8 de fevereiro de 2010

A serious man & Invictus

"A serious man", dos irmãos Cohen, é o filme mais estranho da história dos filmes estranhos. Talvez esteja a exagerar. David Lynch é pior. Não é pior, é mais estranho. Gostei do filme. É negro. De um humor tão negro que deixa quase de ter piada. Dos filmes nomeados para melhor filme é o mais estranho que vi. Se bem que ainda só vi Up, Up in the air e A serious man. Acho que gostei mais do Up in the air, mas confesso que este A serious man parece ser o tipo de filme que agrada à Academia. Até à noite de todas as decisões pretendo ver ainda o Inglorious Bastards. Porque adoro os filmes do Tarantino e porque me parece um sério candidato e não tive oportunidade de ir ao cinema ver. Tenho curiosidade em ver a performance da Sandra Bullock, mas não sei se o filme estreia antes dos óscares.

Invictus. É um grande filme. Longe das nomeações, infelizmente. Um daqueles filmes que nos marcam para a vida. Talvez não o filme, per se, mas a história. Nelson Mandela é mesmo uma pessoa impar. E este filme, por mais críticas que tenha, porque aparece um carro que não tinha ainda sido fabricado, ou porque o pontapé do não sei quantos não é como deveria ser, ou porque aparece pouco rugby, ou porque, ou porque. Não há filmes perfeitos e se procurarmos erros vamos sempre encontrá-los.

É um filme sobre desporto. O desporto tal como era visto na Grécia que criou os Jogos Olímpicos. Num tempo em que se suspendiam guerras para os Jogos. O desporto pode ser muito mais do que é hoje em dia. Motivo de discórdia. O desporto pode unir-nos. Como uniu no Euro 2004, por exemplo.

Mandela é um homem de uma visão rara. E soube ver que o rugby, naquela altura, não era apenas mais um desporto, mas uma oportunidade. A oportunidade de unir um país dividido por décadas de apartheid.

Há muitos momentos marcantes no filme. Quando os guarda-costas jogam rugby no jardim. Quando os jogadores da selecção sul-africana vão a Robben Island. E aquela frase que o François diz a certa altura... que é incrível que alguém passe quase 30 anos numa cela e que saia de lá preparado para perdoar quem lhe tinha feito tanto mal.

O poema "Invictus" é repetido algumas vezes ao longo do filme. Palavras que acompanharam os anos de prisão de Mandela. Importantes na motivação dos jogadores. Claro que não podemos ignorar o factor sorte (parece que houve uma intoxicação alimentar que afectou quase toda a comitiva dos All Blacks). Claro que não podemos ignorar o factor treino. Não basta querer para que as coisas aconteçam. Não basta acreditar. Não basta saber. É preciso trabalho. É precisa sorte. E os Springbooks tiveram tudo... motivação, trabalho e sorte. E conseguiram unir uma nação (pelo menos durante algum tempo, uma vez que, ainda hoje, as feridas do apartheid estão longe de estarem saradas).

Não sei como é que uma pessoa pode simplesmente perdoar. Não sei como é que uma pessoa consegue fugir à raiva... ao sentimento de injustiça... E por isto, e por tudo o mais, é impossível ficar-se indiferente a Mandela. Um homem raro.

Pela história, mais que pelos pormenores, um filme a não perder. Grandes interpretações, tanto de Morgan Freeman como de Matt Damon. Fica o poema...


Invictus (William Ernest Henley, 1875)

Out of the night that covers me,
Black as the pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.

In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.


Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds and shall find me unafraid.

It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.

6 comentários:

bono_poetry disse...

well,vou ver se me organizo,se aconselhas deve ser bom!

Rony disse...

O Invictus é mesmo um filme emocionante, que marca.

Vera Angélico disse...

Ehehehe... já te disse que tinha saudades das tuas críticas cinematográficas. Eu, que nunca vejo os filmes dos óscares, e que tenho responsabilidade naquela lacuna do Brad Pitt. Estou à espera de mais comentários...

;)

Beijos.

ianita disse...

bono: eu gosto de boas histórias. É o que me cativa mais num filme, como num livro, o enredo... :)

Rony: acho que o que marca, mais que o filme, é a vida do Mandela. :)

Vera: não são críticas, lol! São apenas opiniões de quem viu e tem que ter sempre opinião sobre tudo! :)

Textículos disse...

É sem dúvida uma bela história.

Sobre o perdão, a questão é mais complexa e não completamente resolvida, ainda assim aplica-se, noutro contexto, esta mensagem "(...)perdoar não é uma acção, é uma viagem, um processo doloroso todos os dias."

ianita disse...

Textículos: Não completamente resolvida mesmo. Infelizmente. Para eles e para o Mundo....