25 de janeiro de 2010

Dúvidas

Há coisas que eu não entendo. E a sério que às vezes me sento a pensar nestas coisas. A tentar entender. E não consigo. Escapa-me.

Não entendo por que é que há quem faça mal quando pode fazer bem.

Não entendo por que é que há quem não tenha brio profissional, mesmo quando não gosta do que faz.

Não entendo por que é que há pessoas que pensam no que fazer e decidem estragar o dia ou a vida a outra pessoa. Racionalmente e não "sem querer".

Não entendo por que é que há quem prefira afundar-se a levantar-se.

Não entendo por que é que há quem prefira não ver. Quem escolha ter os olhos fechados.

Não entendo por que é que nos afastamos de pessoas com quem não nos identificamos, pessoas que nos fazem mal, nos magoam, mas nunca nos afastamos da família que nos faz mal e magoa.

Será porque há pessoas más?

Será porque é mais fácil?

Será porque há quem não tenha forças?

Será porque há quem prefira a ilusão da felicidade à certeza da infelicidade?

Será porque a família é quem mais gosta de nós e por isso lhes perdoamos tudo?

A maldade não se explica nem entende. É uma doença. Mas terá cura?

A preguiça e a falta de brio também são uma doença... às vezes dá menos trabalho fazer bem feito a fazer mal feito, mas há quem simplesmente não queira saber. O que eu não entendo.

Por mais que me tenha apetecido, baixar os braços nunca foi uma opção para mim, pelo que me é difícil de entender que haja quem o faça. Posso baixar os braços em determinadas situações pontuais... aprender a fazer cambalhotas ou a fazer o pino, por exemplo. Baixar os braços ou virar as costas a discussões que não valem a pena. E não valem a pena porque as pessoas não valem a pena. Mas baixar os braços à vida nunca foi e espero que nunca venha a ser opção. Por isso... não entendo.

Se a família é quem mais nos ama, não deveriam não nos magoar? E, se nos magoam, se calhar não gostam assim tanto de nós. Se viramos as costas a "amigos", conhecidos que nos magoam, porque não o fazemos às pessoas da família que na maioria das vezes fazem bem pior? Será porque assim admitimos que falhámos? Às vezes acho estranho quando uma pessoa vira as costas a outra pessoa da família. Família é família. É para a vida. Mas... há pessoas que não merecem. Nem o esforço. Nem as dores de cabeça. Nem as contínuas tentativas. E, ainda assim, persistimos.

Se alguém me conseguir explicar estas coisas, eu agradeço. São mesmo coisas que me escapam ao entendimento. E não sou eu a dar uma de mau feitio. Parece ser ponto assente que tenho mau feitio. Confirmo. Um mau feitio daqueles estranhos, que não tem medo de pedir de desculpas nem de dar o braço a torcer. Aliás, o mau feitio que dá sempre o braço a torcer. Em nome do bom ambiente e da paz na Terra entre os homens de bem. Tenho mesmo muito mau feitio. Pena ter também coração de manteiga.

8 comentários:

Lita disse...

É verdade. Tendo nós o tão afamádo "livre arbítrio", parece estranho que se façam escolhas más para nós e más para os outros. Que se magoe gratuitamente. Que se desista. Que se odeie. E que se dê a desculpa de "a vida é assim".

Mas de facto é. Quando assim o queremos. E... sabes? Eu gosto do teu "mau feitio". :)

Rony disse...

Estás mesmo a precisar de tirar uns dias. Felizmente está mesmo quase! E nesses dias vais pensar só em ti, no que te faz bem e feliz, tudo o resto não interessa e não está convidado para a minha casa, compreendeu????

Vamos fazer todas aquelas pequenas coisas que são o melhor da vida, quando a companhia é a certa (moi, lol): passear, ler, cozinhar verdadeiros petiscos, dormir, ir ao cinema, beber umas caipirinhas, ver tv, etc....

Rice Man disse...

"You can choose your friends, but you can't choose your family.". Quase todas as famílias têm uma ovelha negra e infelizmente a vida não é como o Farmville. Mas suponho que tenha de funcionar assim... Se é para estar lá, apoiar e dar tudo uns pelos outros quando as coisas correm bem também temos de dar o litro quando as coisas correm mal e trabalhar para que corram bem outra vez.

ianita disse...

Lita: por isso é que "inventámos" a loucura, para justificar os actos maléficos propositados. Algo que para nós é inconcebível...

Obrigada :) o meu mau feitio também gosta de ti! (e daqui a 20 minutos fazes anos!)

ianita disse...

Rony: sim, mamã! :)

Vai ser um sacrifício... ver Coupling! Ir à praia. Regar as árvores. Ir ao castelo (quero lá ir outra vez)... ao que tu me obrigas!! :)

Amanhã já entrego o papel das férias... e daqui a pouco já aí estou... e prometo que deixo os problemas à porta ;)

Beijos!

ianita disse...

Rice Man: se é assim, por que não nos esforçamos assim por quem não é da família? Em última análise, se não "desistirmos" das pessoas, pode ser que as pessoas nos apoiem e amem tanto como as ditas ovelhas negras...

O que eu digo é que podemos ter o bom sem ter o mau. Podemos ter quem nos ame, sem nos maltratar. E se não aceitamos maustratos de pessoas de fora, por que deveremos aceitar aos de dentro?

Rony disse...

Sim, temos de fazer umas caminhadas até ao Barril, nada de apanhar o comboio!

ianita disse...

Rony: porra... tenho de levar as sapatilhas? Acho que não cabem no carro... ;)