Foi o princípio do fim da Monarquia. Começava o Movimento de revolta contra a Monarquia, reacção ao Ultimato inglês. A República foi proclamada no Porto, durante duas horas. Falharam, mas tentaram.
Seria verdadeiramente proclamada em 5 de Outubro de 1910. Faz este ano 100 anos.
Andei esta semana a tentar escapar às dezenas de programas sobre o filme. Pela minha experiência, quanto menos souber de um filme quando o for ver, maior é a probabilidade de gostar dele.
Adorei.
Todos os pequenos pormenores. As personagens secundárias. O Ivo!! :) O Nicolau. E outros que não vou nomear para não estragar a surpresa a quem ainda for ver.
A minha cena preferida do filme passou-se aqui, em pleno Rossio, mas sem as luzes de Natal. É quase uma das cenas mais bonitas que vi num filme. Quase. Mas muito bonito mesmo.
Para quem quiser passar um bom bocado e incentivar a Economia e o Cinema feito em Portugal, recomendo :) "A bela e o paparazzo" vale mesmo a pena. (e sim, até gostei da Soraia!).
Há coisas estranhas a passarem-se no Mundo de ianita.
Se não, vejamos.
1- o meu horário de entrada no trabalho é às 9h, mas eu chego sempre às 08h40 ou 08h45m. Logo, levanto-me às 8h, para poder sair de casa às 8h30, depois de tomar banho, vestir, maquilhar, fazer a cama, tomar o pequeno-almoço e abrir a garagem, tirar o carro e fechar a garagem.
2- nas últimas semanas tenho tido muito sono. Mesmo muito sono. O despertador acorda-me, mas eu não me levanto... fico na cama até às 8h15m. E a essa hora tenho de correr para conseguir fazer tudo. Saio de casa às 8h35 e não fecho o portão da garagem.
3- passo a semana cheia de sono e a desejar que chegue o fim-de-semana para poder, finalmente, descansar e dormir 12h seguidas!
4- mesmo cansada, arranjei explicações para o Sábado e fui a um Centro de Explicações em Leiria a ver se me arranjam um explicando de 12º ano para horário pós-laboral (20h), algo que devo conseguir facilmente.
5- mesmo cansada, não consigo deitar-me cedo e esta semana ainda me pus a ver o "Mystic River" que não vi até ao fim, mas mesmo assim... deitei-me tardíssimo e no outro dia vi-me ainda mais lixada para me levantar.
6- mesmo cansada, chego a Sábado e acordo, sem sono, à 7h44m!!!! Muito mais cedo do que o despertador toca durante a semana. Levantei-me, fui à casa-de-banho, tomei o pequeno-almoço e voltei para a cama (aliás, sofá, porque ao fim-de-semana adoro deixar-me dormir no sofá) e ainda dormi mais uma horita.
Tem sido assim há semanas!! Onde estão os dias de me deitar à meia-noite e me levantar no outro dia ao meio-dia? Onde estão os dias de me levantar com dores de cabeça de tanto dormir? Por que é que ando feita zombie durante a semana e ao fim-de-semana acordo de madrugada sem qualquer incentivo?
Estou a endoidecer! É a única explicação!
Agora... é ir ali reunir as fichas sobre potências e áreas (eu que fui professora de Português)... depois tenho de ir ao trabalho (mas não era Sábado?)... e ainda trocar uma saia que me fica grande (!!?!!). Go figure!
Desisti de saber qual é o Teu nome, Se tens ou não tens nome que Te demos, Ou que rosto é que toma, se algum tome, Teu sopro tão além de quanto vemos.
Desisti de Te amar, por mais que a fome Do Teu amor nos seja o mais que temos, E empenhei-me em domar, nem que os não dome, Meus, por Ti, passionais e vãos extremos.
Chamar-Te amante ou pai... grotesco engano Que por demais tresanda a gosto humano! Grotesco engano o dar-te forma! E enfim,
Desisti de Te achar no quer que seja, De Te dar nome, rosto, culto, ou igreja... – Tu é que não desistirás de mim!
Passaram 65 anos da libertação de Auschwitz. Morreram neste complexo 1 milhão de judeus. Foram executados 1 milhão de judeus.
Na Faculdade estudei um filósofo, Paul Ricoeur. Ele esteve preso durante a II Guerra Mundial. Não em Auschwitz. Havia prisões diferentes para os grandes estudiosos. Quando foi libertado, no fim da guerra, não acreditava nos números. Não acreditava. Uma coisa era prender pessoas, outra muito diferente era matar. Matar só porque sim. E não um ou duas pessoas... milhões.
Mas o Holocausto é uma daquelas coisas que, infelizmente, não depende de pontos de vista. Existiu. As vítimas estão contabilizadas. Há sobreviventes. Há factos. E Ricoeur rendeu-se aos factos e dedicou o resto dos seus dias ao estudo das origens do mal.
Porque há que distinguir... entre os malucos, doidos, os nervosos que reagem a impulsos ou provocações... os que matam por acidente ou por reacção. E os que percebem perfeitamente a diferença entre o bem e o mal. E racionalmente, identificando a diferença, escolhem o mal. São os psicopatas. Que até podem saber que estão a fazer mal, mas simplesmente não querem saber.
Custa. Dói. Seria mais fácil culpar uma doença qualquer. Mas não é doença. É maldade.
Os livros mais interessantes do Ricouer não estão traduzidos em português. Ainda assim, do que li, adorei a abordagem e a consciencialização de que o mal existe. Apenas e só porque o bem existe.
Espero que não venhamos a presenciar nenhum acto de maldade semelhante... se bem que, haver pessoas que dizem que o Holocausto não existiu, deve ser algo de extremamente cruel para quem o viveu.
