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24 de março de 2010

30 anos

Deixei passar o dia da Poesia... Mas não posso deixar passar os 30 anos do Jornal de Letras. Não é uma data instituída, mas uma data para a qual se trabalhou muito. Um Jornal que não é para intelectuais. Um jornal que defende a portugalidade, a nossa cultura, o que é nosso.

E então, em jeito de festejo, deixo aqui dois registos. Uma música do José Mário Branco (agora mesmo na TV), com poema de Luís Vaz de Camões. Mudam-se os Tempos, mudam-se as vontades. E depois, Fala do homem nascido, poema de António Gedeão, que penso muito adequado a esta efeméride e a uma outra a festejar-se no próximo Sábado, curiosamente, também 30 anos :)




Fala do Homem nascido

Venho da terra assombrada
do ventre de minha mãe
não pretendo roubar nada
nem fazer mal a ninguém

Só quero o que me é devido
por me trazerem aqui
que eu nem sequer fui ouvido
no acto de que nasci

Trago boca pra comer
e olhos pra desejar
tenho pressa de viver
que a vida é água a correr


Venho do fundo do tempo
não tenho tempo a perder
minha barca aparelhada
solta rumo ao norte
meu desejo é passaporte
para a fronteira fechada

Não há ventos que não prestem
nem marés que não convenham
nem forças que me molestem
correntes que me detenham

Quero eu e a natureza
que a natureza sou eu
e as forças da natureza
nunca ninguém as venceu


Com licença com licença
que a barca se fez ao mar
não há poder que me vença
mesmo morto hei-de passar
com licença com licença
com rumo à estrela polar

In Teatro do Mundo, 1958

16 de julho de 2009

If you believe...

... they put a man on the moon...





Impossible is nothing...

13 de junho de 2009

do 13 de Junho

Hoje é dia de muitas coisas... dia de Santo António... o de Lisboa ou de Pádua, isso pouco importa. Se é casamenteiro ou não, também pouco importa. Importa a paz e a serenidade que traz a quem o tem como padroeiro e protector.

Faz anos o nosso Fernando Pessoa. Génio. Poeta. Aquele que tão pouco viveu. Viveu na escrita.

Lembro ainda aquele que faz hoje anos que morreu... António Variações. O que viveu. A intensidade. As ganas. A fúria. A força.

Tenho muita pena que os génios sejam tão infelizes... podiam ser menos génios... podiam ser "só" extraordinários e viver um pouco mais. Como o Variações. Foi "apenas" extraordinário. E enquanto que no Pessoa lemos a infelicidade que foi a maior parte da sua vida, ou lemos reflexos dos sonhos que ele jamais concretizaria, em Variações lemos vida.




vou viver
até quando eu não sei
que me importa o que serei
quero é viver,
amanhã, espero sempre um amanhã
e acredito que será mais um prazer


e a vida é sempre uma curiosidade
que me desperta com a idade
interessa-me o que está para vir
a vida em mim é sempre uma certeza
que nasce da minha riqueza
do meu prazer em descobrir

encontrar, renovar, vou fugir ou repetir

vou viver,
até quando, eu não sei
que me importa o que serei
quero é viver
amanhã, espero sempre um amanhã
eacredito que será mais um prazer