28 de setembro de 2008

A trança de Inês

"Ah, Inês! Como não passou nada? Passou tudo, Inês, tudo o que pelos séculos além o amor inventou, as suas artes e subterfúgios, as sua agonias e misérias, os embustes esfarrapados com que presume esconder-se do mundo, a palpitação do desejo que faz tremer o chão, crescer o trigo, eclodir as rosas, convocar as tempestades. E, por fim, desdobra a mais perversa de todas as armadilhas, a que nos faz, na hora alucinada da paixão, corpo contra corpo, boca contra boca, alma contra alma, desejar e bendizer a morte.
Morrer por este amor. Morrer contigo"
Há três Pedros, três Inês, três histórias de amor, três tragédias. Cada ser humano tem o direito a três vidas e de escolher a palavra que regerá essas três vidas. Pedro escolheu Paixão.







“O que me afastou do meu amor foi precisamente o meu amor. A paixão, esse desvio do comportamento, esse desequilíbrio da mente. Não posso amar-te porque te amo. Não posso possuir-te porque quero possuir-te. Não posso ser teu porque sou teu.”







A Paixão é o fio condutor de estas três histórias de amor. A primeira história todos conhecemos, corresponde à primeira vida de Pedro, no século XIV. A segunda vida, no século XX, conta a história de um Pedro Santa Clara que ama Inês Castro. São de igual condição social, mas as famílias são rivais e a tragédia adivinha-se logo na primeira linha. É este Pedro que, pela sua loucura, nos relata as suas outras vidas. A do futuro, a terceira e última vida de Pedro, não terá melhor destino que as anteriores. Desta feita, Inês faz parte de uma classe social superior, mas o seu amor continua a não ser possível porque não pode haver mistura de classes. Só quem é superior pode reproduzir-se e com alguém do seu nível. O castigo é a morte.









Neste romance de Rosa Lobato de Faria, a figura de Inês aparece envolta numa névoa de incerteza. A mesma névoa que a envolve há mais de seiscentos anos. Não sabemos, como não saberemos nunca, se ela foi a seduzida ou a sedutora. Esta nuvem de mistério que envolve a figura de Inês contribui também para a construção do mito. A autora mantém estas características de incerteza, de amor e morte, mas acrescenta a certeza de que fosse qual fosse o tempo, fosse qual fosse a condição social, fosse qual fosse a vida, Pedro e Inês haveriam de se amar. E antes como agora, este amor está condenado à tragédia. Antes como agora e sempre, vence a razão do Estado, morre a do Amor.
Esqueçam os preconceitos e descubram esta fantástica escritora. Há muitos outros livros dela que valem muito a pena. Escolhi este, porque não poderia ter escolhido nenhum outro, sendo eu a romântica incurável que sou. Adoro Alcobaça e vibro com a história de Pedro e Inês. Por isso... :)

13 comentários:

_+*A Elite in Paris*+_ disse...

Eu também vibro com a historia, parece ser mesmo um livro apaixonante! adoro essas historias de amor assim, na literatura, e "a" Inês é um grande mito do amor :)

Beijo meu ♥,

A Elite

Ianita disse...

De tudo o que foi escrito sobre o mito de Inês e Pedro, este é O livro.

Mantém a linha que conhecemos, mas consegue desconstruí-la e construí-la outra vez.

Apaixonante é a palavra :)

O Profeta disse...

Olhos brilhantes maré tardia
Cabelos rebeldes em desalinho
Pés descalços no, frio barro
Um berlinde atirado ao caminho

Um bando de alegres pardais
Ou um domador de tempestades
Apenas um pássaro charlatão
Dividindo o pão em metades


Bom domingo



Mágico beijo

Anita :) disse...

eu ADORO pedro e inês...tão bela e, ao mesmo tempo tão triste a história deles...tenho que dar uma saltada à Fnac!!

Beijinho bom

Ianita disse...

A sério que vale a pena. E os livros da Rosinha são muito bons e, além disso, são bastante acessíveis no que a euritos diz respeito.

Não te vais arrepender :)

Verónica disse...

Eu comecei com "A trança de Inês", por tua culpa :) e não parei mais. "O romance de Cordélia" é outro dos meus favoritos.

miak disse...

Confesso que é preciso deixar cair os preconceitos. Mas esse é sempre um bom conselho.

Ianita disse...

Eu li "A trança de Inês" por causa do Mestrado, porque me dispus a ler tudo o que se tinha escrito sobre Inês de Castro em Português. Fiquei fascinada. É, sem dúvida, o melhor. E não esquecer que esta história foi escrita por Fernão Lopes, Camões,Anrique da Mota, Garcia de Resende, António Ferreira e Mário Cláudio... entre outros...

Verónica: tiveste de vencer preconceitos, mas eu disse que valia a pena :) (Esse também é um dos meus preferidos, embora tenha ficado chateada com o final... mas pronto)

Miak: A Rosa escreve muito bem... típicamente em pós-modernismo, como Saramago ou Lobo Antunes. Com muito humor, com muita inteligência. Vale a pena :)

Esqueçam o Amor de Água fresca e leiam :)

im disse...

Neste momento estou a ler "A trança de Inês" e não tenho nenhum preconceito em relação à escritora Rosa Lobato Faria, li um outro romance da mesma, "A Flor de Sal" e adorei!

Acho brilhante esta coisa de haver "continuadores" no futuro, parece que estamos a falar de animais desprovidos de sentimentos....

beijo

Ianita disse...

"A flor do sal" é muito bom também. :)

Falo de preconceito porque muita gente o tem em relação à Rosinha. Aliás, confesso, eu também já tive.

Esse Universo futuro do Pedro e Inês, de nós, é um bocadinho assustador, não é?

Mas gostei da abordagem dela ao tema, porque é original, diferente de tudo e, no fundo, igual :)

Isandes disse...

Hummm, fiquei curiosa...

Dawa disse...

Agora fiquei com àgua na boca.
Tenho de ler esse livro!!
Obrigada pela dica.

Ianita disse...

Não te vais arrepender, e se arrependeres... olha...vens cá ralhar comigo! No problem :)