Vejo agora o documentário sobre os estudantes da Briosa, antes do 25 de Abril. Contestatários. Como o Manuel Alegre. Adriano Correia de Oliveira. Tantos.
Ainda hoje via no Telejornal o que se passa na Venezuela. O Presidente Chavez mandou fechar um canal televisivo, apenas e só por ter uma linha editorial contra o Governo. Os estudantes saíram à rua e já morreram dois deles. Fora os feridos.
Os estudantes estão sempre na linha da frente. Pela juventude. Pela irreverência. Pelo sonho que ainda os comanda. Não têm ainda filhos nem hipotecas nem trabalho. Não têm responsabilidades. Têm ideais e defendem-nos.
Aconteceu em França, no Maio de 68. Em Coimbra, em 69. Na Venezuela hoje.
Coimbra esteve na linha da frente na contestação ao Estado Novo. Não sei o porquê de ter sido Coimbra e não outra cidade. Talvez por ser uma cidade pequena e quase exclusivamente de estudantes. Greve aos exames. Cancelamento da Queima das Fitas. A Académica onde jogavam estudantes da Briosa. Alguns destes acontecimentos já retratados no "Conta-me como foi".
Estão a falar dos saraus... das tertúlias.... da poesia e da música... estou arrepiada. Emocionada.
Sinto-me orgulhosa de ter vivido naquela cidade. Mesmo noutros tempos. Acho que ainda hoje a cidade está cheia de mística. A mística de ser uma cidade onde se fizeram tantas coisas... uma cidade onde se viveram tantas coisas. Coimbra.
Gostava de poder viver num tempo em que não fosse preciso ver pessoas sair à rua...
Como não podia deixar de ser... deixo uma música de uma das melhores duplas da música portuguesa... letra de Manuel Alegre, música e voz de Adriano Correia de Oliveira.
Capa negra, rosa negra Rosa negra sem roseira Abre-te bem nos meus ombros Como o vento numa bandeira.
Abre-te bem nos meus ombros Vira costas à saudade Capa negra, rosa negra Bandeira de liberdade.
Eu sou livre como as aves E passo a vida a cantar Coração que nasceu livre Não se pode acorrentar.
Há coisas que eu não entendo. E a sério que às vezes me sento a pensar nestas coisas. A tentar entender. E não consigo. Escapa-me.
Não entendo por que é que há quem faça mal quando pode fazer bem.
Não entendo por que é que há quem não tenha brio profissional, mesmo quando não gosta do que faz.
Não entendo por que é que há pessoas que pensam no que fazer e decidem estragar o dia ou a vida a outra pessoa. Racionalmente e não "sem querer".
Não entendo por que é que há quem prefira afundar-se a levantar-se.
Não entendo por que é que há quem prefira não ver. Quem escolha ter os olhos fechados.
Não entendo por que é que nos afastamos de pessoas com quem não nos identificamos, pessoas que nos fazem mal, nos magoam, mas nunca nos afastamos da família que nos faz mal e magoa.
Será porque há pessoas más?
Será porque é mais fácil?
Será porque há quem não tenha forças?
Será porque há quem prefira a ilusão da felicidade à certeza da infelicidade?
Será porque a família é quem mais gosta de nós e por isso lhes perdoamos tudo?
A maldade não se explica nem entende. É uma doença. Mas terá cura?
A preguiça e a falta de brio também são uma doença... às vezes dá menos trabalho fazer bem feito a fazer mal feito, mas há quem simplesmente não queira saber. O que eu não entendo.
Por mais que me tenha apetecido, baixar os braços nunca foi uma opção para mim, pelo que me é difícil de entender que haja quem o faça. Posso baixar os braços em determinadas situações pontuais... aprender a fazer cambalhotas ou a fazer o pino, por exemplo. Baixar os braços ou virar as costas a discussões que não valem a pena. E não valem a pena porque as pessoas não valem a pena. Mas baixar os braços à vida nunca foi e espero que nunca venha a ser opção. Por isso... não entendo.
Se a família é quem mais nos ama, não deveriam não nos magoar? E, se nos magoam, se calhar não gostam assim tanto de nós. Se viramos as costas a "amigos", conhecidos que nos magoam, porque não o fazemos às pessoas da família que na maioria das vezes fazem bem pior? Será porque assim admitimos que falhámos? Às vezes acho estranho quando uma pessoa vira as costas a outra pessoa da família. Família é família. É para a vida. Mas... há pessoas que não merecem. Nem o esforço. Nem as dores de cabeça. Nem as contínuas tentativas. E, ainda assim, persistimos.
Se alguém me conseguir explicar estas coisas, eu agradeço. São mesmo coisas que me escapam ao entendimento. E não sou eu a dar uma de mau feitio. Parece ser ponto assente que tenho mau feitio. Confirmo. Um mau feitio daqueles estranhos, que não tem medo de pedir de desculpas nem de dar o braço a torcer. Aliás, o mau feitio que dá sempre o braço a torcer. Em nome do bom ambiente e da paz na Terra entre os homens de bem. Tenho mesmo muito mau feitio. Pena ter também coração de manteiga.
É impressionante como uma pequena coisa para nós pode fazer uma grande diferença na vida de outra pessoa.
Hoje tinha explicações. Matemática. Depois de a miúda ir embora pensei em vestir o pijama e ficar no sofá a ver filmes. Dormitar. Ler um livro. The usual. Entretanto não chovia. Nem fazia assim tanto frio e lembrei-me de perguntar à minha mãe se me ia pagar o lanche a qualquer lado. Tão simples. Em vez de ficar no sofá levei a minha mãe a lanchar fora e ela ficou super feliz. Tão feliz que me chateei comigo mesma por não fazer isto mais vezes.
