4 de julho de 2008

Saudades...

Tenho muitas saudades. Sempre. Todos os dias.

Já aqui falei da minha relação com Coimbra e a essa propósito disse que tem saudades quem foi feliz. E é verdade. Só temos saudades dos tempos em que fomos felizes...

Agora que a família Rei Pinto me vem fazer uma visita, vêm-me à memória os dias que eu passava na praia. Em Monte Gordo. Todo o dia na praia, porque na altura não havia cancros e nem as crianças eram roubadas. Lá andávamos eu e o meu irmão na brincadeira o dia todo. Claro que havia momentos de pancadaria, mas também muitas horas passadas a apanhar conquilhas, a jogar raquetes, a jogar futebol, a fazer diques para que a água não chegasse às toalhas, a nadar, a fazer piscinas e castelos de areia e, e, e, e... ainda hoje me emociono ao ver crianças a brincar naqueles areais de maré vazia e apetece-me ir brincar com eles... mas nunca vou, porque era logo atacada pelos pais que pensariam que eu estava era a tentar roubar-lhes o filho. Mas pra semana eu vou fazer castelos na areia e jogar à bola e fazer piscinas e diques e, e, e...
Vai ser muito divertido e vai-me fazer bem ao moral. Porque, independentemente de eu ser daquelas pessoas que nunca jamais dá um passo atrás no que a relações diz respeito, eu tenho saudades de algumas coisas dos tempos em que tinha namorado. Não tenho saudades do namorado (desculpa se estiveres a ler, mas é verdade), mas de algumas coisas a que se tem direito quando se tem namorado. E não falo de sexo. Falo do poder desmanchar-me a chorar ao pé de alguém. Sinto falta de ter alguém ao pé de quem eu não tenha de ser forte.
Sou sempre forte. Tenho um feitio difícil. Digo quase sempre o que penso e nem sempre é fácil lidar com isso. Compreendo. Mas de tanto me mostrar forte aos meus amigos, noto que não acham normal quando eu me vou abaixo. Porque isto de ser forte é quase sempre aparência. Eu sou como qualquer outra pessoa. Preciso de apoio, de mimo, de compreensão. Quando tinha namorado, era ele quem me ouvia e quem me apoiava (apesar de todos os milhares de defeitos, nisto do apoio foi quase sempre bom) e eu nunca tive de me desmanchar a chorar ao pé dos meus amigos. Agora que precisei, acharam estranho, diferente, olharam-me como se eu fosse um animal estranho. E sou. Sou mesmo um animal estranho. Porque também não sei bem o que fazer... A culpa não é deles, é minha.
Sinto falta daquela sensação de se poder dizer tudo à frente de alguém, de se poder chorar tudo, basicamente tenho saudades de poder ser frágil, tenho saudades de poder ser eu.

8 comentários:

Verónica disse...

Monte Gordo?! Onde é que isso fica, pá?! E como é que os beefs chamam a esse lugar? Será Fat Mountain?! Loool (Piada extremamente seca, influência do Pedro Ribeiro)

Ianita disse...

Também tenho saudades das piadas ribeirinhas, por isso essa foi muito benvinda :)

Era deprimente, porque todo o Portugal ia para o Parque de Campismo de Monte Gordo, e o meu pai que não saiba (porque eu nunca mais quis lá ir de férias), mas a verdade é que fui incrivelmente feliz nos 15 verões que lá passei. Com algas e alforrecas, mas muito feliz! ;)

Verónica disse...

Alforrecas e algas é o que não falta aqui às vezes, depende das marés...

Quando passares por cá outra vez vais ver que isto tá muito diferente!

Ianita disse...

É o que toda a gente me diz...

Uma vez, num restaurante, havia baratas no frango pedido pela minha irmã! Mas eu era mesmo pequenita e não me lembro. Mas ainda hoje se conta essa história lá em casa. O empregado acho que chamou "barateira" à minha irmã. lol :)

Restaurantes só me lembro de um em Castro Marim, onde eu comia besugos! Adorava ir lá porque o caminho é muito bonito.

E a Castro Marim eu já voltei, só a Monte Gordo é que não...
Tenho tudo cá dentro. O bom e o mau. Faz tudo parte da minha memória e das minhas saudades!

olgacruz disse...

Isso das baratas não era para contar... Há coisas que não devemos tornar públicas, não sabias?

Hoje fiquei um bocado triste contigo. Quando entrei no blog reparei na coluna à esquerda (não sei se sempre lá esteve...), só não compreendo como é que tu, que tens uma sobrinha na Selecção Nacional de Natacão fazes destaque à FPF!!!?????

E dizes que a familia é muito importante?????!!!!!

INCONGRUÊNCIA!

Beijinhos,
Fica bem

Ianita disse...

Eu não faço publicidade à FPF, mas à Selecção Nacional, de futebol e de outras modalidades.

Gosto muito da minha sobrinha e de ver as provas dela, mas ver os 1200m é qq coisa de matar qq um. É secante! Ainda bem que ela só nada provas curtas, se não nem sei! lol :)

Quanto às baratas, tu é que podias contar bem essa história, porque eu não me lembro bem... ihihih!!

olgacruz disse...

Oh tansa, em natação não há 1200metros!!!!! Há 800m (femininos) ou 1500m (masculinos). Não tens ído aos treinos!......
De qualquer modo, concordo que é um bocado seca estas provas.

Quanto às baratas, esquece!

Ianita disse...

Só me lembro de um Domingo qualquer, acho que em Coimbra, à espera de uma prova de 50m da Sara, e nós à espera dos ditos 1500m masculinos, em nem sei quantas séries... Desesperante!!

E é verdade, não tenho ido aos treinos. Ando um bocado desligada, mas isto do tempo ser curto, dá nisto...

E não percebo por que não queres falar daquele assunto, mas pronto(s)! :)