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13 de agosto de 2010

Fim da semana

Fim de uma semana que foi um verdadeiro teste à minha paciência e ao meu auto-controle.

Muitos problemas no trabalho. Muitos mesmo. Irreversíveis. Pelo menos para mim. Já chorei o que tinha de chorar e agora... é ter muita calma e não tomar decisões precipitadas.

E hoje morreu uma prima da minha mãe. Esposa do primo Martim Adriano. Que era filho do tio Martins, o irmão preferido da minha avó. Ainda me lembro quando a minha avó acordou do coma de que os médicos disseram que ela nunca acordaria, há 11 anos, e viu o primo Martim Adriano e lhe chamou Martins. Achava que o irmão ainda estava vivo, coitada. Não estava.

A prima tinha 61 anos. E é assustador ver pessoas da idade dos meus pais a morrer. Mexe-me com o sistema. E ver a minha mãe doente sem saber de quê. Magra magrérrima. A comer imenso e a continuar a emagrecer. A fazer exames atrás de exames atrás de exames... eu juro que tento não pensar estas coisas, mas penso. A psicóloga diz que não posso reprimir os pensamentos. Que tenho de aprender a aceitá-los como algo natural e que assim talvez deixem de me incomodar... eu tento!

E depois da 2ª alteração à medicação, consegui notar uma diferença. Já consigo estar deitada de barriga para cima. Claro que antes também conseguia, mas não me sentia confortável. E agora sinto-me tão relaxada e normal que adormeço nessa posição quando está muito calor. Nunca antes em 30 anos tinha acontecido.

Entretanto vou aproveitar os dias de sossego para estar comigo. Eu, o Seinfeld, e uma mega tablete de Cadbury :)

19 de junho de 2010

De Saramago

Não conheço. Nunca conheci. Nem sei se queria ter conhecido. Há coisas que me cativam. Outras tantas que me afastam.

Independentemente de nacionalismos ou discordâncias de opinião, há algo que se eleva a tudo isso: os livros. A literatura está acima de tudo o resto. Não sei se o Saramgo era boa pessoa, assim como não sei se o Virgílio o era, ou o Aristófanes, ou o Eurípides. Não interessa. Os textos valem por si-mesmos e são maiores que a pessoa que os escreveu... quanto mais não seja porque lhes sobrevivem. Porque os eternizam.

O "Memorial do Convento" é o meu livro favorito escrito em língua portuguesa. E Saramago era um génio literário. Porque, além de outras coisas, reinventa um estilo que estava canonizado, cristalizado, reinventa o romance histórico, o meu género de eleição. O "Memorial do Convento" não é apenas um romance de teor histórico, não é só um romance, é uma obra-prima que tive o privilégio de ler e reler e de ensinar, uma vez que faz parte do programa de 12ºano de Português. Nunca o dei em aulas. Sempre em explicações. Se o desse em aulas, sempre o soube desde que li o livro pela primeira vez, começaria por este excerto:


"... e foi o caso que certo clérigo, costumeiro em andar por casas de mulheres de bem fazer e ainda melhor deixar que lhes façam, satisfazendo os apetites do estômago e desenfadando os da carne, e sempre pontualmente dizendo sua missa, quando lá lhe parecia alçava levando os bens que lhe estavam à mão, e tantas fez que um dia a ofendida, a quem muito mais se tirara do que o tudo que dera, tirou ela ordem de prisão, e indo os oficiais e agarradores a cumpri-la por ordem do corregedor do bairro, a uma casa onde o clérigo já estava vivendo com outras inocentes mulheres, entraram, mas tão desatentos à obrigação que não deram com ele, que estava metido numa cama, e foram a outra onde lhes pareceu que estaria, assim dando vaza para que o padre saltasse, nu em pelo, e, disparando escada abaixo, a murro e pontapé limpou o caminho, ficaram gemendo os quadrilheiros pretos, mas conforme puderam, cainçando, correram atrás do padre pugilista e garanhão, que já lá ia pela Rua dos Espingardeiros, e eram isto oito horas da manhã, começava bem o dia, gargalhadas pelas portas e janelas, ver o clérigo a correr como lebre, com os pretos atrás, e ele de verga tesa, e bem apeirado, benza-o Deus, que um homem tão dotado o lugar dele não é a servir nos altares mas na cama de serviço às mulheres, e com este espectáculo padeceram grande abalo as senhoras moradoras, coitadas, assim desprevenidas, como desprevenidas e isentas estariam as que se achavam rezando na igreja da Conceição Velha e viram entrar o padre resfolgando, em figura de inocente Adão, mas tão carregado de culpas, sacudindo badalo e guisos, à uma apareceu, às duas se escondeu, às três nunca mais foi visto, que nesse passe de mágica deu a diligência dos padres que o recolheram e deram fuga pelos telhados, já vestido, nem isto é sucesso que cause estranheza, se em cestos se içam os franciscanos de Xabregas mulheres para dentro das celas e com elas se gozam, por seu próprio pé subia este padre a casa das mulheres que lhe apeteciam o sacramento, e para não fugirmos ao costumado fica tudo entre o pecado e a penitência, que não é só na procissão da Quaresma que saem à rua as disciplinas, excitantes, quantos maus pensamentos hão-de ter de confessar as senhoras moradoras da baixa de Lisboa e as devotas da Conceição Velha por tão rico padre terem gozado com a vista, e os quadrilheiros atrás dele, agarra, agarra, quem pudera agarrá-lo para um coisa que eu cá sei, dez padre-nossos, dez salve-rainhas, e dez reis de esmola ao nosso padre Santo António, e estar deitada uma hora inteira, com os braços em cruz, de barriga para baixo como à prosternação convém, de barriga para cima que é posição de mais celestial gozo, mas sempre levantando os pensamentos, não as saias, que isso ficará para o próximo pecado."