Claro que ela aproveitou para ir ao centro comercial comprar uma planta para uma amiga que fez anos esta semana. Lá fui eu com ela. Encontrámos uma senhora do Bairro da Cimpor, conhecida da minha mãe há décadas. A conversa de circunstância de sempre. A minha mãe a dizer que eu era filha dela. A senhora a dizer que eu era muito bonita. Perguntou se eu era solteira e, quando eu disse que sim, não levei com o ar reprovador, mas com uma palmadinha nas costas e um "é assim mesmo. Não caias na esparrela". LOL
A minha mãe lá me contou depois que a senhora (já com uns 70 e muitos anos) era viúva de um senhor que era muito mau para ela e para os filhos. E que os filhos nunca tinham casado. E assim soube que aquelas palavras foram genuínas.
E fomos lanchar à Batalha e voltámos para casa. Não sem antes passar em casa da amiga e entregar a planta. Claro que na aldeia, e entre os meus pais e os seus conhecidos e amigos ainda é muito assim, não se dá nada sem se receber qualquer coisa. A minha mãe costuma dizer que dá um pinto e recebe um peru. LOL Lá foi entregar a planta e trouxe um saco cheio de laranjas. Nham nham! (as cá de casa são azedas como o meu irmão gosta e eu detesto!).
Hora e meia depois estávamos em casa. Hora e meia do meu tempo deixou a minha mãe com um sorriso nos lábios. Tão simples, não é?
Cheguei ainda a tempo de vestir o pijama, ver que não dava nada de jeito na tv e pôr um dvd que comprei com o jornal na semana passada. JUNO. Tive curiosidade de o ver quando saiu no cinema e sabia que iria gostar.
Simples. Com músicas muito bonitas. Com personagens simples. Com uma história simples. Sem moralismos. Só bonita. E simples.
Gostei. Muito. Agora... das duas uma... ou começo a ler a maravilha de literatura erótica que saiu esta semana com a Sábado, ou começo a ver a 5ª temporada de Friends (terminei de ver a 4ª hoje de manhã). Ainda não sei bem... Acho que vou ouvir esta musiquinha outra vez e já decido...
You're a part time lover and a full time friend The monkey on you're back is the latest trend I don't see what anyone can see, in anyone else But you
I kiss you on the brain in the shadow of a train I kiss you all starry eyed, my body's swinging from side to side I don't see what anyone can see, in anyone else But you
Here is the church and here is the steeple We sure are cute for two ugly people I don't see what anyone can see, in anyone else But you
The pebbles forgive me, the trees forgive me So why can't, you forgive me? I don't see what anyone can see, in anyone else But you
I will find my nitch in your car With my mp3 DVD rumple-packed guitar I don't see what anyone can see, in anyone else But you
Du du du du du du dudu Du du du du du du dudu Du du du du du du dudu du
Up up down down left right left right B A start Just because we use cheats doesn't mean we're not smart I don't see what anyone can see, in anyone else But you
You are always trying to keep it real I'm in love with how you feel I don't see what anyone can see, in anyone else But you
We both have shiny happy fits of rage You want more fans, I want more stage I don't see what anyone can see, in anyone else But you
Don Quixote was a steel driving man My name is Adam I'm your biggest fan I don't see what anyone can see, in anyone else But you
Squinched up your face and did a dance You shook a little turd out of the bottom of your pants I don't see what anyone can see, in anyone else But you
Fazemos ensaios para tudo. Para nos sentirmos seguros e confiantes na hora H. Nem sempre resulta, porque há condicionantes que na hora do ensaio não se verificam. Na hora do ensaio não há pressão... nem nervos... nem medo. Há tranquilidade. E em serenidade tudo se consegue.
Hoje houve um simulacro na empresa. Correu muito bem, precisamente porque era um simulacro e não uma situação real.
Ninguém ouviu a campaínha. E teve se ser o coordenador de segurança (coxo!) a ir chamar as pessoas, andar a andar...
Lá saímos... na risota, nas calmas.
Para a vida a sério não há simulacros. E só se conhecem as pessoas nas situações limite. É muito fácil ser-se bem-disposto e bem-humorado quando tudo está bem. Mais difícil é ser-se boa pessoa quando tudo corre mal.
Podemos sempre pensar que sem os simulacros a vida real seria pior ainda. Portanto, venham os simulacros.
E hoje voltei a ser "aninhas", depois de umas semanas a ser "pequerrucha". LOL
Aprendemos na escola que quando a Terra treme devemos assumir uma posição de segurança... ir para debaixo de uma mesa... ficar de cócoras numa esquina interior... fugir de portas e janelas... e, assim que a Terra pare de tremer, sair com calma e procurar um lugar seguro ao ar livre.
Aprendi há muitos anos e ainda hoje sei. Ficou enraizado. O que não está enraizado é o que devemos fazer quando estamos em casas que vão abaixo como um castelo de cartas. O que não está enraizado é o que devemos fazer no pânico de ficarmos soterrados.
Toda a gente sabe que a Terra tremeu no Haiti. Toda a gente sabe o que se passou. Toda a gente viu imagens na TV. Sabendo disto tudo... pior! Vendo ao vivo isto tudo, não me admira que, ao sentir a Terra tremer outra vez, o jornalista da RTP, Vítor Gonçalves, tivesse saltado pela janela. Não esperou debaixo de uma mesa nem numa esquina. Saltou pela janela. E esse salto causou-lhe ferimentos cuja extensão ainda não se conhece.
