24 de novembro de 2009

Do problema...

Eu tenho um problema. Um problema que considero grave.

E considero o problema grave basicamente porque, apesar de todas as tentativas, não consigo ver-me livre dele.

Não sei se nasci assim... não tenho memória assim tão distante. Mas sei quando percebi que tinha um problema. Que não era como as outras pessoas. Foi há quase 13 anos.

Nessa altura, porque houve um acontecimento traumático comum a mim e às minhas amigas, lembro-me de falar com algumas pessoas sobre o que se passava comigo... e lembro-me de ter percebido aí, nessa altura, que não era como as outras pessoas.

Não peçam para explicar. Não o sei explicar. Não o sei entender. Não sei nem conheço a origem disto. Sei-me assim. Aprendi a conviver com isto. É difícil... uns dias piores que os outros... uns dias melhores que os outros. Mas é muito difícil. Uma pessoa cria mecanismos... ou eu criei mecanismos porque não me queria render àquilo. Porque aquilo não faz parte da Ana que eu quero ser. Aquilo não faz parte da vida que eu quero ter. Então... ajo apesar de. Então... faço como se o problema não existisse. Porque não sei fazê-lo desaparecer. Sei viver com ele... sei viver apesar dele.... sei sorrir e ser feliz. Mas... queria não ser assombrada por isto.

Queria poder ser outra Ana. De mim para mim. Porque para os outros sou a melhor Ana que posso e consigo ser. E são muito raras as pessoas que sabem exactamente que problema é este... ou de que forma ele me afecta. Há quem ache que exagero. Eu não só não exagero, como nem sequer conto como as coisas são exactamente... porque se soubessem entendiam que não se pode viver assim. Entendiam...

Não sei se entendiam. É preciso viver para saber. Eu sei e não preciso que mais ninguém saiba. Preciso que me indiquem um médico que me trate. Que me identifique a origem do mal... que me diga o que eu posso fazer para que isto não me atormente tanto. Gostava de poder viver, nem que fosse um dia, sem isto... gostava. Porque não sei o que é... porque não me lembro de um único dia da minha vida sem isto. E gostava.

De me ver livre da sombra... da névoa... e poder simplesmente ser eu. Mais eu. Será possível? Conseguirei alguma vez? Ou passarei a vida a ser a Ana, apesar de...?

15 comentários:

Sayuri disse...

Todos temos algo que nos 'atormenta' e que dificilmente se descolará de nós. Há acima de tudo que saber conviver com isso.. acho eu...
este post está muito ao genero do 'Sei o que fizeste no verão passado' :)
Se e quando quiseres, estarei disponivel...

Inês disse...

Não comento muito, mas vou lendo... Sabes o que te posso dizer? Conheci ao longo da minha vida, alguma, poucas... ok pouquissimas pessoas que dedicam as suas vidas a estudar e a ajudar! Um dia um deles disse-me: - se eu tratasse hemorroidas, estava rico, tinha um consultório cheio de pacientes, mas não me sentiria nunca pleno, como agora que posso ajudar-te.
Um beijinho!

ianita disse...

Sayuri: eu vivo... apesar de... eu vivo... convivo... mas queria não ter o problema... só isso...

Inês: eu escrevo... falo do problema... acho que esconder só faz as coisas crescerem. Acho que só falando do assunto, enfrentando, é que o poderei resolver... mas 13 anos depois de ter percebido que nem todas as pessoas viviam assim... acho que percebi que não consigo resolver isto sozinha e que preciso de um médico. Sério. :)

Beijinhos

Vera L A F Angélico disse...

As palavras andam a custar a sair, por vários motivos.

Mas entendo-te. E sei que a vida não é sempre vivida nas nuvens, como alguns apregoam.

Não conheço nenhum. Mas vou onde for preciso. Ao fim do mundo. E sei. Que não preciso de o dizer. Mas que sabe bem ouvir. Do coração...

Beijos.

ianita disse...

Vera: eu sei. :)

beijos

bono_poetry disse...

