26 de janeiro de 2009

A maré

Amanheceu um dia como os outros. O Sol queria espreitar num céu nublado... o vento agitava as árvores levemente. Um dia de Inverno sem chuva, com algum frio. Acordava com uma sensação diferente... uma dor de cabeça lacinante. Tinha estado com ela toda a noite. E acordava ainda com aquelas pontadas nas têmporas. Ainda assim, não ia desistir.

Ia sair de casa, mas não pôde. Chegam pessoas e mais pessoas e mais pessoas. Depois telefonam. Tenta adiar para o outro fim-de-semana, mas não consegue. Depois a visita a uma pessoa conhecida... o dia passa. A dor de cabeça persistia... O dia estava a terminar... ainda assim seguiu.

Não para a praia, mas para o café. Aquele. O mesmo. O de sempre. Ali onde não há civilização. Ali onde os telemóveis não funcionam. Não fica na esplanada, está demasiado frio. O sol já se põe, embora de facto não veja o sol a pôr-se. O céu está nublado. Ouve o bater das ondas. Só este som. Inspira algumas vezes antes de entrar no café. Este ar marítimo faz milagres. A dor de cabeça esvanece-se. Persiste mais uns minutos. Sente o vento na cara... como mão humana que afaga a cara, que mexe nos cabelos... com força, mas ainda assim com ternura. Entra. Senta-se na mesma mesa. Sempre a mesma. Sempre na cadeira perto da janela. Pede o lanche e entretém-se a escrevinhar no caderno enquanto o pedido não chega. Lá fora a noite cai.

Está isolada do Mundo, está sozinha. Ainda assim nunca está sozinha. Mas aqui talvez seja o único local onde consegue estar bem, onde consegue que a sua solidão seja uma companhia. Agradável. Está consigo-mesma e conversa. Fala do dia-a-dia, fala do passado, dos planos para o futuro. Nem sempre estão de acordo, mas a conversa é agradável, prazeirosa.
Depois do lanche sai do bar... desce até à praia e passeia um pouco. Não está mais ninguém. Passa um carro na estrada, mas o som predominante ainda é o do mar. Respira fundo... profundo... como se quisesse guardar aquele ar dentro de si mais tempo... como se o quisesse levar consigo... e leva. A maré pode não trazer sereias nem príncipes encantados, mas traz energia, vigor, paz de espírito... e leva embora dores de cabeça...

Anoiteceu um dia como os outros. A lua queria espreitar num céu nublado... o vento agitava as árvores suavemente...

8 comentários:

Verónica disse...

Olá, voltei, mas por pouco tempo, só mesmo para dizer um olá.

O mar é das melhores coisas para limpar a alma.

E eu já tive a sorte de viver nele :)

Kiss

Ianita disse...

Se bem que era melhor se trouxesse mais que sargaço... ainda assim... muito bom!

Kisses

Manuela disse...

Eu sei qual e esse magico cafe :)

Ianita disse...

E era mágico, não era? :)

Kisses

Lize disse...

:) Tambem quero saber qual e o cafe maravilha :P
Gostei imenso do texto :)


Beijocas :)

Isandes disse...

E participares num concurso de escrita? Check this out:
http://escritacriativa.org
(Não fossem os 35 euros de inscrição...)
kiss

PS - E diz-me lá se o gajo não é GORGEOUS?...

Ianita disse...

Lize: Old Beach, na Praia Velha - S. Pedro de Moel :)

Kisses

Ianita disse...

Isandes: Eu não tenho muito jeito para essas coisas... escrevo muito, nem sempre com qualidade, mas sempre sempre sem criatividade! LOL

Quanto ao sr... pois... lindo! God!! :)

Kisses