27 de dezembro de 2009

Quando achamos...

... que nada pior pode acontecer eis que... algo pior acontece! O Universo é mesmo incrível.

Esta semana começou com a avaria do carro da minha irmã... piorou e muito com a morte súbita do marido da minha prima, com apenas 42 anos, de ataque cardíaco fulminante, na 3ªfeira. Com tudo isto torna-se complicado ter-se um Feliz Natal.

Entretanto a Vera desafiou-me a sacudir a depressão. Em menos de uma hora decidimos... Lisboa. Hotel. Gaiola das Loucas. Reservas no Booking. Compra dos bilhetes online. No Sábado somos brindadas com um fantástico dia de sol... a viagem correu às mil maravilhas. Demos logo com o hotel. Estacionamento gratuito em frente. Estação de Metro a 20 metros. Passeio no Chiado, com direito a mais fotos com o Nandinho e a compras nos Armazéns e a passeio de elevador até ao Convento do Carmo. Passeio a pé até ao Politeama. Espectáculo... sem palavras. Já tinha visto a "Canção de Lisboa" e tinha adorado. Isto nem sei o que diga... foi mais que adorar. Foi um show. Foi algo do outro Mundo. Fantástico... nem sei que diga mais...

Jantar simpático. Passeio no Rossio a ver as luzes de Natal. Hotel.

Hoje... Casa-Museu Amália. Lindo lindo lindo.

Depois... de última hora... passeio a Sintra antes da ida para casa... tento estacionar... não encontro lugar... dou uma voltinha... fila... ponto de embraiagem e... cheiro a queimado... muito... enxofre ou coisa que lhe valha. Andei ainda uns metros e parei o carro, mal parado, mas num local em que não estorvava.

Assistência em viagem. Fico a saber que os senhores dos Seguros mudaram as regras e que agora não são obrigados a trazerem-nos o carro no próprio dia... têm até 72 horas... taxi para casa, a isso tivemos direito.

Ainda me enervei com um paspalho que a fazer uma manobra estranha me atropelou o triângulo. Fui falar-lhe e ele ainda foi mal-educado e disse-me que eu tinha o carro mal-parado e que o deveria ir estacionar mais à frente. Eu de colete. Carro com os quatro piscas. Triângulo na estrada. "Qual foi a parte de - o carro avariou e não anda - que você não percebeu???". Pronto. Ele tinha a testosterona, logo, tinha de ter razão. O carro não andava, mas eu deveria ter ido estacionar mais à frente.

Ok. Siga para Leiria. Não sem antes ir levar um casal à Amadora, porque o senhor taxista quis acumular serviços e ganhar mais dinheiro. Ok. O que não nos disseram foi que, para além de ganancioso, o senhor era também tarado. Fez-se a nós o caminho todo. Falou dos problemas no casamento e no que lhe fazia falta. Falou em encontrar amor e carinho e sexo nos braços de alguém que não tinha encontrado ainda... Não vos passa. E falava connosco sem olhar para a estrada e ia-se estampando umas quantas vezes. Parecia uma cena de apanhados.

Pronto. Cheguei a casa. Sã e salva. E encontrei discussão e afins. E ainda tenho de ir trabalhar amanhã. Arranjar forma de pôr um sorriso no rosto. Pensar no fantástico que foi o dia de Sábado... mas a vida não são só coisas boas. E seria estúpido e inconsciente focar-me só nisso. A morte é definitiva. Temos de aceitar, mas leva tempo. Tempo de luto, tempo de choro, tempo de depressão. Faz parte. As coisas que se estragam... que todos os males sejam esses, com coisas e não com pessoas. Mas quando tudo corre mal, é mais uma coisa a pôr para baixo.

E eu quero. Isso de ganhar lanço no fundo do poço e vir ao de cima. Mas parece que sempre que consigo vir ao de cima só consigo ter tempo para um pouco de ar e sinto logo uma mão que me afunda. Eu debato-me. Não quero. Mas... chega a uma altura que é mais fácil desistir. Deixar de me debater. Mas não quero. Não quero. Mas começo a estar cansada deste vai-e-vem. Não vou dizer que não falta acontecer mais nada, porque falta. O Universo tem como nos mostrar que as coisas podem ser ainda piores. Não o vou desafiar. Sei bem que as coisas podem ser ainda piores. Mas como está já é muito difícil. E começo a temer o que vem a seguir...

Estou cansada. Com vontade de explodir, mas sem poder. A minha mãe precisa de mim. Não posso e não vou explodir. Vou conseguir vir ao de cima. Outra vez. Um dia.

12 comentários:

Módica disse...

