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22 de fevereiro de 2011

Doente

Não fico doente muitas vezes. Tenho alguns problemas de saúde para os quais tomo medicação diária, mas fico doente poucas vezes. Mas quando fico... é o fim do Mundo. Dores de cabeça e pouco sono fazem logo marcas. Se juntarmos gastroentrite... nunca vomitei tanto na vida... Não como nada de jeito desde Domingo ao almoço... sendo que vomitei o almoço de Domingo nesse dia à noite... Hoje tive febre... dói-me o corpo todo... tenho sono... tenho fome... dói-me o estômago... dói-me a cabeça... e hoje sim e mais que nunca, sinto a falta da mamã... que me viria trazer a canja ou o peixe cozido... que me viria trazer água... e mais que isso... que me iria mostrar que estava ali para mim. E isso dá um conforto enorme.

E sim, eu sei que continua a estar por mim. Está sempre a mandar sms e a querer saber de mim. Eu sei. Mas quando estou doente fico fragilizada... carente... a precisar de mimos... mimos a sério e não daqueles mimos do tipo "epah! estás mesmo com má cara" ou "estás com mau aspecto" ou "estás com umas olheiras....". Eu sei que até nem o fazem por mal, mas será que pensam que eu não tenho espelhos em casa? Ou será que era suposto que, sem dormir, sem comer, com vómitos e cólicas intestinais, eu me apresentasse linda e maravilhosa?

Sinto a falta da mamã. Nem que fosse para lhe dizer que não preciso de nada e que está tudo bem.

Estou farta de estar doente...















14 de junho de 2010

Super

Desde pequena que o sei. Não é preciso ser-se muito perceptivo nem intuitivo. É senso-comum. Sempre foi e acho que vai ser sempre assim.

Às vezes esqueço-me. E discuto. E chateio-me. E descarrego as minhas frustrações nela. Não é perfeita, longe disso, mas na maioria das vezes não merece.

Um dia destes mandou-me um sms a dizer que já tinha feito a transferência que lhe tinha pedido. Eu respondi a agradecer e a dizer qualquer coisa como "és a maior". E ela respondeu "espero que te lembres disso quando às vezes discutimos". Na altura caiu-me mal, mas não deixa de ter razão.

Independentemente dos acessos que tem às vezes... independentemente de ser perfeccionista e de querer tudo feito ontem e não daqui a 5 minutos (às vezes é exasperante!)... independentemente de tudo... esteve e está sempre lá... e sei que vai estar sempre. E, no caso dela, sei que vai estar incondicionalmente.

Não há nada que não faça por nós. Dá-nos tudo o que pode e o que não pode. Ajuda. Apoia. Ouve. Guarda segredos. Compreende. Aconselha. Sorri. Protege.

E não dá mais ou não faz mais porque não pode. Ou não consegue. Independentemente dos poderes mágicos que tem. Da coragem.

Este fim-de-semana voltou a surpreender-me. Ao fim de 30 anos, ainda o consegue fazer... por mais que me enerve vê-la a fazer esforços que não deve, cheia de dores na coluna, ela não consegue parar quieta... e lava paredes e pinta paredes e encera chão enquanto o meu pai dormita no sofá. (e sim, eu ajudei! Tratei da roupa...) E à noite, já escuro, ainda foi fazer a baínha das minhas calças novas. Mesmo eu tendo dito que não havia pressa... lá estavam prontas, às 23h.

Às vezes esqueço-me, mas não devia. A minha mãe é uma super mãe. Não podia ter mãe melhor. Não a trocava por outra. E gostava muito que o sangue que me corre nas veias fosse mais dela do que do outro lado da família. Gostava que um dia me pudesse realmente considerar uma mulher "de Nazaré".