14 de fevereiro de 2009

Amor

Assim, no elogio ao amor. O verdadeiro. O puro. O que dói. O que fere. O que queima. O que salva. O que perde. O que enche a alma. O que vive. Ao amor real. Do dia-a-dia, da entrega, da saudade, do ciúme, da paixão, da sofreguidão. Amor que é paisagem e fogo e gelo e labareda e arco-íris e dentes e lábios e mordidelas e nariz no pescoço e cabeça no colo e mão no cabelo e mão na mão e passeio e estar em casa. Amor que é tudo. Amor entrega. Amor Catulo.


uiuamus mea Lesbia atque amemus
rumoresque senum seueriorum
omnes unius aestimemus assis
soles occidere et redire possunt
nobis cum semel occidit breuis lux
nox est perpetua una dormienda
da mi basia mille deinde centum
dein mille altera dein secunda centum
deinde usque altera mille deinde centum
dein cum milia multa fecerimus
conturbabimus illa ne sciamus
aut ne quis malus inuidere possit
cum tantum sciat esse basiorum


(Vivamos, Lésbia minha, e amemos.
A má-língua dos velhos mais sisudos
não mais do que um tostão nos valha.
Podem os dias morrer e nascer:
quando a breve luz de vez morrer
noite perpétua devemos juntos dormir.
Dá-me beijos mil, e depois cem,
e depois mil outros, e depois mais cem,
e depois ainda mais mil, e depois cem.
Depois, quando muitos dermos,
baralhá-los-emos para não sabermos quantos,
ou não possa homem mau invejar-nos,
ao saber quantos beijos démos.)

8 comentários:

bono_poetry disse...

...venha o mundo espreitar-te ...es uma bela surpresa...parabens pelo teu blog...

Vera Angélico disse...

Tinha-me esquecido que de facto temos muitas coisas em comum. Anos e anos depois, gosto de reviver. Às vezes leio-te e sinto qualquer coisa do género "bolas, eu podia ter dito isto, porque é isto que sinto" - e perdoa-me esta presunção.

Mas está explicado. Porque é que criámos um clube de crítica ao MEC. Porque lhe escreviamos cartas, que nunca chegámos a enviar. Alguém, em pleno secundário se lembra disto? E estas são, seguramente, das melhores memórias que tenho desses tempos.

Gosto da tua intensidade. A forma como sentes e dizes as coisas. Da paixão que pões no que dizes.

E que maior elogio ao amor podias partilhar, que não a forma apaixonada com que vives?

(Que isto não pareça o que não é. E que o saibas ler com a respectiva humildade. Estou maravilhada. E a maturidade com a qual aprendi a conviver fez-me saber dizer o que penso às pessoas. Ponto.)

Verónica disse...

O poeta do "odi et amo", é sempre bom relembrá-lo. Sabes que adoro as salpicadas clássicas com que de vez em quando nos brindas ;)

Ianita disse...

Bono: Acho que já não engano ninguém :)

Kisses

Ianita disse...

Vera: foram tempos especiais aqueles, sem dúvida... sabes, quando dei aulas no secundário impingi MEC aos meus alunos e até pus um dos textos dele num teste. Presisamente por esta altura, um texto sobre o amor :)

Acho mesmo que respiro intensidade. Gosto de viver mesmo quando estou triste, mesmo quando sofro, mesmo quando choro. Sempre vi esta gana pela vida à minha avó... e sempre foi este o meu sonho, de ter pelo menos um décimo das ganas dela, da força dela... e já que lhe herdei as doenças todas, não era mau esperar que tivesse herdado um pouco dessa tenacidade :) LOL

Já te disse algumas vezes que somos parecidas. Não o disse só por dizer, até porque não sou pessoa de fazer fretes :)

Beijinhos! :)

Ianita disse...

Odi et amo... tão verdade, não é? Tenho pena de não ter apreciado isto na altura... estávamos tão obcecados com a tradução quase letra a letra que nem víamos bem a beleza do que estava à nossa frente! :)

Beijos!

Lita disse...

Lindo...
O amor não se explica. Vive-se. :)

Ianita disse...

Siiimmm! :)