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11 de março de 2010

De pernas para o ar




O Mundo. A Vida.

Os sismos que fazem a Terra sair do eixo. No Haiti e no Chile. No Chile outra vez. De uma força tal que assusta. Com réplicas mais fortes do que o sismo do Haiti.

As cheias na Madeira. A neve na França.

Daqui a pouco vão ser os fogos. Como no ano passado na Austrália e há dois anos na Grécia.

É crianças que se matam porque são humilhadas pelos colegas.

É ladrões que processam os donos das lojas.

É a comunidade política preocupada com o que o 1º sabia ou deixava de saber de um negócio que não se realizou, em vez de se juntarem para tentarem melhorar um bocadinho a vida ao Zé Povinho.

É uma Democracia apodrecida... não pelos rumores de pressões... mas por pessoas que acham que liberdade é dizer o que nos dá na real gana, sem ter de provar ou justificar. Só porque sim. Porque nos apetece. Bora acusar sem provas porque se a pessoa não é culpada disto, há-de ser culpada de outra coisa e assim é ela por ela. (Tipo o que fez D. Miguel Forjaz ao Gomes Freire de Andrade).(É que o 1º pode ser culpado de muitas coisas, mas será que alguém acredita sinceramente que ele ligou ao Rei de Espanha por causa da Manuela? Mas quem é que ela afinal julga que é? Eu até gostava que o 1º telefonasse ao Rei de Espanha por minha causa... nem que fosse para ele obrigar o filho a separar-se da Letícia e a casar comigo! eheheh)

É a inevitabilidade do destino... da vida... a sorte. Vivemos com aquela mania que podemos fazer o nosso destino, mas não podemos nada. É tudo uma questão de sorte... é ver aquele senhor que ia a passar debaixo da passagem superior quando ela ruiu. Tenho uma amiga a trabalhar nessa obra. Diz ela que o carro era uma bolacha e o senhor era uma folha de papel. Devia ter uma vida cheia de planos e de sonhos que achava que ia realizar... até que não sei quantas toneladas de realidade lhe caíram em cima.

Sorte. Fortuna. Isso sim é importante. O resto... haja vontade que tudo se consegue.

2 de março de 2010

Bullying

Porra. Que as crianças sabem ser cruéis todos sabemos. Chamam nomes, humilham, batem... Têm muitas vezes requintes de malvadez.

São crianças? Certo. São crianças. Mas não é por serem crianças que se pode perdoar tudo. E há crianças más. Muito más. Que não têm remorsos nem sentimentos de culpa.

Crianças que constantemente, dia após dia perseguem um menino... o mesmo... todos os dias... só porque sim... porque é diferente... ou porque tem óculos... ou porque fala esquisito... ou porque não tem as roupas da moda... ou porque não é inteligente... ou porque é demasiado inteligente.

Porque sim.

E não imagino o que deverá ter sofrido aquela criança para hoje chegar ao desespero de se mandar ao rio. (ouçam a notícia completa aqui)

Quantas vezes terá sido insultado e surrado e humilhado para hoje se ter mandado ao Tua.

O meu primeiro pensamento foi, inevitavelmente, para os pais. Pensei que treta de pais que ele tinha, que nem perceberam que se passava algo de errado com o filho. Depois pensei nos meus problemas enquanto adolescente e no que partilhei com os meus pais... zero. Nada.

É bem possível que estes pais não soubessem de nada. Que notassem o filho estranho e que culpassem a estranheza na mudança de idade. Ou que ele lhes tivesse dito que havia meninos que lhe batiam na escola, e eles pensaram que eram coisas da idade...coisas de rapazes...

Não imagino a dor por que devem estar a passar agora... a perda do filho... e o não terem visto os sinais... ou o não terem percebido que era assim tão grave... o não poderem ter feito algo para evitar isto...

Não imagino a dor e a angústia por que este menino estava a passar para chegar a isto... Tudo provocado por outras crianças. Crianças a quem não vai acontecer nada. E que vão crescer para serem adultos maus e idiotas. Sem respeito pelos sentimentos dos outros.

Porra que isto deveria ser proibido de acontecer. Não há direito.

2 de fevereiro de 2010

Rosinha

Da vila que era faia ao humor que era de perdição. Do amor de água fresca aos amores de Pedro e Inês. Chamando a música ou vivendo um romance de cordélia. Sentindo o prenúncio das águas ou o pranto de lúcifer. Encontrar-nos-emos nas esquinas do tempo.




27 de janeiro de 2010

65 anos

Passaram 65 anos da libertação de Auschwitz. Morreram neste complexo 1 milhão de judeus. Foram executados 1 milhão de judeus.

Na Faculdade estudei um filósofo, Paul Ricoeur. Ele esteve preso durante a II Guerra Mundial. Não em Auschwitz. Havia prisões diferentes para os grandes estudiosos. Quando foi libertado, no fim da guerra, não acreditava nos números. Não acreditava. Uma coisa era prender pessoas, outra muito diferente era matar. Matar só porque sim. E não um ou duas pessoas... milhões.

Mas o Holocausto é uma daquelas coisas que, infelizmente, não depende de pontos de vista. Existiu. As vítimas estão contabilizadas. Há sobreviventes. Há factos. E Ricoeur rendeu-se aos factos e dedicou o resto dos seus dias ao estudo das origens do mal.

Porque há que distinguir... entre os malucos, doidos, os nervosos que reagem a impulsos ou provocações... os que matam por acidente ou por reacção. E os que percebem perfeitamente a diferença entre o bem e o mal. E racionalmente, identificando a diferença, escolhem o mal. São os psicopatas. Que até podem saber que estão a fazer mal, mas simplesmente não querem saber.

