21 de abril de 2009

Crianças

Acho que deve ser muito angustiante ser-se pai ou mãe ou educador. O sair de casa deve ser horrível. O sair e deixar as crianças em casa, nem que seja por um bocado. Pensamos que têm 10 ou 11 anos e que já podem ficar sozinhas, mas também sabemos que vão passar metade do dia a discutir sobre bolachas ou sobre brincadeiras ou sobre o comando da tv. E sabemos que quando chegarmos a casa vamos ouvir as queixinhas de um contra o outro. Imagino que a vontade seja desaparecer outra vez...
É mais ou menos assim que me sinto ao sair de casa para trabalhar, deixando os meus pais em casa sozinhos. Discutem por tudo e por nada. Ficam sem se falar e é quando eu chego a casa que me vêm fazer as queixinhas todas. Ou quando os levo de carro a algum lado e tenho de lhes berrar "Ou se calam ou paro o carro e deixo-vos aqui!".
Bem... ontem o meu pai conseguiu "atropelar" a minha mãe com o carro parado. Ela teimou que havia de sair do carro. Ele teimou que ela não deveria sair do carro. Teimaram e a minha mãe saiu do carro e não se afastou do carro. O meu pai, como exímio condutor que é, principalmente no que toca a fazer manobras, esqueceu-se de voltar a olhar para o lado direito do carro. Virou o volante e o espelho do carro bateu na minha mãe que caiu e partiu o cotovelo.
Foram fazer o raio-x e o médico disse à minha mãe que ela tinha de levar gesso, mas, teimosa, não levou o gesso. O médico disse-lhe que não podia mexer o braço e, estava eu no banho, senti duas pessoas na cozinha. Saio da banheira, enrolo a bela da toalha, e vou à cozinha onde apanho a minha mãe a pôr a louça na máquina. Mandei-lhe dois berros e a resposta dela "o teu pai tinha posto o prato dele torto". Há palavras? O meu pai, coitado, que lá assumiu que "parte" da culpa era dele e até lhe descascou a laranja e pôs o jantar a aquecer e pôs os pratos na máquina.
Conclusão. Não vim trabalhar descansada. Porque sei que a minha mãe não vai ficar quieta. Porque sei que ainda se vão pôr a discutir mais. Será que tenho de contratar uma ama?
Outra coisa, com pais assim, como é que eu e os meus irmãos haveríamos de ser normais? A minha sobrinha já disse que se a sister for assim quando for mais velha que a interna :) Estaremos destinados a sermos iguais a eles?
Vim trabalhar e deixei duas crianças sozinhas em casa. Uma de 62 e outra com quase 60.

16 comentários:

Lita disse...

Oh, mulher!!!! Desgraçada, como eu te entendo. No dia do meu casamento os meus pais começaram a discutir um com o outro, no carro, sobre o caminho mais rápido e a determinada altura tive de lhes dar uns berros e dizer que a única que tinha direitos de estar nervosa ali era eu!!!! Mas acho que nós também somos assim, aos olhos dos outros. Ou não conheces casais mais jovens com as mesmas paranoias? :)

Ianita disse...

Lita: talvez... mas a esses não tenho de os aturar todos os dias! :)

Não há palavras...

A verdade é que quando a minha irmã me ligou a contar me parti a rir. Ficámos largos minutos as duas a rir ao telefone. Mas quando cheguei a casa, a ouvir o meu pai contar para que lado tinha virado o volante, consegui conter o riso e mostrar-me uma filha preocupada e sensível! :)

É com cada uma...

Mag disse...

Pelos vistos é mal comum... também os meus andam sempre às turras, se não é por uma coisa é por outra! (e só os "aturo" fds sim, fds não, mais ou menos, e chega para me atingir os nervos....)
Mas também acho que na verdade não passam um sem o outro :)

Coragem, rapariga ;)

Ianita disse...

Mag: é basicamente isso... mas entretanto vão-me dando cabo dos nervos como bons papás que são :)

olgacruz disse...

Conseguiste conter o riso???!!?!?!??????

Grande mana! Olha, eu NÃO!
É que não consegui mesmo... por mais que tentasse!...

Não há palavras! É que não há mesmo...

Ianita disse...

Olga: já me tinha rido o bastante antes de chegar a casa... e quando ele me começa a contar... quase que não conseguia não rir. Mas consegui! :)

Vera Angélico disse...

Bem... eu ri-me e não é nada comigo. As tuas descrições são, no mínimo, fantásticas...

Eu leio-te, e imagino os marretas. Em muitas situações semelhantes à que descreves, sempre os marretas. Aqui para nós que ninguém vê, os avós dela da parte do pai são a cópia perfeita... ehehehehe!!!

(Entretanto ia começar a "ralhar" contigo pela ausência de postagens...)

Ianita disse...

Vera: ausência? Mas se ainda ontem postei e hoje outra vez... :)

Mas olha que os marretas são uma óptima analogia. Havia uns velhotes não havia? Muito bom!! :)

izzie disse...

Que post mais "cute"...
E sim, sou mais uma para juntar ao clube ;)
Mas, no fundo, no fundinho, we wouldn't want it any other way, would we?

Beijo,

Ianita disse...

Izzie: Isso é que já não sei!! Eu até que gostava que eles não me chateassem tanto e que tivessem juízo e que acatassem as ordens dos médicos e afins... mas... foi o que me calhou na rifa! :)

Rice Man disse...

Calculo que toda a gente ache os seus pais diferentes do comum, por assim dizer. Se estás destinada a ser como eles não sei, também depende da metade que falta... Mas costuma-se dizer "The apple doesn't fall far from the tree.". :D Acho que muitas dessas discussões são só fachada. Eles já estão juntos há muito tempo (acho eu) e há muito à vontade para descarregar certas frustrações do dia-a-dia um no outro sem que estejam a atacar realmente. :) Mas convém ires vigiando a tua mãe porque as pessoas ficam mais teimosas com a idade! ;)

As melhoras para a tua mãe. :)***

Ianita disse...

Mr. Rice: "The apple doesn't fall far from the tree." Acho que falo por mim e pelos meus irmãos quando digo: NÃÃÃOOOOOO!!!!!

:)

São 39 anos, mas a cada ano que passa estão piores acho eu. Parecem dois miúdos!

E sim, a minha mãe precisa de vigilância apertada e é por isso que hoje vim trabalhar com o coração apertado...

Obrigada! :)

IandU disse...

Eu riu-me, não pela história, mas porque reconheço isso muito próximo de mim.

Desejo as melhoras para a tua mãe. Volta e meio pergunto-me se serei como os meus pais. Eu acho que não. Há coisas que eles fazem que não se enquadram na minha maneira de ser.

Lá está. Eles fazem e eu aprendo.
Não farei. De certeza.

Beijinhos

Isandes disse...

As melhoras para a mami. E muita paciência para ti, muuuuiiiita.

Ianita disse...

Iandu: em abono da verdade, eu concordo contigo em absoluto. Acho mesmo que podemos aprender com os erros deles, mas... às vezes, vejo-me a dizer uma ou outra coisa que me fazem recear pelo meu futuro e pensar que não estarei longe da senilidade! :)

Mas eu tento! Eu tento!

Kisses

Ianita disse...

Isandes: não sei onde a irei buscar... alguém tem paciência a mais que dispense ou venda ou alugue? :)

Kisses