Ainda no outro dia, penso que Domingo, estava a ver um programa na RTP2, apresentado pela Márcia Rodrigues (costumo ver, mas não me lembro do nome) e estava lá uma outra jornalista que contou qual tinha sido o momento mais marcante na vida dela enquanto jornalista. Disse que, enquanto repórter, tinha visto e vivido muitas coisas, que com o tempo as pessoas aprendem a viver com algumas coisas, mas que a marcou muito o que tinha vivido na Tailândia, depois do tsunami. Falou de uma mãe. Uma como muitas outras. Uma mãe que se salvou e que salvou uma filha, mas que chorava a dor de ter perdido o filho. Porque teve de o largar. Salvou um filho e deixou morrer outro porque não tinha forças para agarrar os dois.
Na altura comentei com a Rony que vida de repórter de guerra, ou repórter de catástrofes não é fácil. Não sei como é que se vive com isto tudo.
Nós... nós mudamos de canal. Fingimos que vemos, mas não vemos. Porque eles estão lá. 24h por dia, todos os dias. Não só vêem, como sentem, vivem.
E não sei como é que se pode ter uma vida normal depois do que eles passam por lá. As tragédias... os tiros... os raptos... os assassínios...
Gosto do Vítor Gonçalves. É daqueles poucos jornalistas que conheço pelo nome e pela voz. Contam-se pelos dedos das mãos. Gostei muito das reportagens que fez na campanha eleitoral americana. Um bem-haja para ele e para todos os que estão deslocados do seu país, a trabalho ou em voluntariado, abdicando do seu conforto e, mais que isso, arriscando as suas vidas.
1 ano de Obama. 1 ano quando havia quem dissesse que ele não sobrevivia 1 semana. 1 ano de muitas promessas e de algumas coisas feitas. A reforma interna está em progresso. As relações com Cuba estão como nunca estiveram (para melhor, entenda-se). 1 prémio Nobel.
Já aqui disse e continuo a achar o mesmo. É o primeiro presidente global. O primeiro presidente globalmente aceite. O primeiro presidente a conseguir angariar a simpatia dos povos além fronteiras americanas. O primeiro presidente, depois de Kennedy, que conseguiu fazer as pessoas acreditar. Ele sozinho não faz nada... mas ele sozinho consegue mobilizar as vontades do Mundo. Tipo Belimunda. Só que em homem. :)
de Alice Vieira, Catarina Fonseca, Rosa Lobato de Faria, Luísa Beltrão, Rita Ferro, Leonor Xavier.
"Quando seis autoras se juntam para escrever uma história, o resultado é um romance alucinante, onde não faltam mulheres e homens, doenças raras, médicos de índole suspeita, polícias e muito mistério, tudo servido em doses de humor irreverente. A história, nascida da imaginação de seis mulheres, promete personagens e uma prosa bem viva… apesar das mortes que vão ocorrendo, como é bom de ver. Este romance constitui um divertimento para as seis escritoras que se encontraram (reencontraram, num caso ou noutro) pelo prazer de dar largas à imaginação e escrever, cada uma, dois capítulos do livro.
Uma mulher com várias personalidades, um lado negro e mistérios mil por desvendar. Quantos segredos cabem numa vida?"
Adorei.
Li-o no fim-de-semana. Estas senhoras não desiludem. Escreveram um romance vivo, cheio de peripécias, na maioria parvas. Não há que questionar as pontas soltas nem a lógica da história. A lógica é não ter lógica. Ou, a lógica é ser divertido.
E é. É um livro super divertido e muito bem escrito.
A minha única crítica vai para o facto de não sabermos que capítulo foi escrito por cada uma das autoras. Quanto ao resto... recomendo vivamente a quem se queira divertir com literatura de qualidade.
Uma pessoa passa pela vida. Uma pessoa passa pela vida e são mais os dias em que se queixa dos que em que agradece.
Agradecer o quê? Não tenho o trabalho que quero. Não tenho o vencimento que quero. Não tenho casa própria. Conduzo um carro com 12 anos e se ele morrer não tenho como comprar outro. Não tenho o corpo que quero. Não tenho a roupa e os sapatos que quero. Não faço todas as viagens que quero. Não encontrei ainda o meu grande amor.
Agradecer o quê?
Agradecer o facto de ter doenças pouco graves. Porque as varizes, as pedras no rim, o hipotiróidismo e a epilepsia são problemas para a vida, mas nada que não se controle e nada que me tire qualidade de vida.
Agradecer o facto de as minhas pessoas estarem comigo e estarem bem… de saúde e felizes.
Agradecer o facto de poder ver a minha sobrinha crescer e atingir os seus objectivos.
Agradecer o facto de ter o meu quarto, a minha sala e as minhas estantes para as minhas centenas de livros.
Agradecer o facto de ter trabalho. Trabalho que me paga a tempo e horas, com todos os subsídios a que tenho direito.
Agradecer o facto de ter amor na minha vida.
Agradecer o facto de estar viva.
Não sei como é que, vendo aquelas imagens todos os dias no noticiário, haja quem continue a queixar-se da vida que leva.
Pessoas tão cheias de nadas. Pessoas como eu e como qualquer um de nós. Pessoas que tiveram o azar de nascer na parte errada do Planeta. Pessoas sem direito a Educação, Saúde, Habitação… Paz! As coisas que temos como adquiridas. Pessoas quase sem direito a sonhar. Num país com guerra. Com pobreza. E com catástrofes naturais desta envergadura.
Custa-me ver os corpos empilhados nas bermas de caminhos de terra, a que eles chamam estradas. Os corpos mutilados. As crianças sem destino. Custa-me ver a morte. Mas custa-me mais ver a morte no olhar dos vivos. Custa-me ver a falta de esperança. A falta de sonhos. A falta de tudo.
