9 de setembro de 2008

O passado

É estranho... É estranho eu olhar para o espelho e ver-me a mesma de há 15 anos. É preciso algum esforço, muita concentração, para me ver como sou agora... mais velha, mais gorda, com uma ou outra ruga de expressão... mas a mesma...
Não deveria eu ter mudado? Não devia ser diferente do que era?

A verdade é que muitos anos passaram, a vida mudou, eu mudei, mas continuo a mesma.

Isto vem de uma mensagem que recebi ontem, da Gabriela (olá Gabriela!). Ela que me relembrava as tardes que passávamos a ver precisamente o Dirty Dancing. Nos tempos em que a Rute comia meia cenoura por dia... E comecei a pensar... Se calhar este filme já não me deveria entusiasmar. Se calhar não deveria pôr o rádio mais alto sempre que passa o Living on a prayer dos Bon Jovi. Se calhar não deveria sorrir quando ouço a Lambada. Se calhar...
As coisas têm o seu tempo. E eu se calhar deveria revê-las hoje e achá-las parvas. E não acho.
Quando revejo o Braveheart, já sei que a pedra vai bater na cara da gaja, mas rio na mesma. Já sei que ele a vai ver, no meio da multidão, mesmo antes de lhe cortarem o pescoço, mas choro na mesma. Quando revejo o A vida é bela, já sei que o miúdo vai dizer, ao ver o tanque, "E vero! E vero!", mas choro na mesma...
A verdade é que os anos passam, a vida é vivida e, no que importa, nós continuamos os mesmos. Por isso é que os amigos se mantêm pela vida. Porque nos une a história, um pedaço de história, a nossa história, e porque, no essencial, somos os mesmos. (Pior é quando vemos que pessoas que julgávamos amigos não nos conhecem, mas isso é outra história...)Por isso aquelas coisas de que gostava mesmo muito não me são indiferentes por parvas e disparatadas que sejam. Porque se fizeram parte da minha vida, vão fazer sempre.
Feliz ou infelizmente, não há como fugirmos da nossa história. Não há como fugirmos de nós mesmos. Eu acho que ainda bem... E, pode parecer parvo, mas eu gosto de ser assim. :) E eu não esqueço.

16 comentários:

Filipe Rodrigues disse...

Parece-me perfeitamente natural que vivas de recordações.
Não me pareceria tão normal se visses unica e exclusivamente delas!

As recordações, ou melhor, as boas recordações são como que um cobertor quente que nos traz sentimentos como a saudade, a boa disposição, a alegria, o amor... Este passado é a nossa salvação num presente incerto, a nossa salvação em situações controversas da vida...

Sobretudo,
Be Happy!

;)

Ianita disse...

Tens toda a razão. Principalmente porque nós somos seres sociais e não vivemos só do presente. O carpe diem não existe. O passado e o futuro vivem no nosso presente e hão-de viver sempre. E fico contente por ter boas recordações e ter ainda com quem as partilhar. Algumas das mesmas pessoas de há 15 anos... :)

Cito o meu Nandinho...

"Canto, e canto o presente, e também o passado e o futuro, /
Porque o presente é todo o passado e todo o futuro /
E há Platão e Virgílio dentro das máquinas e das luzes eléctricas /
Só porque houve outrora e foram humanos Virgílio e Platão, /
E pedaços do Alexandre Magno do século talvez cinquenta, /
Átomos que hão de ir ter febre para o cérebro do Ésquilo do século cem, /
Andam por estas correias de transmissão e por estes êmbolos e por estes volantes, /
Rugindo, rangendo, ciciando, estrugindo, ferreando, /
Fazendo-me um excesso de carícias ao corpo numa só carícia à alma."

:)

Gabriela disse...

Olá, olá!

Cá estou eu a estrear-me nestas andanças porque não consegui resistir...

Para mim, as lembranças são das melhores coisas que temos na vida, porque ajudam-nos a ser como somos e por vezes a emendar os nossos erros. E porque nunca nos deixam esquecer as coisas boas da vida como os amigos! E para veres como eu tenho muitas (e boas) lembranças dos bons velhos tempos, aqui ficam 5 coisas que me fazem sempre lembrar de ti - para além do Dirty Dancing, claro :)
1. Creep - Radiohead
2. O Braveheart (claro)
3. Bolachas com doce de morango
4. O Real Madrid
5. Pastilhas coladas em fila num muro.....

(Aposto que já não te lembravas do carreiro de bubblicious cor-de-rosa que fazias no muro da escola da Maceira, hem?)

Pois é! :)

Ianita disse...

Por acaso não... Mas já gargalhei. :)

Pensei que ias falar do esparguete. :)

Já eu, quando penso em ti, lembro-me invariavelmente das escadas para a Biblioteca, do Real Madrid (mais concretamente do Raul e do Suker), dos bancos (sempre os mesmos) e da Catarina (com K) cujo romance lemos ao mesmo tempo. :)

Lembro-me ainda da "cambalhota" do Pepe... das voltas à escola da Ana Órfão... das cartas no dia dos Namorados que o Bruno fotocopiava e enviava para as gajas todas da turma... do prof de TTI... das loucuras da Nídia... da prof.ª Paula... do format c:... de Santiago de Compostela... da forma como o prof. Fernando Verde pronunciava Bon Jovi... do "sai Catarina, sai!"...