Para muito breve esse vir ao de cima, espero!
Porque não é fácil aceitar aquelas coisas que acontecem, menos boas, que não dependem de nós, que não podemos controlar. Não se pode culpar ninguém e ficamos naquele impasse do "Porquê?" que nunca tem resposta.
A verdade é que o importante é não parar, não deixar o motor arrefecer e tentar ir sempre a andar (pelo menos, enquanto o carro andar, claro!). Não desistir! Temos sempre os nossos músculos para nos levar para a frente, quando tudo o resto à nossa volta falha!

Boa sorte!

Sayuri disse...

Mulher, isso é que foi azar!!
Tudo se compõe, é uma questão de tempo...

Textículos disse...

Kom kariakas, não há mal que sempre dure! Beijos

Pjsoueu disse...

Procuremos desenvolver entre nós o amor fraternal e estimulemo-nos a fazer o bem...animemo-nos uns aos outros...”

Feliz Ano Novo!

Beijinhos

Pj

bono_poetry disse...

lol.o que tu precisas e de espaco miuda!!vai la vai!!kiss and smile!!

Isandes disse...

bem, ganda filme! (o taxista era giro? não? ok)
conhecendo-te virtualmente, acho k te cansavas rápido de baixares os braços, por isso "hands up", kiss

Luisa Moreira disse...

Sabes muito bem contornar, as adversidades, nada de atirar a toalha ao chão.

Beijinhos

Luisa

ianita disse...

Módica: independentemente do que queremos para a nossa vida, a vida pode querer coisas diferentes para nós. Muitas vezes queremos ter a ilusão de que temos escolha... de que controlamos o nosso destino, a nossa vida, o nosso futuro. Mas quem nos controla é a vida. Ouvi uma vez alguém dizer que a vida é o que nos acontece nos intervalos dos nossos planos... talvez seja mesmo isso.

Kiss

ianita disse...

Sayuri: tempo...

Textículos: nem bem que nunca se acabe. Já começo a ter medo de estar bem... Kisses

Pj: Feliz Ano Novo!

Bono: preciso é de paz. De ter as minhas pessoas por perto e bem. De trabalho. De saúde. De ânimo. Uma data de coisas que não dependem de mim e que me começam a escapar por entre os dedos.. Um dia.

Isandes: 49 anos. Um grande cromo! Foi uma viagem horrível mesmo...

ianita disse...

Luísa: eu não quero. Não sou pessoa de desistir... pelo menos sem tentar. Mas estou tão cansada... Às vezes, quando não se sabe o que fazer, quando tudo cai à nossa volta, o melhor é mesmo ficar quietinho e esperar... pelo menos é o que me apetece agora. Fechar-me na minha concha e ficar assim... luz apagada... posição fetal... ursa azul nos braços... e ficar.

Beijos

FATifer disse...

Primeiro não sei vos desculpo terem estado na minha cidade e não terem dito nada! :(

Depois as minhas desculpas por não te visitar tão assiduamente e só agora ver este texto… qualquer palavra de ânimo agora parece-me tardia… e tu a comentares tão bem no nosso espaço… Obrigado a ti por passares por lá!

Beijinhos e força porque tu sabes que mereces ser feliz e sê-lo-ás!
FATifer

ianita disse...

Fatifer: foi mesmo tudo em cima do joelho... mas hei-de voltar a Lisboa... mal acabe de pagar o arranjo do carro rsrsrs! :/

Independentemente de tudo... do que quero... do que faço todos os dias para alcançar a minha felicidade... para o meu caminho... do que sei que mereço... tudo é nada perante a inevitabilidade da morte. Perante a dor de ver partir duas pessoas da família em 3 semanas... uma mais velha, mas muito próxima, muito entranhada em mim... outro mais distante em termos de convivência, mas com o choque da partida tão cedo, com filhos pequenos, com a vida toda pela frente.

As coisas importantes na vida não são escolhidas por nós... acontecem-nos! Faz-nos bem pensar, achar, ter a ilusão de que controlamos a nossa vida... mas... um dia... um ataque cardíaco... um fulano em contra-mão na autoestrada... e PUM! Adeus sonhos. Adeus planos de futuro. Eu controlo o meu dia. Controlo os sapatos que compro... controlo os sorrisos... controlo menos as lágrimas. Sorrio e choro. Vivo. O resto...

É esperar que a vida queira sorrir-nos tanto quanto lhe sorrimos.

É esperar que a vida queira ser vivida, tanto quanto a queremos viver. E eu vivo. Enquanto me deixarem.

Beijos e obrigada pelas palavras. (quando vêm por bem, nunca são tardias)