O que se vê todos os dias nos telejornais parece-se demais com uma cena de um filme. Qualquer coisa como o “Ensaio sobre a cegueira”. Algo de muito mais grotesco. Por não ser uma cena de um filme, mas a vida real.
Custa-me o egoísmo com que vivemos o nosso dia-a-dia. Sem estender a mão a quem precisa.
Admiro as pessoas que largam tudo para irem para lugares assim. Para Angola, Guiné, Iraque, Afeganistão, Haiti…. Tantos lugares e as muitas pessoas que vão são poucas.
No ano passado tive um convite para ir para a Guiné e não quis ir. Porque não é confortável. Há guerra. Há pobreza. E mesmo indo ganhar bem, não quis sair do conforto da vida que levo aqui.
É uma escolha legítima. Mas egoísta. E não me digam que faço a minha parte de outra forma, porque não faço. Não tenho de ter vergonha das coisas (e são só coisas) que compro com o dinheiro que me custa tanto a ganhar. Não tenho que ter vergonha das viagens que, ainda assim, consigo fazer. Mas não tenho o direito de me lamentar. Porque há quem faça muito mais do que eu e tenha muito muito menos.
Porque para tudo na vida é preciso sorte. Sorte. Crescemos a pensar que temos de estudar para arranjar um bom trabalho e que se trabalharmos muito vamos ter o que sempre quisemos e sonhámos. Desde o Renascimento que o Homem pensa assim… deixou de acreditar na providência divina, para acreditar que pode mudar o curso da sua vida e ter uma vida boa apenas e só se quiser. A “providência humana”. O Humanismo. Mentira. Mentira. Mentira.
É claro que nada nos cai no colo. Temos que nos pôr a jeito para a sorte nos bater à porta. Não vale de nada esperar pelo Euromilhões se não jogarmos. Na vida é igual… não podemos esperar um trabalho de sonho se não estudarmos e nos prepararmos para isso. Não podemos esperar uma saúde de ferro se não nos alimentarmos bem e não fizermos exercício.
Mas… podemos fazer tudo bem e ainda assim não conseguir. Porque há muitas pessoas preparadas sem trabalho. Porque há muitas pessoas sem oportunidade de estudar… porque a vida lhes pregou uma rasteira cedo demais na vida. Porque mesmo quem come bem e leva uma vida saudável pode ter doenças.
Sorte.
Sorte de nascer na família certa. Sorte de nascer no país certo, do lado certo do Planeta. Sorte em ter saúde. Sorte em ter pessoas boas no nosso caminho. Mantê-las dá trabalho e depende de nós… mas tê-las no nosso caminho já não.
Sorte.
No Euromilhões da vida… é o que desejo a todos. Sorte para atingir o Jackpot que é mantermo-nos vivos e com saúde.
Ao Haiti. Que haja quem, apesar de toda a dor, consiga manter a capacidade de sonhar e de mudar o seu Mundo. Que haja quem consiga ter sorte.
17 de janeiro de 2010
- Sometimes our best isn't good enough. - True. But that's no reason to give anything less.
Uma das muitas fantásticas músicas da noite. Poderia pôr aqui muitas outras... Mas era esta que estava a dar quando viémos embora... enquanto vislumbrávamos deuses suecos... nem de propósito... dreameeerrrrr... :)
Por que é que viemos embora mesmo? :)
Dreamer, you know you are a dreamer Well can you put your hands in your head, oh no! I said dreamer, you're nothing but a dreamer Well can you put your hands in your head, oh no! I said "Far out, - What a day, a year, a laugh it is!" You know, - Well you know you had it comin' to you, Now there's not a lot I can do
Dreamer, you stupid little dreamer; So now you put your head in your hands, oh no! I said "Far out, - What a day, a year, a laugh it is!" You know, - Well you know you had it comin' to you, Now there's not a lot I can do.
Well work it out someday If I could see something You can see anything you want boy If I could be someone- You can be anyone, celebrate boy. If I could do something- Well you can do something, If I could do anything- Well can you do something out of this world? Take a dream on a Sunday Take a life, take a holiday Take a lie, take a dreamer dream, dream, dream, dream, dream along... Dreamer, you know you are a dreamer Well can you put your hands in your head, oh no! I said dreamer, you're nothing but a dreamer Well can you put your hands in your head, oh no! OH NO!
Sara, em hebraico, significa "princesa". E em português de ianita também.
Parabéns, minha princesa. Que faças muitos muitos mais. Sempre cheios de conquistas. Sempre cheios de sorrisos. Sempre cheios de alegria de viver. Sempre cheios de vida.
Your home is where your heart is Your heart is where your home is
Podemos ter mais que um lar? Se o nosso coração estiver em mais que um sítio? E poderemos ter um lar onde não temos o nosso coração? É neste sentido que se aplica a noção de "amor e uma cabana"? Não interessa onde vivemos, o que interessa é a construção de um lar e não a construção de uma casa? O que interessa é onde temos o coração?
Será assim tão linear? Ou poderá o coração pregar-nos partidas? E a cabeça?
Your home is where your heart is Your heart is where your home is
Talvez... E a cabeça? Onde fica a cabeça no meio disto tudo?
Gosto muito de futebol. Aliás, gosto muito de desporto. Mas, por mais que goste muito de um determinado desporto, por mais que goste muitos dos intervenientes, confesso que muitas vezes me aborrece ver desporto na TV.
Gosto muito de futebol, mas não vejo os jogos todos, nem mesmo do Benfica. E ténis, nem mesmo quando o Federer joga. Ou nem sempre que o Federer joga. Porque nem todos os jogos são bons.