Custa. Dói. Seria mais fácil culpar uma doença qualquer. Mas não é doença. É maldade.

Os livros mais interessantes do Ricouer não estão traduzidos em português. Ainda assim, do que li, adorei a abordagem e a consciencialização de que o mal existe. Apenas e só porque o bem existe.

Espero que não venhamos a presenciar nenhum acto de maldade semelhante... se bem que, haver pessoas que dizem que o Holocausto não existiu, deve ser algo de extremamente cruel para quem o viveu.

18 de janeiro de 2010

Da vida...

Uma pessoa passa pela vida. Uma pessoa passa pela vida e são mais os dias em que se queixa dos que em que agradece.

Agradecer o quê? Não tenho o trabalho que quero. Não tenho o vencimento que quero. Não tenho casa própria. Conduzo um carro com 12 anos e se ele morrer não tenho como comprar outro. Não tenho o corpo que quero. Não tenho a roupa e os sapatos que quero. Não faço todas as viagens que quero. Não encontrei ainda o meu grande amor.

Agradecer o quê?

Agradecer o facto de ter doenças pouco graves. Porque as varizes, as pedras no rim, o hipotiróidismo e a epilepsia são problemas para a vida, mas nada que não se controle e nada que me tire qualidade de vida.

Agradecer o facto de as minhas pessoas estarem comigo e estarem bem… de saúde e felizes.

Agradecer o facto de poder ver a minha sobrinha crescer e atingir os seus objectivos.

Agradecer o facto de ter o meu quarto, a minha sala e as minhas estantes para as minhas centenas de livros.

Agradecer o facto de ter trabalho. Trabalho que me paga a tempo e horas, com todos os subsídios a que tenho direito.

Agradecer o facto de ter amor na minha vida.

Agradecer o facto de estar viva.

Não sei como é que, vendo aquelas imagens todos os dias no noticiário, haja quem continue a queixar-se da vida que leva.

Pessoas tão cheias de nadas. Pessoas como eu e como qualquer um de nós. Pessoas que tiveram o azar de nascer na parte errada do Planeta. Pessoas sem direito a Educação, Saúde, Habitação… Paz! As coisas que temos como adquiridas. Pessoas quase sem direito a sonhar. Num país com guerra. Com pobreza. E com catástrofes naturais desta envergadura.

Custa-me ver os corpos empilhados nas bermas de caminhos de terra, a que eles chamam estradas. Os corpos mutilados. As crianças sem destino. Custa-me ver a morte. Mas custa-me mais ver a morte no olhar dos vivos. Custa-me ver a falta de esperança. A falta de sonhos. A falta de tudo.

O que se vê todos os dias nos telejornais parece-se demais com uma cena de um filme. Qualquer coisa como o “Ensaio sobre a cegueira”. Algo de muito mais grotesco. Por não ser uma cena de um filme, mas a vida real.

Custa-me o egoísmo com que vivemos o nosso dia-a-dia. Sem estender a mão a quem precisa.

Admiro as pessoas que largam tudo para irem para lugares assim. Para Angola, Guiné, Iraque, Afeganistão, Haiti…. Tantos lugares e as muitas pessoas que vão são poucas.

No ano passado tive um convite para ir para a Guiné e não quis ir. Porque não é confortável. Há guerra. Há pobreza. E mesmo indo ganhar bem, não quis sair do conforto da vida que levo aqui.

É uma escolha legítima. Mas egoísta. E não me digam que faço a minha parte de outra forma, porque não faço. Não tenho de ter vergonha das coisas (e são só coisas) que compro com o dinheiro que me custa tanto a ganhar. Não tenho que ter vergonha das viagens que, ainda assim, consigo fazer. Mas não tenho o direito de me lamentar. Porque há quem faça muito mais do que eu e tenha muito muito menos.

Porque para tudo na vida é preciso sorte. Sorte. Crescemos a pensar que temos de estudar para arranjar um bom trabalho e que se trabalharmos muito vamos ter o que sempre quisemos e sonhámos. Desde o Renascimento que o Homem pensa assim… deixou de acreditar na providência divina, para acreditar que pode mudar o curso da sua vida e ter uma vida boa apenas e só se quiser. A “providência humana”. O Humanismo. Mentira. Mentira. Mentira.

É claro que nada nos cai no colo. Temos que nos pôr a jeito para a sorte nos bater à porta. Não vale de nada esperar pelo Euromilhões se não jogarmos. Na vida é igual… não podemos esperar um trabalho de sonho se não estudarmos e nos prepararmos para isso. Não podemos esperar uma saúde de ferro se não nos alimentarmos bem e não fizermos exercício.

Mas… podemos fazer tudo bem e ainda assim não conseguir. Porque há muitas pessoas preparadas sem trabalho. Porque há muitas pessoas sem oportunidade de estudar… porque a vida lhes pregou uma rasteira cedo demais na vida. Porque mesmo quem come bem e leva uma vida saudável pode ter doenças.

Sorte.

Sorte de nascer na família certa. Sorte de nascer no país certo, do lado certo do Planeta. Sorte em ter saúde. Sorte em ter pessoas boas no nosso caminho. Mantê-las dá trabalho e depende de nós… mas tê-las no nosso caminho já não.

Sorte.

No Euromilhões da vida… é o que desejo a todos. Sorte para atingir o Jackpot que é mantermo-nos vivos e com saúde.

Ao Haiti. Que haja quem, apesar de toda a dor, consiga manter a capacidade de sonhar e de mudar o seu Mundo. Que haja quem consiga ter sorte.