois de velha?

Depois de lhe ter explicado a lógica da coisa ele remata com um "mas tens alcool, não tens?". LOL Tínhamos... tínhamos :) Ficam as fotos da festa de aniversário do Camões e de Portugal... com direito a velinhas e a cantoria e a desejos de muitos anos de vida (que para o Camões não faz sentido nenhum, mas pronto... cantou-se!). Obrigada à companhia que embarcou na loucura da coisa... obrigada! :)







10 de junho de 2009

Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades

No ano passado estava inspirada e disse tudo. Tudo o que sempre senti e que sinto ainda e que desconfio que vou sentir sempre.

É dia de Camões, de Portugal e das Comunidades, mas é também dia de cada um de nós.

Das duas caras

Se alguém te elogia enquanto estás à vista,
mas quando está longe diz mal de ti,
tal homem não é bom companheiro nem amigo,
ele que diz coisas macias com a língua, mas pensa outras coisas.
Que eu tenha como amigo quem conheça o seu
companheiro e aguente o seu feitio, ainda que difícil,
como um irmão. E tu, ó amigo, põe estas coisas
no coração e um dia no futuro te lembrarás de mim.


Teógnis


Os clássicos não são bons só porque são antigos. Os clássicos são bons porque eram sábios. Gosto de ler os clássicos porque encontro neles tudo o que preciso.

Quando alguém nos fala mal de alguém temos algumas reacções diferentes... primeiro achamos que aquela pessoa é fantástica e que confia em nós. Depois, quando percebemos que aquela pessoa fala de toda a gente... todo o bom e todo o mau... entra na vida das pessoas e fala delas sem pudor, pensamos... "se faz isto a esta pessoa, também o fará a mim". Não gosto. Incomoda-me. Eu, quando não gosto, digo-o na cara... Mania minha.

9 de junho de 2009

Não deixes para amanhã...

... o que podes fazer hoje. Ditado popular repetido até à exaustão pela minha mãe enquanto eu era miúda. Um daqueles ditados que servem para tudo... para quem estuda, para quem tem de limpar a casa, para quem tem algo a dizer, para quem tem algo a fazer.

Escusado será dizer que sempre o detestei. Quando eu dizia à boca cheia que tinha tempo, que não tinha de ir já, ainda faltava tanto tempo... e a minha respondia o tal "não deixes para amanhã o que podes fazer hoje". Hoje entendo o que não entendia na altura... toda a sabedoria que aqui se encerra. O tempo passa depressa demais... quando menos esperamos, aquele amanhã longínquo já se transformou em hoje.

O amanhã nunca chega... podemos continuamente dizer amanhã... amanhã... amanhã... porque quando digo amanhã e amanhã é quarta-feira, entretanto quando chegar a quarta-feira já é hoje. É como Tântalo... que persegue e nunca alcança. Assim podemos continuar a empurrar com a barriga, à espera do amanhã que nunca chega... ou que quando chega já passou. Já passou a oportunidade de o mudar.

Não é amanhã que temos de fazer alguma coisa por este Planeta, por estas pessoas que connosco coabitam.

Não é amanhã que temos de comer melhor porque queremos uma velhice de jeito, caso lá cheguemos.

Não é amanhã que vamos mudar de vida se for uma mudança que queremos.

Não é amanhã que vamos dizer que amamos quem amamos... que nos faz feliz quem nos faz feliz.

Não é amanhã.

O tempo é hoje. Sem demasiadas ansiedades. Sem demasiadas pressas. Aproveitando o dia, o único que temos, o hoje. Mas sem esquecer o que queremos... sem esquecer de onde viemos e para onde vamos. Não adianta sofrer por antecipação, mas também não adianta chorar sobre leite derramado... e depois do tempo passado, aí sim, não há nada a fazer.

De que me vai adiantar chegar aos 60 anos e não ter qualidade de vida porque aos 30 não quis fazer dieta, porque "quando lá chegar logo se vê".

Só existe o hoje. O ontem vive hoje como vive também o amanhã. Os meus actos são condicionados pelo meu ontem e pelo amanhã que quero. Tomo os comprimidos que o médico me mandou tomar... e vou continuar a tomar, porque tem que ser. E hoje almoço uma sopa, não porque não me apeteça um bacalhau com natas, mas porque penso no meu amanhã. As minhas acções de hoje, embora não obcecadas, são sempre condicionadas pelo que fui e pelo que quero ser...

Vejo hoje o que nunca entendi. Temos de semear para podermos colher. Não é quando tivermos fome que vamos procurar os frutos. Temos de os semear hoje porque eventualmente amanhã teremos fome...

Hoje digo que vos amo! Família... com todos os vossos defeitos. Com todos os problemas... são a minha família. Amigos... são parte de mim. Amo-vos a todos. Hoje. E não vou deixar para amanhã o que sinto hoje. Amanhã será talvez tarde demais...


E porque amanhã vos quero aqui, comigo... porque amanhã quero colher... hoje semeio.

8 de junho de 2009