in, Memorial do Convento, pp. 79/80

15 de setembro de 2009

My kind of dancing...



Não gosto de ir em marés... não gosto de ser mais uma na multidão... não sou pessoa de confundir vida artística com vida pessoal... não choro quando um artista morre, basicamente porque não o conheço.

Deste artista eu gosto muito. Acompanhou a minha infância, adolescência... Dirty Dancing, Ghost, Norte e Sul... e adoro vê-lo dançar. E a cantar... she's like the wind... Adoro. Emociona-me.


Hoje, quando soube, arrepiei-me. Porque um tio meu faleceu com o mesmo tipo de cancro. E porque, mesmo todos os cancros sendo graves, este me assusta mais. Assusta-me porque uma das suas maiores características é ser "assintomático". Sem sintomas. Nada de nada.

Por isso... hoje lembro-o. Lembro-o como Johny que para sempre será para mim. (aqui) Nobody puts baby in a corner... e mai nada! Um bem haja Patrick!

30 de junho de 2009

Dido e Eneias

Dido e Eneias são par estereótipo (aprendi esta palavra no outro dia e agora não a largo). Um exemplo de como o amor-paixão pode destruir vidas. Um exemplo de como o dever e o Bem de todos tem de estar acima do egoísmo e do bem pessoal. Os romanos, como os gregos antes deles, gostavam de exemplos assim. Porque as pessoas não viviam para si, viviam para a cidade.

Eneias amava Dido. Amava Dido e teve de a deixar ferida de morte, ferida de amor. Deixou-a para fundar a cidade que viria a ser a sede de um Império. Ela ficou... abandonada... ferida... magoada... e arruinou-se e aos seus, matando-se.

A culpa é do Eneias? Talvez. Eu vejo Eneias como o homem sem vontade. O homem que faz o que lhe dizem... não pode morrer a lutar por Tróia. Perde a pátria, perde o pai e perde Dido. É um homem com um destino maior que ele. Olhando para o mapa percebo que se fosse nos tempos de hoje eles poderiam ter mantido uma relação à distância. Naquele tempo, a partida de Eneias era um adeus para sempre... um adeus cobarde ou corajoso? Não será corajoso quem deixa um amor em prol do bem maior? Ou é corajoso quem enfrenta e vive o amor? Não sei.

Sei que esta história de amor, tipicamente clássica por ser tão trágica, influenciou artistas e escritores ao longo dos tempos.

Esta composição, do século XVII, aparece no início de uma obra-prima do cinema, o "Fala com ela" do Pedro Almodôvar. Coreografada e dançada por Pina Bausch. Este excerto é de uma beleza extrema... todo este filme... ter este Dido e Eneias como peça de abertura já nos deveria alertar para o que se ia passar... mas por mais preparados que estejamos, Almodôvar surpreende sempre. Um filme de mulheres, como são todos. Um filme de sofrimentos, um filme de sentimentos. Fica a música, fica Pina Bausch.


5 de maio de 2009

O pai da Pantera cor-de-rosa



Isto diz muito do sentido de humor e de quem era este senhor. Esta foi uma verdadeira homenagem, em vida e com humor. Há sempre que desconfiar de alguém que se intitula o pai da pantera cor-de-rosa, ou talvez não! Vá... continuem, mas cuidado. :)