27 de julho de 2010

No outro divã - parte I

Ora. Novo médico. Explicar tudo outra vez. Nada de divã, mais uma vez.

É estranho como estas pessoas parece que nos despem só com o olhar. Que nos vêem por dentro.

Custou-me ouvir que nunca teria cura. Custou-me ouvir que tenho de aprender a viver com isto melhor. Porque viver vivo, mas não queria. E irrito-me por ser diferente. E a médica diz que enquanto eu não me aceitar como sou, com todas as minhas anormalidades, que nunca vou achar a minha normalidade. Que quanto mais me imponho não pensar, mais penso. E quanto mais penso, menos quero pensar e mais penso novamente. Eu criei um ciclo vicioso dentro de mim-mesma

Que a mania que eu tenho de racionalizar e de ter de perceber tudo me condiciona. Condiciona-me porque tudo o que me escapa, o amanhã, o mistério das coisas, da vida e da morte, tudo isso me causa angústia e sofrimento. Tenho de aceitar que não posso perceber tudo. Tenho de aceitar que não posso controlar tudo. Tenho de aceitar que há coisas que vão ser sempre um mistério. Sempre. E conseguir a minha paz.

Com medicação isto não vai lá. Pelo menos não só com medicação. Preciso efectivamente dos dois médicos e de algumas visitas a Coimbra por mês.

Eu entendo. E faz sentido tudo o que me foi dito. E eu quero mesmo desligar a treta do interruptor. Mas não consigo. Talvez um dia...

6 comentários:

Dylan disse...

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ianita disse...

Dylan: :)

Sayuri disse...

Uma das coisas que se aprende em Psicologia é que o conceito de noramlidade pura e simplesmente não existe. Existe sim o conceito de funcionalidade! :)

Sayuri disse...

Uma das coisas que se aprende em Psicologia é que o conceito de noramlidade pura e simplesmente não existe. Existe sim o conceito de funcionalidade! :)

ianita disse...

Sayuri: talvez um dia :)

TM disse...

Sim... desligar é muito dificil... mas não impossível... :)