10 de junho de 2010

Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades portuguesas

Tenho a TV ligada na cerimónia de comemoração do 10 de Junho. Não sei o nome do senhor que está a falar, embora o reconheça. Estou a gostar de o ouvir. Fala das Forças Armadas. Dos combatentes. Dos que, ao longo da nossa História, deram vida e sangue pelo País. Independentemente de convicções. Merecem de facto o nosso respeito. Mereceriam ter tido outro apoio do Estado... a quantidade de ex-combatentes que vieram do Ultramar com stress pós-traumático. Sem apoio. Tão cheios de imagens de violência, de morte. Merecem mais.

Num dia em que festejamos o nosso País. Num dia em que festejamos a portugalidade. Temos que não esquecer de onde vimos. Para melhor sabermos ir para onde queremos. Quem não tem passado, também não tem futuro.

Agora fala o PR. Fala em diversidade. Fala em respeito pelo passado. Podemos estar mal, mas nunca estivemos tão bem. Eu não quereria viver noutro tempo. O tempo é agora. E há que aprender com os erros do passado e lutar pelo que se quer. Não reclamar. Actuar. Pela mudança. Pela evolução. Para sermos mais e melhores.

Viva Portugal. Viva Camões. Vivam as comunidades de língua portuguesa. Viva cada um de nós.


Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já foi coberto de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.


3 comentários:

Sayuri disse...

E viva a minha avó que faz anos hoje!! :)

LP disse...

E viva então a Avó da Sayuri! :)

Mas a questão dos ex-combatentes choca-me muito. Porque foram para lá com toda uma perspectiva de futuro pela frente, com sonhos e ambições, e saíram de lá perdidos. Há uma reportagem que já tem passado muito na RTP1 em que aparecem testemunhos reais e os números assustam um bocado: 4 em cada 5 sem-abrigo, a partir dos 50 anos, são ex-combatentes. E pior, a sociedade continua a assobiar para o lado, bem como o próprio Portugal que um dia eles defenderam.

E pronto, agora vou responder ao teu mail que já o devia ter feito há muito!

Beijinhos

ianita disse...

Sayuri: Temos é que mudar as velas ;) Parabéns à tua avó!

LP: a mim também me choca... tantos morreram... tantos voltaram sem alma... sem vida... cadáveres adiados... mortos por dentro... sobreviventes a si-mesmos como um fósforo frio ;) (a esta altura tens de reconhecer aqui o Álvaro de Campos!)

Beijos!