Aqui estou. Outra vez sozinha.
Outra vez... Pensei que não voltaria a sofrer. Pensei que a vida me sorria por fim. Depois de o meu irmão ter matado o meu marido, senti o Mundo a cair-me na cabeça. A dor da perda, a dor da desilusão, e a responsabilidade de ter de cuidar de todas as pessoas do reino...
Fugimos das tiranias do meu irmão e instalámo-nos aqui... no Deserto à beira-mar. Amo o meu país. Amei o meu marido. Mas só quando vi E. pela primeira vez é que soube o que era paixão. Com o meu marido era diferente... éramos amigos, confidentes, companheiros... respeitávamo-nos... com o E. é diferente. Sempre foi diferente...
Desde aquela noite em que a tempestade nos uniu... Desde aquela noite em que senti que ele também me via, me sentia, me amava... Senti que a vida me compensava por todo o sofrimento, todas as perdas...
Fi-lo meu rei. Rei do meu país e dos meus súbditos. O meu rei consorte. O meu amor. Acolhi o filho dele como se fosse meu. Acolhi os amigos dele como se fossem meus. Acolhi-o como se fosse parte de mim. E ele é parte de mim...
Parte de mim que agora me deixa, sem explicações, sem nada... Vejo ainda os barcos ao longe. Porque teve de ir embora? Porquê? Ontem falou-me em ir... disse que me amava, mas que tinha deveres a cumprir... Mas que deveres são esses? Não tem ele maior dever comigo? Comigo que partilho a cama dele? Comigo que o acolhi? Comigo que o amei mais que a mim-mesma?
Como se atreve ele a dizer que há coisas mais importantes que o amor? O que poderá ser mais importante que o amor? Ele não me soube responder... não argumentou... acariciou-me a face e sorriu-me... disse que me amava... e de repente tudo ficou como antes... como antes de ele falar em ir embora.
Enganou-me! Enganou-me... deixou-me acreditar que reconsideraria. E enquanto eu dormia e sonhava, ele fugiu. Deixou-me na nossa cama e fugiu... cobarde! Mentiroso! Assassino!
Sim, assassino! Mataste-me! Mataste a minha esperança. Traíste o meu amor! Traíste o meu amor... Traíste a minha vida. Um golpe de punhal teria sido menos brutal! Porque não terminaste o que começaste? Porque não afundaste a adaga no meu peito? Porque me deixaste a respirar quando a minha vida não é nada sem ti?
Vieste e tomaste conta de tudo... estás em todos os lugares, em todas as pessoas... vejo-te em cada esquina... ouço-te a cada minuto... é isto o Inferno? É isto o Inferno em vida?
Vai. Não te quero mais. Não quero um homem que não me quer. Não quero um homem que não honra o amor que sente nem os compromissos que assume. Não te quero. Não te quero.
Quero-te... quero-te muito. Mas não te tenho. Não te posso ter. Fugiste-me por entre os dedos. Escapaste-me... e para quê? Para quê? Serás mais feliz sem mim? Eu não sei o que é viver sem ti... não quero a vida sem sabor que vivia antes de te ver. Porque isso, sei-o agora, não era vida.
Tenho de rasgar tudo o que me lembra de ti. Queimar tudo o que, na pressa, deixaste ficar para trás. Acabar com as memórias de ti... com as memórias de nós... e este corpo? Este corpo que ainda cheira a ti... este corpo que te tem em cada centímetro de pele? Este corpo arde com o resto de ti.
Outra vez... Pensei que não voltaria a sofrer. Pensei que a vida me sorria por fim. Depois de o meu irmão ter matado o meu marido, senti o Mundo a cair-me na cabeça. A dor da perda, a dor da desilusão, e a responsabilidade de ter de cuidar de todas as pessoas do reino...
Fugimos das tiranias do meu irmão e instalámo-nos aqui... no Deserto à beira-mar. Amo o meu país. Amei o meu marido. Mas só quando vi E. pela primeira vez é que soube o que era paixão. Com o meu marido era diferente... éramos amigos, confidentes, companheiros... respeitávamo-nos... com o E. é diferente. Sempre foi diferente...
Desde aquela noite em que a tempestade nos uniu... Desde aquela noite em que senti que ele também me via, me sentia, me amava... Senti que a vida me compensava por todo o sofrimento, todas as perdas...
Fi-lo meu rei. Rei do meu país e dos meus súbditos. O meu rei consorte. O meu amor. Acolhi o filho dele como se fosse meu. Acolhi os amigos dele como se fossem meus. Acolhi-o como se fosse parte de mim. E ele é parte de mim...
Parte de mim que agora me deixa, sem explicações, sem nada... Vejo ainda os barcos ao longe. Porque teve de ir embora? Porquê? Ontem falou-me em ir... disse que me amava, mas que tinha deveres a cumprir... Mas que deveres são esses? Não tem ele maior dever comigo? Comigo que partilho a cama dele? Comigo que o acolhi? Comigo que o amei mais que a mim-mesma?
Como se atreve ele a dizer que há coisas mais importantes que o amor? O que poderá ser mais importante que o amor? Ele não me soube responder... não argumentou... acariciou-me a face e sorriu-me... disse que me amava... e de repente tudo ficou como antes... como antes de ele falar em ir embora.
Enganou-me! Enganou-me... deixou-me acreditar que reconsideraria. E enquanto eu dormia e sonhava, ele fugiu. Deixou-me na nossa cama e fugiu... cobarde! Mentiroso! Assassino!
Sim, assassino! Mataste-me! Mataste a minha esperança. Traíste o meu amor! Traíste o meu amor... Traíste a minha vida. Um golpe de punhal teria sido menos brutal! Porque não terminaste o que começaste? Porque não afundaste a adaga no meu peito? Porque me deixaste a respirar quando a minha vida não é nada sem ti?
Vieste e tomaste conta de tudo... estás em todos os lugares, em todas as pessoas... vejo-te em cada esquina... ouço-te a cada minuto... é isto o Inferno? É isto o Inferno em vida?
Vai. Não te quero mais. Não quero um homem que não me quer. Não quero um homem que não honra o amor que sente nem os compromissos que assume. Não te quero. Não te quero.
Quero-te... quero-te muito. Mas não te tenho. Não te posso ter. Fugiste-me por entre os dedos. Escapaste-me... e para quê? Para quê? Serás mais feliz sem mim? Eu não sei o que é viver sem ti... não quero a vida sem sabor que vivia antes de te ver. Porque isso, sei-o agora, não era vida.
Tenho de rasgar tudo o que me lembra de ti. Queimar tudo o que, na pressa, deixaste ficar para trás. Acabar com as memórias de ti... com as memórias de nós... e este corpo? Este corpo que ainda cheira a ti... este corpo que te tem em cada centímetro de pele? Este corpo arde com o resto de ti.
Ergo ubi concepit furias, euicta dolore
decreuitque mori, tempus secum ipsam modumque
exigit...
DIDO:
Thy hand, Belinda, darkness shades me,
On thy Bosom let me rest,
More I would, but Death invades me;
Death is now a welcome guest.
When I am laid in earth, may my wrongs Create
No trouble in thy Breast;
Remember me, but ah! forget my Fate.
CHORUS:
With drooping wings you Cupids come,
To scatter roses on her tomb.
Soft and Gentle as her Heart
Keep here your watch, and never part