Mas, há quem não seja assim e veja tudo. Tipo o meu irmão. Que é gajo para ver jogos da 2ªdivisão de futebol só porque sim e eu começo logo a bocejar. Eu só vejo jogos do Porto e do Sporting quando jogam com o Benfica. Mas o meu irmão vê todos os jogos que passam nas Sport Tvs e acompanha os outros via net.
Ontem achei estranho... estava a jogar o FCP (o meu irmão é muito portista) e o meu irmão tinha a tv no Angola-Mali.
Estranhei, mas depois comecei a ver o jogo. Estava Angola a ganhar 2-0. E estavam a jogar mesmo muito bem. De repente 2 penalties e tal, 4-0. E mesmo estando a jogar tão bem, e mesmo sendo um jogo bem jogado (muito mais bem jogado que o outro que estava a passar), aborreceu-me porque achava que eram favas contadas e recolhi-me aos meus aposentos.
Qual não é o meu espanto quando hoje ouço que o jogo ficou 4-4. Em pouco mais de 10 minutos o Mali conseguiu marcar 4 golos e empatar o jogo. A 15 minutos do fim o jogo estava 4-0.
Caramba. Isto sim é futebol e arrependo-me de não ter ficado até ao fim. E penso que, no fundo no fundo, mesmo não o admitindo, o meu irmão também ficou contente com a troca que fez. Basicamente ele também já deveria saber que o FCP ia ganhar. Vamos ver se o gajo que falhou o penalty, já em descontos, não muda de clube no fim da época... ou então se não vai mudar de casa ou coisa que lhe valha.
Este Angola-Mali deve ter sido o Inglaterra-Portugal lá da zona. Quantos ataques cardíacos terá provocado? Bem... o Manuel José, coitado, ia morrendo :)
Hoje acordei cedinho. Venci a preguiça e fui a Coimbra. Sozinha. Mesmo com o temporal. Peguei no carro e fui.
Tinha uma óptima desculpa. Ofereceram-me um cd que eu já tinha. Por isso, tive de ir trocá-lo à FNAC que, por enquanto, ainda não há em Leiria. E aproveitei, numa de rentabilizar a viagem e nada mais, para comprar uma mala. E um sobretudo. E uma blusa. E um pijama. E lingerie. E muitas (6!!) camisolas da Bershka para a minha sobrinha que vai fazer anos 5ªfeira.
Troquei o cd pela 5ª temporada de Friends :). A 4ª vou ter de mandar vir pela net, porque não havia na loja. E comprei a minha agenda para 2010.
Sou esquisita com as agendas. Só as compro no início do ano. O que já me disseram que é estúpido. Porque o people põe as agendas à venda a partir de Setembro e no início do ano já não há nada de jeito. Mas eu sou assim... Só em Janeiro é que compro a agenda e não há nada a fazer.
No ano passado comprei uma com fotos de Barcelona. Longe de saber que iria a Barcelona nesse ano.
Este ano comprei a única que havia do tamanho que eu queria. Havia algumas giras, mas eram ou demasiado grandes ou demasiado pequenas ou estranhas... Aquela que comprei tem o tamanho certo. Chama-se "Gosto de ti todos os dias - uma agenda literária". Se no ano passado comprei a agenda de Barcelona e acabei por ir a Barcelona... será que este ano vou encontrar alguém que goste de mim todos os dias?
Almocei no chinês. Fui ver se havia algum filme porreiro, mas não. E então vim embora. A ouvir o programa do provedor do ouvinte, na Antena 3. Estava a falar um astrónomo, a explicar que começamos a contar os anos pelo número 1 e não pelo número zero... pelo que só mudamos de década no fim deste ano. Não tinha pensado nisso, mas o senhor explicou e eu entendi.
Estava muito vento. O carro tremia e queria fugir, mas eu não deixei. Cheguei sã e salva ainda não eram 15h. Cheia de coisas novas. E de prendas para oferecer.
Comprar coisas faz-me mesmo sentir bem. Acho que tenho uma compulsão qualquer :)
Amanhã... trabalho. Daquele muito chato, mas que me dá eurinhos para comprar coisas. :)
Eu tenho uma espécie de dever, de dever de sonhar, de sonhar sempre, pois sendo mais do que um espectador de mim mesmo, eu tenho que ter o melhor espectáculo que posso. E assim me construo a ouro e sedas, em salas supostas, invento palco, cenário, para viver o meu sonho entre luzes brandas e músicas invisíveis.
(Fernando Pessoa)
É mais ou menos isto. Sei que tenho mais audiência. E não posso viver só para mim. Mas, acima de tudo, tenho de viver. Ser eu. Viver a minha vida e não a dos outros. O meu caminho. As minhas escolhas. O meu espectáculo. Onde, acima de tudo, tenho de agradar ao mais importante espectador de todos: EU.
E sonho. Sonhos bonitos. Dos possíveis e dos impossíveis. E sonho que todos possam ser possíveis. E vou vivendo. Um sonho de cada vez. Porque eu prefiro a vida vivida à vida sonhada.
O espectáculo está prestes a recomeçar. Quem quer vir para o espectáculo?
Hoje foi dia de ver a conta do mecânico e cair para o lado. Eu sabia que tinha errado de profissão! Mas hoje tive a certeza...
Passei o cheque. Doeu, mas passei. Dei-o ao meu pai e pedi-lhe o favor de amanhã ir pagar ao sr. mecânico. O meu pai diz-me que não era preciso ser já amanhã e tal. E eu digo que até já recebi e se tenho uma dívida quero é pagá-la. E eis que ele se sai com a pérola: "nem precisavas ter recebido, com certeza ainda tinhas que chegue com o que te sobrou do 13º mês". Ou não, paizinho. Ou não!!