olha para quem acordou com os pes gelados,nada melhor que um quebra cabecas como este...o medico precisa de sintomas,eles poderao passar por varias etapas,eliminando uma a uma a causa de tal transtorno,mas sabes quando o problema nao e fisico,diz-se entre quem e percebido do assunto que apenas uma gigante vontade de quem se queixa pode provocar melhorias e um pouco como um auto-retrato ,tu sabes qual e o sintoma e ate sabes a causa,defines as tuas proprias estrategias de defesa pessoal e riscas o transtorno redimensionando-o para o esquecimento,nada mas mesmo nada que nao conseguimos ultrapassar se cura esquecendo, e sim enfrentando-o com as maximas forcas!E complicado e por x o tratamento torna-o ao transtorno mais forte e mais presente,ai sim entra o tal "medico"que efectua varias experiencias com o dito cujo,deixando-o na sua dimensao sozinho e sem defesas,e um pouco como jogar com o sub-consciente humano,tudo e bastante volatil na nossa mente,apaixonamo-nos por cheiros,por visualizacoes,por sabores,ate por ruidos,e incrivel nao e?ate aqui acho que todos sabemos como actuar se gostamos queremos estar mais perto,mas nem todas as viagens da mente sao assim tao equacao simples,temos tambem as divergencias com que nos pautamos desde que nascemos e nem sempre sao similares as actuacoes a que nos prestamos,e um pouco como a mentira a nos proprios,nos humanos temos a capacidade de nos iludir de uma forma surreal perante a dificuldade,mas acima de tudo pelo medo,o medo ofusca a liberdade da mente e ate do fisico,raio que bom e sentir medo,qual melhor diferenca entre nos e os calhaus?o sentir...e o medo sente-se,ele tem como nos deixar imobilizados,sem reaccoes,capaz de matar sabias?muitas pessoas no mundo inteiro morrem diariamente somente com um sintoma,o medo...
well,eu agora ficava aqui contigo a dissertar um pouco sobre este assunto pois ja estive infelizmente em muitas situacoes em que nao consegui ganhar sozinho,para isso existem os amigos e a familia,e se precisares de um ,estou aqui!!abraco e sorri!!es linda menina!

ianita disse...

Bono: concordo contigo...

Os problemas são para serem enfrentados... resolvidos... para podermos seguir em frente... não vale de nada tapar o sol com a peneira ou fazer de conta que o problema não existe...

Eu já fiz de tudo... já fiz de conta que não existia... já ignorei... já enfrentei... já olhei nos olhos e disse "meu menino, assim não pode ser". E já o controlei... porque durante algum tempo, este problema atou-me mãos e pés... era um medo que se apoderava de mim e não me deixava ser mais... e foi nessa altura que vi que tinha de o olhar de frente... ter uma conversa directa e franca... porque eu sou medrosa... tenho medo de tudo... tudo mesmo... mas escolhi enfrentar o medo. E enfrento-o... não só quando tenho de andar de avião... todos os dias. Quando me levanto. Quando tomo banho. Quando pego no carro. Quando subo ou desço escadas. Quando ando de elevador ou escadas rolantes... quando como... quando durmo... sempre. Mas é cansativo. Muito cansativo.

E sei que cheguei ao limite do que consigo fazer para dominar isto. Não sei fazer mais. Já não deixo que isto me domine... já vivo apesar disto... o que eu acho que é algo muito bom. Porque não te passa o difícil que é viver com isto todos os dias... 100, 200 vezes por dia... sempre...

Acho que chegou a altura de procurar quem saiba. Quem me ajude. Quem me mostre outros caminhos. É uma decisão que ando a adiar há demasiado tempo... não é por ser um problema psicológico que tem de ser descurado ou desavalorizado... incomoda tanto como uma mazela física... e por isso, tenho mesmo que ir a um médico.

Obrigada pelas palavras. Tu sabes bem relativizar as coisas. És um exemplo de força e de vida.

Beijos

spritof disse...

é pá... estava convencido de que tinha deixado um comentário a este post... mas pelos vistos deve ter havido algum problema de comunicação electrónica... ou minha mesmo... por isso...


Qq coisa avisa... não percebi bem qual era o problema, mas o que quer que seja... se precisares avisa que estou (estamos) cá para ajudar e contribuir!

Não! Não é cena virtual barata... é a sério.
:)


Passa bem...
...e já sabes onde nos encontrar.

ianita disse...

spritof: isto dos informáticos e das informáticas tem que se lhe diga :)

É um problema antigo, de sempre... só decidi que não quero que seja para sempre. E percebi que não resolvo sozinha. E já mexi uns cordelinhos para me recomendarem quem me trate.

E não te preocupes... não é nada físico. Não se morre disto. É a cabeça de ianita que não bate bem... Só não quero que seja para sempre. Só isso.

E obrigada pelas palavras e pelo carinho. Mesmo.

:)

spritof disse...

sempre
:)

spritof disse...

PS: indica-me uma cabeça que bata bem... e então falamos!
A minha, pelo menos, nunca bate...
Mas fazes bem em procurar quem te ajude. :)

ianita disse...

Spritof: verdade... mas eu só tenho de viver com a minha... e com a loucura dos outros posso eu bem ;)

spritof disse...

;)
às vezes a loucura dos outros é de difícil digestão...

ianita disse...

spritof: também é verdade... principalmente quando os loucos decidem fazer as suas loucuras aos outros... é preciso sorte, para não nos cruzarmos com malucos desses...

spritof disse...

;)