27 de junho de 2009

Delas também reza a História

Anna Pimentel


Anna Pimentel, mulher de aspecto frágil mas de grande autonomia para sua época, era prima e dama de honra da Rainha Dona Catarina, irmã de Carlos V, Rei da Espanha. Nascida em Salamanca, casou-se cedo, em 1524 com um jovem fidalgo português. Sabia ler, escrever e contar o que já era suficiente para a tornar uma mulher especial, já que, no século XVI, às mulheres cabia a actividade do lar, organizar a cozinha, cuidar das crianças e do pomar, fiar, tecer e rendar. Um mês após o casamento, Martim Afonso de Sousa, seu marido, foi à guerra com o rei Carlos V. No ano seguinte, transferiu-se com o marido para Portugal, levando a prima, D. Catarina, noiva de D. João III.

Em 1530, Martim Afonso recebe a missão de colonizar o litoral brasileiro e combater os franceses. Após três anos no Brasil, quando fundou a vila de São Vicente e restabeleceu o porto de Cubatão, como passagem entre Santos e São Paulo, em 1533, foi nomeado Capitão-mor do mar da Índia, volta a Portugal em 1534.

Com inúmeros afazeres que o distanciavam das propriedades, nomeou, Martim Afonso, Anna Pimentel como sua procuradora, por conhecer as suas vontades e ambições.

A sua importância histórica no desenvolvimento da Capitania, que administrou por 10 anos (1534/1544), é algo ímpar que essa nobre espanhola realizou com inteligência, austeridade e modernidade.

Entre uma e outra missão do marido, Anna Pimentel gerou e criou oito filhos. Nunca pisou em terras brasileiras e administrou o quinhão afonsino de além mar, aos mesmo tempo que criava os filhos e cuidava do lar. Abandonou o luxo a que se encontrava acostumada para se dedicar à administração político/administrativa da Capitania de São Vicente, depois de, em 14 de março de 1533, Martim Afonso ter partido de Lisboa para a Índia. Em 19 de Março, fez plantar laranjeiras, incentivou o cultivo do arroz e do trigo e a criação de gado, introduzindo a carne na alimentação das crianças e mandando para lá o primeiro gado vindo da Ilha de Cabo Verde.

Demonstrando forte verve e personalidade própria. Uma mulher à frente do seu tempo que teve a sorte de ter tido um marido que, em vez de a silenciar, lhe deu voz e poder. E ela esteve à altura.

4 comentários:

Verónica disse...

Mais uma mulher de armas, gostei de a conhecer :)

ianita disse...

Verónica: também eu... e eram tempos difíceis.

Beijo :)

Rice Man disse...

Bates-me muito se te disser que nunca tinha ouvido falar dela...? Mas gostei muito do que li.

Estes posts intitulados "Delas também reza a História" foram (e são) uma excelente ideia. :)

ianita disse...

Mr. Rice: eu também não a conhecia... andei a investigar mulheres para incluir nesta rubrica e surgiu-me a Ana e quis logo incluí-la numa das primeiras... basicamente por n ser conhecida e por ter sido de facto uma grande mulher...

Não sei se são uma excelente ideia... mas são uma ideia de que me orgulho. Para ficar na história deste blog.