17 de agosto de 2010

Um ponto no Infinito...

Olho o céu e contemplo as estrelas que fulgem.
Busco as constelações, balbucio os seus nomes.
Nasci a olhá-las, conheço-as uma a uma.
São sempre as mesmas, aqui, agora e sempre.

Mas além, mais além, o céu é outro,
Outras são as estrelas, reunidas
Noutras constelações.

Eu nunca vi as deles;
Eles,
Nunca viram as minhas.

A Natureza separa-nos.
E as naturezas.

A cor da pele, a altura, a envergadura,
As mãos, os pés, as bocas, os narizes,
A maneira de olhar, o modo de sorrir,
Os tiques, as manias, as línguas, as certezas.

Tudo.

Afinal
Que haverá de comum entre nós?

Um ponto, no infinito.


António Gedeão, Poemas Escolhidos



Deveríamos olhar mais ao que nos une que ao que nos separa. E o que é que nos une? Qual é o ponto no Infinito? A humanidade. Acima de tudo,todos somos carne e sangue e músculos e ossos... acima de tudo, todos temos um coração que bate. Todos temos sangue a correr-nos nas veias. Todos temos a capacidade de ver com os olhos da alma. Pena que nem todos escolham usar o cérebro com que nasceram e prefiram valorizar as diferenças, que são nadas perante o tanto que nos une.

2 comentários:

im disse...

Só hoje parei para ler este poema do António Gedeão.

Faz tanto sentido, perdemos demasiado tempo a olhar as diferenças. Perco demasiado tempo a enumerar as diferenças. Sei-as sempre tão bem.

:/

'Deveríamos olhar mais ao que nos une que ao que nos separa' - seria perfeito mas às vezes complica-se demasiado.

Até já :)

Beijinhos

ianita disse...

im: diferenças há milhentas... encontramos sempre pontos diferentes... divergentes até.

É bem mais interessante e proveitoso encontrar os pontos comuns...Os pontos no infinito...

Eu sei que é difícil, mas podemos tentar :)

Beijinhos!
(vou dia 4! Já tenho boleia para o comboio e tudo!)