21 de janeiro de 2009

Do Bem e do Mal

"Just because people do horrible things, it doesn't mean they're horrible people"


Anatomia de Grey

Um ser humano é mais que a soma das suas partes. No que ao humano diz respeito, 1+1 não são sempre dois. Mas se não podermos caracterizar alguém pelos seus actos, então que outra base temos? Nós não somos só os nossos actos, mas não serão os nossos actos aquilo que somos? Ou pelo menos um reflexo do que somos?
Quem passou uma vida a trair namorados... quem sempre o fez, com maior ou menos remorso, isso pouco importa. Mas quem sempre traiu, pode-se esperar dessa pessoa que nunca mais traia? Será o argumento "nunca gostei de ninguém como gosto de ti" válido? Não. Porque o trair ou o ser fiel não tem que ver com a quantidade de amor que temos pela pessoa, mas pela quantidade de respeito que temos pelo outro, pelos outros humanos. E quem desrespeita uma vez, vai desrespeitar mais vezes.
Mas seremos incapazes de mudança? Será que o que somos se irá reflectir para sempre nos nossos actos, ou conseguiremos refrear os nossos actos de forma a que não demonstrem quem somos? Mas se pudessemos todos mudar, mudar mesmo, não seríamos todos mais perfeitos? A perfeição não tem piada nenhuma... mas acho que todos gostaríamos de ser menos imperfeitos. Todos gostaríamos de não sofrer e de não fazer sofrer.
Bem... isto de ter espaço em branco para preencher dá nisto. Acredito que as pessoas possam mudar. Por força da vida. Mas são mudanças dolorosas, forçadas, quase impostas. É difícil mudar quem somos. No fundo, vamos sendo os mesmos, ao longo da vida. Os nossos valores, que estabelecem a nossa conduta, são os mesmos. Um mau-carácter será sempre um mau-carácter. Quem traiu, cedo ou tarde vai voltar a trair. Quem uma vez abandonou um melhor amigo por causa de um namorado, vai voltar a abandonar um amigo. Quem magoa alguém, mesmo sem querer, e não tem humildade para pedir desculpas, nunca vai ser amigo de ninguém. Quem não está lá por nós uma e outra e outra e outra vez, ai... essa pessoa não vai estar por nós nunca. Porque até podemos mudar o que pensamos e até o que fazemos, mas não poderemos jamais mudar quem somos. A nossa essência. O que podemos é chegar a um nível de auto-conhecimento tal que possamos não agir consoante o nosso ser. Fazer além do que somos. Mas, mais que humanos, somos animais. Como os animais temos instintos... e no final de contas, vamos sempre agir por impulsos, por vontades, por improviso... e vamos reflectir nos nossos actos a pessoa que somos.

20 comentários:

poeta_poente disse...

Eu tenho uma teoria que até hoje nunca me provaram estar errada. As pessoas não mudam!
E pronto, tenho dito :)

Beijo e bom dia

Ianita disse...

Concordo... acho que podemos mudar o que fazemos, mas não podemos mudar o que somos, nem o que sentimos.

Passamos a vida a querer acreditar nas palavras de mudança que nos dizem... e a verdade é que os actos gritam mais alto que as palavras.

Custa admitir, mas é assim... tenho pena é que as pessoas de má índole, as que magoam toda a gente à sua volta, não consigam simplesmente dizer: "eu sou assim e nunca vou ser diferente disto!"

Kiss

Lita disse...

Ui... este post dava pano para mangas... eu sou uma aquariana com uma mente muito aberta! LOL
Isto não quer dizer que eu ando por aí a trair pessoas, não é verdade!!! Significa sim que, apesar da minha maneira de viver, consigo sempre relativizar a meneira de viver dos outros. Consigo sempre, ainda que lá no fundo, perceber o que motivou determinado comportamento...
Sim, acredito que quem trai a vida toda, não deixa de trair. Mas muitas vezes a pessoa que trai não acha que está a fazer mal, e sente-se culpado mais pelo que os outros acham dela do que o resto... não sei. Conheço algumas pessoas assim. Não é bonito, mas não consigo deixar de as perceber.

