5 de janeiro de 2009

História?

A disciplina de História é apenas obrigatória até ao 9º ano. De notar, que nessas idades temos cabeça para quase tudo, menos para pensar. Quer dizer... pensamos... mas não temos ainda autonomia para questionar e pensar por nós próprios. Eu tive História até ao 12º ano, mas a verdade é que valeu de pouco mais. Se juntarmos a idade da parvalheira a dois professores da treta, um deles ia pras aulas bêbedo!!, já vemos que não dá bom resultado, independentemente das notas. Sim, porque com um professor da treta podemos ter 18, saber a matéria de cor, da frente pra trás, mas ainda assim não pensar...
No 12º ano tive a professora Nídia, no 12º ano comecei a pensar :)

Começámos a meados do século XVIII e continuámos até à actualidade. Séculos muito profícuos em acontecimentos históricos... Falámos, claro está, da II Guerra Mundial e das suas consequências, a Guerra Fria e o conflito israelo-árabe. Já estão a ver onde é que eu quero chegar... A disciplina era História, a II Guerra Mundial acabou, a Guerra Fria acabou, o muro de Berlim veio abaixo e o conflito israelo-árabe continua.
Percebo agora o que percebia antes. Entendo o que está na origem do conflito, entendo ambas as partes, mas não consigo entender o porquê de isto demorar tanto tempo a resolver. Talvez porque não seja apaixonada por nada a este ponto. Não me levem a mal. Andei na Catequese, fiz as coisas todas até ao Crisma, era aplicada e isso, mas nunca fui fervorosa. Assim como não choca a teoria de a Virgem não ser virgem, nem de Cristo ter tido filhos e mulheres e afins. Não me choca nada, porque a mensagem é bonita independentemente de tudo o resto. A mensagem é que é importante e essa não se perde com a virgindade de uma mulher. Digo eu...
Começo a achar que isto se resolve com a destruição de Jerusalém. Não precisamos de lugares físicos para sermos religiosos... se é Jerusalém a causa do problema... mas estou a ser simplista, né? Só gostava que isto já fosse História...
Bem... entendi nessa altura, aos 17 para 18 anos, a verdadeira dimensão do problema. Entendi que não se ia resolver tão depressa. Não se resolve com a morte de um homem, nem de uma dúzia deles. Sinceramente não sei como se resolve. Entendi também a verdadeira dimensão das palavras do Lennon...
Imagine there's no Heaven
It's easy if you try
No hell below us
Above us only sky
Imagine all the people
Living for today
Imagine there's no countries
It isn't hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too
Imagine all the people
Living life in peace
You may say that I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope someday you'll join us
And the world will be as one
Imagine no possessions
I wonder if you can
No need for greed or hunger
A brotherhood of man
Imagine all the people
Sharing all the world

11 comentários:

Lita disse...

Os conflitos religiosos só se resolvem quando as pessoas encontrarem o seu Deus e aceitarem que os outros encontrem o seu, também. Não o de todos! O seu!

Este problema, para além de religioso, mete muitas outras coisas à mistura... e dá proveito e muita gente... infelizmente!

Ianita disse...

Mas essas outras coisas que estão à mistura podiam ter acabado quando morreram as pessoas responsáveis pelo início do conflito... como em Angola, quando morreu o Sabimbi... aqui não... os líderes morrem e a indiferença continua... morreram todos e as coisas estão piores que nunca... isto vai para além da compreensão humana. Não entendo esta religião que mata, que não tolera, que não ama o próximo, mesmo o próximo sendo diferente.

O ocidente olha para isto com demasiada complacência... porque não somos tão dados à religião, não matamos ninguém por causa de um cartoon ou o Dan Brown já estaria a fazer companhia aos peixinhos... mas temos de entendê-los também... porque são diferentes... porque cada um deles acha que tem razão... porque nenhum deles dá o braço a torcer... porque têm de ser eles a resolver o conflito, porque quanto mais nos metemos, mais problemas arranjamos... porque em última análise fomos nós que criámos o problema quando formámos o Estado de Israel... porque...

Era um par de estalos a cada um e mandá-los pra um canto da sala de castigo, né? :)

Kisses

Verónica disse...

Esta é uma questão na qual não tenho qualquer esperança (por mais pequena, ínfima que seja) numa resolução. Estão assim há tanto tempo e vão continuar. Ambos os lados são maus, igualmente maus, não há um lado bom. Posso estar a ser cruel, mas optei por passar ao lado do que se passa nesse conflito, é como quem diz, deixa-os andar... Como dizia a Mafalda, referindo-se a isto, "tudo na mesma com o Tom & Jerry".