Hoje foi dia de descobrir que o meu pai é muito ingénuo.
Hoje foi dia de inscrição num ginásio só de gajas.
Hoje foi dia de receber prendas de Natal pelo correio. Eu gosto de correio. Daquele à "moda antiga". Com umas palavras manuscritas. E se vierem prendas, melhor ainda!! :)
Recebi a 3ª temporada de Friends. Recebi uma moldura com fotos. Recebi uma caixa de chá, de madeira, fantástica! Recebi uma carta. Recebi um poema. E recebi, que me desculpem as outras prendas, a prenda mais fantástica! Um "free pass" com pensão completa incluída, sem limite de utilizações, para uma certa herdade algarvia. :)
Adorei, obrigada!
E, assim de repente, esqueci-me que hoje discuti com o advogado outra vez. E que amanhã não vai ser fácil... quando ele chegar e vir que não fiz nada do que ele me pediu. Temos pena. :)
Mas ontem, numa outra discussão (e sim, tem sido diário), ele disse-me uma frase de que gostei particularmente e que estou ansiosa de usar com alguém... "isso é um problema teu, não meu". :)
(e agora, a musiquinha que está agora mesmo no Rádio... e eu a cantar altíssimo... Whoooaaahhhh We're half way there Livin' on a prayer Take my hand and we'll make it - I swear Livin' on a prayer We've got to hold on ready or not You live for the fight when it's all that you've got)
A vida não volta atrás. Não valem de nada os arrependimentos. Valerão para fazermos diferente de agora em diante. Para não repetirmos asneiras. Mas os arrependimentos não mudam o que foi. O que foi passou e não volta mais.
O tempo é invencível. Eterno. Implacável. Não volta jamais. Não acelera nem trava. É sempre o mesmo. Mas o tempo é de quem o quiser... será mais ou menos, dependendo do que dele fazemos.
E o que eu quero é um tempo cheio. Uma vida cheia de coisas para me orgulhar e para me arrepender. Uma vida cheia de experiências. Uma vida cheia de caminhos sinuosos... de curvas apertadas... de sustos... de medos... de precauções... e de tiro no escuro... salto no abismo... trapézio sem rede... esperança... sentimento. E o tempo é hoje.
E o olhar para trás e sorrir... esse sorriso vale tudo. Esse sentimento de dever cumprido. Esse sentimento de "fiz tudo o que havia a fazer" ou "vivi tudo o que havia a viver" ou "sofri de car*****, mas fui muito feliz" ou "valeu a pena". Esses sentimentos fazem uma vida. Esses momentos fazem uma vida. Esse tempo faz uma vida.
Uma música perfeita. Um poema perfeito. Cantado por duas vozes perfeitas... da velha geração, Sérgio Godinho. Da nova geração, David Fonseca.
Vou uma vez mais correr atrás de todo o meu tempo perdido quem sabe, está guardado num relógio escondido por quem nem avalia o tempo que tem
Ou alguém o achou examinou julgou um tempo sem sentido quem sabe, foi usado e está arrependido o ladrão que andou vivendo com meu quinhão
Ou dorme num arquivo um pedaço de vida a vida, a vida, a vida que eu não gozei eu não respirei eu não existia
Mas eu estava vivo vivo, vivo, vivo o tempo escorreu o tempo era meu e apenas queria haver de volta cada minuto que passou sem mim
Sim encontro enfim iguais a mim outras pessoas aturdidas
descubro que são muitas as horas dessas vidas que estão talvez postas em grande leilão
São mais de um milhão uma legião um carrilhão de horas vivas quem sabe, dobram juntas as dores colectivas, quiçá no canto mais pungente que há
ou dançam numa torre as nossas sobrevidas vidas, vidas a se encantar a se combinar em vidas futuras
Enquanto o vinho corre, corre, corre morrem de rir mas morrem de rir naquelas alturas pois sabem que não volta jamais um tempo que passou
"Compadecendo-se, por fim, Zeus lança mão de outro artifício e muda-lhes para diante os órgãos genitais. (...) Ao mudar-lhes, pois, os órgãos genitais para diante, Zeus determinou que a geração humana passasse também a efectuar-se de uns para outros, mediante tais órgãos - na fêmea por intermédio do macho. E eis o que tinha em vista: se acaso o acoplamento se desse entre homem e mulher, o resultado seria procriarem e perpetuarem a espécie; se entre dois varões, haveria pelo menos a plenitude da união e, uma vez apaziguado o desejo, poderiam voltar às suas tarefas e interessar-se por outros aspectos da vida. Dessa época longínqua data, sem dúvida alguma, a implantação do amor entre os homens - o amor que restabelece o nosso estado original e procura fazer de dois um só, curando assim a natureza humana. "
Banquete, Platão
Havia regras. O activo na relação homossexual tinha de ser o mais velho e de posição social mais elevada. De resto, era plenamente aceite. O casamento servia para procriar. O que não queria dizer necessariamente que, tanto homens como mulheres, não tivessem os seus amantes. Do mesmo sexo.
Os tempos são outros. Nestes milhares de anos muitas coisas mudaram. Fala-se agora no casamento homossexual. Ou noutra coisa qualquer que os senhores do PSD lhe querem chamar porque supostamente não se pode usar a palavra "casamento". Casamento "é o vínculo estabelecido entre duas pessoas, mediante o reconhecimento governamental, religioso ou social e que pressupõe uma relação interpessoal de intimidade, cuja representação arquetípica são as relações sexuais, embora possa ser visto por muitos como um contrato." Simples. Para quê complicar o que é simples? Tão simples.