Quanto às pessoas mudarem... absolutamente. Mudam. Tenho a certeza. A questão é... mudarão para o que nós queríamos? :)

Ianita disse...

Estou cansada... tinha respondido e isto deu erro...

O que eu dizia é que as pessoas só mudam por força do destino. Não falo de mudar de lado na cama, nem de deixar de comer chocolates (embora essa seja uma tarefa mais difícil do que aparenta)... falo de mudar a nossa essência. Isso pode mudar, mas é doloroso. Muito.

Além disso, as pessoas más gostam de quem são. São quem mais está conformado com a sua imperfeição. São quem mais se conforma com um "eu sou assim". Como se isto resolvesse alguma coisa.

Não sou intolerante. Aceito que as pessoas sejam diferentes e até que se rejam por grupos de valores diferentes. Mas eu posso não querer pessoas assim na minha vida, não posso? É uma escolha. Pessoal. Minha. Que reflecte inexoravelmente quem sou, não tenho dúvidas. Mas eu não gosto de pessoas com quem não posso contar. Não gosto de pessoas que insultam a minha inteligência, só porque tenho um lado parvo e dado a tretas e a revistas cor-de-rosa e aos Roupa Nova. Não gosto de pessoas que não respeitam os outros, mesmo que os outros não seja eu. Não consigo. Fere-me a alma.

Tenho pessoas na minha vida de quem não gosto. Pessoas que estão na minha vida por força do tempo. Pessoas que aprendi a conhecer, e que aprendi o que não esperar delas. Sem expectativas, nada de desilusões. Somos amigos? Não. Somos conhecidos e há um limite de informação sobre mim que essas pessoas têm. Tenho o direito de lhes fechar a porta, já que elas têm o direito de falhar em serem humanas.

O que eu quero? Respeito. Apenas e só. Se houver respeito não há mentira, não há traição, não há egoísmo, não há tanto sofrimento. Mas quem trai diz que também ama a pessoa que trai... e assim é egoísta e porque não consegue deixar de ser quem é... magoa de morte quem está à sua volta. E não falo só do amor paixão...

Kisses

Lita disse...

Querida, concordo com quase tudo o que disseste. Não é por perceber determinadas pessoas que eu as quero na minha vida. Eu aceito que as pessoas tenham valores e modos de vida diferentes dos meus. Não aceito ter de "comer" com coisas que não têm a ver com a minha essência.

Acredito que quem trai, se for honesto consigo mesmo, deixa de trair, porque deixa de ter relações em que um dos dois está na névoa... não o fazer, mais do que uma falta de respeito, é covardia!!!! Mas até as pessoas que nós chamamos más, têm medos...

Ianita disse...

Estou farta de pessoas que nos sugam a energia... tou farta que os lobos andem em pele de cordeiro...

Já viste o que uma simples frase numa treta de uma série de TV dá? :)

Kiss

Lita disse...

Já não me lembro do que ia dizer (não ligues, dormi 3 horas...).

Aquilo que disseste é importantíssimo. Não permitir que os outros entrem no teu espaço se assim não quiseres. Essa é a diferença. Sabermos o que queremos.

Quanto a mudar, as pessoas mudam quando sentem que onde estão não é onde queriam estar. Se sentem que se está bem ali, não mudam? Tu mudavas? ;)

Ianita disse...

Aí está... eu sou a pessoa que pede desculpas, mesmo não percebendo porquê, mesmo achando que não fez nada de mal. Porque houve alguém, diferente de mim no seu sentir, que ficou ferido com algo que eu fiz ou disse. E mesmo não tendo feito nada com intenção de magoar, mesmo não entendendo, mesmo achando a pessoa picuínhas, eu peço desculpas. Sinceramente.

Não posso achar que só eu é que estou bem e o Mundo está todo mal. Mesmo que me sinta bem, se faço mal aos outros, tenho de mudar. Pelo menos mudar os meus actos...

Kisses

Brigitte disse...

Que se passa?
Cansada de um mundo egoista?

uma beijoca
:)

Ianita disse...