Fomos felizes, não fomos? Nunca mais se vive com a mesma inocência, com o mesmo drama, mas tudo isto continua a viver connosco. Tenho saudades e acho que é o melhor elogio que se pode fazer. Porque só se tem saudades dos tempos bons e de quem nos faz bem.

Beijinhos!!

Ianita disse...

Continuo a adorar o Creep, mas foram precisos anos de terapia intensa para não me lembrar da Vera vaca sempre que ouvia... :)

Já te disse que dei aulas à filha dela? LOL A vida dá voltas... :)

(e a carrinha da Eulália? e aquele doce com mars que a Rute fazia? e o teu irmão que não nos largava?... Pronto, vou parar!)

Gabriela disse...

Como é que eu me fui esquecer do esparguete!? :)

Também me lembro dessas coisas todas.. Aliás, estive quase a mencionar o facto de o Suker me raptar (ou seria a ti?) e aterrarmos depois de pára-quedas na Croácia em ruínas, lembras-te desse detalhe? E tenho de confessar que nunca mais deixei de me rir quando ouço a expressão "consumaram o acto", que a nossa Katarina devia ter registado!

Quando ao format c:... bem, eu continuo a dizer que nós perguntámos várias vezes se ele tinha a certeza :D

Foram realmente tempos fantásticos, dos mais divertidos que tive. Mas agora é continuar a construir mais lembranças para termos saudades delas ;)

Ui, a carrinha da Eulália....

Ianita disse...

Esse romance da Katarina devia ser publicado! O que eu não dava para lhe pôr as mãos em cima outra vez!

LOL

E sim... Construir lembranças. Sempre. :)

Verónica disse...

Quem não tem histórias para contar dos tempos da adolescência...

Eu e a Teresa quando começamos a falar desses tempos não paramos, uma história leva a outra... E já sabemos exactamente o que a outra vai dizer, só nós entendemos a nossa linguagem. :)

Ianita disse...

Mas olha que há muita gente que fecha o passado numa gaveta...

Lembras-te daquela rapariga a quem fiz o trabalho das Novas Oportunidades? Ela tinha de escrever sobre a vida dela, as lembranças dela... E foram as minhas. Porque ela não se lembrava. Somos da mesma idade, fomos da mesma turma durante 10 anos e eu tinha tantas memórias... e ela não tinha nenhumas...

Quem não tem passado também não tem presente e dificilmente terá futuro.

Eu gosto muito do meu. Deprimente e parvo qb, mas gosto. :)

Noiva Judia disse...

Como me identifiquei com este relato... Confesso que não era grande fã do Dirty Dancing, mas é sem dúvida um filme que marcou a "nossa" época, assim como certas músicas, ainda que foleiras, como a Lambada... (o que eu passei a tentar aprender a dançar aquilo).
as recordações são das melhores coisas da vida, pois permitem-nos lembrar momentos e pessoas que tocaram a nossa vida. algumas mantêm-se presentes, outras seja porque circunstâcia for, já estão ausentes, mas ainda assim presentes nas memórias.

Nuno Maranhão disse...

Este episódio do Seinfeld nunca mais acaba, com toda a certeza que é especial, já lá vai mais de uma hora desde que começou.
Tero, não queres faz...

Ai, ai...

Ianita disse...

Ó Pato, só para ti eram páginas e páginas! Essa do Seinfeld já não me lembrava... :) Mas pra semana na Covilhã já vamos pôr as histórias todas em dia. :)

Noiva: Pois é isso mesmo. A Lambada faz-me lembrar a minha 4ª classe, no tempo em que brincávamos às telenovelas, e nunca consegui dançar aquela coisa... Mas degradantes ou não, são memórias e fazem parte de nós. :)

Nostálgica disse...

Ás vezes se mudamos ao longo da vida também não é de todo, mau.. depende muito das circunstÂncias, mas o estarmos bem conooscp é o fundamental.

Um bjnho.

Ianita disse...

Mudamos sempre. É impossível não mudar. Mas o fundamental, aquelas coisas que nos fazem ser quem somos, que nos definem... essas não mudam nunca.

Pelo menos, acho eu! :)

Dawa disse...

Eu adoro todos os filmes e músicas de que falaste e choro nas mesma cenas.
Estarei eu a viver no passado ainda?! N acredito!
Foram coisas que marcaram e que por isso mesmo têm mto mais valor (pelo menos para mim).
Beijinho

Ianita disse...

Dawa: é isso mesmo. além disso, é a nostalgia do tempo que passou, da felicidade que se teve e saber o que nao se sabia então: que tudo passa e, com tempo, tudo se resolve. :)