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25 de setembro de 2009

Ele...

Não acredito…

Não acredito… não entendo o que me está a acontecer. Não entendo! Como é que é possível? Se há uns meses alguém me dissesse que hoje estaria aqui assim… sem casa… sem família… sem ninguém… se alguém me dissesse que toda a gente me ia olhar de lado na rua… que todos me iam apontar o dedo… que a polícia me ia levar para interrogatório… que ia estar a responder a um processo por tentativa de violação…

Tentativa de violação… tentativa de violação… tentativa de violação… posso repetir isto as vezes que forem que esta acusação nunca me faz sentido… tentativa de violação…

Que mal fiz eu? Que fiz eu para merecer isto? Tentei entender… tentei perceber o que a levava a fazer isto… medo talvez… medo que eu contasse a toda a gente o que ela fez. Mas eu não ia dizer nada. Deveria… mas não ia dizer nada. Mas o medo de ser desmascarada justifica que me arruíne a vida?

Fui expulso da equipa de futebol… os meus amigos fazem piadas parvas, machistas… dizem que ela teve o que merecia… dizem que só falhou ser apenas tentativa… são umas bestas! Não acreditam quando eu digo que não aconteceu nada… acho que é mais fácil para eles entender que eu tentei violar a Fedra, do que acreditar que ela se meteu na minha cama e eu a rejeitei.

Ela diz que eu a perseguia… que estava em todos os lugares em que ela estava… que lhe sorria… que lhe mandava bilhetes… que forçava uma situação que ela não queria. Mandei-lhe uma vez um bilhete… como mandei a mais umas dezenas de pessoas… a dizer que ia haver a festa de subida de divisão e que gostaria que estivessem presentes. Apenas e só. Sorria-lhe porque gostava de sorrir… a ela, às pessoas à minha volta, à vida.

Não nego que seja uma mulher bonita, experiente, inteligente… mas nunca lhe dirigi olhares de cobiça… nunca me senti atraído por ela… nunca quis ter nada com ela! Só o pensamento de algo assim me mete asco!

Acho que foi isso… não foi o medo que a denunciasse, que a expusesse à crítica de todos… há-de ter sido o que viu na minha cara, o espanto, a repulsa… dizem que isso dói mais que um estalo na cara… Ela não entende que eu não a queira… não tem que ver com o facto de ser mais velha, ou de ter rugas, ou de não saber o que é um fora-de-jogo… também não quero as raparigas da minha idade. Não quero este amor que vejo à minha volta. Este amor destrutivo em nome do qual vale tudo. O amor dela vale a minha vida?

Tenho 18 anos… a minha vida começava a tomar o rumo que eu sempre quis… o futebol… a Faculdade… os amigos… a relação com o meu pai começava a melhorar… e agora… agora não tenho equipa… agora não posso ir às aulas sem constrangimentos… agora enfrento acusações judiciais… agora não tenho onde viver… agora não tenho como me sustentar… porque o meu pai a escolheu a ela.

Sinto-me traído pela vida. Naquela noite em que se meteu na minha cama ela disse que me amava… Que amor é este que faz esquecer o Mundo? Que amor é este que destrói tudo à sua passagem? Que amor é este que impõe o seu querer? Eu não a amo. Eu não a quero. E por ter sido honesto… por lhe ter dito que gostava muito dela, a mulher do meu pai, mas que nunca a poderia amar daquela forma… o “amor” dela destruiu-me a vida.

Eu já não existo. Ela matou-me. Matou as minhas possibilidades… matou as minhas esperanças. Matou as oportunidades que estavam nos meus sonhos e na minha juventude. Eu já não existo. Não passo de um corpo sem alma. Sem objectivos. Sem sonhos. Ela matou-me a alma… de que serve este corpo continuar a deambular por aí?