Basicamente cansada, sim...

Kisses :)

olgacruz disse...

Isto é muito interessante...

Eu tenho uma máxima de vida que é: Aquilo que nós somos reflecte-se em tudo o que fazemos!

Portanto, se somos boas pessoas, somos capazes de fazer coisas boas, se somos más pessoas...

Agora, se conseguimos fazer coisas contra o nosso ser, a nossa essência? Sim, algumas pessoas sim. Isso demonstra que essas pessoas são falsas e fingidas! Portanto a minha máxima continua a aplicar-se...

Depois, também temos que analisar as várias perspectivas das coisas: nenhuma verdade é absoluta...
Eu também sou daquelas que gosto de perceber o lado do "outro", a outra perspectiva. E às vezes tenho surpresas!

Este é um assunto polémico, mas basicamente é isto que penso.

Fica bem maninha.

Bjs,

Ianita disse...

Mas... se tu fores contra o teu ser para fazer o bem de alguém que gostas... isso não é ser fingido, pois não?

Temos discernimento. E podemos moldar as nossas acções. Porque não somos seres isolados, vivemos em sociedade... e não podemos fazer tudo o que nos apetece. Temos de ser responsáveis. Temos de fazer fretes. Temos de ceder...

Portanto... se uma pessoa que normalmente é boa consegue ser melhor, uma pessoa que é má só não é melhor porque não quer. Porque mesmo indo contra a nossa essência, podemos fazer coisas diferentes de quem somos.

Kisses

olgacruz disse...

Se estás a fazer alguma coisa contra o teu ser, nesse momento estás a ser fingida! Sim, mas podes estar a fazê-lo conscientemente, para fazer bem a alguém, porque achas que é mesmo isso que deves fazer naquele momento. Ok, se calhar deves tentar mudar o teu ser! Para a próxima essa acção já te vai "pertencer"...

Não sei se me fiz enterder...
... é por isto que eu falo nas perspectivas. Nenhuma verdade é absoluta!

Não penses mais nisso, há dias em que não vale a pena...

Bjs,

Ianita disse...

Pior que haver dias que não valem a pena, é haver pessoas que não valem a pena... é preciso é saber distingui-las...

Kisses

olgacruz disse...

Quando descobrimos que há pessoas que não valem a pena devemos risca-las do nosso caminho e esquecer!

Enquanto não as "distinguimos" teremos que viver com elas...

Ah, e ainda há aquelas que sabemos que não valem nada mas temos mesmo que "levar com elas"!...
P.ex. alguns familiares, colegas de trabalho, etc...

Ianita disse...

Precisamente! :)

Isandes disse...

Sabes, acredito que temos sempre espaço e tempo para evoluirmos, para crescermos. Mas isto será mais verdade em 2 sentidos:
-quando pertencemos aos bons e queremos pertencer aos ainda melhores;
- ou, infelizmente, quando pertencemos aos bons e, por influências de outros ou por força de levar trolitadas na moina, perdemos qualidades e passamo-nos para o lado dos mauzinhos
Acredito na redenção humana, mas, digamos, as estatísticas não deverão ser muito famosas...
E depois é como diz o Ortega Y Gasset: "eu sou eu e mais as minhas circunstâncias" (ou lá como é...) kiss

Sayuri disse...

Ianita, dado o adiantado da hora e eu estar mais a cair para o lado do que outra coisa, e tendo em conta que tanto o signo como a escola são iguais aos da Lita, subscrevo a 100% as suas palavras.
Acrescentando, no entanto, que por impossibilidade de mudar os outros, já mudei muito de mim mesma, e isso fez de mim uma pessoa mais feliz...
Beijo grande

Anita disse...

adorei a escolha da frase que inicia o texto:)

Ianita disse...

Isandes: concordo contigo. É possível, mas as estatísticas não devem andar famosas! :)

Sayuri: a mudança é possível, masnão é fácil. É dolorosa. Por isso é que poucas pessoas têm a coragem de mudar... e poucas pessoas conseguem efectivamente mudar... Beijo

Anita: Foi essa treta dessa frase que começou tudo :) Kiss