Ianita disse...

Sim... por isso é que eu dizia que isto já devia ser parte da História, passado...

Isto começou mal de início e por isso é que não há lados bons. Nunca houve mas poderá haver... será bom o lado que der o braço a torcer... mas... isso não vai acontecer, porque mesmo que os líderes assim decidam, as populações não vão nessa... vão ser precisas muitas gerações de mudança...

Imagine...

Kisses

joão disse...

Olá Ana! Não acredito que só tenhas começado a pensar a partir do 12º ano loll
o john lennon também usava lentes cor de rosa e fez músicas como essa "imagine" a suprema utopia..arrepia ouvir isto :)
Agora; se bem entendi também te referes à questão entre israel/palestina que não é uma questão religiosa, mas sim, o poder do mais forte sobre o mais fraco.
Imagina que um certo dia estás em tua casa, e chega lá um calmeirão de pistola em punho, obrigando-te a sair, a tua reação talvez não fosse muito "religisosa" mas de raiva, presumo. na minha modesta opinião é o que está a acontecer neste conflito.
beijo

Ianita disse...

No início foi isso mais ou menos... o Ocidente quis compensar os Judeus pelo Holocausto e por isso foi feito um país para eles, na terra prometida, que é hoje Israel. Mas, essa era a terra prometida também para os árabes... e é lógico que para os judeus irem pra lá, alguém teve de sair...

Neste momento o problema prende-se mesmo com Jerusalém. Tudo o resto está resolvido e tratado e acordado, mas nenhuma das partes abdica de Jerusalém por ser território sagrado para ambas as religiões. Não chegam a acordo em nada que diga respeito a Jerusalém... e por isso continua a ser uma luta religiosa... porque matar judeus dá direito a 30 virgens, e porque matar árabes é matar infiéis... tretas! Por isso é que na minha opinião era enterrar Jerusalém e pronto, não era nem para uns nem para outros.

Israel tem maior poderio bélico porque tem o apoio dos EUA e o apoio generalizado do Ocidente, porque foi o Ocidente quem lhes "deu" Israel... os árabes lutam como podem...

Neste caso, não há lados certos. Estão todos errados. E nós devíamos parar de nos meter... porque sempre que nos mexemos só dá merda!

Kisses
(eu fui uma adolescente autómota como as outras, não sou diferente de ninguém...)

Noiva Judia disse...

Já pensei como tu, Ianita, mas acho que a religião é cada vez mais uma desculpa para a violência gratuita...

Ianita disse...

Aquilo para mim também não é religião... mas para eles é. E por mais que não concorde com isto, tenho de respeitar minimamente. Pelo menos tentar.

E não me esqueço das atrocidades da Igreja Católica. Mas vejo que estamos diferentes e isso dá-me esperança... pode demorar mais que uma geração, mas eles vão conseguir também encontrar o seu equilíbrio e o seu lugar na tolerância pelos outros... nós demorámos séculos, espero que eles não demorem tanto...

É como dizia o Lennon, a religião, as fronteiras, os países, o céu e o inferno, a fome, as possessões, são tudo desculpas para a violência... cabe-nos a nós...

Kisses

Isandes disse...

[suspiro]

Vera Angélico disse...

Era bêbedo ou drogado??? Entre os namoricos e a Grécia antiga, nunca percebi muito bem.

Do 12º ano orgulho-me por ter (finalmente) entendido o conflito, e pelo pouco de história da arte que aprendi, e que me fez ser viciada no Miró (imagina uma tolinha a chorar, de tão comovida, em barcelona, sentada no chão em frente de um quadro do senhor, enquanto a minha companhia dizia que a melhor obra de arte da fundação eram os extintores...)

Aparentemente (ou foi impressão minha), há um acordo qualquer de paz hoje. Ou então percebi mal as notícias...

Ianita disse...

Vera: ele tinha um problema mental e, ao que entendi, o mal dele era tomar a medicação com Tequilla :) Sei que passámos um ano a aprender o conceito de Economia Mundo! Pelo menos ainda hoje sei o que é uma Economia Mundo!! LOL

Sim, no 12º ano tivemos estagiários (e quando eu fui estagiária, lembrei-me do más que fomos pros estagiários de História e pros de Geografia...)e tivemos a sorte de um deles ser de História da Arte. E havia o doido, lembras-te? Aquele que chegava meia hora atrasado, culpava o trânsito e entregava fotocópias quentes :)

Houve mais um acordo de paz... mais um entre milhares...

Beijos