A Igreja é contra. Está no seu direito de não casar pessoas do mesmo sexo. Mas o Governo Civil pode. Uma coisa não implica a outra, pelo menos desde o 25 de Abril. E ainda bem.
(Dei com este texto hoje e tive de o partilhar... há mais de dois mil anos era assim... não percebo por que é que temos a mania de não aprender com os antigos... não percebo mesmo.)
A blusa era de cetim azul. A roupa interior novíssima era de renda dourada. Calça preta. Sapatos lindos com salto de 13 cm. Quais as probabilidades de entrar na loja... ver os sapatos... só haver um par... e esse par ser exactamente o nosso número? Estavam mesmo a pedir para se mudarem para a minha sapateira. Os mais altos que tenho. Custa. Dói. Mas uma pessoa sente-se outra. Não tem que ver com tradições ou costumes, mas gosto de vestir roupa nova na passagem do ano. Porque vestir roupa nova me faz sentir bem. Porque é, acho eu, um bom prenúncio para o ano que começa. Um ano cheio de coisas novas. Sentimentos novos. Pessoas novas. E sapatos novos também, porque eu mereço :). Estes ficam à espera de outra ocasião especial para saírem da sapateira. Porque com estes não me atrevo a ir trabalhar.
Porque tudo se resume a isto. A lutar ou a baixar os braços e ir com a maré. Acho que às vezes lutamos demais pelas coisas erradas, pelas pessoas erradas. Acho mesmo que não tem mal nenhum baixar os braços e ver onde a maré nos leva. Parar. Pensar. Repensar o caminho e as escolhas. Repensar as pessoas. Repensar-nos.
A água da maré até nos pode fazer bem. Lavar-nos a alma. E deixar-nos melhor do que se lutássemos contra ela. Porque às vezes, a vida pode ter melhores planos para nós. Mas estamos tão obcecados em perseguir o que achamos que é melhor, que nem apreciamos o que a maré traz.
Planear é bom. Estabelecer objectivos também. Mas... há que não nos esquecermos que o importante não são os objectivos cumpridos ou por cumprir. O importante não são as "check-lists". O importante não é a meta. Não há nenhuma corrida. Não há nenhuma competição a decorrer. E o importante não é o objectivo, mas o que se fez para se chegar a ele. O importante é o caminho.
E eu gosto do caminho. Gosto das pessoas que me acompanham. Que me escolheram para as acompanhar nos seus caminhos também. Gosto da sensação de liberdade. Gosto dos momentos de felicidade. Gosto da vida.
Podia pôr aqui a Jem e o seu "Just a ride", (para quem não conhece a letra...), mas... para começar o ano com coisas bonitas e novas :) fica o John Mayer. De um cd novo que alguém me mandou pelo correio e que chegou cá no dia 24 (obrigada novamente). Porque o Tempo é AGORA. Porque a vida é minha e ninguém a pode viver por mim. A luta é minha. Diária. E a cada dia, um passo mais perto. De quê? De mim.
Come out Angels Come out Ghosts Come out Darkness Bring everyone you know
I'm not running I'm not scared I am waiting and well prepared
I'm in the war of my life At the door of my life Out of Time and there's no where to run
I've got a hammer And a heart of glass I got to know right now Which walls to smash
I got a pocket Got no pill If fear hasn't killed me yet Than nothing will
All the suffering And all the pain Never left their name
I'm in the war of my life At the door of my life Out of time and there's nowhere to run
I'm in the war of my life At the core of my life I've got no choice but to fight 'til it's done
No more suffering No more pain Never again
I'm in the war of my life At the door of my life Out of time and there's no where to run
I'm in the war of my life I'm at the core of my life Got no choice but to fight 'til it's done So Fight on, fight on everyone, so fight on Got no choice but to fight 'til it's done
I'm in the war of my life I'm at the core of my life I've got no choice but to fight 'til it's done
Recomeça... Se puderes, Sem angústia e sem pressa. E os passos que deres, Nesse caminho duro Do futuro, Dá-os em liberdade. Enquanto não alcances Não descanses. De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado, Vai colhendo Ilusões sucessivas no pomar E vendo Acordado, O logro da aventura. És homem, não te esqueças! Só é tua a loucura Onde, com lucidez, te reconheças.
Miguel Torga, Diário XIII
Já não sei o número de vezes que postei este poema. E hoje, quando pensei em postar um poema, só me fazia sentido este.
Neste início de ano. Venho ao de cima outra vez. Ganho novo fôlego. E recomeço. Com inseguranças. Com os medos do costume. Com cautelas. Mas a pés juntos e de coração aberto... como tem sido sempre.
Comecei o ano com uma outra família, que não a minha. Uma família que me acolheu e me tratou que se fosse uma deles. Pensava eu que, afastando-me, conseguiria estar melhor. E estive. Mas as memórias não estão nos sítios nem nas pessoas com quem estamos, mas em nós. E foi inevitável, ao bater das badaladas, lembrar-me da minha avó. Lembrar-me que ia começar um novo ano sem ela.
Dói. Custa. Mas sei o que fazer. Porque a conhecia. Porque sei o que foi sempre o exemplo dela. VIDA. Independentemente de tudo. VIDA. Recomeço. Renascimento das cinzas. Fénix. Sísifo. E persistir. Contra ventos e tempestades. Aqui vou eu.
O que espero? Ter coragem para enfrentar os desafios, ter força para conquistar o que está ao meu alcance... e que a VIDA me ajude com o resto. Com o que me escapa. Com o que me foge ao controlo. Que me dê saúde e que mantenha as minhas pessoas comigo por muito tempo. E o que desejo para mim, desejo a todos.