14 de outubro de 2008

Sputnik, Meu Amor

Haruki Murakami. Há pelo menos dois anos que olho para os livros deste escritor japonês nas livrarias. Olho com curiosidade. Os títulos dos livros metem-me confusão e despertam-me curiosidade. Pensei que se tratasse de literatura da treta (não é que também não leia literatura da treta, mas não pago 20€ para a ler) ou livros de auto-ajuda ou do tipo Nicholas Sparks em que tudo é bonito e maravilhoso. Nunca comprei.
Com a Sábado têm saído livros a 1€. Tenho comprado alguns e comprei este do Haruki. Achava o nome parvo e temia pelo conteúdo, mas foi uma agradável surpresa. Li-o em 5 dias de tanto que me entusiasmou (mais um capítulo. Já uma da manhã? Pronto. Só mais um capítulo. Amanhã tenho de acordar cedo, mas... um capítulo a mais não faz diferença. É o último. Depois fecho o livro. Bem... Mais um, só mais um...). Gostei muito. Muito pós-modernista, muito estranho. E o título... Bem já o acho lindo. :)
"Banhado pela pálida luz da Lua, o meu corpo perdera todo o sopro de vida, como uma figurinha de barro. Como se alguém me tivesse lançado um feitiço, como fazem os feiticeiros das Índias Ocidentais, e insuflado de vida - a minha efémera existência - aquele pedaço de barro. A centelha vital extinguira-se. A minha verdadeira vida estava algures, adormecida, e uma pessoa sem rosto enfiara-a numa mala e preparava-se para fugir com ela.
Senti um calafrio tão violento que me deixou quase sem respiração. Algures, num local desconhecido, alguém trocara a ordem das minhas células, soltando os fios que mantinham a minha mente a funcionar. Não conseguia raciocionar. A única coisa a fazer era regressar o mais depressa possível ao meu refúgio habitual. Enchi os pulmões de ar e mergulhei no mar da minha consciência."
(...)
"Salto da cama. Corro as velhas cortinas desbotadas e abro a janela. Ponho a cabeça de fora e ergo os olhos para o céu. Lá está ela, uma meia lua em tons bolarentos, pendurada no céu. Que bom. Estamos ambos a olhar para a mesma Lua do mesmo mundo. Estamos ligados à realidade através do mesmo fio. Só preciso de o ir puxando devagarinho para mim."
Contracapa: "Um estranho triângulo que oferece uma profunda reflexão sobre a solidão, os sonhos e aspirações do indivíduo e a necessidade de os adaptar à realidade." :)
É preciso dizer mais?

8 comentários:

Verónica disse...

Li o "Kafka à beira-Mar". Comprei-o por causa da capa. lol
Gostei da maneira de escrever, mas como um todo acho que faltou qualquer coisa.

Também tenho o "Sputnik, Meu Amor" e espero lê-lo em breve.

Ianita disse...

E que tal "Em busca do carneiro selvagem"? LOL

Gostei da escrita e gostei da leve dor de cabeça que me deixou. Como se tivesse ficado desconfortável na minha pele, assim de repente.

Não é "o" livro, mas gostei muito. :)

u joão disse...

Olá!Excelente escolha Anita, aconselho também "kafka à beira mar!" sem dúvida que é preciso disponibilidade para entrar no seu mundo fantástico.
Beijo

miak disse...

Eu nunca li, mas conheço muitas pessoas que adoram. Só um pormenor. São todas mulheres.

Bj.

Ianita disse...

João: Tenho de escolher bem o próximo título dele que ler. Mas agora agora, não sei bem o que hei-de ler. Li dois livros de rajada, como há muito não me acontecia, e estou a ponderar a minha próxima escolha...

Kiss

Miak: as mulheres estão mais disponíveis para abraçar a diferença, para dar um salto rumo ao desconhecido. Até porque a literatura japonesa não está muito divulgada por cá.

Mas, a história de um triângulo amoroso, que tem na capa (pelo menos na minha edição) duas fulanas a beijar um senhor, tenho para mim que agradaria aos homens. Ou estou enganada? ;)

Anita :) disse...

Já li o "Kafka à beira mar", o "Em busca do carneiro selvagem" e, o "norwegian wood"...devorei os três num ápice:) adquiri este com a sábado também e, espero iniciar a sua leitura em breve!!

beijinho

Manuela disse...

:) Aceito a sugestao. Um dia destes vou comprar um pra ler. Neste momento estou a ler um livro que se chama Assassini na onda do codigo da vinci e afins. Ao mesmo tempo (mas com grande dificuldade...) estou a ler um que se chama "O poder do amor". Sim e um livro tipo auto-ajuda, viagem ao seu interior... Prenda de anos da mae do meu namorado (ela adora este tipo de livros...)

Ianita disse...

Anita: tudo títulos estranhos, já reparaste? Mas, depois de ter lido este e ter gostado, sentir-me-ei mais à vontade para comprar livros deste autor, independente dos títulos parvos que ele lhes dê:)

Manuela: Pois... Já me tentaram impingir o Segredo, mas eu não vou muito nisso...

Agora, estou a precisar de sugestões. Não sei se pego no Steven Saylor... Paguei 25€ por ele, por isso... Se calhar é melhor não o deixar a ganhar pó na prateleira.

Kisses